terça-feira, 30 de janeiro de 2018

Trinity Blood: Um Vaticano sem Fé

Havia lido uma crítica positiva com relação ao anime Trinity Blood em um site ligado a Comunidade Shalom; geralmente não confio muito na capacidade de crítica artística de comunidades ligadas a RCC, mas dei o braço a torcer e fui conferir a obra que, segundo o autor do texto, seria bem respeitosa com a Igreja:
(...) O personagem principal é Abel Nightroad, padre católico e “crusnik”, um vampiro que se alimenta de outros vampiros. Sua parceira é um jovem freira chamada Esther Blanchet, que o acompanha em missões de paz que [obviamente] acabam em batalhas carregadas de ação. Praticamente todo personagem masculino relevante também é padre, e muitas das personagens femininas são freiras (ou, o que é esquisito, “uma Cardeal” — mas deixa quieto). Até o Papa (o Papa!) é um personagem recorrente com sua própria sub-trama!

Trinity Blood é intencionalmente respeitosa com a Igreja Católica, retratando-a como mantenedora da paz e uma força do bem no mundo (embora tenham me informado que, enquanto escrevo, o Papa Francisco ainda não inaugurou a divisão antivampiro da Igreja). O vampirismo de Padre Nightroad é uma metáfora eficiente para a natureza decaída do homem. Ele luta constantemente contra essa condição e, às vezes, sucumbe aos seus impulsos perversos, porém, sempre vem a possibilidade de arrependimento e de renovar o compromisso em combater as forças da escuridão.
Que Igreja?  Essa foi a pergunta que ficou no primeiro capítulo, permaneceu no segundo, e não estou com o mínimo de vontade de assistir ao terceiro. A trama é bacaninha, houve uma espécie de Guerra Nuclear, depois disso apareceram alguns vampiros pra fazer mais bagunça ainda, e nessa restruturação pós-apocalíptica a Igreja tomou papel de destaque na proteção da humanidade, só. A Igreja no anime foi reduzida a uma organização política, um Vaticano com soldados de elite, muito poderosos, sábios, mas nada católicos. Nenhuma referência há a Fé, a Salvação de almas, a Cristo, nada... Ora, qualquer um que tenha ao menos terminado a catequese sabe que o valor da Igreja não está em seu legado geopolítico, artístico e civilizacional, mas na pureza de sua doutrina, e na sublimidade de seus Sacramentos, ambos entregues pelo próprio Deus. Quando a última catedral for destruída, e a diplomacia vaticana não valer de nada, mesmo que a Igreja se faça pobre, pequena e perseguida, será ainda o Reino de Deus na Terra. Todavia, aqueles que negam um mísero iota, uma doutrina aparentemente marginal, para preservar o poder sob os impérios, a glória das catedrais, já não fazem mais parte desta instituição divina, tendo caído na derradeira arapuca do tentador. Uma Igreja sem Cristo, um Vaticano sem fé, não é outra coisa senão uma artimanha demoníaca.

Voltemos, porém ao anime, na obra (ao menos nos dois episódios que vi), este Vaticano cyberpunk é governada por um Papa fraco, manipulado por seus cardeais, entre eles sua irmã (Mulher Cardeal? Pois é....). Enfim, queria saber que raios deu na cabeça desses meus irmãozinhos de fé para elogiar tamanha sandice; falta-lhes o mínimo de bom senso.

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