sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Reflexões da Sagrada Escritura: "Glória in excélsis Deo"


33ª Semana do Tempo Comum - Sexta-feira
Primeira Leitura (1Mc 4,36-37.52-59)
Responsório (1Cr 29,10-12)
Evangelho (Lc 19,45-48)

A semana se aproxima de seu fim, de forma que a meditação litúrgica sobre os livro dos Macabeus vai se encaminhando a sua conclusão. Na primeira leitura, vemos que imediatamente após a vitória, os israelitas, liderados pelos irmãos Macabeus, procedem os ritos de purificação do Templo. O local destinado ao culto divino fora profanado pelos pagãos, fazia-se pois, urgente, desagravar tais atos, e reconsagrá-lo ao Deus Altíssimo. No responsório, cantamos louvores a glória e ao poder de Deus, com o auxilio da primeira carta São Paulo aos Coríntios, já, no Santo Evangelho, estamos diante do episódio em que Nosso Senhor Jesus Cristo, manifesta sua santa ira, expulsando os vendilhões do templo.

O zelo para com o templo, o zelo pela glória de Deus, é sobretudo este o ensinamento de hoje. Dias atrás, discutia eu com alguns amigos se, até que a Igreja resolvesse a bagunça ocasionada pelo Vaticano II, poder-se-ia improvisar um placebo político para o Brasil, talvez algum tipo de nacionalismo ou ideologia de Estado; vaidade das vaidades. O Estado é como a Lua, recebe suas luzes do Sol, que é a Igreja, é preciso, pois, que nós católicos, expulsemos do templo os traidores, hereges, modernistas e apóstatas, sem isto, qualquer especulação política está condenada ao fracasso. Aos domingos, cantamos: <Glória in excélsis Deo, Et in terra pax homínibus bonae voluntátis.> ; só haverá paz, verdadeira paz, onde Deus for honrado e glorificado.

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Reflexões da Sagrada Escritura: Dinheiro e Apostasia


33ª Semana do Tempo Comum - Quinta-feira
Primeira Leitura (1Mc 2,15-29)
Responsório (Sl 49 (50), 1-2. 5-6. 14-15 (R. 23b))
Evangelho - Lc 19,41-44

1. A primeira leitura nos fala hoje do testemunho de Matatias e seus filhos. Assim como ocorreu no trecho que lemos ontem, novamente o tentador faz uso do dinheiro e da promessa de benesses nesta terra, eis o que é dito a Matatias: <Tomando a palavra, os delegados do rei dirigiram-se a Matatias, dizendo: “Tu és um chefe de fama e prestígio na cidade, apoiado por filhos e irmãos. Sê o primeiro a aproximar-te e executa a ordem do rei, como fizeram todas as nações, os homens de Judá e os que ficaram em Jerusalém. Tu e teus filhos sereis contados entre os amigos do rei. E sereis honrados, tu e teus filhos, com prata e ouro e numerosos presentes”. (1Mc 2, 17-18)>. Todavia, Matatias não cai em tais seduções, e responde com coragem: <Com voz forte, Matatias respondeu: “Ainda que todas as nações, incorporadas no império do rei, passem a obedecer-lhe, abandonando a religião de seus antepassados e submetendo-se aos decretos reais, eu, meus filhos e meus irmãos, continuaremos seguindo a aliança de nossos pais. Deus nos guarde de abandonar sua Lei e seus mandamentos. Não atenderemos às ordens do rei e não nos desviaremos de nossa religião nem para a direita nem para a esquerda”. (1Mc 2, 19-22)>, e próximo a fim da leitura escutamos: <Então fugiram, ele e seus filhos, para as montanhas, abandonando tudo o que possuíam na cidade. (1Mc 2, 28) >. Que bom seria, se todos nós, cristãos, tivéssemos a coragem de Matatias, a coragem de desprezar o dinheiro iníquo e desfazer-se dos bens, quando estes se mostram obstáculo a nossa Fé. É triste, porém, que muitos hoje caem nas seduções do dinheiro, que reneguem sua Fé pelo preço de uns trocados e promessa da vanglória neste mundo. Ao invés de usar dos bens que passam para buscar a glória de Deus, usam da Fé para alcançar uns trocados.

2. Assim, como chorou hoje o Evangelho diante de Jerusalém, Cristo também chora por nós, por nossos pecados e nossas infidelidades. Por nossas tamanhas ofensas, nos tornamos inimigos de Deus, e alvos do justo castigo, da cólera divina. Tal como foi profetizado - <Dias virão em que os inimigos farão trincheiras contra ti e te cercarão de todos os lados. Eles esmagarão a ti e a teus filhos. E não deixarão em ti pedra sobre pedra. Porque tu não reconheceste o tempo em que foste visitada”.(Lc 19, 43-44)> - veio para Jerusalém o tempo do castigo, e foi tamanho o sofrimento daquela cidade. Dia virá em que esta modernidade apóstata também será severamente castigada.

Clamava o anjo em Fátima: “PENITÊNCIA”; é tempo, pois, de penitência, clamemos a misericórdia de Deus, pois logo ele há de manifestar sua Justiça, tal qual lemos no salmo: <Reuni à minha frente os meus eleitos, que selaram a Aliança em sacrifícios!” Testemunha o próprio céu seu julgamento, porque Deus mesmo é juiz e vai julgar. (Sl 49 (50), 5-6)>.

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Reflexões da Sagrada Escritura: ''Apodera-se de mim a indignação, vendo que os ímpios abandonam vossa lei''


33ª Semana do Tempo Comum - Segunda-feira
Primeira Leitura (1Mc 1,10-15.41-43.54-57.62-64)
Responsório (Sl 118 (119), 53. 61. 134. 150. 155. 158 (R. Cf.88))
Evangelho (Lc 18,35-43)

1. Esta semana a liturgia nos convida a iniciarmos nossas reflexões partindo do primeiro livro dos Macabeus. No trecho que hoje lemos, vimos que uma aliança iníqua foi a fresta pela qual entrou o veneno da idolatria pagã no povo hebreu. Inicialmente, uma aliança tática, de cunho militar e geopolítico, mas depois vieram as trocas culturais, uma sutil apostasia, até que esta se manifestou descaradamente. Pensemos nisso, sobretudo em nossos dias, em que não faltam propostas de “alianças táticas”, tal qual a proposta de certa direita brasileira, de se aliar com a besta maçônica.

2. Posteriormente, a influencia pagã sobre os hebreus, que se impunha via soft power, acabou por radicalizar em métodos mais duros e brutos, não faltaram covardes apostatas, todavia, o final da leitura nos coloca diante do exemplo daqueles que foram fiéis mesmo diante da perseguição. A historia da Igreja é iluminada pelo exemplo de pessoas assim, homens e mulheres que com sua vida testemunharam a fidelidade ao Evangelho. As falsas religiões, todavia, não tem uma lista de mártires para honrar, estes dias li que o pagão Guillaume Faye, ao visitar a Arábia Saudita, escondeu sua fé idolatra, buscando refugio na Igreja verdadeira, declarando-se, por ocasião da viagem, católico. Pensemos nisto: os filhos da Igreja estão dispostos a derramar seu sangue, afim de testemunhar sua Fé, já os idolatras e hereges...

3. No salmo em perfeita resposta a primeira leitura, cantamos: <Vivificai-me, ó Senhor, e guardarei vossa Aliança! (Sl 118(119), Cf.88)>; se o católico pode dar testemunho de sua Fé, é pela força e pela graça do Deus verdadeiro. Sem Deus, nada podemos fazer. Rezemos, pois, com o toda a nossa alma:<Vivificai-me, ó Senhor, e guardarei vossa Aliança! (Sl 118(119), Cf.88)>.

4. Ainda no salmo, continuamos a rezar: <Apodera-se de mim a indignação, vendo que os ímpios abandonam vossa lei. (Sl 118(119), 53)>; precisamos nós, filhos da Igreja, nos indignar vendo o abandono das verdades eternas, a apostasia das nações e a degeneração dos costumes, não podemos nos manter neutros, covardes, o zelo pela glória de Deus deve inflamar nosso coração. E continua o salmista, de modo mais radical: <Quando vejo os renegados, sinto nojo, porque foram infiéis à vossa lei. (Sl 118(119), 158)>; peçamos ao Senhor a graça desta radicalidade, a graça de nos enojarmos diante da apostasia.

5. Ressalto mais um trecho do salmo: <Como estão longe de salvar-se os pecadores, pois não procuram, ó Senhor, vossa vontade! (Sl 118(119), 155)>; a salvação não é um direito, mas uma graça, que deve ser procurada, exige de nossa parte esforço, afim de nos apossarmos dela. Aqueles que querem salvar-se, devem buscar a Salvação, e com toda a força, inteligência e vontade, procurar discernir e obedecer a vontade de Deus.

domingo, 19 de novembro de 2017

Arqueofuturismo e a Gangue da Gravata Borboleta

Mais de um século após o Manifesto Futurista, em que Tommaso Marinetti exortava o abandono de todas as antigas tradições, numa manifestação iconoclasta quase que histérica, mas sincera, do espirito da modernidade, certo conservadorismo, bem como algum tipo de tradicionalismo vem ganhando espaço no mundo das ideias, devido ao fracasso do projeto moderno. Algumas vezes, porém, esta mentalidade tradicionalista se reveste de caracteres um tanto bizarros, desde a mitificação e folclorização do passado, bem como certo anacronismo vulgar. Se o leitor usa as redes sociais já deve ter se deparado com algumas destas figuras: da gangue da gravata borboleta, passando pelos entusiastas dos suspensórios, aos web amishs. Nesta forma vulgar, a Tradição, perde todo seu aspecto dinâmico, vivificante, transmutando-se numa nostalgia apática, em uma fantasia vulgar.

O passado não vai voltar, mas, isto não significa que ele não possa vir a inspirar o futuro. Teriam os tradicionalistas e conservadores mais sucesso em seus intentos se, ao invés de chorar sobre as ruínas da antiga civilização, lamentando-se do mundo degenerado, mitificando os tempos de outrora, empreendessem esforços para imaginar o mundo futuro, iluminado pelas tradições pretéritas.

Na ficção, existe um subgênero narrativo denominado steampunk, que se propõe a pensar o que seria do passado, se neste, o impacto do desenvolvimento tecnológico fossem tais como hoje. Aquilo do qual precisamos, é mais ou menos o contrário, precisamos pensar o futuro sob a ótica do passado, uma espécie de regressismo progressista, ou nos termos de Guillaume Faye, arqueofuturismo[1]. Exemplifiquemos: Que tal imaginar os Estados Pontifícios e uma nova Idade Média, hoje com celulares, internet e televisão? Uma nova cruzada com o uso de tanques de guerra e submetralhadoras? E o feudalismo em tempos de drones e maquinário agrícola de precisão? Como seria uma monarquia tradicional estabelecida em uma cidade cosmopolita tal qual São Paulo ou Nova York? De que modo as instituições do passado, caso fossem restauradas, vão interagir com as inovações,  aparatos tecnológicos, e a psicologia do presente? E com aquilo que esperamos para o futuro?

Não nos ensina a história, que antes de se transmutar em ação, algo deve tornar-se possível e coerente, através da ficção? Se tudo que os tradicionalistas têm a oferecer ao mundo é uma nostalgia ranheta, estão condenados a insignificância das fofocas de Facebook. Mas, se conseguirem com as luzes da tradição, fazer-nos antever um futuro luminoso, talvez aí assim, as pessoas passem a levá-los a sério.

Por mais degenerados que sejam os porcos revolucionários, ao menos uma coisa eles não perderam, a capacidade de sonhar; e nós?

Notas:
[1] Faye é um pagão com a mente cheia de ideias perversas, entretanto, teve o mérito de cunhar o termo arqueofuturismo; todavia, o uso que faço deste é uma interpretação própria, pouco apegada a qualquer fidelidade para com o autor.

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Reflexões da Sagrada Escritura: São insensatos por natureza todos os homens que ignoram a Deus


32ª Semana do Tempo Comum - Sexta-feira
Primeira Leitura (Sb 13,1-9)
Responsório (Sl 18 (19),2-3. 4-5 (R. 2a))
Evangelho (Lc 17,26-37)

1. Atualmente é moda falar de uma suposta sabedoria pagã tradicional, pois, hoje, o próprio livro da Sabedoria , manifesta-se repreendendo severamente os pagãos: <São insensatos por natureza todos os homens que ignoram a Deus, os que, partindo dos bens visíveis, não foram capazes de conhecer aquele que é; nem tampouco, pela consideração das obras, chegaram a reconhecer o Artífice. Tomaram por deuses, por governadores do mundo, o fogo e o vento, o ar fugidio, o giro das estrelas, a água impetuosa, os luzeiros do dia. (Sb 13, 1-2)>.

Ou seja, o que temos na verdade temos uma tolice pagã. Tolos, néscios, insensatos, desde os animistas de ontem, aos idolatras de hoje, tais quais a dita  "nova direita europeia", seguidores das doutrinas de Julius Evola e Alain, bem como os babaquinhas Nova Era, passando até aos modernos mundanos que divinizam o sexo e dinheiro.

2. No Evangelho, Cristo nos recorda o episódio da mulher de Ló. Na ocasião da destruição de Sodoma e Gomorra, quando Ló e seus familiares fugiam avisados pelo anjo, a esposa de Ló com o coração apegado aos bens daquela cidade, a sua vida de outrora, olhou para trás, e fora transformada em uma estátua de sal. Tal episódio está descrito em Gn 19, 1-26 .Não devemos, pois, repetir esta cena em nossas vidas; é preciso que nos desapeguemos deste mundo que passa sem olhar para trás! Todavia, isso não significa que todos nós devamos virar eremitas. O Evangelho prossegue com o exemplo de homens e mulheres exercendo atividades semelhantes: dormir, moer, trabalhar no campo, no entanto um é levado e outro deixado; é um modo de mostrar que o desapego é uma virtude inicialmente interior. Materialmente, estes homens e mulheres usavam dos bens deste mundo de forma semelhante, todavia, a atitude interior era diferente, enquanto alguns vivam acostumados com estas terras, outros viviam como peregrinos, com o coração voltado ao céu, e portanto foram levados, enquanto os demais, deixados para trás.

Precisamos, sobretudo nós leigos, aprender a viver este desapego "no mundo".

Santa Isabel da Hungria, rogai por nós!
São Josemaria Escrivá, rogai por nós!
Viva Cristo Rei!

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Reflexões da Sagrada Escritura: "O poder vos foi dado pelo Senhor"


32ª Semana do Tempo Comum - Quarta-feira
Primeira Leitura (Sb 6,1-11)
Responsório (Sl 81 (82), 3-4. 6-7 (8a))
Evangelho (Lc 17,11-19)

A liturgia deste dia de hoje é tão harmônica que parece ter sido escolhida providencialmente para iluminar nossa pátria. Ainda meditando sobre o livro da Sabedoria, lemos o seguinte: <Prestai atenção, vós que dominais as multidões e vos orgulhais do número de vossos súditos. Pois o poder vos foi dado pelo Senhor e a soberania, pelo Altíssimo. É ele quem examinará as vossas obras e sondará as vossas intenções; apesar de estardes ao serviço do seu reino, não julgastes com retidão, nem observastes a Lei, nem procedestes conforme a vontade de Deus. Por isso, ele cairá de repente sobre vós, de modo terrível, porque um julgamento implacável será feito sobre os poderosos. (Sb 6, 2-5)>; no dia de hoje lembramos a Proclamação da República, república esta que veio como um castigo à Dom Pedro II. O antigo imperador do Brasil, em seu reinado, aliou-se com a besta maçônica, tomando parte na perseguição aos Bispos do Brasil, levando a cativeiro o heroico Dom Vital. A república foi, pois, um castigo, o castigo a este homem que era sábio aos olhos dos homens, mas néscio aos olhos de Deus. 

Infelizmente, o pecado dos maus acaba por ecoar sobre os justos, e Isabel, a católica, viu-se separada do trono, pelo pecado de seu pai.

O mesmo trecho, porém, condena severamente esta república maçônica, que tal como a monarquia de Dom Pedro, está longe de agradar a Deus. Nossa constituição diz que todo o poder emana do povo, uma tolice sem tamanho, eis, pois, o que diz a Escritura: <Pois o poder vos foi dado pelo Senhor e a soberania, pelo Altíssimo. É ele quem examinará as vossas obras e sondará as vossas intenções; (Sb 6, 3)>. O poder vem de Deus e não do povo, nenhuma maioria "democrática" tem permissão para ir contra as leis eternas, basta lembramo-nos do episódio do Dilúvio.

Em resposta a primeira leitura, rezamos com o salmo: <Levantai-vos, ó Senhor, julgai a terra! (Sl 81 (82), 8a)>, façamos deste o sincero pedido de nosso coração, que o Senhor venha libertar os oprimidos, julgar os poderosos, e reduzir a pó todos aqueles que conspiram contra sua lei.

terça-feira, 14 de novembro de 2017

Reflexões da Sagrada Escritura: Morte, Sofrimento e Esquecimento


32ª Semana do Tempo Comum - Terça-feira
Primeira Leitura (Sb 2,23–3,9)
 Responsório  (Sl 33 (34),2-3. 16-17. 18-19 (R. 2a))
Evangelho - (Lc 17,7-10)

Hoje a primeira leitura da a resposta a um dramas que sempre atormentaram a humanidade e intrigaram os filósofos: o porquê da morte e do sofrimento. A morte é consequência do pecado, que entrou no mundo pela inveja do demônio com a cumplicidade Adão e Eva. Por conta deste pecado original toda humanidade é culpada de um crime tamanho, somos todos pecadores, bandidos, marginais, imundos. Mas, Deus em sua Infinita Misericórdia ofereceu aos homens a aliança, e por meio de seu Divino Filho Nosso Senhor Jesus Cristo, foi-nos aberta a porta do céu. Mas, não nos enganemos, ninguém de nós têm "direito ao paraíso", como nos ensina o Evangelho somos todos servos inúteis; a Salvação é pura graça de Deus. Mas, a graça age na natureza, e exige uma resposta de nossa parte. Nada de impuro entra no céu, desta forma, temos de nos penitenciar por nossos pecados, para que a Salvação que nos foi oferecida em Cristo, seja-nos aplicada. Desta forma, o sofrimento dos "bons", tem sentido o sentido de prova e purificação, como nos ensina ainda a primeira leitura: <(...) tendo sofrido leves correções, serão cumulados de grandes bens, porque Deus os pôs à prova e os achou dignos de si. Provou-os como se prova o ouro no fogo e aceitou-os como ofertas de holocausto; no dia do seu julgamento hão de brilhar, correndo como centelhas no meio da palha; (Sb 2, 6-7)>. Todavia, é um sofrimento passageiro, leves correções que não tem comparação aos glórias reservadas aos eleitos no Reino dos Céus.

E quanto aos maus, os impios e impenitentes? A resposta nos foi dada pelo salmista: <O Senhor pousa seus olhos sobre os justos, e seu ouvido está atento ao seu chamado; mas ele volta a sua face contra os maus, para da terra apagar sua lembrança. (Sl 33 (34), 17)>; a lembrança dos maus, sua vida de maldade e impiedade será apagada. Lembro-me eu de um antigo poema de Percy Bysshe Shelley a este respeito:
Ozymandias

Eu encontrei um viajante de uma terra antiga
Que disse:—Duas gigantescas pernas de pedra sem torso
Erguem-se no deserto. Perto delas na areia,
Meio afundada, jaz um rosto partido, cuja expressão
E lábios franzidos e escárnio de frieza no comando
Dizem que seu escultor bem aquelas paixões leu
Que ainda sobrevivem, estampadas nessas partes sem vida,
A mão que os zombava e o coração que os alimentava.
E no pedestal estas palavras aparecem:
"Meu nome é Ozymandias, rei dos reis:
Contemplem minhas obras, ó poderosos, e desesperai-vos!"
Nada resta: junto à decadência
Das ruínas colossais, ilimitadas e nuas
As areias solitárias e inacabáveis estendem-se à distância.
O mal é passageiro, efêmero. O bem se eterniza em Deus.

Nossa Senhora de Fátima, rogai por nós!
Viva Cristo Rei!

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Reflexões da Sagrada Escritura: Sabedoria (I)


32ª Semana do Tempo Comum - Segunda-feira
Primeira Leitura (Sb 1,1-7)
Responsório (Sl 138 (139),1-3. 4-6. 7-8. 9-10 (R. 24b))
Evangelho (Lc 17,1-6)

Ontem, na Santa Missa lemos o livro da Sabedoria (Sb 6, 12-16), nos foi dito que a própria sabedoria de Deus sai a procura daqueles que a merecem. Que diferença, não? Os pagãos têm que perseguir a sabedoria, como fez Sócrates, que por um hérculo esforço da razão, conseguiu deduzir o monoteísmo. Para os fiéis, por sua vez, ela é revelada, vem ao encontro. Deus não esperou o homem especular que ele era o único Deus eterno e imortal, ele mesmo revelou-se, tomou a iniciativa. Nesta semana, continuaremos a ler o livro da Sabedoria. Hoje na primeira leitura é-nos dito que: <Pois os pensamentos perversos afastam de Deus; e seu poder, posto à prova, confunde os insensatos. A Sabedoria não entra numa alma que trama o mal nem mora num corpo sujeito ao pecado. (Sb 1,3-4) >;  é exatamente assim que ocorre, o pecado emburrece. Não importa quantos títulos universitários tenha, quantos livros lê, se chafurdar no pecado vai ser sempre um bobalhão. Não atoa, que está cheio de leigos bem catequizados que dão uma surra em professores universitários com pós-doutorado das galáxias.

Quer ser sábio? Seja cristão católico, busque a santidade. Pois a Sabedoria é um dom de Deus, um dos Sete Dons do Espírito Santo.

Que nossa Senhora da Sabedoria interceda por nós, afim de compreendermos as maravilhas do Senhor.

São Josemaria Escrivá e o Vaticano II

Gosto muito das obras de São Josemaria Escrivá, seu estilo breve direto e assertivo, expresso sobretudo em na trilogia ''Caminho – Sulco – Forja'', tem sido um grande remédio para muitas almas, principalmente no laicato. Além de seus escritos, Escrivá é conhecido por seu papel como fundador do Opus Dei, organização tachada de ultraconservadora e alvo de difamação por parte de muitos dos inimigos da Igreja, sendo o filme “O Código da Vinci” um dos exemplos mais lembrados desta campanha difamatória. Durante a Guerra Civil Espanhola, a "obra" também desempenhou um importante papel no apoio ao regime do General Francisco Franco, governante católico que muito favoreceu a Igreja, e lutou com tenacidade contra a peste comunista.

Todavia, hoje, a Opus Dei é vista com desconfiança por muitos tradicionalistas, que a acusam de ter-se tornado o principal reduto neocon, por suas conexões com liberalismo e o grande capital, bem como por seu apoio intransigente ao problemático Concílio Vaticano II, o que leva à muitos ao ponto de questionar a validade da canonização do Padre Escrivá.

Encontrei ontem um interessante artigo assinado por Pedro Rizo, em que revela ardorosas críticas de São Josemaria ao Vaticano II:
«Debéis siempre estar alerta: vigilate et orate, siempre serenos, con la alegría, la paz y la valentía del que está en la rectitud. No podemos callar, porque esta Madre nuestra, la Iglesia Santa de Dios, es y será – aunque pasen los años – menor de edad; y necesita que sus hijos la defiendan veritatem facientes in caritate: viviendo la verdad en la caridad, yo he escrito al Santo Padre tres veces, y una cuarta hoy, porque es necesario quitarse el cieno de encima.» (Carta de San Josemaría en EF-651002-1 con respecto a los errores doctrinales tras el Concilio Vaticano II)

«Hijas mías, vengo a deciros que la Iglesia va muy mal, va al desastre. Lo que os digo es que pidáis por la Iglesia, porque está muy mal. Este Concilio es el concilio del diablo.» (Tertulia)

«Es tiempo de deslealtad, de traición, de herejía. Y las herejías salen de las bocas que deberían decir la verdad; gentes que habían de dar testimonio de la fe y dan testimonio de la duda; personas que deberían ser fortaleza para los demás y son debilidad; almas que, según el Evangelio, tendrían que ser sal de la tierra, y son corrupción del mundo.» (Carta 1969)

«Se están causando voluntariamente heridas en su Cuerpo [místico, la Iglesia], que va a ser muy difícil restañar. Nos dirigimos a la Trinidad Beatísima, Dios Uno y Trino, para que se digne acortar cuanto antes esta época de prueba. Lo suplicamos por la mediación del Corazón Dulcísimo de María; por la intercesión de San José, nuestro Padre y Señor, Patrono de la Iglesia universal, a quien tanto amamos y veneramos; por la intercesión de todos los Ángeles y Santos, cuyo culto algunos intentan extirpar de la Iglesia Santa.» (Campanadas)

«[…] La Santa Misa es el centro y la raíz de nuestra vida interior, es el momento supremo para adorar, para romper en acción de gracias, para invocar, para desagraviar. Algunos se afanan todo lo posible por arrancar, del dogma, la certeza de esa renovación incruenta del Sacrificio divino del Calvario.¡Razón de más para que nosotros cuidemos con especial tesón vivir la Misa bien identificados con Cristo Señor Nuestro, que es el Sacerdote principal y la Víctima!» (Campanadas)

«[Hay] almas que abandonan las prácticas religiosas porque ahora se difunde impunemente propaganda de toda clase de falsedades, y resulta en cambio muy difícil defender la ortodoxia sin ser tachados — dentro de la misma Iglesia, esto es lo más triste — de extremistas o exagerados. Se desprecia, hijos míos, a los que quieren permanecer constantes en la fe, y se alaba a los apóstatas y a los herejes, escandalizando a las almas sencillas que se sienten confundidas y turbadas.» (Campanadas)

«No olvidéis el particular empeño que pone en estos tiempos el demonio, para lograr que los fieles se separen de la fe y de las buenas costumbres cristianas, procurando que pierdan hasta el sentido del pecado con un falso ecumenismo como excusa.Deseamos, tanto como el que más lo desee, la unión de los cristianos: y aun la de todos los que, de alguna manera, buscan a Dios. Pero la realidad demuestra que en esos conciliábulos, unos afirman que sí y —sobre el mismo tema— otros lo contrario. Cuando —a pesar de esto— aseguran que van de acuerdo, lo único cierto es que todos se equivocan. Y de esa comedia, con la que mutuamente se engañan, lo menos malo que suele producirse es la indiferencia: un triste estado de ánimo, en el que no se nota inclinación por la verdad, ni repugnancia por la mentira.» (Carta del 14 de febrero de 1974)

«En la fidelidad a la tradición católica de nuestro pueblo se encontrará siempre, junto con la bendición divina para las personas constituidas en autoridad, la mejor garantía de acierto en los actos de gobierno, y en la seguridad de una justa y duradera paz en el seno de la comunidad nacional.» (Carta al Generalísimo Franco, 23-V-1958)

«Nos sentimos obligados a resistir a estos nuevo modernistas – progresistas se llaman ellos mismos, cuando de hecho son retrógrados que tratan de resucitar las herejías de los tiempos pasados -, que ponen todo en discusión desde el punto de vista exegético, histórico, dogmático, defendiendo opiniones erróneas que tocan las verdades fundamentales de la fe, sin que nadie con autoridad pública [el Papa] pare y condene reciamente sus propagandas.» (Carta, 28-III-1973)

«De ahí que la que verdaderamente es y se llama (Iglesia) Católica, debe juntamente brillar por las prerrogativas de la unidad, de la santidad y de la sucesión apostólica. Es, insisto, la enseñanza tradicional de la Iglesia, aunque en estos últimos años algunos lo olviden, llevados por un falso ecumenismo tras el Concilio Vaticano II.» (De Lealtad a la Iglesia, homilía 4-VI-1972)

«Yo obedezco rendidamente en todo lo que han dispuesto para la celebración de la nueva Misa, pero echo de menos tantas rúbricas de piedad y de amor que se han quitado: por ejemplo, el beso a la patena, en el que se ponía tanto amor – para que Él se lo encontrara. Pero hemos de saber obedecer viendo la mano de Dios, y tratando al Señor con delicadeza... ¡No le robemos nada de tiempo con este asunto... Pero guardad los misales y los ornamentos, porque volverá la misa de toda la vida, la de San Pío V!» (Carta a los sacerdotes, 1968)

«Si se le quita la Transustanciación a la Misa... Esta palabra es de una importancia capital, porque al suprimirla se omite la presencia real y deja, por tanto, de haber víctima. ¡No dejes de emplear esa palabra! ¡Transubstanciación! Los niños no la entenderán y tú tampoco, pero no importa: ¡Empléala! ¡Empléala! No sólo molesta a los nuevos herejes... Al que molesta mucho más es al demonio.» (Tertulia 16-VI-1971)

«Hay, por desgracia, toda una fauna inquieta que está creciendo en esta nueva época a la sombra de la falta de autoridad y de la falta de convicciones, y al amparo de algunos gobernantes [obviamente de la Iglesia], que no se han atrevido a frenar públicamente a quienes causaban tantos destrozos en la viña del Señor.» (Carta 14-II-1974)

«(...) no os dejéis desanimar por doctrinas diversas y extrañas; lo que importa sobre todo es fortalecer el corazón con la gracia de Jesucristo. (Hebr. 13, 9) – Somos los elegidos para iniciar la conversión de la Iglesia, hoy en manos del demonio, que la pudre por dentro -.» (Crónica)

O estilo, sem duvida, lembra e muito o de Escrivá. O texto de Rizo ainda acusa a atual direção da opus de manipular a história da obra afim de agradar os atuais dirigentes do clero; bem como aponta uma curiosa manobra judicial realizada afim de impedir uma maior investigação sobre o assunto:
El origen de los párrafos no está suficientemente expresado a causa de “las medidas cautelares de la magistrada Dña. Olga Martín Alonso, del Juzgado nº 10 de lo Mercantil, de Madrid”, que dificultan acceder a mayor detalle. Pero sí me ha sido confirmada la veracidad de cada uno de los párrafos que incluyo en este post. Casi todos proceden de cartas del santo fundador a los socios de su Obra, llamadas por ellos “Campanadas”. En particular las de marzo de 1973 y febrero de 1974.

Misterioso, não?

domingo, 12 de novembro de 2017

[Crítica] Pão Divino

Assisti ontem Pão Divino, uma co-produção da TV Século XXI sobre a vida do mártir São Tarcísio. É uma obra curiosa, de certa forma, cheia de boas intenções, mas o resultado não foi lá essas coisas, na verdade se abstrair todo o contexto em que foi feito o filme é péssimo. Antes de resmungar do filme, falemos do contexto, bom em primeiro lugar é um filme nacional, e por mais ufanista que venha a ser o leitor, convenhamos, o cinema nacional é ruim; salvo Tropa de Elite, não consigo lembrar nenhum filme nacional[1] que realmente tenha gostado. Em segundo lugar é um filme de baixo orçamento, uma produção quase que paroquial, onde os próprios fiéis ficaram responsáveis pela atuação. Do ponto de vista participativo deve ter sido uma experiência interessante na dinâmica da comunidade, porém o resultado artístico foi terrível.

Qualidade técnica ruim, atuação ruim, ao menos o roteiro, é bom? Nem isso. O drama do martírio foi mal explorado, os personagens pouco trabalhados, os diálogos profundamente rasos e superficiais. Pra não dizer que tudo é ruim, a trilha sonora tem uma composição belíssima, repito UMA, de resto...

Enfim é muito positivo que os católicos brasileiros se atentem as dinâmicas culturais, que invistam em manifestar e propagar sua fé através do cinema, também é compreensível que um filme de baixo orçamento tenha suas limitações, que um diretor principiante cometa seus erros; mas o espectador comum não costuma ser muito compassivo, o que ele quer é um bom filme e não desculpas. Deste modo, preciso ser sincero: "Teria sido melhor ir ver o Pelé" . 



[1] Para ser justo, "Dois Coelhos" e "Batismo de Sangue" são duas produções nacionais com uma qualidade técnica e artística admirável. Todavia, a mensagem que transmitem não é boa, o primeiro uma mensagem mundana, o segundo  é uma ode a teologia da libertação.

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Reflexões da Sagrada Escritura: Água que jorra do Templo


31ª Semana do Tempo Comum - Quinta-feira | Dedicação da Basílica do Latrão 
Primeira Leitura (Ez 47,1-2.8-9.12)
Responsório (Sl 45(46),2-3.5-6.8-9 (R. 5))
Evangelho (Jo 2,13-22)

Na primeira leitura ouvimos a visão do profeta Ezequiel a respeito do rio de águas vivas que jorra do Templo. Água viva, água que nutre o solo e faz em seu entorno crescer árvores frondosas e frutuosas. Há toda uma explicação teológica para esta visão, a água é a graça, as árvores os justos que dela se alimentam, o Templo, o próprio Cristo, lembremo-nos que ele mesmo o disse e, ao quando a lança transpassou-lhe o lado, saiu Sangue e Água.

Mas, sem negar um iota das explicações teológicas, pensemos também sobre o ponto de vista sociológico. Sociológico? Sim, do ponto de vista sociológico, desta água que jorra do Templo, da Igreja, da Igreja de Deus, a Santa Igreja Católica, quantos frutos e árvores frondosas, não? No entorno da Igreja nasceram os hospitais, escolas e universidades. Onde é construída, fundada uma Paróquia, podemos ver visivelmente o crescimento da região, um cuidado maior para com os pobres e abandonados, uma nova civilidade e vitalidade.

Um rio de graças jorra do templo, deste rio, uma torrente de graças inunda a terra, manifestando-se hora de forma visível ora invisível, com benefícios para as almas, bem como para a microrregião, a sociedade e os arredores.

Neste dia,em que a Igreja Universal lembra a mãe de todas as Igrejas, a Basílica Latrão, agradecemos a Deus por suas belezas e maravilhas, e não tenhamos vergonha de dizer: Senhor, quão bonita é Tua casa.

terça-feira, 7 de novembro de 2017

Digidramas – Sobre Digimon Tri

Pouco depois de escrever sobe a “A Complexidade Psicologico-Simbólica de Digimon”, resolvi revisitar a infância reassistindo a série clássica Digimon Adventure; uma experiência extremamente agradável. Como afirmei no texto anterior, Digimon é um verdadeiro conto de fadas moderno, uma obra prima do entretenimento japonês, um riquíssimo compêndio simbólico. Terminada esta reminiscência, resolvi dar uma chance para a mais nova aventura dos digescolhidos, Digimon Adventure Tri. Já estava inteirado sobre a existência da série há algum tempo, todavia não estava muito motivado a “profanar” as velhas lembranças, sobretudo por algumas más impressões que tive ao consultar a crítica especializada, entretanto, acabei dando o braço a torcer, e qual não têm sido minha surpresa com Digimon Adventure Tri e sua profundidade existencial.

Digimon Adventure Tri destaca-se para além da nostalgia, investindo em uma forte carga dramática. Direcionada a um público hoje já adulto, a nova narrativa não teme arriscar. Anos se passaram desde a primeira aventura, e as antigas crianças, hoje estão entrando ao mundo adulto, estamos diante do drama da maturidade; é uma experiência única do expectador comparar as transformações e o crescimento dos personagens, com o próprio crescimento, nestes anos todos não só as crianças escolhidas mudaram profundamente, mas também aquela antiga criança de outrora que se divertia acompanhando religiosamente as aventuras dos digimons na então TV Globinho

O ritmo da trama porém é lenta, o roteiro se delonga na construção e apresentação dos personagens; passei eu 9 episódios maldizendo o roteirista por ter estragado o personagem Takeru/T.K. até que, uma vez manifesta a intenção do autor, aplaudi de pé a genialidade para com o mesmo personagem. Algo parecido se deu com a personagem Mimi, comentava com um amigo “Mimi entrou na federal”; era uma personagem tão simpática capaz de apaixonar o público infantil de outrora e, tornou-se agora na adolescência uma “vadiazinha”. Todavia, mesmo a versão "periguete" da personagem mostra-se algo mais que mera perversão japonesa de um roteirista tarado, mas um detalhe cuidadosamente elaborado para o aprofundamento da trama.

No momento em que escrevo estas linhas, assisti até o episódio 11, há atualmente 21 episódios disponíveis, faltando, suponho eu, pouco mais que 5 para a finalização da obra, que deve ocorrer em janeiro de 2018. Os produtores tem aproveitado e muito bem o material que tem em mãos, todavia, até o último episódio segue o risco: Digimon Adventure Tri será o opus magnum da milionária e amada franquia digital monsters ou o fiasco que culminará no enterro definitivo do digimundo? Dentro de pouco tempo teremos a resposta...

P.S. – Digimon é melhor que Pokémon.

domingo, 5 de novembro de 2017

[Crítica] O Conclave - Malachi Martin

Quando se fala em Malachi Martin, logo vem a mente do leitor seu status de “inside information”; quase como um Julian Assange Católico, Martin coloca o leitor na posse de graves e sigilosas informações. Entretanto, para além de seu papel na geopolítica eclesial, o ex-secretário do Cardeal Bea mostra-se um exímio escritor e um dos mais talentosos ficcionistas a trabalhar temas eclesiásticos.

Lia eu recentemente a obra ''O Conclave'', publicada pela editora adventista Novo Tempo. Os protestantes, como de costume, não são capazes de ver um palmo a sua frente, tentando equiparar Malachi Martin à um novo Lutero, pronto a denunciar os envolvimentos escusos do Vaticano; não me atentei ao nome do imbecil responsável por tais comentários; manifestação pública de seu analfabetismo e a total incapacidade de compreender o leu, se é que leu, mas enfim...Não é o câncer protestante que pretendo discorrer aqui e nem sobre a curiosa e polêmica vida de Malachi Martin, tão interessante e misteriosa quanto seus romances, portanto, voltemos ao livro.

O Conclave se inicia com uma análise do pontificado de Paulo VI e as mudanças profundas derivadas do Vaticano II, a fim de localizar o leitor, até que, somos inseridos dentro do conclave destinado a eleger o próximo sucessor de Pedro. É dentro do conclave onde a narrativa se desenvolve, onde pela boca dos cardeais, somos colocados diante dos principais partidos eclesiásticos, suas esperanças, planos e pecados. Da aberração ecumênica novordista do Cardeal Thule, disposto a destruir tudo o que há de católico na Igreja em nome de um ecumenismo insano; passando pelo marxismo do Cardeal Franzus, defendendo uma Igreja aliada ao Comunismo; temos também um conservadorismo de um Partido da Cúria adepto das mudanças lentas graduais; indo até o Tradicionalismo de Vassari em busca da restauração de antigos poderes; mas, quem rouba a cena é o radicalismo e genialidade do Cardeal Domenico. E ao final, mais do que o mero relato histórico, somos postos diante do exímio talento literário do autor, bem como uma visão eclesial capaz de irritar esquerdas e direitas, bem como perturbar o leitor; convidando-o a perder noites de sono diante a pensar sobre tal epílogo.

Aos fiéis católicos, sobretudo aqueles já “iniciados” aos labirintos do jogo político intra-eclesial e apreciadores de boa literatura, “O Conclave” se mostrará, ainda hoje, passados mais 30 anos de sua redação, uma complexa, intrigante e envolvente narrativa, onde fatos se misturam a ficção, levando a uma conclusão política e teologicamente desafiadora. Para o leitor vulgar, porém, será tal qual foi para o comentarista protestante apenas uma denúncia dos escusos negócios vaticanos...

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

Origens do Moderno Judaísmo


O judaísmo foi uma religião fundada a partir de derivativos da escola teológica dos fariseus - a escola dos saduceus, cuja teologia dependia irremediavelmente do Templo e do organograma a ele conexo, veio a soçobrar - após a destruição do Segundo Templo.

O que existia desde Abraão até a Paixão e Morte de Nosso Senhor não era o judaísmo, mas sim a mesma religião católica num estágio primitivo de desenvolvimento.

Até mesmo para fazer essa distinção ora necessária, além de buscar o melhor zelo pela correção historiográfica e teológica, é conveniente não usar o já descaracterizado e polissêmico termo judeu, mas em vez disso preferir o termo hebreu ou israelita. Entre os hebreus/israelitas, aqueles que reconheceram Jesus de Nazaré como o Messias tornaram-se católicos: aqueles que o recusaram se tornaram judeus. Assim sendo, é pelo menos altamente aconselhável fazer uso do termo judeu somente quando se tenciona mencionar os (reais e/ou presumíveis) descendentes carnais do patriarca bíblico Jacó ou os adeptos do judaísmo.

Elaboremos melhor:

I- a religião israelita, aquela que conhecemos sobretudo pelas Sagradas Letras veterotestamentárias, é apenas protocatolicismo.

II- a seu turno, a Igreja Católica é a plenitude da religião israelita com a substituição da obsoleta e corruptível Cátedra de Moisés, arruinada pelo espírito farisaico, pela infalível e indestrutível Cátedra de São Pedro.

III- já o judaísmo é um desvio da religião israelita que tem seu PRÓDROMO nas tradições confidenciais (e até iniciáticas) dos sábios hebreus (sobretudo dos fariseus), tem sua ORIGEM REMOTA no rasgar do véu do Templo no momento da expiração de Nosso Senhor, tem sua ORIGEM PRÓXIMA na destruição do Segundo Templo, seu FUNDADOR na pessoa do erudito Yochanan ben Zakai e sua PRIMEIRA CODIFICAÇÃO ESTÁVEL no Talmud.

#Victor Fernandes