terça-feira, 31 de outubro de 2017

A Pérfida Doutrina de Lutero e sua íntima relação com o Demônio

Neste dia de hoje, comemoram alguns os 500 anos da Reforma Protestante. A versão oficial do conto de fadas, digo da história, é de que um virtuoso monge se rebelara contra os abusos de uma Igreja corrupta e autoritária. Lutero seria quase que um santo, um novo Moisés a libertar os cristãos da "Babilônia Papista", é o que dizem seus filhos espirituais, divididos em milhares de seitas cada qual mais bizarra que a outra. Entretanto, a vida e doutrina de tal “herói” permanecem quase que um segredo esotérico para seus herdeiros espirituais. Porque afinal, não examinam os protestantes seus escritos e sua biografia? Talvez por medo de verem destruídas suas ilusões infantis, e enxergarem por traz do simpático reformador, um porco nojento, apóstata e degenerado.

Vejamos, pois, alguns dos lampejos de genialidade e “piedade” do pai do protestantismo:

Eis aqui a lei de Lutero: “Todo o homem deve ter a sua mulher e toda mulher deve ter o seu marido” (Weimar. Vol.20 pág.276)

Ele admite umas exceções, mas estas são feitas por Deus e são ADMIRÁVEIS e ninguém pode pretender a um tal milagre.

Quereis agora saber como Lutero, o reformador enviado pro Deus, no conceito protestante, considera a mulher? Lede o seguinte tópico de uma das suas cartas: “O corpo das mulheres não é forte, e a sua alma é ainda mais fraca, no sentido comum.

Assim lê um assunto sem importância que o Senhor coloque uma selvagem ou civilizada ao nosso lado. A mulher lê meio criança. Aquele que toma uma mulher deveria considerar-se como o guarda de uma criança... ela é semelhante a um ANIMAL CAPRICHOSO (ein tolles tier). Reconhecei a sua fraqueza. Se nem sempre passeia por caminhos direitos, guiai a sua fraqueza. Uma mulher permanece eternamente mulher” (Weimar – Vol. XV. p. 420).

Eis uma pequena amostra de suas idéias neste assunto.

Muitas outras passagens há em seus escritos, porém vergonhosas demais, para serem citadas em público.

É conhecida a licença dada por Lutero ao Landgrave de Hesse, para ter duas mulheres ao mesmo tempo.

O reformador dá-lhe a licença pedida, exigindo segredo, porque, diz ele, “... a seita protestante é pobre e miserável, e precisa de justos legisladores” (De Wette vol. V – pg. 237).

O direito de possuir muitas mulheres era abertamente pregado por Lutero: “Não é proibido ter o homem mais de uma mulher. Hoje eu não poderia proibir isto” (Erlangen vol. 33 – pág. 324).

“Confesso”, diz ele ainda, “que se um homem deseja casar com muitas mulheres, eu não posso proibir isto, pois não é oposto à S. Escritura” (Ego sane fateor me non posse prohibere, si quis plures uxores velit ducere, nec repugnat sacris litteris) – (De Wette vol. II p. 459).
Com tais princípios a porta da poligamia estava escancarada e cada qual, transpondo-a, podia trilhar o caminho da animalidade.

O Landgrave de Hesse o compreendeu muito bem e melhor ainda o aplicou: “Se é justo em consciência perante Deus”, disse ele, “que me importa o mundo amaldiçoado?”.

O adultério, com o consentimento do marido, é também expressamente sancionado pelo reformador, quando do casamento não resultar família.
A criança, assim gerada, diz ele, deve atribuir-se ao marido legal (Weimar vol II. P. 558).

Conservar uma amásia também é fortemente recomendado àqueles que por votos se devem conformar com a lei do celibato.

O moralista da lama escreve sobre os transgressores das leis matrimoniais: “Deixemos que casem secretamente com a sua cozinheira” (Landerbach: Tagebuch, p. 198)

Aos membros da Ordem Teutônica (cavaleiros seculares) a quem era imposto o celibato pela lei da cavalaria daquele tempo, e que pensavam em pedir dispensa desta ao Concílio (o que lhes era permitido, pois eram seculares), ele escreveu assim: “Eu preferia confiar na graça de Deus com relação àquele que tem duas ou três concubinas a confiar em quem possui uma esposa legal com o consentimento do Concílio” (Weimar. Vol. XII p.237)

Quando ao que o apóstata diz da esposa que recusas a sua obrigação, lê vergonhoso citar as palavras do inflame moralista. Ele escreve: “Se a mulher não quiser, deixemos vir a criada. O marido tem somente que deixar ir Vasti e tomar uma Ester, como o rei Assuero” (Ibid. Vol. X. p.290) “E se a esposa reclamar, o marido deve responder à admoestação: Vá para o diabo” (Ibid. vol III. P. 222).

Passagens tais são abundantes nos escritos do reformador.

Apesar de bastante repelentes, convinha citar estas, para mostrar a verdadeira fisionomia do libertino Lutero, o homem que os protestantes dizem divinamente apontado por Deus para a missão de reformar a Igreja Católica.

Às vezes, de acordo com as necessidades, Lutero tem passagens diametralmente opostas a estas aqui mencionadas; é o resto da sua herança católica. O que está aqui expresso é dele e só dele; é a sua doutrina reformada – é o seu evangelho.

Poderá uma senhora protestante simpatizar com este seu fundador e modelo que trata tão mal e desrespeitada de modo tão claro a fama e o pudor da mulher?...

É simplesmente infamante e horrendo, baixo e vil o conceito de Lutero sobre as mulheres que garante serem todas impuras e pecaminosas (Erleangen vol. II pág. 66).

Pobres protestantes, é para cobrirdes o rosto de pejo, diante de um tal pai...

Suponho que não sois bons protestantes, porquanto, se o fosseis, seguiríeis o exemplo de vosso pai... e não acredito que o façais.

Prefiro supor-vos maus protestantes, para vos poder considerar bons cristãos... homens de fé e pessoas de moral. [1]

Tais doutrinas absurdas só poderiam ser de louco, ou talvez um processo. Somente tais recursos explicaram tamanha degeneração, julgue pois o leitor a luz de alguns curiosos episódios da vida de Lutero falam de sua íntima relação com o capeta: 
Dois pontos sobressaem em Lutero, quando de sua permanência no castelo de Wartburgo: a sua idéia com relação ao demônio e as grandes tentações de que foi acometido.

Em suas cartas a cada passo refere-se às suas relações com o diabo, enquanto ali esteve. Não só diz ele ter ouvido ali o demônio, no tremendo barulho que o parecia perseguir dia e noite, mas assevera tê-lo visto, sob a sensível aparência de um cão preto, dentro do seu quarto.. Deste espetáculo terrível Lutero nos dará uma idéia, mais tarde, em suas conversas de taberna: "Quando estava em meu Patmos”, diz ele, “tinha fechado, dentro dum armário, um saco de nozes de avelãs. Certa noite, apenas me deitara, começou um barulho infernal nestas novzes que, uma por uma, foram lançadas com força, contra as vigas do forro. Senti sacudirem-me a cama, e ouvi nas escadas um ruído, como se lançassem para baixo uma grande quantidade de vasos. Entretanto, a escada havia sido retirada, para ninguém poder subir ao meu quarto, estando presa à parede com uma corrente de ferro" (Wette Erl. 59 p.340), (FATO contado pelo próprio reformador em Eisleben, em 1546).

O encontro do cão preto se deu em circunstâncias estranhas: o bicho teria procurado um lugar no leito de Lutero, que jeitosamente o teria retirado dali, jogando-o fora, através da janela, sem o menor ganido da parte do animal. Foi, parece, um diabinho manso e inofensivo que se deixou lançar assim para fora. Nada mais se pôde encontrar do cão, após a queda, nem mesmo vestígios. Lutero tinha a certeza de se tratar de um diabo, em carne, pelo e osso (Köstlin-Karveran I. 440, 1903).

Referem ainda que um dia apareceu-lhe o demônio em pessoa, talvez para parabenizá-lo pela obra encetada, toda em benefício de satanás; nesta ocasião, tomado de horror e de medo, num acesso de raiva, teria Lutero jogado contra o demônio um tinteiro. A tinta não sujou a carapinha do capeta, mas foi o recipiente quebrar-se de encontro à parede, onde ficaram os sinais distintivos do seu conteúdo – uma grande mancha negra.

Coburg e outros falam disto, mas Lutero, o único que poderia afirmar a realidade do fato, parece, a ele nunca se referiu.

Que há de verdadeiro a respeito de tudo isso?

É difícil dizer-se. Vistas, no entanto, as disposições e o estado anormal de Lutero, é crível não passasse de exaltação nervosa, de fantasia, de superstição.

Seja como for, Lutero via demônios em toda parte.

No opúsculo contra o duque de Brunswick, o demônio teve a honra de ser nomeado 146 vezes; no livro dos Concílio em 4 linhas fala Lutero 15 vezes a respeito de diabos.

Os adversários da reforma têm o “coração satanizado e super-satanizado". Noutra parte ufana-se Lutero de nunca ter descontentado o príncipe das trevas que o acompanha sempre. Tal disposição doentia, aumentada pelo isolamento em que vivia, como pela lembrança dos últimos acontecimentos, da sua excomunhão pelo Papa, da condenação pelo Edito de Worms, dos perigos que o ameaçavam, da incerteza do futuro, tudo isto devia necessariamente aumentar a demasiada tensão dos nervos e exaltar a imaginação ardente.

Seja como for, por certo estava ele com direito a uma aparição do espírito das trevas, a fim de parabenizá-lo pela obra diabólica de revolta que estava efetuando no mundo, e pela perdição de milhares de almas que tal empresa iria acarretar.

Se o demônio não lhe apareceu, não é porque lhe tenha faltado vontade para tal, mas apenas porque Deus não permitiu.” (Ibid. vol III. P. 222). [2]
Revelador não? A vida real de Lutero destoa e muito do ficcionismo ecumênica hoje em voga. Para conhecer um pouco mais sobre a vida deste homem abjeto, o pai do protestantismo, recomendo-lhes a obra O Diabo, Lutero e Protestantismo, de autoria do Pe. Julio Maria,  do qual foram retiradas as citações deste post; bem como a palestra do Prof. André Melo (segue abaixo) sobre a vida do Deformador. 



[1] Padre Júlio Maria - O Diabo, Lutero e o Protestantismo, Capítulo VII Sangue e Lama, 5.O feminismo de Lutero; pág 49-50. 
[2] Padre Júlio Maria - O Diabo, Lutero e o Protestantismo, Capítulo VI Lutero em Wartburgo, 2. Aparições do Diabo; pág 37-38. 

sábado, 28 de outubro de 2017

O Golpe de Mestre de Satanás

Sabemos pelo Gênesis e melhor ainda pelo próprio Nosso Senhor que Satanás é o pai da mentira. No versículo 44, capítulo 8 do Evangelho de São João, Nosso Senhor interpela os judeus dizendo-lhes:

“Vós sois filhos do demônio, e quereis satisfazer os desejos de vosso pai; ele foi homicida desde o princípio, e não permaneceu na verdade; porque a verdade não está nele; quando ele diz a mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira...”

Satanás é homicida nas perseguições sangrentas, pai da mentira nas heresias, em todas as falsas filosofias e nas palavras equívocas que estão na base das revoluções, das guerras mundiais, das guerras civis.

Não cessa de atacar Nosso Senhor em seu Corpo Místico: a Igreja. No curso da História empregou todos os meios, dos quais um dos últimos e mais terríveis foi a apostasia oficial das sociedades civis. O laicismo dos Estados foi e será sempre um escândalo imenso para as almas dos cidadãos. E é por esse subterfúgio que conseguiu laicizar pouco a pouco e fazer perder a fé numerosos membros da Igreja, a tal ponto que esses falsos princípios de separação da Igreja e do Estado, da liberdade das religiões, do ateísmo político, da autoridade que toma sua origem dos indivíduos, terminaram por invadir os seminários, os presbitérios, os bispados e até o Concílio Vaticano II.

Para fazer isso, Satanás inventou palavras chaves que permitiram que os erros modernos e modernistas penetrassem no Concílio: a liberdade foi introduzida mediante a Liberdade religiosa, ou Liberdade das religiões; a igualdade, mediante a Colegialidade, que introduz os princípios do igualitarismo democrático na Igreja e, finalmente, a fraternidade mediante o Ecumenismo que abraça todas as heresias e erros e oferece a mão a todos os inimigos da Igreja. O golpe de mestre de Satanás será, por conseguinte, difundir os princípios revolucionários introduzidos na Igreja pela autoridade da própria Igreja, pondo esta autoridade em uma situação de incoerência e de contradição permanente; enquanto este equívoco não for dissipado, os desastres se multiplicarão na Igreja. Ao se tornar equívoca a liturgia, se torna equívoco o sacerdócio, e tendo ocorrido o mesmo com o catecismo, a Fé, que não se pode manter senão na verdade, se dissipa. A própria Hierarquia da Igreja vive em um equívoco permanente entre a autoridade pessoal, recebida pelo sacramento da Ordem e a Missão de Pedro ou do Bispo e os princípios democráticos.

É preciso reconhecer que a trapaça foi bem feita e que a mentira de Satanás foi utilizada maravilhosamente. A Igreja vai destruir a si mesma por via da obediência. A Igreja vai se converter ao mundo herege, judeu, pagão, pela obediência, mediante uma Liturgia equívoca, um catecismo ambíguo e cheio de omissões e de novas instituições baseadas sobre princípios democráticos.

As ordens, as contra-ordens, as circulares, as constituições, as cartas pastorais serão tão bem manipuladas, tão bem orquestradas, mantidas pela onipotência dos meios de comunicação social, pelo que resta dos movimentos da Ação Católica, todos marxizados, que todos os fiéis honrados e os bons sacerdotes repetirão com o coração quebrado mas consentindo: Temos que obedecer! A quem, a que? Não se sabe exatamente: à Santa Sé, ao Concílio, às Comissões, às Conferências Episcopais? Qualquer um aqui se perde como nos livros litúrgicos, nos ordos diocesanos, na emaranhada bagunça dos catecismos, das orações do tempo atual, etcétera. Temos que obedecer, com perigo de se tornar protestante, marxista, ateu, budista, indiferente, pouco importa! temos que obedecer através das negações dos sacerdotes, da inoperância dos Bispos, salvo para condenar àqueles que querem conservar a Fé, através do matrimônio dos consagrados a Deus, da comunhão aos divorciados, da inter-comunhão com os hereges, etc. Temos que obedecer! Os seminários se esvaziam e são vendidos como os noviciados, as casas religiosas e as escolas; se saqueiam os tesouros da Igreja, os sacerdotes se secularizam e se profanam em sua vestimenta, em sua linguagem, em sua alma!... temos que obedecer. Roma, as Conferências Episcopais, o Sínodo presbiterial o querem. É o que todos os ecos das Igrejas, dos jornais, das revistas repetem: aggiornamento, abertura ao mundo. Desgraçado seja aquele que não consente. Tem direito a ser pisoteado, caluniado, privado de tudo o que lhe permitiria viver. É um herege, é um cismático, que merece unicamente a morte.

Satanás conseguiu verdadeiramente um golpe de mestre: consegue fazer com que sejam condenados aqueles que conservam a fé católica por aqueles mesmos que a deveriam defender e propagar.

Já é tempo de encontrar novamente o senso comum da fé, de reencontrar a verdadeira obediência à verdadeira Igreja, oculta sob essa falsa máscara do equívoco e da mentira. A verdadeira Igreja, a Santa Sé verdadeira, o Sucessor de Pedro, os Bispos enquanto submetidos à Tradição da Igreja, não nos pedem e não nos podem pedir que nos tornemos protestantes, marxistas ou comunistas. Pois bem, se poderia crer ao ler certos documentos, certas constituições, certas circulares, certos catecismos que nos pedem que abandonemos a verdadeira Fé em nome do Concílio, de Roma, etc.

Devemos negar a tornarmo-nos protestantes, a perder a Fé e a apostatar como o fez a sociedade política depois dos erros difundidos por Satanás na Revolução de 1789. Recusamo-nos a apostatar, ainda que fosse em nome do Concílio, de Roma, das Conferências Episcopais.

Permanecemos aderidos, sobretudo, a todos os Concílios dogmáticos que definiram a perpetuidade de nossa Fé. Todo católico digno desse nome deve rejeitar todo relativismo, toda evolução de sua fé no sentido de que o que foi definido solenemente pelos Concílios em outros tempos deixaria de ser válido hoje e poderia ser modificado por outro Concílio, com maior ainda razão se é simplesmente pastoral.

A confusão, a imprecisão, as modificações dos documentos sobre a Liturgia, a precipitação na aplicação, demonstram bem claramente que não se trata de uma reforma inspirada pelo Espírito Santo. Esta forma de obrar é de tal modo contrária aos costumes romanos que obram sempre “cum consilio et sapientia”. É impossível que o Espírito Santo tenha inspirado a definição da Missa segundo o artigo VII da Constituição e ainda mais inaudito que se tenha sentido a necessidade de corrigi-la em seguida, o que é uma confissão de um serviço malfeito na mais importante realidade da Igreja: o Santo Sacrifício da Missa.

A presença dos protestantes para a reforma litúrgica da Missa, é preciso confessar, estabelece um dilema ao qual parece difícil escapar. Sua presença significava ou que estavam convidados para reajustar seu culto segundo os dogmas da Santa Missa ou que lhes fosse perguntado o que lhes desagradava na Missa Católica para evitar que se deixasse presente uma expressão dogmática que eles não poderiam admitir. É evidente que esta segunda solução é a que foi adotada, coisa inconcebível e certamente não inspirada pelo Espírito Santo.

Quando se sabe que esta concepção da “Missa normativa” é a do Padre Bugnini e que ele a impôs tanto ao Sínodo como à Comissão de Liturgia, pode-se pensar que há Romas e Romas, a Roma eterna com sua fé, seus dogmas, sua concepção do Sacrifício da Missa e a Roma temporal influenciada pelas ideias do mundo moderno, influência à que não escapou o próprio Concílio – o qual, propositadamente e pela graça do Espírito Santo quis ser unicamente pastoral.

Santo Tomás se perguntava na questão da correção fraterna se convém que seja praticada às vezes com os Superiores. Com todas as distinções úteis, o Anjo da Escola responde que deve ser praticada quando se trata da Fé.

Pois bem, quem pode com toda consciência dizer que hoje em dia a Fé dos fiéis e de toda a Igreja não está ameaçada gravemente na Liturgia, no ensino do catecismo e nas instituições da Igreja?

Que se leia e releia São Francisco de Sales, São Roberto Belarmino, São Pedro Canísio e Bossuet e se encontrará com assombro que tinham que lutar contra os mesmos falsos procedimentos. Mas desta vez o drama extraordinário consiste em que estas desfigurações da Tradição nos vêm de Roma e das Conferências Episcopais; se alguém quer por conseguinte guardar sua Fé temos que admitir sim que algo anormal ocorre na administração romana. Devemos, certamente, manter a infalibilidade da Igreja e do Sucessor de Pedro, devemos também admitir a situação trágica em que se encontra nossa Fé católica pelas orientações e os documentos que nos vêm da Igreja; a conclusão volta ao que dizíamos no começo: Satanás reina pelo equívoco e pela incoerência, que são seus meios de combate e que enganam os homens de pouca Fé.

Este equívoco deve ser suprimido valentemente para preparar o dia eleito pela Providência em que será suprimido oficialmente pelo Sucessor de Pedro.

Que não nos tachem de rebeldes ou orgulhosos, porque não somos nós os que julgamos, senão que Pedro mesmo quem como Sucessor de Pedro condena o que ele por outro lado fomenta, é a Roma eterna a que condena a Roma temporal. Nós preferimos obedecer a eterna.

Pensamos com plena consciência que toda a legislação emitida desde o Concílio é, ao menos, duvidosa e, em consequência, apelamos ao Cânon 23 que trata deste caso e nos pede ater-nos à lei antiga.

Estas palavras parecerão a alguns injuriosas para a autoridade. Ao contrário, são as únicas que protegem a autoridade e a reconhecem verdadeiramente, porque a autoridade não pode existir senão para o Verdadeiro e o Bom e não para o erro e o vício.

Em 13 de outubro de 1974, no aniversário das aparições de Fátima.
Que Maria se digne abençoar estas linhas e faça com que produzam frutos de Verdade e Santidade.
+ Marcel Lefebvre

sexta-feira, 27 de outubro de 2017

Reflexões da Sagrada Escritura: Sinto em meus membros outra lei, que luta contra a lei da minha razão


29ª Semana do Tempo Comum - Sexta-feira 
Primeira Leitura (Rm 7,18-25a) 
Responsório (Sl 118, 66. 68. 76. 77. 93. 94 (R. 68b)) 
Evangelho (Lc 12,54-59)

1. No salmo hoje cantamos ao Senhor:  <Ensina-me a fazer vossa vontade! (Sl 118, 68b)>. Precisamos apreender a discernir e obedecer a vontade de Deus. A prática da virtude exige esforço e aprendizado, não é algo fácil, automático. Mais a frente, no mesmo salmo, cantamos ainda: <Eu jamais esquecerei vossos preceitos (Sl 118, 93a)>, estamos cantando com o coração sincero? Um breve exercício, consegue recitar de cor os 10 mandamentos? Não? Então comecemos por aí: 
  1. Amar a Deus sobre todas as coisas.
  2. Não tomar seu santo nome em vão.
  3. Guardar os domingos e festas.
  4. Honrar pai e mãe.
  5. Não matar.
  6. Não pecar contra a castidade.
  7. Não furtar.
  8. Não levantar falso testemunho.
  9. Não desejar a mulher do próximo.
  10. Não cobiçar as coisas alheias.

2. Mas o saber por si só não basta, na primeira leitura São Paulo nos coloca diante do drama do homem chagado pelo pecado original: <estou ciente de que o bem não habita em mim, isto é, na minha carne. Pois eu tenho capacidade de querer o bem, mas não de realizá-lo. (Rm 7, 18)> . Tantas vezes é assim, sabemos e queremos o que é certo, mas não o fazemos, somos seres miseráveis, nosso corpo, nossa carne é regida por outra lei: <Como homem interior ponho toda a minha satisfação na lei de Deus; mas sinto em meus membros outra lei, que luta contra a lei da minha razão e me aprisiona na lei do pecado, essa lei que está em meus membros. (Rm 8, 22-23)>. Precisamos, portanto, lutar contra a carne, contra este nosso corpo mimado, colocá-lo nos eixos através da penitência e da mortificação, para que ele se submeta a Lei de Deus, em linguagem mais técnica, é preciso submeter a vontade à razão; que a razão tenha o domínio sobre a vontade não o contrário. Mas, apenas por nossas forças, iremos fracassar. Precisamos da graça divina, pois sem Cristo, nada podemos fazer.

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Reflexões da Sagrada Escritura: Dois Caminhos


29ª Semana do Tempo Comum - Quinta-feira 
Primeira Leitura (Rm 6,19-23) 
Responsório (Sl 1,1-2. 3. 4.6 (R. Sl 39,5a)) 
Evangelho (Lc 12,49-53)

1. A Liturgia de hoje coloca-nos diante de um antagonismo, um contraste, entre dois caminhos, por um lado o caminho de Deus, o caminho da Vida,  por outro o caminho dos mundanos, o caminho da Morte. O Didaqué desenha o cenário de modo ainda mais claro:
Existem dois caminhos: o caminho da vida e o caminho da morte. Há uma grande diferença entre os dois. Este é o caminho da vida: primeiro, ame a Deus que o criou; segundo, ame a seu próximo como a si mesmo. Não faça ao outro aquilo que você não quer que façam a você. [1]

Este é o caminho da morte: primeiro, é mau e cheio de maldições - homicídios, adultérios, paixões, fornicações, roubos, idolatria, magias, feitiçarias, rapinas, falsos testemunhos, hipocrisias, coração com duplo sentido, fraudes, orgulho, maldades, arrogância, avareza, palavras obscenas, ciúmes, insolência, altivez, ostentação e falta de temor de Deus.

Nesse caminho trilham os perseguidores dos justos, os inimigos da verdade, os amantes da mentira, os ignorantes da justiça, os que não desejam o bem nem o justo julgamento, os que não praticam o bem mas o mal. A calma e a paciência estão longe deles. Estes amam as coisas vãs, são ávidos por recompensas, não se compadecem com os pobres, não se importam com os perseguidos, não reconhecem o Criador. São também assassinos de crianças, corruptores da imagem de Deus, desprezam os necessitados, oprimem os aflitos, defendem os ricos, julgam injustamente os pobres e, finalmente, são pecadores consumados. Filho, afaste-se disso tudo. [2]
É preciso, pois, escolher qual caminho queremos nós seguir, a vida em Deus ou a morte no pecado. Não uma escolha meramente verbal, mas existencial, sem espaço para hesitação, uma escolha radical e individual. O que queres caro leitor? Deus ou o Mundo? Cristo ou o Pecado? Como canta o Pe. Zezinho, “a decisão é tua”:



2. Uma vez escolhido o caminho da vida, precisamos que nos esforcemos com todo o nosso ser nele, como nos ensina São Paulo: <Irmãos, uso uma linguagem humana, por causa da vossa limitação. Outrora, oferecestes vossos membros como escravos para servirem à impureza e à sempre crescente desordem moral. Pois bem, agora, colocai vossos membros a serviço da justiça, em vista da vossa santificação. (Rm 6, 19)>.

Não há espaço para comodismos, é preciso esforço, é preciso colocar todos os nossos membros, todo o nosso ser à serviço do Reino, deixar-nos inflamar pelo fogo do Espírito, o fogo que Nosso Senhor Jesus Cristo veio trazer ao mundo.
Escrevias: “Eu te ouço clamar, meu Rei, com viva voz, que ainda vibra: "Ignem veni mittere in terram, et quid volo nisi ut accendatur?" - vim trazer fogo à terra, e que quero senão que arda?”.

Depois acrescentavas: “Senhor, eu te respondo - eu inteiro - com os meus sentidos e potências: "Ecce ego quia vocasti me!" - aqui me tens porque me chamaste!”.

 - Que esta tua resposta seja uma realidade cotidiana.

- São Josemaria Escrivá (Forja, 52)

_________________________
[1] Didaqué I, 1-2.
[1] Didaqué V, 1-2.

quarta-feira, 25 de outubro de 2017

Reflexões da Sagrada Escritura: A quem muito foi dado, muito será pedido


29ª Semana do Tempo Comum - Quarta-feira 25/10/2017
Primeira Leitura (Rm 6,12-18)
Responsório (Sl 123,1-3. 4-6. 7-8 (R. 8a))
Evangelho (Lc 12,39-48)

1. Nos ensina hoje São Paulo: <Acaso não sabeis que, oferecendo-vos a alguém como escravos, sois realmente escravos daquele a quem obedeceis, seja escravos do pecado para a morte, seja escravos da obediência para a justiça?> (Rm 6, 16). Aquele que se entrega ao pecado, torna-se escravo do pecado. Tolkien, grande ficcionista católico retratou muito bem a figura do homem escravo do pecado com o personagem Gollum; é a tal estado desprezível que nos reduz o pecado; chaga terrível que faz com que nos tornemos piores que animais.

Se o pecado escraviza, a verdade liberta. Em um curioso paradoxo, aqueles que se tornam escravos da obediência pela justiça, são aqueles realmente livres. O pecado escraviza, a verdade liberta. Pelo pecado nos tornamos piores que animais, praticando a verdade católica somos chamados ao convívio dos anjos.

Pensemos nisto...

2. No salmo cantamos: <Se o Senhor não estivesse ao nosso lado, que o diga Israel neste momento; se o Senhor não estivesse ao nosso lado, quando os homens investiram contra nós, com certeza nos teriam devorado no furor de sua ira contra nós. (Sl 123, 1-3)>; é exatamente deste modo, em nossas vidas e na vida e história da Igreja. Por nossas forças, já teríamos sido destruídos, é pelo auxílio do Senhor, pela ação de sua graça, que ainda estamos aqui.

Não alimentemos ilusões, saibamos que não somos dignos de confiança, que por nossas forças nada podemos; mas coloquemos nossa esperança no Senhor, no Senhor que fez o céu e fez a terra!

3. No Evangelho é-nos dito: <A quem muito foi dado, muito será pedido; a quem muito foi confiado, muito mais será exigido!” (Lc 12, 48b)> . Quanto não será cobrado de nós católicos? Nós que pela graça de Deus estamos na religião verdadeira, que temos o auxílio dos santos, a ação dos Sacramentos, sobretudo a presença real de Nosso Senhor Jesus Cristo na Divina Eucarística.

Muito, muito foi-nos dado, mais do que aos anjos. Muito também nos será cobrado. Tenhamos isso em mente, e não nos acomodemos, vivamos para a glória do Senhor, trabalhando pela salvação das almas, cada um segundo seu estado.

4. Hoje também celebramos a memória de Santo Antônio de Sant'Ana Galvão, o Frei Galvão, santo brasileiro. É motivo de grande alegria saber que um conterrâneo nosso, que caminhou cá por essas terras, que e rezou em nossa língua, nossos sotaques, alcançou altos graus de santidade.

Que São Frei Galvão rogai por nós, rogai pela conversão, santificação e salvação das almas desta Terra de Santa Cruz!

terça-feira, 24 de outubro de 2017

Reflexões da Sagrada Escritura: Vigiemos!



29ª Semana do Tempo Comum - Terça-feira 
Primeira Leitura (Rm 5,12.15b.17-19.20b-21) 
Responsório (Sl 39,7-8a. 8b-9. 10. 17 (R. Cf 8a.9a)) 
Evangelho (Lc 12,35-38)

1. Cristo é o novo Adão, por meio dele Deus iniciou uma nova Criação. Se por Adão, a morte entrou no mundo, em Cristo é nos dado a vida. Deixemos morrer o velho homem, e que o novo homem, nasça, deixamos Cristo agir em nós, e por meio de sua graça, prosseguir e completar a obra de suas mãos.

2. No salmo cantamos: "— Eis que venho fazer, com prazer, a vossa vontade, Senhor!" não basta obedecer o Senhor, mas é preciso fazer com prazer, com alegria. Deus é bom, misericordioso, e não rigorista "sacana" e distante como pensava Lutero. Os mandamentos não são proibições arbitrárias, mas palavras de amor, que visam nossa felicidade e salvação. Alegremo-nos!

3. Ainda no salmo, continuamos a cantar: "— Sacrifício e oblação não quisestes, mas abristes, Senhor, meus ouvidos; não pedistes ofertas nem vítimas, holocaustos por nossos pecados (...)"; diante disto podemos pensar, então, não é para fazer penitência? Na verdade é esta uma interpretação errada. A penitência é o primeiro passo, é o preparar nosso corpo, ordenar nossa carne e nossa alma, afim de que esta esteja atenta e vigilante aos desígnios do Senhor, daí então, com os ouvidos abertos, poderemos discernir e obedecer a Vontade Divina. Os atos de mortificação e penitência são o começo, um instrumento para nos tornarmos dóceis ao Senhor. De nada adiantaria a mais rígida ascese externa, se no interior não nos dobrarmos diante do Senhor, se não discernirmos e obedecermos Sua Vontade, em cada momento em que se apresenta, nas mais misteriosas e cotidianas circunstâncias.

4. No Evangelho estamos diante do ensinamento da vigilância. O Cristão deve ser vigilante, vigilante para escutar os sussurros do Divino Espírito, para socorrer Cristo que passa, Cristo escondido no irmão e nas circunstâncias da vida diária. O católico deve ter sempre está atitude vigilante, não pode se acomodar, não pode se acostumar com esse mundo, não pode viver uma vidinha burguesa!

Pensemos também no que ocorreu no Getsêmani, onde o Senhor encontrava-se lutando contra uma grande tentação, imerso em grande agonia, e seus apóstolos dormiam...

Vigiemos.

5. Hoje é também dia de Santo Antônio Maria Claret, incansável servo do Senhor. Santo, missionário, bispo, autor de mais de 150 livros, grande devoto da Virgem Maria e propagador da devoção ao seu Imaculado Coração, santo Antônio Maria Claret foi também alvo dos inimigos da Igreja, sofrendo nada menos que 15 atentados.

Santo Antônio Maria Claret, rogai por nós, sobretudo por aqueles nossos irmãos que são perseguidos por seu amor ao Reino!

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Reflexões da Sagrada Escritura: Contra a Teologia da Prosperidade



29ª Semana do Tempo Comum - Segunda-feira 23/10/2017
Primeira Leitura (Rm 4,20-25)
Responsório (Lc 1,69-75)
Evangelho (Lc 12,13-21)

1. A liturgia de hoje é uma verdadeira refutação da Teologia da Prosperidade. O homem rico do Evangelho pôs sua esperança em seus bens, morreu. Parou no que é terreno e esqueceu do eterno. Já dizia São Francisco que o luxo enfraquece a alma. Não devemos colocar nossas esperanças no dinheiro, mas usá-lo, gastar os bens desta terra, não para o gozo, mas na caridade e no serviço, afim de alcançar as graças de Deus, espiar nossos pecados, e ajuntar tesouros no céu. Exatamente o contrário do que prega a teologia da prosperidade, que ao invés de usar dos bens terrestres para tentar alcançar os celestes; tenta usar de Deus para alcançar vaidades e o luxo neste mundo que passa.

Livrai-nos Senhor da doença da avareza!

2. O santo que hoje celebramos bem reflete o que meditamos hoje no Evangelho, sendo um grande sinal de contradição para com a mentalidade avarenta e materialista do mundo moderno. São João de Capistrano, um juiz de direito e antigo governador de uma cidade Italiana que, após a morte de sua esposa, vendeu todos os seus bens, abandonou todo o seu gozo terreno, e ingressou na ordem dos franciscanos vivendo a mais austera pobreza e a mais rígida penitência. São João de Capistrano mal dormia, e comia apenas uma vez ao dia; seu tempo era todo dedicado a Deus, homem sábio, humilde e combatente, foi conselheiro de vários Papas e pregador nas Cruzadas; além de um grande taumaturgo. A santidade, sabedoria e grandeza deste gigante da Fé é algo que escapa ao vão entendimento dos homens deste tempo, tão apegados aos bens e ao dinheiro.

São João de Capistrano é um luminoso sinal para nós, sinal que denúncia nossa moleza e fraqueza, sinal que denúncia nossos horizontes vazios e tolos que colocam as esperanças apenas neste mundo que passa.... Que São João de Capistrano interceda por nós, para que aprendamos o que realmente importa: a glória de Deus!

3. Complementando as reflexões do dia, e respondendo algumas possíveis objeções, segue alguns trechos extraídos do DOCAT
164) O que a Bíblia diz sobre a pobreza e a riqueza?
Quem segue Jesus, nunca deve esquecer que devemos nos tornar ricos sobretudo diante de Deus (Lc 12, 21). Tornar-se rico materialmente não constitui um objetivo especial da vida cristã. E ser rico materialmente não é nenhum sinal seguro de uma graça especial de Deus. Jesus ensina-nos a rezar: “O pão nosso de cada dia nos dai hoje” (Mt 6,11). Com estas palavras pedimos ao Pai tudo aquilo que precisamos para a nossa vida terrena. Não procuramos o luxo, mas sim aqueles bens que são requeridos para uma vida feliz num bem-estar moderado, para o sustento da família, para a caridade e para a participação na cultura e na educação bem como para o desenvolvimento.

165) A pobreza é sempre má?
Quando "pobreza" significa a necessidade involuntária e a falta de meios necessários para a vida, então a pobreza é uma desgraça. A realidade de que uma parte da humanidade passa fome e uma outra joga fora alimentos em abundância é um escândalo e um pecado que brada aos céus. (...) A pobreza relativa - portanto não viver na abundância - não deve ser só negativa. Pode levar as pessoas a reconhecer as suas verdadeiras necessidades e chegar a uma atitude orante e cheia de confiança parante Deus. Onde os cristãos levam a sério o Evangelho, há sempre a renúncia consciente e livre à riqueza material: as pessoas podem servir a Deus com o coração livre. Em geral, vale o principio: quem quiser seguir Jesus tem de ser pobre perante Deus, isto é, estar interiormente desprendido da posse dos bens (Mt 5,3). Nada deve ser anteposto ao amor a Deus.

166) O bem-estar é sempre bom? 
R: Poder viver sem preocupações materiais é uma enorme vantagem pela qual se devia agradecer a Deus todos os dias. Quem assim vive pode ajudar aqueles aos quais, por qualquer motivo, a vida não lhes corre bem. Mas a riqueza também pode levar a uma saturação espiritual, à arrogância e à presunção. De modo diferente do pobre, o rico é tentado a atribuir ao próprio mérito as condições da sua vida feliz. Quando o ter se torna uma ganância, junta-se-lhe com frequência a dureza do coração. Para aqueles que se ficam apenas na riqueza material, vale a advertência de Jesus: "Louco! Nesta mesma noite vais ter de devolver a tua vida" (Lc 12,20).

sábado, 21 de outubro de 2017

Death Note - Light up the New World e as dinâmicas da Cultura Pop

Diz o ditado que o segredo da arte é saber a hora de parar. Se o artista não der um término a sua obra alguém vai, seja este alguém a morte ou o mercado, sendo que o último, o mercado não tem o mínimo senso estético. Mas, o término de uma obra, a sua conclusão, paralisa a correnteza dos dividendos, levando o autor a uma encruzilhada: a arte ou os cascalhos? A perpetuação, ou o gozo no efêmero? Infelizmente, tal como ocorre com as almas dos pobres pecadores, que sacrificam a eternidade por um prazer efêmero, assim inúmeros artistas matam suas obras primas em prol de um prato de lentilhas.

Agora que falamos do caso geral, do sublime, desçamos ao específico, ao “vulgar”, ao mundo do entretenimento e vejamos como os mesmos princípios se aplicam também ali. Perceberam a quantidade de remakes e continuidades de antigas obras antes encerrada: Rocky Balboa, Exterminador do Futuro, Dragon Ball, Digimon... As velhas histórias são tiradas do limbo, com novas narrativas de qualidade muito inferior as originais. A última da lista foi Death Note, e não, não estou falando daquela abominação americana confeccionada pela Netflix, mas do novo (ou nem tanto, uma vez que o filme é de 2016) live action: Ligth up the New World (você pode encontrá-lo tanto em torrent quanto no Youtube; aliás, o que é que não se encontra hoje nestes meios? Até o filme do Olavo, Jardim das Aflições, vi por tais meios, e diga-se de passagem, o filme é ruim). Apesar do novo live action ser interessante e bem feito, uma obra prima se comparado com o fiasco americano, Ligth up the New World o mutila o roteiro de Tsugumi Ohba, abrindo margem para um looping infinito. Em resumo e com spoliers: o Rei Shinigami bolou um joguinho, o Shinigami que encontrar um novo Kira, tornar-se há seu sucessor. Resultado? Uma enxurrada de cadernos no mundo humano... Gerações e gerações de Kiras e Ls; filmes e mais filmes ad infinitum ou ao menos enquanto os fãs continuarem a suportar e pagar pela franquia.



Tais exemplos não são fatos isolados, mas parte da dinâmica interna da cultura pop, show bussiness, onde a cultura torna-se uma mercadoria e o número de zeros no cheque é mais importante que o ideal estético da arte.

Money Talks...Infelizmente.

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Reflexões da Sagrada Escritura: Não há nada de escondido, que não venha a ser revelado


28ª Semana do Tempo Comum - Sexta-feira 20/10/2017
Primeira Leitura (Rm 4,1-8)
Responsório (Sl 31,1-2. 5. 11 (R. Cf. 7))
Evangelho (Lc 12,1-7)

Lemos hoje no Evangelho: <Não há nada de escondido, que não venha a ser revelado, e não há nada de oculto que não venha a ser conhecido.> (Lc 12, 2). Isso não diz respeito apenas as pequenas hipocrisias cotidianas, mas também as grandes conspirações, ora outra aparece...

Os segredos ocultos e pérfidos da doutrina gnóstica estão aí hoje expostos, virando até tema de piadas e zombarias na internet. As maquinações dos hereges modernistas durante o CV2 igualmente, livros e mais livros documentando aquilo que se tentou colocar por baixo do tapete. As corrupções e maracutaias desta república das bananas são notícia em rede nacional. Os segredos "fenomenais" de certo grupo idem...

Muito mais vai aparecer. O mal tenta se esconder, mas a Divina Luz tudo ilumina, põe fim a escuridão e coloca as claras o interior dos corações.

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Reflexões da Sagrada Escritura: Os Judeus


28ª Semana do Tempo Comum - Quinta-feira 19/10/2017
Primeira Leitura (Rm 3,21-30)
Responsório (Sl 129,1-2. 3-4. 5-6 (R. 7))
Evangelho (Lc 11,47-54)

1. Na primeira leitura estamos diante da polêmica de São Paulo com os judeus; Deus manifestou sua misericórdia, cumpriu o que foi dito pela Lei e os profetas em Cristo, o Senhor. Pelo Preciosíssimo Sangue do Divino Redentor formos salvos e justificados. A religião nacional dos judeus passou, é tempo da religião universal, católica, onde pela Fé em Cristo, todos os povos podem encontrar o caminho da salvação. Deus não é Deus só dos Judeus, mas de todo o Universo. Quão difícil foi para os judeus compreenderem isto, e quão difícil ainda o é... Muitos de nossos irmãos judeus caíram na idolatria de si mesmos, e, movidos por um orgulho maligno continuam a rejeitar a Fé. Lia eu recentemente O Talmuld Desmascarado de autoria do Pe. Pranaitis, uma leitura assustadora que mostra a que ponto decaiu este povo e, o seu desprezo para com aqueles fora de sua etnia, pejorativamente chamados de goiym.

2. Creio que é oportuno relembramos o que ensina-nos a Igreja sobre a atuação situação dos judeus, recorramos pois ao Catecismo Maior de São Pio X
223) Quem são os que não participam da comunhão dos Santos?
Aqueles que não participam da comunhão dos Santos são, na outra vida, os condenados, e nesta vida aqueles que não pertencem nem à alma nem ao corpo da Igreja, quer dizer, aqueles que estão em estado de pecado mortal e se encontram fora da verdadeira Igreja.

224) Quem são os que se encontram fora da verdadeira Igreja?
Encontram-se fora da verdadeira Igreja os infiéis, os judeus, os hereges, os apóstatas, os cismáticos e os excomungados.

226) Quem são os judeus ?
Os judeus são aqueles que professam a lei de Moisés, não receberam o batismo, nem crêem em Jesus Cristo. 
Rezemos pela conversão dos Judeus.

3. O salmo de hoje, Salmo 129, também chamado de “De Profundis”, é belíssimo! Abaixo encontra o leitor a melodia composta por Arvo Pärt, com a letra em latim eclesiástico.



4. No Evangelho a polêmica com os judeus continua, Cristo denuncia a hipocrisia fratricida dos fariseus, que descendendo daqueles que mataram os profetas, fingem honrá-los ás vistas do povo, construindo sepulcros e mausoléus. Ainda hoje, mesmo entre os batizados, há gente assim, gente que honra os santos apenas com os lábios, sequestra sua imagem para seus fins ideológicos, mas caso estivessem caminhando ainda por este mundo, seriam assassinados por esses mesmos homens. Penso eu nós Teólogos da Libertação, cujo os pais, os comunistas, também foram os assassinos dos profetas, santos e apóstolos...

5. A fim do Evangelho, nos é dito que os fariseus e mestres da Lei: Armavam ciladas, para pegá-lo de surpresa (...)> (Lc 11, 54). Ainda hoje é assim, os maus estão a todo o tempo maquinando para destruir aqueles que ousam denunciá-los. Fiquemos atentos, e que Deus nos proteja!

6. Hoje é também dia de São Pedro de Alcântara, padroeiro do Brasil. Que tal aproveitar para conhecer um pouco sobre a vida deste grande santo? O Professor Angueth nos auxilia com está excelente palestra:

terça-feira, 17 de outubro de 2017

Reflexões da Sagrada Escritura: Tolice e Paganismo


28ª Semana do Tempo Comum - Terça-feira 17/10/2017
Primeira Leitura (Rm 1,16-25)
Responsório (Sl 18 (19),2-3. 4-5 (R. 2a))
Evangelho (Lc 11,37-41)


1. Quem não glorifica a Deus fica burro. Foi o que aconteceu aos pagãos do qual nos fala São Paulo na primeira leitura: deram de ombros aos sinais da criação e perderam-se em seus próprios pensamentos estultos. Ficaram burros, escravos de ídolos, e ainda por cima desonraram seus corpos. Como punição, Deus os abandonou a si mesmos.

Não tenhamos receio de proclamar em alta voz: ''OS PAGÃOS SÃO BURROS, ESTULTOS!''. O mesmo vale para os pagãos de hoje, aqueles que vivem para o mundo de festinhas e baladinhas, desonrando seus corpos em atos libidinosos; são verdadeiras antas que perdem sua vida neste mundo, matam suas almas, e arriscam-se a morrer na impenitência e serem condenados.

Cuidado se faz da vida tipo uma festa, pois a ressaca pode ser eterna.



2. No Evangelho Jesus é convidado a jantar, e mesmo na casa do fariseu continua a pregar quer agrade quer desagrade. Temos nós essa coragem? Ou nos acovardamos e, em casa de terceiros, escondendo nossas convicções por respeito humano?

3. Pouco vale as ações externas, se a alma estiver suja. Quem vive uma moral artificial, uma moral de pose para os outros é um infeliz, não entendeu o que significa a moral. É o que Cristo explica ao fariseu. 

Deixemo-nos purificar pelo Amor, o amor cristão, a caridade que limpa e purifica nossas almas.

domingo, 15 de outubro de 2017

A confissão de Lutero e Melanchton

Conta-se ainda outro fato na vida do pobre reformador. Certa noite estava ele sentado ao lado de Catarina, esquentando as mãos ao fogo aceso na sala.

Parecia taciturno, contrariado... De repente, pegando pelo o braço da companheira, introduziu-lhe a mão violentamente no meio das chamas.

Catarina soltou um grito...

- Que tens, mulher, disse Lutero, sombrio e zombeteiro; que há? Precisamos acostumar-nos ao fogo pois é o que nos espera no outro mundo!

Vê-se, nestes fatos, transparecer a consciência atormentada de remorsos do heresiarca, e o bom senso e a verdade cominarem por instantes os apetites e as paixões.

Terminemos estes depoimentos com um último, mais expressivo ainda que os precedentes, porquanto é o brado do AMOR FILIAL que às vezes sobrevive às ruínas de todas as outras afeições.

Quando o reformador estava no fastígio de sua revolta, caiu mortalmente enferma a velha mãe de Melanchton, que se fizera protestante a conselho do filho.

O mal fez rápidos progressos e em breve a velhinha viu-se à beira do túmulo.. Melanchton, que a amava, falou-lhe de Deus, e exortou-a e reconciliar-se com Ele.

A velhinha compreendeu e, juntando as últimas forças, perguntou: meu filho, sê sincero, agora, que estou para morrer; dize-me se é melhor morrer como protestante ou como católica.

O apóstata não hesitou.

- Minha mãe, disse ele, inclinando a cabeça, não vos posso enganar neste momento; o
protestantismo é talvez melhor para nele se viver; mas O CATOLICISMO É MELHOR PARA NELE SE MORRER.

Que quereis mais, caros protestantes? Uma tal confissão é ou não é de valor: Ouvimos falar a voz do arrependimento, o bom senso e o medo. Aqui nos brada o amor filial.

O discípulo de Lutero, que enganara a todos, não quis enganar a própria mãe... não desejando lançá-la no inferno, aconselhou-a a morrer como católica.

O conselho dado na hora da morte e coisa sagrada. Tomai-o para vós e, como disse Santo Ambrósio ao imperador Teodósio, “após ter seguido Davi nas suas fraquezas, segui-o no seu arrependimento”.

Depois de terdes acreditado nos desvarios de Lutero, daí ouvidos, também aos seus conselhos de bom senso e de lucidez. O protestantismo, permitindo tudo, pode ser mais cômodo para a vida, mas o Catolicismo vale mais para nos dar uma boa morte, após nos garantir uma vida boa, porque só ele tem as promessas da eterna salvação.

Padre Júlio Maria. O Diabo, Lutero e o Protestantismo; pág.134-135.

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Acídia, Ambição, Talento e Esforço

Quais são os sete pecados capitais? Tem o leitor na ponta da língua o nome destas sete doenças que afligem a alma humana? Se sim, meus parabéns, pois faz parte de um seleto e excepcional grupo; hoje a maioria dos homens ignora aquilo que deveria combater.

Em seu Tratado Prático, o monge Evágrio Pôntico oferece-nos um curioso conselho: usar um demônio, um dos sete pecados capitais, contra o outro, reservando, porém, o alerta de não se abusar desta técnica. Longe de mim querer adicionar um iota a este clássico da ascese cristã, mas... (depois disso raramente vem coisa boa eu sei, escondam a carteira e liguem a cerca elétrica antes de prosseguir com a leitura) hoje, em pleno século XXI (vish!!!! Já mandou o jargão...) o pecado se disfarça de virtude e pode enganar ainda mais facilmente o usuário desta artimanha. Falemos da Acídia em sua manifestação mais vulgar: Preguiça. Muitas vezes esta se disfarça de humildade em um discurso moralista contra a ambição.

A ambição é ruim? Depende daquilo que se ambiciona. Na parábola dos talentos, aqueles que investiram e multiplicaram seus dons foram elogiados, enquanto o que o enterrou foi chamado “servo mal e preguiçoso”. Assim, a tal da “falta de ambição” pode ser tanto um sintoma de preguiça, algumas vezes associada também ao orgulho. Orgulho? Sim, orgulho. O que é o orgulho? De forma vulgar, uma opinião ilusória de si mesmo, achar que é “o cara”, quando na verdade é um bostinha. Cada vez que caímos, tentamos e falhamos tomamos consciência de nossa condição miserável, mas o preguiçoso não. Quem não tenta e não arrisca, não falha. O personagem Raskólnikov do romance Crime e Castigo é talvez um dos exemplos mais cristalinos da relação entre preguiça e orgulho. Este homem que dizia-se um novo Napoleão, abandonara os estudos, desdenhava da busca pelo emprego e passava horas no marasmo, deitado em seu imundo apartamento, confeccionando os feitos grandiosos, para os quais segundo ele, havia de realizar. E como sabemos, pecado puxa pecado, e a orgulhosa preguiça do senhor Raskólnikov o levou a pratica do homicídio, o resto da história você encontra nas quase 700 páginas de Dostoiévski, mas continuemos... 

Falava da ambição, mas os modernos têm uma visão tacanha e sempre associam a palavra ao dinheiro, por vezes dinheiro e ambição são até mesmo antagônicos. Pensemos em um exemplo simples: cinema. Quantos cineastas tinham talento e potencial para criar verdadeiras obras de arte, obras que atravessariam o século, mas preferiram um blockbuster comum, fórmula pronta para uns trocados? Mas, de que adianta a ambição pela ambição, mesmo que ordenada, sem talento e esforço. O que é talento? Talento é a predisposição natural, algo impresso em nossa alma, uma facilidade a determinados campos e áreas, também conhecido como "potencial". É o mesmo da parábola do Evangelho, a cada um foi dado em quantidades e espécies diferentes, mas a todos a mesma ordem: "multiplicai-o". E esforço? É o trabalho duro, o "suor do seu rosto" que irriga a terra. Sem esforço, ambição e talento hão de no máximo produzir aquela obra relaxada, inacabada, com aquela impressão de "poderia ter sido e não foi". Um bom lugar para se cultivar a virtude do esforço é no esporte, mas deixo isso para um próximo texto, prossigamos um pouco mais, pois o final já se achega.

Nesta luta contra o pecado da preguiça, que algumas tradições monásticas associam ao demônio Belfegor, além das armas da ambição, talento e esforço, conta o católico com o auxilio da graça. Deste modo, não há desculpas para a mediocridade.

Há, pois, de se buscar, ambicionar, o Bem e esforçar-se com os meios lícitos, utilizando dos talentos virtuosos, guiados pela virtude da sabedoria, faculdade impressa em nossa alma que nos difere das bestas irracionais.

Em resumo:
- Por vezes a preguiça se esconde sob os mantos de uma falsa humildade;
- Para vencê-la, deve-se unir as armas da Ambição, do Talento e do Esforço; 
- O uso de tais armas deve ser guiado pela razão natural iluminada pela doutrina cristã e fortalecida pela graça dos sacramentos;
- Desta forma não há desculpas para a mediocridade.

Nota: Há controvérsias com relação ao significado do termo ambição, uso aqui no sentido de desejo. Assim o desejo não é mal nem ruim por si mesmo, mas depende do que se deseja. Há, entretanto,  teóricos católicos como o Padre Ricardo Leão, que dão ao vocábulo ambição um significado diferente, reforçando o seu caráter negativo. De todo o pressuposto do texto é que seja lido sob a hermenêutica da continuidade  para com a tradição católica, onde jamais há de se fazer apologia ao vício.

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

EUA: Avatar Geopolítico da Contra-Revolução?

Sabemos pela verdade revelada que o homem sem o sacramento do batismo é escravo de Satanás. Tanto é assim que por ocasião da cerimônia é perguntado ao neófito ou a quem responde por ele - os padrinhos - se renunciam a Satanás. Isso não faria nenhum sentido se não houvesse um preexistente vínculo com o anjo apóstata a ser quebrado mediante a realização do sacramento.

Pois bem, a esmagadora maioria da sociedade norte-americana é ou tem sido protestante. A quase totalidade das seitas protestantes que não se incluem naquele conjunto conhecido como "High Church" não aceitam o batismo infantil. Isso quer dizer que um contingente gigantesco -- se é que não amplamente majoritário -- de norte-americanos vive os anos mais decisivos de sua formação intelectual e moral (a infância e adolescência) sob o poder do Inimigo de Deus. As consequências disso deviam ser bem óbvias, mas toneladas de entulho propagandístico neodireitista turvam a visão dos devotos católicos já quase pós-católicos da teologia política teoconservadora angloliberal.

Vejamos: desde o fim do século XIX a cultura, as artes e os costumes verificados nos EUA eram tidos por viciosos por quase todas as sociedades européias, sobretudo as que ainda eram católicas.

Muito antes de existir Escória de Frankfurt, os EUA espalhavam música hedonista e sensual mundo afora com ritmos como foxtrot e jazz. Enquanto as mulheres da Europa e do mundo hispânico se cobriam com vestidos sóbrios e recatados, nos EUA elas vestiam calças e se divorciavam dos seus esposos. Aliás, a vulnerabilidade dos EUA à infiltração dos "agentes de influência" soviéticos desastradamente reconhecida pela neodireita para tentar ilibar a potência norte-americana só faz sentido se assumirmos a fragilidade originária daquele país que decorre de sua cultura esvaziada das operações da graça dos sacramentos, sobretudo do batismo. A pior punição que Deus concede ao pecador é o abandono dele às mazelas intrínsecas de sua condição de pecador: ignorância, orgulho e sensualidade. Ou seja, tudo quanto a belicosa contraparte norte-americana da Anglosfera Protestante espalha mundo afora - seja mediante sua belicosa faceta bucaneira e huguenote, seja mediante sua faceta de mágicos itinerantes monetizadores do consumismo e do hedonismo especialmente evidente em Hollywood.

É precisamente por isso que os vermes vermelhos se banqueteiam com a podridão americana e a regurgitam ainda mais venenosa que antes. Deus usa os ímpios para castigar os ímpios antes Dele próprio Se incumbir de aplicar a Sua justiça. Vejamos o caso da Hungria: o sex-lib começou por lá com o governo do bolchevique judeu Bela Kun já nas primeiras décadas do século passado. Só que lá havia uma sociedade católica que combateu aquilo com os meios morais e espirituais e a subversão cultural ficou interrompida por muitas décadas subsequentes. Depois de ter sido vergada pelo flagelo do comunismo, esse combate ressurgiu de novo e agora César obedece a Cristo em Budapeste: as leis de hoje por lá fazem o exato oposto que Bela Kun fazia, ou seja, promover a virtude dos cidadãos.

O que hoje ocorre na Hungria é o oposto dos EUA. A reação que lá existe à degeneração é precarizada e artificializada por séculos de protestantismo e liberalismo nas costas, ao passo que a reação húngara é orgânica e cada vez mais estribada no espírito católico do seu povo: tivessem tido os EUA um Bela Kun em um estágio tão recuado de sua história quanto a aurora do século passado, não há exagero em supor que a devastação teria sido tão grande que a Suécia de hoje pareceria um convento perto deles.

Assim sendo, o único programa político eficaz em sustar ou reverter as maquinações dos marxistas e dos marcusianos é o programa que seja ou possa ser conducente à retomada eventual do Estado católico - e esse é o caminho oposto dos EUA, consagradores do Estado aconfessional em nossa época. Tudo que está fora da perspectiva do retorno do Estado católico ao protagonismo na história é disputa concorrencial entre revolucionários - sejam eles de esquerda, os revolucionários com pedigree; sejam eles de direita, os revolucionários vira-latas, entre os quais se inclui o progressista atrasado conhecido como conservador.

Retomemos a Doutrina Social da Igreja na vida pública e na vida privada de nossas sociedades e à vida das nações. Procuremos ainda retomar aquela interpretação operante semiinconsciente que nossa civilização deu ao mundo a partir da DSI: voltemo-nos ao ultramontanismo hispânico, à Contra-reforma, ao antimodernismo e aos impérios salvíficos de Covadonga e Ourique.

Abaixo a Anglosfera Protestante! Viva a civilização católica!

#Victor Fernandes 

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Transhumanismo e a Alma do Robô


Assistia ontem Metrópolis, não o filme de Fritz Lang, mas a animação japonesa baseada na obra de Osamu Tezuka, um dos maiores mangakás da história. No melhor estilo cyberpunk, com no traço característico de Tezuka, vemos múltiplas histórias entrelaçadas a convergir em um final épico; num roteiro recheado de simbolismo e analogias históricas, tal qual a ascensão do nazismo, as guerrilhas comunistas, e a Torre de Babel. A obra é um primor artístico extraordinário, um verdadeiro clássico digno de ser comparada a Matrix e Blade Runner, mas deixemos os aspectos técnicos aos especialistas e vamos direto ao ponto: robôs.

A trama principal destaca o inocente romance entre Tima e Ken'ichi, sendo Tima um humanoide robótico. No filme é até bonitinho, mas é algo restrito apenas ao terreno da ficção; não apenas a questão do romance, mas a própria ideia de humanização das máquinas. 

O que nos torna humanos, e faz-nos diferente de toda a criação não é fruto de processos evolutivos que podem ser copiados e programados, mas  é nossa alma imortal, o sopro divino de que nos fala simbolicamente o livro do Gênesis (Gn 2, 7). Essa ideia de humanização das máquinas pode ser rastreada até o mito do Golem, passando pela fábula do Pinóquio até as velhas heresias gnósticas. Para os gnósticos, o homem é divino, e que maneira melhor de provar sua tese senão parodiando a criação, se Deus criou do nada um ser dotado de liberdade, porque não pode o homem fazer o mesmo?

Porém, como a gnose não passa de ilusão demoníaca, por mais que a ciência avance, jamais poderá o homem dar alma a matéria inanimada. Entretanto, ainda resta a possibilidade blasfema de brincar de Deus desumanizando o homem, a ideia das quimeras, mutantes e cyborgs. Se um robô jamais teria uma alma; algo como um cyborg ou um mutante, por mais que venha a ter seu corpo e sua mente bagunçados, seria ainda um homem dotado de alma imortal. 

“Especulações e divagações inúteis”, dirão alguns, porém, infelizmente está distopia sci fi faz parte dos planos dos grandes figurões; como manifesta o movimento transhumanista, que visa por meio das aplicações técnicas “transcender” o paradigma humano.



Conforme bem disse o controverso filósofo Aleksandr Dugin, é o transumanismo realmente um prelúdio ao “reino do Anti-Cristo”...

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Reflexões da Sagrada Escritura: Anjos da Guarda



(26ª Semana do Tempo Comum - Segunda-feira 02/10/2017) 
Primeira Leitura (Êx 23,20-23) 
Responsório (Sl 90(91),1-2.3-4.5-6.10-11 (R. 11))
Evangelho (Mt 18,1-5.10)

Hoje no dia dos Santos Anjos da Guarda a Igreja lê no Evangelho: <Não desprezeis nenhum desses pequeninos, pois eu vos digo que os seus anjos nos céus veem sem cessar a face do meu Pai que está nos céus> (Mt 18,10). Anjos não são bebezinhos de azinhas, mas poderosíssimos soldados do exército do Senhor, sempre que se manifestam os homens são tomados de imenso temor; maníacos, como o caso recente daquela exposição no MAM em que um marmanjão pôs-se nu diante de crianças, estes homens não imaginam o que os aguarda; o anjo daquelas criancinhas inocentes, cujo poder vai muito além de milhares de ogivas nucleares, espera apenas a permissão de Deus para castigar degenerados como aquele....

São Tiago Apóstolo quis manifestar-se em combate durante a Reconquista Ibérica, em cavalo branco e armadura negra lutou o Apóstolo nas espanhas contra a milícia blasfema do falso profeta Maomé. Se foi assim com o apóstolo, imaginem com os anjos que são soldados por natureza, membros da milícia celeste, o braço armado do Senhor Deus dos Exércitos. Devem eles estar ansiosos para que Deus lhes dê permissão de por fim a festa dos perversos e ímpios.

Ai daqueles que blasfemam contra o nome do Senhor, ai daqueles que escandalizam os pequeninos. Que se arrependam e se penitenciem enquanto ainda é tempo...

domingo, 1 de outubro de 2017

Reflexões da Sagrada Escritura: Vossa verdade me oriente e me conduza


(26º Domingo do Tempo Comum 01/10/17)
Primeira Leitura (Ez 18,25-28)
Responsório (Sl 24,4bc-5.6-7.8-9 (R. 6a))
Segunda Leitura (Fl 2,1-11)
Evangelho (Mt 21,28-32)

1. Na primeira leitura diz-nos o Senhor pela boa do profeta Ezequiel: <“Vós andais dizendo: ‘A conduta do Senhor não é correta’. Ouvi, vós da casa de Israel: É a minha conduta que não é correta, ou antes é a vossa conduta que não é correta?> (Ez 18,25). Muitos cristãos infelizmente repetem hoje o mesmo erro dos antigos israelitas: querem corrigir o Senhor, "atualizar" a doutrina, acham-se mais bonzinhos que os santos. Não é a lei de Deus que deve mudar, mas nossos caminhos. Nós é que temos de nos adaptar ao Evangelho e não o contrário.

Deus está certo, nós estamos errados, convertemo-nos do contrário seremos condenados. Não há margem para discussão

2. Em resposta a primeira leitura cantamos no salmo: <Mostrai-me, ó Senhor, vossos caminhos, e fazei-me conhecer a vossa estrada! Vossa verdade me oriente e me conduza, porque sois o Deus da minha salvação; em vós espero, ó Senhor, todos os dias!''> (Sl 24, 4bc-5). É o Senhor nosso guia, é a Verdade dele que nos deve orientar e conduzir, e não filosofias, ideologias, ou gurus da mídia.

3. Na segunda leitura diz-nos São Paulo: <Assim, ao nome de Jesus, todo joelho se dobre no céu, na terra e abaixo da terra, e toda língua proclame: “Jesus Cristo é o Senhor!”> (Fl 2, 10-11). Cristo reina! Cristo impera! Diante do nome dele todo o joelho se dobre no céu e na Terra. Diante de lei do Senhor se curvem os todos estados, povos e nações. Obedeçamos a lei do Evangelho com humildade, e como servos fiéis, militemos para que reine em toda a terra do nascente ao poente a vontade de Deus.

3. No Evangelho (Mt 21,28-32) quando chamado a trabalhar na vinha, disse o filho: -‘Não quero’. Mas depois mudou de opinião e foi. A vontade, o querer, foi, pois, submetido ao dever. A verdade deve sobrepor nossas paixões e vontades.

É difícil? É, mas deve ser feito.