domingo, 21 de outubro de 2018

Mesmo que conhecesse todos os mistérios e toda a ciência...

Desde o início de minha conversão tenho procurado aprofundar-me na compreensão da doutrina da Igreja e, sobretudo, nas conspirações e nuances envolvendo o atual contexto histórico da crise neomodernista advinda do Concílio Vaticano II. Nesta jornada, conheci alguns irmãos a trilhar o mesmo caminho, contudo, observo certos vícios que em maior ou menor grau também em mim se manifestam. Enebriados com certa compreensão do atual cenário, muitos deixam-se seduzir pelo orgulho, toma seus estudos como a garantia de sua salvação e, acabam por desprezar os irmãos, desrespeitar as autoridades eclesiais, bem como escandalizar os pequeninos. Tal atitude evoca-nos o neognosticismo do qual nos fala Francisco em sua exortação apostólica Gaudete et Exsultate. Por mais que o conhecimento e a sabedoria sejam preciosos, não é por meio destes, e sim na prática da caridade que está o caminho de nossa Salvação:
37. Graças a Deus, ao longo da história da Igreja, ficou bem claro que aquilo que mede a perfeição das pessoas é o seu grau de caridade, e não a quantidade de dados e conhecimentos que possam acumular. Os «gnósticos», baralhados neste ponto, julgam os outros segundo conseguem, ou não, compreender a profundidade de certas doutrinas. Concebem uma mente sem encarnação, incapaz de tocar a carne sofredora de Cristo nos outros, engessada numa enciclopédia de abstrações. Ao desencarnar o mistério, em última análise preferem «um Deus sem Cristo, um Cristo sem Igreja, uma Igreja sem povo».

Meditava a respeito, quando conversava com alguns amigos sobre Carlo Acutis. Carlo, um jovem contemporâneo que faleceu em odor de santidade, viveu de modo extraordinário a vida ordinária, faleceu em 2006 com pouco mais que 15 anos, iluminando a existência de muitos com seu exemplo de coragem, piedade, caridade e devoção. Em um tempo em que eu estava acovardado e perdido no mundanismo, Carlo habitava a terra e apontava com sua vida para os caminhos do Senhor. Carlo não sabia muito a respeito das conspirações judaico-maçônicas, das polêmicas teológicas do pós-concílio, dos meandros da história eclesiástica, e mesmo assim foi santo. E nós que conhecemos tudo isso? Quão longe estamos; quão longe estou... Não que aconselhe aqueles que optaram pela pílula vermelha a ignorar tudo isso, esta jornada intelectual uma vez iniciada deve ser levada até o fim, mas que saibamos: <Mesmo que eu tivesse o dom da profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência; mesmo que tivesse toda a fé, a ponto de transportar montanhas, se não tiver caridade, não sou nada. (1Cor 13, 2)>.

sexta-feira, 19 de outubro de 2018

Humanidade e Degeneração

Normalmente, quando lemos alguma análise de ficção na internet nosso autor se exibe como fosse um especialista. Conhece os detalhes da obra, todo o universo envolto, nos aponta os easter eggs e tudo o mais. Todavia, falta certa ingenuidade, sim a ingenuidade do espectador comum, que ao recorrer a uma obra de entretenimento não tem em sua retaguarda toda a preparação de anos de introdução e estudo no universo ficcional em questão, e no mais das vezes nem tem a paciência ou o interesse em adquirir tal “cultura inútil”.

É com base nesta “ingenuidade” de principiante que discorro neste texto a respeito de duas obras ficcionais, cujo único elo de ligação é o fato de eu as ter assistido no mesmo fim de semana.

Começo com Blade Runner 2049, um experiência estética alucinante e um roteiro interessantíssimo. O leitor sem dúvida esperaria uma comparação com o primeiro filme, produzido do século passado, mas na época em que assisti, não me encantou, e não fui além dos 20 minutos iniciais. De todo o modo, gostei muito deste novo filme, a trama de fundo nos mostra o drama existencialista a respeito dos replicantes: teriam tais seres algo como uma alma? Como o filme coloca sua origem na engenharia genética, para além de meras máquinas, tais criaturas seriam quimeras humanas, e de fato, possuiriam uma alma. No entanto, nem humanos, nem replicantes comportam-se de modo “humano”. Enquanto o humano Wallace sofre de fantasias gnósticas e uma soberba absurda de querer equipar-se a Deus, os pobres e escravizados replicantes não hesitam (spolier a seguir) em manipular as memórias e sentimentos de “K”, reduzindo-o ao papel de mero fantoche descartável no contexto da luta de libertação replicante. Neste universo amalucado, a única manifestação de humanidade vem de um programa de computador: Joi, uma “waifu” virtual programada para satisfazer as necessidades afetivas do consumidor. Um programa de computador criado para simular as emoções humanas consegue ser mais humano, a ponto de sacrificar-se e importar-se com alguém, do que os próprios humanos, e mesmo os replicantes que procuram afirmar sua alma, sua humanidade. Isso não faz pensar o quão merda nos tornamos? Como nos desumanizamos, por vezes com a desculpa (ou máscara) de uma “boa causa”?

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O segundo filme é mais frio, embora tenha também uma estética agradável. Falo do clássico Taxi Driver. Trocentas linhas já foram escritas para descrever o significado do filme, e nenhuma delas acrescenta grande coisa, mas as minhas serão diferentes :P. O filme demonstra de forma clara, palpável a decadência civilizacional. Qualquer pessoa em plena sanidade mental, por vezes, experimenta aquele mesmo olhar de nojo e desprezo do protagonista Travis ante a podridão da cidade. Você não? Nunca? Pois lhe desafio a leitura de Dalrymple, se mesmo assim isso não ocorrer, das duas uma, ou é um alien, ou já ficou biruta. Continuando, ante a podridão metropolitana, Travis fica pistola e sai matando geral, num impeto justiceiro de purificar a cidade. O problema? Além de que sair por aí atirando nas pessoas não ser lá algo saudável, Travis é parte da degeneração, manifesto pelo diretor na frequência do personagem a pornografia. Como, pois, quer um homem sujo, se erguer ao posto de juiz dos demais? Além de que, a mocinha salva pelo protagonista não queria ser salva, estava a jovem bem satisfeita com sua imundice. O filme é bem niilista, mas eu não, então onde o diretor para eu continuo, como resolver a questão colocada pelo roteirista? De uma maneira relativista, simplesmente ignorando, tolerando a imundice? Essa não é minha resposta. Recorro ao que aprendi com Roberto De Mattei, cabe ao Príncipe, a autoridade legítima, solucionar isto. Caberia aos agentes do Estado “limpar” a cidade das drogas, fornicação e prostituição, e não a justiceiros privados. Se o poder estatal tem o monopólio da violência, que use do braço da lei para fazer reinar a justiça e a moral, para castigar o vício e incentivar a virtude. Mas o Estado está tomado por uma corja de ladrões. Pois então, que se repense o sistema democrático…


Devaneios demais? Talvez, mas há gente que insiste em citar Freud pra falar dos filmes de Scorsese

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Ao fim, ambos os filmes são bons, arte no sentido estrito do termo, levantam questões interessantes, convidam o espectador para uma reflexão além do ordinário, e não oferecem respostas fáceis; o que torna uma experiência bem mais interessante do que o cine-doutrinação tão comum hoje em dia...

sexta-feira, 12 de outubro de 2018

A Blasfema e Demoníaca Mitologia Maçônica

Quando se afirma o caráter satânico da maçonaria, não são poucos os que o minimizam, atribuindo a calúnias e exagero retórico por parte de seus adversários. Tolos! O aspecto luciferiano da seita não é mais que a pura descrição do real. Eis, pois, a blasfema mitologia maçônica, uma paródia monstruosa das Sagradas Escrituras, que justificaria perante a consciência de sues adeptos, o culto a Lúcifer:
"Reportemo-nos, diz o venerável, á recepção do Mestre perfeito, aos primeiros dias do mundo, á época em que Adão e Eva estava, ainda no Éden. Ébilis, o Anjo de Luz, não pode ver a beleza da primeira mulher sem cobiça-la. Podia Eva resistir ao amor de um anjo?...Caim nasceu. A sua alma, fagulha do Anjo de Luz, espírito de fogo, elevava-o tão infinitamente acima de, Abel, filho de Adão...Entretanto, foi bom para com Adão, cuja velhice débil e impotente sustentou, bom para com Abel, cujos primeiros passos susteve. Mas Jeovah, cioso do gênio comunicado por Ébilis a Caim, baniu Adão e Eva do Éden, para puní-los a ambos e, após eles, a seus descendentes, da fraqueza de Eva.

Adão e Eva detestavam Caim, causa involuntária dessa sentença iníqua, e a própria mãe voltava toda a afeição para Abel; quanto a Abel, com o coração inflamado por essa injusta preferência, pagava a Caim desprezo por amor. Uma provação mais cruel havia de partir logo o coração do nobre filho de Ébilis. Aclinia, a primeira filha de Adão e Eva, estava unida a Caim por uma profunda e mútua ternura e, apesar dos seus votos e rogos, Aclinia foi dada como esposa a Abel, por vontade de Jeovah-Adonai; este Deus cioso amassara limo para fazer Adão e dera-lhe alma servil; por isso temia a alma livre de Caim.

Este, em extremo irritado pela injustiça de que é vítima mata o irmão, crime que Adonai julgou indigno de perdão.

Contudo, Caim, para resgatar a falta cometida num movimento de legítima coléra, punha a serviço dos filhos do barro a alma superior e o gênio que tinha de seu pai Ébilis, o Anjo de Luz. Ensinava-os a cultivar a terra. Henoch, seu filho, iniciava-os na vida social. Mathusael ensinava-lhes a escrita. Lamech dava-lhes o exemplo da poligamia. Tubalcaim, seu filho, inventava a arte de forjar os metais, aperfeiçoava as suas descobertas e propagava-as para o bem dos humanos. Nohema, que seu irmão Tubalcaim desposou perante a Natureza, ensinava-lhes a arte de fiar e fazer tela para vestir.

Hiram, ou Adoniram, a escolher, descende em linha reta de Caim, por esses ilustres personagens, e os Franco-maçons se gloriam de contar no número de seus ascendentes o construtor do templo de Salomão. "

O que se acaba de ler não é uma lenda inventada ao bel prazer. É uma narração, apenas desmarcada, fornecida pelo Talmuld as lojas maçônicas. (...)

A espécie humana, segundo o Talmuld e as doutrinas pouco conhecidas da Maçonaria, compõe-se de duas raças distintas. Uma, grosseira, malvada e de inteligência obtusa, descende de Adão e Eva. Jehovah-Adonai, o princípio mau, é o seu Deus. A outra saída do anjo Ébilis, ou Lúcifer, de Eva, é boa, dotada de faculdades brilhantes, e adora o chefe da milícia infernal, o Ormuz, ou princípio dos Caldeus.

QUANDO, PORTANTO OS FRANCO-MAÇONS NOS FALAM DO GRANDE ARQUITETO, NÃO DO DEUS DOS CRISTÃOS QUE SE TRATA, MAS SIM DO GRANDE REVOLTADO QUE O ARCANJO MIGUEL PRINCIPITOU NO ABISMO.

Maçonaria Seita Judaica - L. Bertrand; pág 56-57.

Fiquemos, pois vigilantes e alertas, e não nos enganemos frente a periculosidade de tão perversa seita. E, conforme nos manda a Igreja, rezemos pela conversão de nossos inimigos:
Senhor Jesus Cristo, que manifestais a Vossa onipotência principalmente pela piedade e misericórdia, e que dissestes: 'Orai pelos que vos perseguem e caluniam', imploramos a bondade do Vosso Sacratíssimo Coração pelas almas que, criadas segundo a imagem de Deus, mas miseravelmente enganadas pela sedução ardilosa dos maçons, andam cada vez mais pelas veredas da perdição. Não permitais, pois, que a Igreja, Vossa Esposa, continue a ser oprimida por eles, mas deixai-Vos antes aplacar pelas súplicas da Santíssima Virgem Maria, Vossa Mãe, e pelas orações dos justos. Lembrai-Vos da Vossa infinita misericórdia, esquecei a malícia deles, e fazei que também eles voltem a Vós, que consolem a Igreja pela mais perfeita penitência, que reparem os seus delitos e alcancem a bem-aventurança eterna. Vós que viveis e reinais por todos os séculos dos séculos. Amém.

sábado, 6 de outubro de 2018

Fatos e Flautas


FATOS E FLAUTAS: A MÚSICA E SUA CAPACIDADE DE (A)TRAIR PARA O ABISMO 

A nossa época foi persuadida de ser o ápice da trajetória humana sobre a Terra. Igualmente está persuadida de que a próxima época será ainda melhor que a atual. Não importa que os suicídios estejam em alta, que os estudos demonstrem a queda do QI médio da humanidade, que a criação e disseminação de novas e velhas drogadições esteja a pleno vapor, ou que a multiplicação e a diversificação de armas capazes de devastar o planeta com o aperto de uma única tecla seja uma realidade das mais patentes: o credo dos nossos contemporâneos apregoa uma convicção inabalável nos dias melhores. Exceção feita, é claro, quando algum penetra se torna o centro das atenções na "festa da democracia": sujeitos menos escolados na etiqueta do utopismo humanitário pós-moderno como Trump, Kim Jong-un, Bolsonaro, Hourani, Assad, Duterte, Le Pen e similares são sempre a ameaça de um novo mergulho na idade das trevas quando prevalecem ou se supõe que estejam em vias de prevalecer sobre seus rivais ...

Um dos componentes que demonstram a popularidade desse dogma do "bom está sempre abrindo caminho para o melhor" é o discurso que atesta que não existem gêneros musicais bons ou ruins em si mesmos: o que importa é apenas o valor lúdico presumido em cada um deles por cada glóbulo fixado sobre uma cerviz. Não há uma escala de princípios éticos ou estéticos que seja apreensível e ensinável na apreciação da música: há apenas o caleidoscópio dos gostos, hoje propostos sobretudo pelas grandes cadeias anônimas de comando do mercado e do Estado, além dos entes supraestatais transnacionais a cargo do mundialismo - caleidoscópio esse aberto inclusive ao contributo de psicopatas e adoradores declarados de Satã eleitos por esse triplo mecenato. Não importa que hoje não exista um novo Bach; qualquer pessoa que insista na realidade de que não existem músicas acima do bem e do mal, e que todas estarão de algum modo servindo em medidas distintas ao que há de anterior e superior ao egoísmo imediatista do elemento unitário da espécie humana, são vistas como pessoas arcaicas cheias de pré-concepções estáticas e liberticidas. E eis que pessoas que jamais escutariam uma palavra vinda da boca de um celerado ou de um satanista caso ele batesse em sua porta não só os escutam quando sobem em cima de um palco, mas cantam em uníssono com ele no escárnio mais ou menos velado a tudo que é nobre e elevado: desde o sexo, aquele instinto gerador de uma instituição, nas palavras de Chesterton; passando pela pátria, família de famílias; não sem também golpear a Igreja, encarregada de transmitir e fixar o conhecimento das verdades imutáveis e necessárias para fazer desta vida o penhor da próxima.

O entranhamento firmíssimo do óbvio na mentalidade dos nossos antepassados a respeito da dimensão moral intrínseca e aliciante da música é evidente na facilidade com que exprimiam o fato da existência dessa dimensão mediante fábulas e mitos facilmente compreensíveis até mesmo para os iletrados de suas respectivas épocas. É o caso de recapitularmos alguns e explicitarmos mensagens aplicáveis aos diversos contextos, inclusive o de nossa insensata e presunçosa época; é o que será feito adiante.

Sem fazer muito esforço, recordamos prontamente do Flautista de Hamelin corrompendo as crianças e as induzindo a desobedecer não só à autoridade parental, mas aos ditames elementares da razão, o que é incompatível com a sobrevivência não só da sociedade em si, mas mesmo de cada homem tomado isoladamente.

Recuando um pouco mais na noite dos tempos, podemos contemplar o relato da cosmogonia asteca no qual o deus mau Texcatlipoca ganha acolhida calorosa em Tenochtitlán disfarçado de músico, onde entoa uma melodia vigorosa e febricitante que impede os habitantes da cidade de refrear seus próprios membros, o que os leva a dançar até a morte por extenuação; a música proveniente do Mal, caso propagada com sucesso, levará a cidade - inclusive a polis cristã - à autodestruição. Por algum poder mágico da música? Por certo que não, mas por corromper a ordem - filha da autoridade e da inteligência, nas palavras de Salazar - corrompendo antes a moral e o bem pensar que as sustentam. Ora, e como a má música produz essa dupla corrupção? Alçando a imaginação acima da memória que recorda o homem de seus deveres de justiça e de gratidão, o que quando não torna a autoridade esquecida dos compromissos com seus subalternos, torna estes indignos e sediciosos na medida que os faz ingratos (a gratidão depende da memória) e ávidos por gratificações pouco ou nada factíveis propostas por uma imaginação sem o contrapeso da memória.

Na Hélade, os povos da herança jônica registraram mitos interessantes sobre o aulo (instrumento de sopro) inventado por Atena: a deusa da sabedoria, notando o aspecto desfigurado que tomava sua face ao insuflar suas bochechas para tocar o instrumento, desgostou tanto do objeto que se desfez dele e o ocultou, além de tê-lo amaldiçoado; quem o reencontra para zombar da deusa é justamente um sátiro, Mársias, criatura conhecida no imaginário grego pelo comportamento animalesco evidenciado inclusive por seu corpo mesclado entre o humano e o caprino. No mito em questão, a criatura escrava dos baixos apetites (simbolizados pelo hemicorpo inferior de bode) acaba punida pela deusa por sua irreverência blasfema. Aqui a lição a ser colhida é que a música repudiada pela sabedoria a distorce e a contrista, ao passo que alegra aqueles elementos apartados dela - e essa preterição culpável da sabedoria não só expressa a infâmia daqueles que a praticam, como também o quão merecedores se tornam da cólera divina por isso.

Enquanto estamos sem as tocatas de um novo Bach e nos congratulamos mutuamente pelos sucessos apenas presumidos de nossa época, Mársias, Texcatlipoca e o Flautista de Hamelin aplaudem nosso exercício fútil de cronocentrismo triunfalista embalado pelos cânticos de louvor à contravenção e à blasfêmia transacionados pela indústria do entretenimento. Ao menos até que o Requiem de Mozart seja tocado sobre essa época ignominiosa sob o comando das trombetas do Arcanjo São Gabriel, arauto dos desígnios de Deus ...

Dies irae ....

#Victor Fernandes

sábado, 29 de setembro de 2018

O Despertar para Eternidade como Remédio ao Tédio Existencial


Muitos são aqueles que se surpreendem pelo modo como nossos contemporâneos se afundam na embriaguez, nas drogas e demais vícios autodestrutivos; eu não. Se pensarmos na pequenez, no provincialismo existencial a que se restringe o materialista, o escapismo torna-se um caminho compreensível. 

Enquanto o católico tem sua imaginação povoada por anjos, demônios, profecias, sociedades secretas, conspirações, guerras políticas, embates teológicos, disputas filosóficas, conflitos milenares que se perpetuam ao longo a história universal; o mundano restringe suas preocupações à vida privada do coleguinha de trabalho, a nova modinha midiática e ao pagodinho do fim de semana. O mundano não tem uma vida espiritual, não reza; não tem uma vida intelectual, não empreende uma autêntica busca da verdade do ser; não têm um cosmovisão clara, não consegue se orientar ante política mundial e os poderes em conflito, não toma parte nem sente-se membro desta trama; não tem o adequado senso estético, a atitude de contemplação para com o belo, o êxtase ante a verdadeira arte; não possui outro sentido para seu trabalho que não seja a mera acumulação de capital. Como suportar uma vida assim? Tamanho vazio é demasiado perturbador, de modo que é compreensível a lógica da fuga. Se a vida lhe parece sem sentido, se sua existência não tem um significado radical, de que outro modo suportá-la que não embriagado?

A experiência da fé não proporciona apenas um futuro melhor na eternidade e um comportamento mais correto no hoje, mas, sobretudo torna a existência mais autêntica, mais bela, mais rica, cheia de significado; é uma transformação total, absoluta e irrestrita da própria existência, um repensar sua relação com o todo e uma abertura as realidades do espírito. A prática da verdadeira religião conecta o fiel e seu microcosmos ao empolgante drama da história universal, torna-o participante ativo desta luta que se prolongará até o fim dos tempos; torna-o próximo de homens e mulheres de diversos tempos e lugares, torna-o capaz de sofrer as dores da Igreja, e alegrar-se em suas vitórias, o eleva para além de uma existência rotineira e tediosa.

Recordo-me de como era triste antes da conversão, de como minha vida até então era tola e sem sentido, sem a chama da uma verdadeira aventura, uma aventura eterna, e do modo como para fugir do tédio, recorria a imprudências que embora proporcionassem fortes emoções, não tinham um sentido e uma direção, não ultrapassavam o limite do do efêmero...

Pergunto ao eventual leitor descrente: como consegue contentar-se com uma vida tão pequena e tediosa, rejeitando uma perspectiva tão ampla, empolgante e rica de sentido? Como pode satisfazer-se vivendo como animal, quando fora chamado a julgar os anjos e habitar os céus? Baladinhas, embriaguez, entretenimento e mesmo o amor romântico não será suficiente para preencher o vazio de sua alma. Desperte para eternidade meu amigo, e já nesta terra, em meio a tribulações e perseguições, experimentará a alegria da verdadeira aventura do viver.

quinta-feira, 27 de setembro de 2018

''Todas as coisas são difíceis; o homem não as pode explicar com palavras.''


25ª Semana do Tempo Comum - Quinta-feira
Primeira Leitura (Ecl 1,2-11) 
Responsório (Sl 89)
Evangelho (Lc 9,7-9) 

Continuamos essa semana meditando a respeito dos livros sapienciais. Depois de alguns trechos do livro dos Provérbios, hoje lemos o Eclesiastes, um de meus livros favoritos da Sagrada Escritura. O autor sagrado chama-nos atenção a estabilidade do mundo e a insignificância do homem: <Todas as coisas são difíceis; o homem não as pode explicar com palavras. O olho não cansa de ver, nem o ouvido cansa de ouvir (Ecl 1, 8)>; o mundo é demasiado complexo para nossa vã compreensão. Essa atitude de reverência frente ao mistério e a imensidão da criação, precisamos cultivar e recuperar isto! Em nossos tempos, predomina uma visão arrogante e tola, segundo a qual pela ciência toda criação há de ser decifrada, muitos se comportam como se já estivesse, inebriando-se com seus reducionismos e construtos mentais. Vaidade das vaidades... 

Diz ainda o Eclesiastes: <Não há memória das coisas antigas, mas também não haverá memória das coisas que hão de suceder depois de nós entre aqueles que viverão mais tarde. (Ecl 1, 11)>; em poucas palavras o autor inspirado demonstra a tolice do mito do progresso. Segundo tal superstição, tão popular em nossos dias, a humanidade acumularia os conhecimentos das gerações anteriores, somando novas descobertas a cada geração, chegando ao ponto de em um futuro longínquo estabelecer o Paraíso na Terra. Mostra-nos a Escritura que apesar da estabilidade da criação, a linha de comunicação entre as gerações humanas é tênue, e muitos conhecimentos preciosos acabam sepultados nas areias do tempo. Ainda hoje, o modo como foi construído as Pirâmides do Egito permanece um mistério; não se sabe onde fica a Atlântida de Platão; entre tantos outros enigmas, aos quais a história e a arqueologia não se mostram capazes de resolver. Quanto das inovações, da sabedoria do hoje, não terão o mesmo destino? 

Reconheçamos nossa pequenez, nossa insignificância, cultivemos uma atitude de humildade interior frente aos mistérios da criação, abandonando a tolice moderna de uma idolatria do homem, um antropocentrismo imbecil. 

Louvado Seja Nosso Senhor Jesus Cristo!

quarta-feira, 26 de setembro de 2018

''Não me dês nem a pobreza, nem as riquezas, dá-me somente o que for necessário"


25ª Semana do Tempo Comum - Quarta-feira 
Primeira Leitura - Pr 30,5-9
Responsório Sl 118 (119),29. 72. 89. 101. 104. 163 (R. 105a)
Evangelho - Lc 9,1-6 

1. A prece do livro dos Provérbios é sinal de contradição, sobretudo neste mundo capitalista materialista e idólatra. Diz a Escritura: <Afasta de mim a vaidade e as palavras mentirosas, não me dês nem a pobreza, nem as riquezas, dá-me somente o que for necessário para viver; para que não suceda que, estando saciado, eu te renegue e diga: Quem é o Senhor? Ou que, constrangido pela pobreza me ponha a furtar, e perjure o nome de Deus. (Pr 30, 8-9)>. Em um mundo onde se idolatram as riquezas, onde desde cedo somos educados a buscar a fortuna a todo custo, a Escritura nos ensina a temer o dinheiro em demasia. Uma vez saciados, uma vez inebriados pela fortuna, estamos correndo risco de nos esquecer de Deus, de nos entregar aos prazeres do mundo, a soberba da vida, ao orgulho infernal. Olhemos para os grandes deste mundo, os ricos e famosos, pensemos o quanto seu comportamento se distancia das leis eternas, quantas vezes agem de forma vil e escandalosa, abusando de drogas, destruindo-se na luxúria, sacrificando a sua vida e a de muitos na busca de ainda mais dinheiro e poder. Pensemos em como a apostasia das nações é precedida por tempos de insana prosperidade. A fortuna, o dinheiro em demasia, é uma grande tentação. A miséria igualmente: quando falto-nos o essencial, somos tentados ao furto, ao roubo e a inveja.

Em nossa relação com o dinheiro, pensemos em nossa alma. Não façamos da moeda um ídolo, lembremo-nos que de nada vale o conforto e o luxo neste lugar de desterro quando acompanhado do castigo na eternidade.

2. Hoje também celebramos a memória dos mártires Cosme e Damião, homens que deram a vida por amor a Cristo. Preferiram morrer do que cair na idolatria e adorar aos falsos deuses pagãos. Infelizmente, nosso povo brasileiro profana a memória destes santos irmãos pela prática de macumbarias e sincretismos. 

Que por intercessão de São Cosme e São Damião, Deus nos livre da lepra do paganismo.