segunda-feira, 9 de outubro de 2017

EUA: Avatar Geopolítico da Contra-Revolução?

Sabemos pela verdade revelada que o homem sem o sacramento do batismo é escravo de Satanás. Tanto é assim que por ocasião da cerimônia é perguntado ao neófito ou a quem responde por ele - os padrinhos - se renunciam a Satanás. Isso não faria nenhum sentido se não houvesse um preexistente vínculo com o anjo apóstata a ser quebrado mediante a realização do sacramento.

Pois bem, a esmagadora maioria da sociedade norte-americana é ou tem sido protestante. A quase totalidade das seitas protestantes que não se incluem naquele conjunto conhecido como "High Church" não aceitam o batismo infantil. Isso quer dizer que um contingente gigantesco -- se é que não amplamente majoritário -- de norte-americanos vive os anos mais decisivos de sua formação intelectual e moral (a infância e adolescência) sob o poder do Inimigo de Deus. As consequências disso deviam ser bem óbvias, mas toneladas de entulho propagandístico neodireitista turvam a visão dos devotos católicos já quase pós-católicos da teologia política teoconservadora angloliberal.

Vejamos: desde o fim do século XIX a cultura, as artes e os costumes verificados nos EUA eram tidos por viciosos por quase todas as sociedades européias, sobretudo as que ainda eram católicas.

Muito antes de existir Escória de Frankfurt, os EUA espalhavam música hedonista e sensual mundo afora com ritmos como foxtrot e jazz. Enquanto as mulheres da Europa e do mundo hispânico se cobriam com vestidos sóbrios e recatados, nos EUA elas vestiam calças e se divorciavam dos seus esposos. Aliás, a vulnerabilidade dos EUA à infiltração dos "agentes de influência" soviéticos desastradamente reconhecida pela neodireita para tentar ilibar a potência norte-americana só faz sentido se assumirmos a fragilidade originária daquele país que decorre de sua cultura esvaziada das operações da graça dos sacramentos, sobretudo do batismo. A pior punição que Deus concede ao pecador é o abandono dele às mazelas intrínsecas de sua condição de pecador: ignorância, orgulho e sensualidade. Ou seja, tudo quanto a belicosa contraparte norte-americana da Anglosfera Protestante espalha mundo afora - seja mediante sua belicosa faceta bucaneira e huguenote, seja mediante sua faceta de mágicos itinerantes monetizadores do consumismo e do hedonismo especialmente evidente em Hollywood.

É precisamente por isso que os vermes vermelhos se banqueteiam com a podridão americana e a regurgitam ainda mais venenosa que antes. Deus usa os ímpios para castigar os ímpios antes Dele próprio Se incumbir de aplicar a Sua justiça. Vejamos o caso da Hungria: o sex-lib começou por lá com o governo do bolchevique judeu Bela Kun já nas primeiras décadas do século passado. Só que lá havia uma sociedade católica que combateu aquilo com os meios morais e espirituais e a subversão cultural ficou interrompida por muitas décadas subsequentes. Depois de ter sido vergada pelo flagelo do comunismo, esse combate ressurgiu de novo e agora César obedece a Cristo em Budapeste: as leis de hoje por lá fazem o exato oposto que Bela Kun fazia, ou seja, promover a virtude dos cidadãos.

O que hoje ocorre na Hungria é o oposto dos EUA. A reação que lá existe à degeneração é precarizada e artificializada por séculos de protestantismo e liberalismo nas costas, ao passo que a reação húngara é orgânica e cada vez mais estribada no espírito católico do seu povo: tivessem tido os EUA um Bela Kun em um estágio tão recuado de sua história quanto a aurora do século passado, não há exagero em supor que a devastação teria sido tão grande que a Suécia de hoje pareceria um convento perto deles.

Assim sendo, o único programa político eficaz em sustar ou reverter as maquinações dos marxistas e dos marcusianos é o programa que seja ou possa ser conducente à retomada eventual do Estado católico - e esse é o caminho oposto dos EUA, consagradores do Estado aconfessional em nossa época. Tudo que está fora da perspectiva do retorno do Estado católico ao protagonismo na história é disputa concorrencial entre revolucionários - sejam eles de esquerda, os revolucionários com pedigree; sejam eles de direita, os revolucionários vira-latas, entre os quais se inclui o progressista atrasado conhecido como conservador.

Retomemos a Doutrina Social da Igreja na vida pública e na vida privada de nossas sociedades e à vida das nações. Procuremos ainda retomar aquela interpretação operante semiinconsciente que nossa civilização deu ao mundo a partir da DSI: voltemo-nos ao ultramontanismo hispânico, à Contra-reforma, ao antimodernismo e aos impérios salvíficos de Covadonga e Ourique.

Abaixo a Anglosfera Protestante! Viva a civilização católica!

#Victor Fernandes 

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