quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

Hereges em relação à Antiga Aliança

Era opinião comum entre os líderes da Igreja Católica que o judaísmo era apenas uma espécie de catolicismo defasado mantido de pé por uma teimosia inútil porém sincera.

Tudo mudou quando o Talmud foi descoberto pelos reis da França e pelo papa: a partir disso o judaísmo começou a ser visto como ele é, a saber, uma escola intrincada e capciosa de como burlar os Mandamentos, subjugar os gentios e vilipendiar a honra imaculada de Nosso Senhor e de Maria Santíssima.

Diante das descobertas, o Talmud se tornou alvo da Inquisição e foi queimado aos milhares por toda a Europa. O entendimento acerca do judaísmo também foi atualizado: seus adeptos passaram a ser considerados hereges em relação à Antiga Aliança e apóstatas da Nova Aliança. A Igreja também estendeu sua autoridade aos adeptos do judaísmo: sendo a Antiga Aliança e a lei mosaica bens sob sua tutela, então todos os que dizem se colocar sob esses bens estão também sob sua autoridade.

Assim, os hebreus passaram a estar sob suspeita e sob vigilância, muito embora nenhum dos documentos eclesiásticos dados sob a época de compreensão imprecisa da questão do judaísmo tenham sido derrogados: a dignidade humana dos hebreus continuou a ser resguardada. Neste novo momento, com muito mais mérito: tal resguardo passou a ser expressão eloquente do amor católico pelos inimigos.

#Victor Fernandes

 

“Não seja assim entre vós”


2ª Semana da Quaresma - Quarta-feira 
Primeira Leitura (Jr 18,18-20) 
Responsório (Sl 30) 
Evangelho (Mt 20,17-28) 

Tal qual o profeta Jeremias, que na primeira leitura é perseguido por aqueles pelos quais intercedeu, Nosso Senhor Jesus Cristo anuncia aos apóstolos a sua Paixão, Morte e Ressurreição em Jerusalém. Mas, eles não entendem, e ficam a disputar entre si cargos e glórias no Reino que virá. Cristo fala das coisas divinas, mas os apóstolos, pobrezinhos, estão presos as coisas humanas. Para colocar fim as contendas, ensina-nos o Divino Mestre: <Jesus, porém, chamou e lhes disse: “Sabeis que os chefes das nações as subjugam, e que os grandes as governam com autoridade. Não seja assim entre vós. Todo aquele que quiser tornar-se grande entre vós, se faça vosso servo. E o que quiser tornar-se entre vós o primeiro, se faça vosso escravo. Assim como o Filho do Homem veio, não para ser servido, mas para servir e dar sua vida em resgate por uma multidão.” (Mt 20, 25-28)>; a lógica de Cristo, a lógica de sua Igreja, não é a lógica do mundo mas a lógica da Cruz e do serviço. 

Vi dias atrás um episódio em que alguns cidadãos hostilizam os bispos, gritando palavras de ordem, acusando-os de comunismo, militando agressivamente. Pela força de suas palavras pretendiam eles subjugar a autoridade episcopal, por meio da intimidação, do autoritarismo, dos gritos, da lógica do mundo.

 

“Não seja assim entre vós”, pensemos nas palavras do mestre e não importemos para dentro da Igreja a lógica militante das ideologias, já não basta a pérfida teologia da libertação, agora se está a instrumentalizar a Fé por certa “teologia da liberdade”. Sirvamos a Igreja, proclamemos a doutrina, combatamos a erro, mas com prudência, abraçando a cruz, buscando a santidade, e sobretudo servindo a Igreja. Não é por uma atitude histérica e desrespeitosa que atrairemos os homens a Cristo, não são os ideólogos aqueles que dissipam as heresias, mas os santos.

terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

Deus e Armas


2ª Semana da Quaresma - Terça-feira
Primeira Leitura (Is 1,10.16-20)
Responsório (Sl 49)
Evangelho (Mt 23,1-12)


1.<Nem façais que vos chamem de mestre, porque um só é vosso Mestre, o Cristo. (Mt 23, 10)>; eis o que diz-nos hoje o Senhor. No mundo de hoje, abundam tantos falsos mestres, gurus que pretendem ensinar as mais variadas doutrinas, que se oferecem a guiar a vida dos homens. Tais supostos sábios habitam os mais diversos recantos: as cátedras das universidades, os arredores da internet, as telas de televisão, o mundo empresarial e etc. Quão infeliz é aquele que deixa-se guiar por tais homens, mais ainda é aquele que julga-se verdadeiro mestre. Um só é nosso Mestre, o Cristo! Só Ele tem Palavra de Vida Eterna, é Ele a luz que ilumina nossa vida, é sua doutrina aquela que julga todas as demais, jamais o contrário. Reconheçamos nossa miséria e aproximemo-nos do Divino Salvador.

2.No dia de hoje também celebramos a memória de São Gabriel de Nossa Senhora das Dores, o Padroeiro dos Atiradores, título este que recebeu graças a um curioso episódio em sua vida:
Em 1860, após a batalha de Castelfidardo, cerca de vinte mercenários renegados, ligados ao exército de Garibaldi, apareceram na cidade para pilhá-la e aterrorizar os moradores. Irmão Gabriel, com a autorização do reitor do seminário, caminhou desarmado para o centro da cidade para enfrentar os terroristas. Um dos mercenários, que estava prestes a violentar uma jovem, ridicularizou-o por vir sozinho enfrentá-los.

Possenti, numa rápida manobra, tirou o revólver da cintura do mercenário e ordenou que ele soltasse a mulher. Enquanto o homem obedecia ele rendeu outro soldado que se aproximava e apropriou-se de outro revólver. Ao verem o que estava acontecendo, os demais mercenários acorreram em defesa dos companheiros para subjugar o impertinente monge.

Nesse momento, uma pequena lagartixa atravessou a rua entre Possenti e a tropa que se aproximava. Quando por um breve momento o animal parou, Possenti fez pontaria e matou-o com um único tiro certeiro. Apontando agora os dois revólveres para os mercenários, Possenti ordenou que todos largassem suas armas imediatamente. Diante da exibição de pontaria, os soldados obedeceram. Possenti ordenou, também, que eles apagassem todos os focos de incêndio que haviam iniciado e que deixassem a cidade imediatamente.

Após a retirada dos mercenários, o povo agradecido levou Possenti nos braços até o seminário chamando-o de "O salvador de Isola". [1]
Que neste tempo onde falsos mestres tentam enfiar-nos goela abaixo a doutrina pacifista, peçamos a intercessão de São Gabriel, que em vida não hesitou em usar das armas para proteger a vida inocente.

São Gabriel de Nossa Senhora das Dores, rogai por nós!

3. Para finalizar as reflexões de hoje, recordo-me de uma antiga canção americana:

I'm here in my back of the woods
Where God is great and guns are good

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

Justiça e Misericórdia


2ª Semana da Quaresma - Segunda-feira
Primeira Leitura (Dn 9,4b-10)
Responsório (Sl 78)
Evangelho (Lc 6,36-38)

A liturgia de hoje parece um tanto quanto paradoxal, a primeira leitura nos fala da realidade do castigo, enquanto o Evangelho nos fala de misericórdia, como é possível? A resposta é bem simples: misericórdia, miserere; para que alcancemos a misericórdia de Deus, por primeiro temos de reconhecer-nos miseráveis, reconhecer nossas culpas, nossos pecados, e então de coração contrito clamarmos ao Senhor Deus que nos socorrerá.

É o que faz o profeta Daniel, em nome dos Isralitas:
Eu te suplico, Senhor, Deus grande e terrível, que preservas a aliança e a benevolência aos que te amam e cumprem teus mandamentos; temos pecado, temos praticado a injustiça e a impiedade, temos sido rebeldes, afastando-nos de teus mandamentos e de tua lei; não temos prestado ouvidos a teus servos, os profetas, que, em teu nome, falaram a nossos reis e príncipes, a nossos antepassados e a todo o povo do país. (Dn 9, 4b-6)
Note o leitor a estrutura da oração de Daniel: 1°) O reconhecimento do poder de Deus “grande e terrível”; 2°) A consciência do pecado e das culpas contraídas: temos pecado, afastando-nos de teus mandamentos e de tua lei; não temos prestado ouvidos a teus servos, os profetas. Porém, diferente de Daniel, este tempo não teme a Deus “grande e terrível”; e embora tenha igualmente se afastado dos mandamentos e ignorado a voz dos profetas, esperamos alcançar o perdão e a misericórdia sem a contrição e a confissão. Será, pois, possível? Não.

Aí de nós filhos desta geração apóstata!

Reconheçamos, pois, nossa miséria, e conscientes de nossa insignificância, clamemos ao Senhor misericórdia, bem como a manifestemos para com o próximo. Lembremo-nos também das palavras de Nosso Senhor Jesus Cristo, Deus grande e terrível, a Santa Faustina:
Eu uso os castigos só quando elas mesmas me forçam a isso; Minha mão segura a contragosto a espada da justiça. Antes do Dia da Justiça enviarei o Dia da Misericórdia. (Diário de Santa Faustina, p. 457)
Estamos nós ainda no tempo da misericórdia, arrependamo-nos e façamos penitência, pois dentro em breve virá o Dia da Justiça, e aí de nós!

***

No dia de hoje, também celebramos a festa de São Porfírio, santo bispo, que inspirado pelo Espírito Santo pressionou as autoridades daquela época, conseguindo com que os templos pagãos fossem fechados e os ídolos destruídos. Que São Porfírio interceda por nosso clero, para que  sejam movidos pelo santo zelo pela glória de Deus, e militem pelo fim das idolatrias e extinção de toda forma de paganismo.

sábado, 24 de fevereiro de 2018

Superando a Minoridade

O reino da infância é um paraíso idílico, um sonho primevo que precisa ser superado para o desabrochar da maturidade; para a psicologia gnóstica de Jung, os arquétipos infantis devem morrer para dar lugar aos referências adultos, sendo os ritos de passagem um importante mecanismo para tal; a tradição católica também ressalta esse aspecto de superação da minoridade, diz-nos São Paulo: <Quando eu era criança, falava como criança, pensava como criança, raciocinava como criança. Desde que me tornei homem, eliminei as coias de criança. (1 Cor 13, 11)>; e quando tal processo não ocorre? Quando a criança não quer crescer, revolta-se contra a natureza do tempo. Mas o homem nada pode contra os imperativos da lei natural e, ao revoltar-se contra a estrutura da realidade, prejudica a si próprio e a seus semelhantes. No anime Digimon Adventure Tri, a personagem Himekawa Maki ilustra bem a tese. Na trama, Maki quando criança fora levada a um mundo paralelo, o digimundo (ou Digital World), lá vivera aventuras com seu parceiro Tapirmon/Bakumon, aventuras estas que terminaram de uma forma trágica. Maki então dedica sua vida a busca de de repetir a experiência infantil, voltar ao digimundo e as suas aventuras com Tapirmon/Bakumon, mas uma vez que consegue, o passado transportado ao presente não se mostra como outrora, Tapirmon foge de Himekawa, esta surta...

Himekawa e Bakumon
Saindo do terreno da ficção para a concretude do real, há um exemplo bem clichê neste nosso país do futebol, o rapaz passa a vida toda a alimentar o sonho de ser jogador profissional, rememorando o tempo da infância em que era o craque da turma, passa o tempo, vem a idade, e por focar-se no irreal, perde este rapaz cada oportunidade que lhe bate a porta, não consegue uma profissão satisfatória e um emprego adequado, é descuidado com os deveres familiares (isso quando consegue constituir família) e etc. Pensemos também nos tristes exemplos das tiazonas de balada, mulheres já de certa idade a buscar insanamente a perpetuação da adolescência.

Já é tempo de crescer, basta de bebezões! Respeitemos, pois, o natural ciclo da vida, do contrário só acumularemos sofrimentos.

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

Juventude Católica

“Juventude é doença” , “falou em jovem eu já escondo a carteira”; são algumas dos ditados que se costuma usar em tom cômico em alguns recintos internéticos; isto se deve a fato de que a juventude é um tempo de confusão e incertezas, onde no mais das vezes temos uma multidão de idiotas presunçosos, que tal qual o filho pródigo, dissipam a herança de seus antepassados, chafurdando com os porcos. Pensemos, por exemplo, no caos das repúblicas estudantis ou nas populares baladas. 

Este abjeto modelo juvenil é o que nos oferece o mundo, diferente é, porém, o caminho do cristão.

Meditemos alguns momentos sobre a vida de São Luís Gonzaga, o padroeiro da mocidade católica:
  • Aos quatro anos de idade São Luís fora iniciado na carreira militar. O pai logo mandou fazer uma couraça e um elmo adequado a seu tamanho, e o colocava para marchar junto dele na linha de frente do exército. Tal experiência em tão tenra idade, forjou-lhe a virtude fortaleza cuja expressão vemos em sua firme e decidida vontade, bem como em suas heroicas penitencias.
  • Certa feita, na convivência com os soldados, ouviu alguns palavrões impudicos, e passou a repeti-los sem saber o significado. Foi então repreendido, após isso fez o firme propósito de jamais utilizar sua língua para proferir imundices. Propósito este que cumpriu fielmente.
  • Posteriormente, aos nove anos fizera diante de uma imagem da Santíssima Virgem um voto perpétuo de castidade; e desde então disciplinou seu corpo com severas penitencias para manter-se fiel a tal promessa.
  • Próximo a adolescência, uma vez que compreendeu seu chamado a vocação sacerdotal, Luís não hesitou em renunciar ao trono real, e as honrarias de sua estripe familiar. 
Enquanto São Luís Gonzaga é um jovem viril, casto, humilde e decidido, o que vemos na juventude mundana? Homens fracos, devassos e avarentos. 

Luís, um soldado; o jovem moderno um pacifista chorão; Luís tão casto que recebeu o título de Serafim Encarnado; o neopagão juvenil escravo dos prazeres da carne; Luís resoluto e decidido; o homem do mundo, inconstante, incapaz de fazer escolhas definitivas;

E você, caro leitor? A quem quer imitar? São Luís Gonzaga, Serafim Encarnado, Anjo de Castidade, Padroeiro da Juventude Católica; ou algum youtuber teen, artista da moda e seus amiguinhos mundanos? A virtude ou o vício? O pão do céu, ou a lavagem dos porcos?

Aos homens que escolheram de Fé, rezemos implorando a intercessão de São Luís Gonzaga:
Ó Luiz Santo, adornado de angélicos costumes, eu indigníssimo devoto vosso, vos recommendo singularmente a castidade da minha alma e do meu corpo. Rogo-vos, por vossa angélica pureza, que intercedais por mim ante o Cordeiro lmmaculado, Christo Jesus, e sua Mãe Santíssima, a Virgem das Virgens, e me preserveis de todo o peccado grave. Não permitais que eu seja manchado com nódoa alguma de impureza; mas, quando me virdes em tentação ou perigo de peccar, afastai de meu coração todos os pensamentos e affectos impuros, e, despertando em mim a lembrança da eternidade, e de Jesus crucificado, imprimi profundamente no meu coração o sentimento do santo temor de Deus ; e inflammai-me no amor divino, para que, imitando-vos na terra, mereça gozar de Deus convosco no Céu. Ámen

Do Papa



191) Quem é o Papa?
O Papa, a quem chamamos também Sumo Pontífice ou Romano Pontífice, é o sucessor de São Pedro na Sede de Roma, o Vigário de Jesus Cristo na terra, e o chefe visível da Igreja.

192) Por que o Romano Pontífice é o sucessor de São Pedro?
O Romano Pontífice é o sucessor de São Pedro. porque São Pedro reuniu na sua pessoa a dignidade de Bispo de Roma e de chefe da Igreja e porque, por disposição divina, estabeleceu em Roma a sua sede, e aí morreu. Por isso quem é eleito Bispo de Roma, é também herdeiro de toda a sua autoridade.

193) Por que o Romano Pontífice é o Vigário de Jesus Cristo?
O Romano Pontífice é o Vigário de Jesus Cristo porque ele O representa na terra, e faz as suas vezes no governo da Igreja.

194) Por que o Romano Pontífice é o Chefe visível da Igreja?
O Romano Pontífice é o Chefe visível da Igreja porque a dirige visivelmente com a mesma autoridade de Jesus Cristo, que é a cabeça invisível da Igreja.

195) Qual é, pois, a dignidade do Papa?
A dignidade do Papa é a maior entre todas as dignidades da terra e dá-lhe um poder supremo e imediato sobre todos e cada um dos Pastores e dos fiéis.

196) Pode errar o Papa ao ensinar à Igreja?
O Papa não pode errar, quer dizer, é infalível nas definições que dizem respeito à fé e aos costumes.

197) Qual é o motivo por que o Papa é infalível?
O Papa é infalível em razão da promessa de Jesus Cristo e da contínua assistência do Espírito Santo.

198) Quando o Papa é infalível?
O Papa é infalível só quando, na sua qualidade de Pastor e Mestre de todos os cristãos, em virtude da sua suprema autoridade apostólica, define uma doutrina relativa à fé e aos costumes, que deve ser  seguida por toda a Igreja.

199) Quem não acreditasse nas definições solenes do Papa, que pecado cometeria?
Quem não acreditasse nas definições solenes do Papa, ou ainda só duvidasse delas, pecaria contra a fé; e, se se obstinasse nesta incredulidade, já não seria mais católico, mas herege.

200) Para que fim Deus concedeu ao Papa o dom da infalibilidade?
Deus concedeu ao Papa o dom da infalibilidade, a fim de que todos estejam certos e seguros da verdade que a Igreja ensina.

201) Quando foi definido que o Papa é infalível?
A infalibilidade do Papa foi definida pela Igreja no Concílio do Vaticano; e, se alguém ousasse contradizer esta definição, seria herege e excomungado

202) A Igreja, ao definir que o Papa é infalível, estabeleceu porventura uma nova verdade de fé?
Não. A Igreja, ao definir que o Papa é infalível, não estabeleceu uma nova verdade de fé, mas só definiu, para se opor a erros novos, que a infalibilidade do Papa, contida já na Sagrada Escritura e na Tradição, é uma verdade revelada por Deus, e que por conseguinte se deve crer como dogma ou artigo de fé.

203) Como todo o católico deve proceder para com o Papa?
Todo o católico deve reconhecer o Papa como Pai, Pastor e Mestre universal, e estar unido a ele de espírito e coração.

Catecismo Maior de São Pio X; Primeira Parte: Do Símbolo dos Apóstolos, chamado vulgarmente "Credo"; §4° Do Papa e dos Bispos.

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

Penitência (II)


1ª Semana da Quaresma - Quarta-feira 
Primeira Leitura (Jn 3,1-10) 
Responsório (Sl 50) 
Evangelho (Lc 11,29-32) 

À voz de Jonas toda Nínive se pôs em penitência, implorando a misericórdia do Senhor, que compadecido, poupou os ninivitas. E nós que recebemos a palavra daquele que é maior do que Jonas e que excede a sabedoria de Salomão, como temos correspondido? 

O teólogo inglês Roberth Hugh Benson ensina-nos que NO MÍNIMO o cristão deve manifestar em sua vida mais santidade do que todos os santos da antiga aliança, uma vez que a graça por nós recebida é infinitamente maior. 

Pensemos nisto, pensemos também na penitência e contrição dos ninivitas e na dureza de nossos corações. Se esta era e ingrata, está geração má e adúltera, este tempo fraco e mimado, não emendar-se, o castigo há de ser terrível, pois a quem muito foi dado, muito será cobrado.

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Palavra do Senhor



1ª Semana do Tempo Comum - Terça-feira 
Primeira Leitura (Is 55,10-11) 
Responsório (Sl 33) 
Evangelho (Mt 6,7-15) 

Tal como a chuva e a neve caem do céu e para lá não volvem sem ter regado a terra, sem a ter fecundado, e feito germinar as plantas, sem dar o grão a semear e o pão a comer, assim acontece à palavra que minha boca profere: não volta sem ter produzido seu efeito, sem ter executado minha vontade e cumprido sua missão. (Is 55, 10-11) 
Tal é a força e poder da Palavra de Deus; palavra criadora, por meio da qual como nos narra o Gênesis tudo fora criado; palavra de autoridade que expulsa os espíritos malignos; palavra de sabedoria que cura os corações e edifica civilizações. 

Nestes tempos modernos tão confusos e doentes, onde o parasita secular atentando contra a própria estrutura da realidade tem chagado tantos corações e enlouquecido tantas inteligências, precisamos mais do que nunca recorrer ao auxilio da Palavra do Senhor, tanto na meditação e oração pessoal nas Sagradas Escrituras, sobretudo pelo método da Lectio Divina, quanto na frequência diária a Santa Missa, onde esta palavra é proclamada desde o ambão.

Abramos nossos ouvidos, nossas almas e nosso coração para escutar contemplar e obedecer a Palavra do Senhor.

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

Obras de Misericórdia


1ª Semana da Quaresma - Segunda-feira
Primeira Leitura (Lv 19,1-2.11-18)
Responsório (Sl 18)
Evangelho (Mt 25,31-46)

Diferente das antigas e falsas religiões pagãs, onde basta o cumprimento de certos preceitos rituais afim de agradar a divindade, exige o cristianismo muito mais do fiel: não seremos julgados apenas por nossa fidelidade aos preceitos referentes ao culto, mas também por nossa conduta para com nosso próximo.

<Responderá o Rei: - Em verdade eu vos declaro: todas as vezes que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, foi a mim mesmo que o fizestes. (Mt 25, 40)>; estes irmãos, irmãos que por vezes é tão difícil amar, devemos nós por amor a Deus não apenas amá-los, mas também manifestar esse amor no serviço. De forma concreta, hoje aponta-nos o Senhor as chamadas obras de misericórdia; que nesse tempo de Quaresma, busquemos de algum modo intensificar nosso serviço aos irmãos.
937) Quais são as boas obras de que se nos pedirá conta particular no dia do Juízo?
As boas obras de que se nos pedirá conta particular no dia do Juízo são as obras de misericórdia.

938) Que se entende por obra de misericórdia?
Obra de misericórdia é aquela com que se socorre o nosso próximo nas suas necessidades corporais ou espirituais.

939) Quantas são as obras de misericórdia?
As obras de misericórdia são catorze: sete corporais e sete espirituais, conforme são corporais ou espirituais as necessidades que se socorrem.

940) Quais são as obras de misericórdia corporais?
As obras de misericórdia corporais são:
1ª Dar de comer a quem tem fome;
2ª Dar de beber a quem tem sede;
3ª Vestir os nus;
4ª Dar pousada aos peregrinos;
5ª Assistir aos enfermos;
6ª Visitar os presos;
7ª Enterrar os mortos.


941) Quais são as obras de misericórdia espirituais?
As obras de misericórdia espirituais são:
1ª Dar bom conselho;
2º Ensinar os ignorantes;
3ª Corrigir os que erram;
4ª Consolar os aflitos;
5ª Perdoar as injúrias;
6ª Sofrer com paciência as fraquezas do nosso próximo;
7ª Rogar a Deus por vivos e defuntos.


Catecismo Maior de São Pio X; Parte V, Capítulo IV: Das obras de misericórdia.

sábado, 17 de fevereiro de 2018

''Reerguerás as ruínas antigas''


Sábado depois das Cinzas 
Primeira Leitura (Is 58,9b-14) 
Responsório (Sl 85) 
Evangelho (Lc 5,27-32)

Diz-nos hoje o Senhor pela boca do profeta Isaías, para aquele que anda em Seus caminhos: <Reerguerás as ruínas antigas, reedificarás sobre os alicerces seculares; te chamarão o reparador de brechas, o restaurador das moradias em ruínas. (Is 58, 12)>; a Fé não apenas restaura o homem, curando-lhe suas feridas, saciando sua alma, como vimos no Evangelho com a conversão de Levi o publicano, mas também ela possui um gigantesco efeito civilizacional.

Segundo um autor infeliz: “Uma única coisa deve importar ao Homem: permanecer de pé entre as ruínas”; diferente deste pagão, que fica a choramingar o mundo de outrora, o cristão, como nos ensina Isaías, se coloca a restaurar e reconstruir a Cidade Antiga; pois é o Evangelho a seiva vivificante do que restaura e purifica a tradição dos povos. 

A modernidade é a peste que corrói nossa civilização, a tradição é a cura; tradição esta purificada nas límpidas águas do Santo Evangelho.

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

''Sabeis qual é o jejum que aprecio?''


Sexta-feira depois das Cinzas
Primeira Leitura (Is 58,1-9a)
Responsório (Sl 50)
Evangelho (Mt 9,14-15)

Poucos dias atrás, na Quarta-Feira de Cinzas, realizamos nós o jejum conforme o preceito, entretanto, estranhamente, hoje o profeta Isaías parece pregar contra o jejum. Na verdade, o profeta está nos chamando atenção para a realidade de que o jejum não é um fim em si mesmo, este visa penitenciar-nos por nossos pecados, mas de que adianta isso se persistirmos na vida de pecado? Não deve haver uma cisão entre nossa vida cotidiana e nossa vida religiosa, como se bastasse-nos cumprir algumas obrigações rituais e pronto. Não! Nossa vida religiosa tem de manifestar-se também em nossa vida cotidiana; não basta ser católico apenas nos dias de jejum, nos pórticos da igreja; precisamos estender nossa religião a todos os campos da vida, cumprir fielmente nossos deveres, não só na Igreja mas em nossas famílias, em nosso trabalho, bem como praticar as virtudes, sobretudo a caridade em socorro dos sofrimentos do corpo e da alma afligem o nosso próximo.
Sabeis qual é o jejum que aprecio? – diz o Senhor Deus: é romper as cadeias injustas, desatar as cordas do jugo, mandar ir embora os oprimidos e quebrar toda espécie de jugo. É repartir seu alimento com o esfaimado, dar abrigo aos infelizes sem asilo, vestir os maltrapilhos, em lugar de desviar-se de seu semelhante. (Is 58, 5-7)
Neste tempo quaresmal, aprofundemo-nos nossa relação com Deus, e que nosso jejum e nossa oração tenham como fruto a esmola, a atenção para com as misérias do próximo, sobretudo buscando praticar as 14 obras de misericórdia.

940) Quais são as obras de misericórdia corporais?
As obras de misericórdia corporais são:
1ª Dar de comer a quem tem fome;
2ª Dar de beber a quem tem sede;
3ª Vestir os nus;
4ª Dar pousada aos peregrinos;
5ª Assistir aos enfermos;
6ª Visitar os presos;
7ª Enterrar os mortos.

941) Quais são as obras de misericórdia espirituais?
As obras de misericórdia espirituais são:
1ª Dar bom conselho;
2º Ensinar os ignorantes;
3ª Corrigir os que erram;
4ª Consolar os aflitos;
5ª Perdoar as injúrias;
6ª Sofrer com paciência as fraquezas do nosso próximo;
7ª Rogar a Deus por vivos e defuntos.

Catecismo Maior de São Pio X; Parte V, Capítulo IV: Das obras de misericórdia

Áudio:

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

Escolha Radical


Quinta-feira depois das Cinzas
Primeira Leitura (Dt 30,15-20)
Responsório (Sl 1)
Evangelho (Lc 9,22-25)

Escolha; é em torno deste tema que se põe as leituras da liturgia de hoje; o Deuteronômio fala-nos dos dois caminhos, no salmo cantamos sobre as consequências de cada um deles, e no Santo Evangelho, Nosso Senhor Jesus Cristo nos exorta a escolha da Cruz; <Pois que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se vem a perder-se a si mesmo e se causa a sua própria ruína? (Lc 9, 25)>.

Nosso mundo de hoje, todavia, vive-se a ilusão infantil da não escolha. Olhemos a nosso redor, são poucos aqueles que sinceramente escolhem o caminho da vida, ou mesmo o caminho da morte, mas há uma multidão de mornos que buscam andar pelas duas estradas. Tal comportamento se reflete nos mais diversos aspectos da vida: nos relacionamentos, onde se está na moda o ficar, ao invés da escolha do compromisso, ou da dispensa; na vocação profissional, onde se está a rodear mil profissões, se interessar por tudo e não realizar nada; na religião, onde em nosso país reina o maldito sincretismo. Nesta moderação burguesa, está uma covardia existencial.

Basta! Que hoje, iluminados pela escritura sejamos radicais em nossas escolhas; busquemos a Deus, Sumo Bem com toda a radicalidade de nosso ser, pois: <Desde a época de João Batista até o presente, o Reino dos céus é arrebatado à força e são os violentos que o conquistam. (Mt 11, 12)>.

Áudio:

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Da Quaresma

35) Que é a Quaresma?
A quaresma é um tempo de jejum e de penitencia, instituído pela Igreja por tradição apostólica.

36) Para que fim foi instituída a Quaresma?
A Quaresma foi instituída: 1° para nos fazer conhecer a obrigação que temos de fazer penitencia em todo o tempo da nossa vida, a qual, segundo os Santos Padres, a Quaresma é a figura; 2° para imitar de algum modo o rigoroso jejum de quarenta dias que Jesus Cristo fez no deserto; 3° para nos preparar por meio da penitencia para celebrar a festa da Páscoa.

37) Porque se chama dia das Cinzas o primeiro dia da Quaresma?
Chama-se o primeiro dia da Quaresma dia das Cinzas, porque a Igreja impõe naquele dia as cinzas na cabeça dos fiéis.

38) Porque impõe a Igreja as cinzas no princípio da Quaresma?
A Igreja, no principio da Quaresma, impõe as cinzas a fim de que nós, lembrando-nos de que somos pó, e de que após a morte nos havemos de reduzir a pó, nos humilhemos e façamos penitencia dos nossos pecados enquanto temos tempo.

39) Com que disposição devemos receber as cinzas?
Devemos receber as cinzas com o coração contrito e humilhado, e com a santa resolução de passar a Quaresma em obras de penitencia.

40) Que devemos fazer para passar bem a Quaresma, segundo o espírito da Igreja?
Para passar bem a Quaresma, segundo o espírito da Igreja, devemos fazer quatro coisas: 1° observar exatamente o jejum e mortificar-nos não só nas coisas ilícitas e perigosas, mas ainda, quanto pudermos, nas coisas lícitas, como seria moderar-nos nas recreações; 2° fazer orações, esmolas e outras obras de caridade cristã para com o próximo, mais do que em qualquer outro tempo; 3° ouvir a palavra de Deus, não por mero costume ou curiosidade, mas com o desejo de por em prática as verdades que ouvirmos; 4° ter grande cuidado em nos prepararmos para a confissão, para tornar mais meritório o jejum, e para nos dispormos melhor para a Comunhão pascal.

Catecismo Maior de São Pio X; Instrução – Primeira Parte: Das Festas de Nosso Senhor; Capítulo VI: Da Quaresma.

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

Penitência!


Depois das duas partes que já expus, vimos ao lado esquerdo de Nossa Senhora um pouco mais alto um Anjo com uma espada de fôgo em a mão esquerda; ao centilar, despedia chamas que parecia iam encendiar o mundo; mas apagavam-se com o contacto do brilho que da mão direita expedia Nossa Senhora ao seu encontro: O Anjo apontando com a mão direita para a terra, com voz forte disse: Penitência, Penitência, Penitência! E vimos n'uma luz emensa que é Deus: “algo semelhante a como se vêem as pessoas n'um espelho quando lhe passam por diante” um Bispo vestido de Branco “tivemos o pressentimento de que era o Santo Padre”. Varios outros Bispos, Sacerdotes, religiosos e religiosas subir uma escabrosa montanha, no cimo da qual estava uma grande Cruz de troncos toscos como se fôra de sobreiro com a casca; o Santo Padre, antes de chegar aí, atravessou uma grande cidade meia em ruínas, e meio trémulo com andar vacilante, acabrunhado de dôr e pena, ia orando pelas almas dos cadáveres que encontrava pelo caminho; chegado ao cimo do monte, prostrado de juelhos aos pés da grande Cruz foi morto por um grupo de soldados que lhe dispararam varios tiros e setas, e assim mesmo foram morrendo uns trás outros os Bispos Sacerdotes, religiosos e religiosas e varias pessoas seculares, cavalheiros e senhoras de varias classes e posições. Sob os dois braços da Cruz estavam dois Anjos cada um com um regador de cristal em a mão, n'êles recolhiam o sangue dos Martires e com êle regavam as almas que se aproximavam de Deus. - Irmã Lúcia 

sábado, 10 de fevereiro de 2018

Ídolos Estatais


5ª Semana do Tempo Comum - Sábado
Primeira Leitura (1Rs 12,26-32;13,33-34)
Responsório (Sl 105)
Evangelho (Mc 8,1-10)

O poder religioso, o antigo Templo de Jerusalém, era uma ameaça ao novo Estado constituído por Jeroboão, então, para consolidar seu poder, este manda edificar ídolos: dois bezerros de ouro, a religião da nação, os ídolos da nação. Ainda hoje tantos assim o fazem, tiranos que visam sufocar a Igreja constituindo uma religião nacional; pensemos em Hitler, imagem do anti-cristo, e o culto neopagão estabelecido na Alemanha; pensemos na seita Anglicana ou na Igreja Patriótica Chinesa, simulacros de religião, bezerros de ouro estatais. Todavia, lemos também na escritura que: <Esse procedimento tornou-se para a casa de Jeroboão uma ocasião de pecado, que causou a sua perda e o seu extermínio da face da terra. (1Rs 13,34)>; a casa de Jeroboão foi extinta; o reich pagão do fuher não passa de pó; assim será o destino de todos aqueles, que buscam sobrepor o Estado acima da Religião, serão todos devidamente extirpados da face da terra.

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

''Shema Yisrael!''


5ª Semana do Tempo Comum - Sexta-feira
Primeira Leitura (1Rs 11,29-32; 12,19)
Responsório (Sl 80)
Evangelho (Mc 7,31-37)

Cristo toma o surdo mudo, afasta-se com ele da multidão, e então “Efatá!”; abre-lhe seus ouvidos, solta sua língua. Assim acontece conosco no santo Batismo, onde recebemos a vida na graça, e temos nossos ouvidos abertos para escutar a Palavra do Senhor, e nossa língua solta para proclamá-la. Mas, para que vivamos tal graça, temos de afastarmo-nos da mentalidade mundana, apartarmo-nos da multidão.

Na primeira leitura vemos as consequências advindas do pecado daqueles que, mesmo recebendo a Palavra do Senhor, escolhem ignorá-la, fecham voluntariamente seus ouvidos. Foi o pecado de Salomão, sua traição prestando culto a deuses estranhos, que ocasionou a divisão do antigo Israel. Diz-nos o Senhor no salmo:
No entanto, meu povo não ouviu minha voz, Israel não me quis obedecer.
Por isso, os abandonei a dureza de seus corações!
Oh, se meu povo me tivesse ouvido, se Israel andasse em meus caminhos!
Eu teria logo derrotado seus inimigos, e desceria minha mão sobre seus adversários!”
(Sl 80(81), 12-15)
É Igreja hoje o novo Israel, somos nós o povo de Deus! Escutemos pois Sua Palavra, não fechemos o coração a Sua voz! Procuremos discernir Sua vontade na meditação das Sagradas Escrituras, na Liturgia da Palavra durante a Santa Missa, e no íntimo de nossa alma durante nossas orações; e então, andando por Seus caminhos, seremos salvos, e nossos inimigos derrotados e humilhados.

Shema Yisrael!

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

''(...) suas mulheres desviaram o seu coração para outros deuses''


5ª Semana do Tempo Comum - Quinta-feira
Primeira Leitura (1Rs 11,4-13)
Responsório (Sl 105)
Evangelho (Mc 7,24-30)

Salomão, o grande e sábio rei Salmoão, caíra em idolatria. Levado por sua luxúria, para agradar suas mulheres pagãs, o grande rei quebrara o pacto com o Senhor, O Senhor que tão bom fora para com ele. E pior, diferente do que houve com Davi, que uma vez repreendido por Natã penitenciou-se, não se tem notícias de episódios semelhantes na vida de seu filho; São João Bosco escreve em sua História Sagrada, que se teme pela condenação do antigo rei de Israel. 

O antigo catecismo, Catecismo Maior de São Pio X, elenca a diversidade de culto entre batizados e não-batizados como um dos impedimentos matrimoniais dirimentes (Quarta Parte; Cap. IX; §3°; Questão 843), escutemos pois o catecismo, aprendamos com o erro de Salomão, Salomão que era mais sábio do que jamais seremos; e fujamos das ocasiões de pecado. Apliquemos isto em nossas vidas e afastemo-nos das mulheres pagãs!

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

Apocalipse Ambiental?


Imagine o leitor que more em um grande centro urbano, um lugar gigantesco, cinza, extremamente populoso, com quase total ausência de "áreas verdes". Esta selva de pedra, sem dúvida, o tornaria mais propensas a alimentar fantasias apocalípticas: “o mundo está superpovoado”; “estamos destruindo a natureza”; “o ser humano é uma chaga no planeta”; e outras tolices mais. Alimentando tais fantasias, estaria, porém, apenas seguindo o coro midiático, com o adendo de justificar-se por uma experiência intima e pessoal. Todavia, tal experiência seria de sobremaneira local e não global. Se é evidente que as modernas megalópoles são um barril de pólvora, isto não se aplica a experiência humana no resto do planeta. Tratemos apenas do Brasil, provavelmente não sabe o leitor , mas apenas 4% do território nacional é ocupado por áreas urbanas, sendo além disto, a maioria delas pequenas e médias cidades. Diante de tal estatística falar em superpopulação é no mínimo risível. E se formos estender o raciocínio a nível global, em que países como o Japão correm o risco de desaparecer devido à baixa taxa de natalidade da população, a alegação malthusiana se torna ainda mais cômica. 

Voltemos a questão da destruição das florestas, florestas tais que, se pensarmos apenas em mata nativa, no Brasil ocupam 66% do território nacional. Haja vontade para desmatar tudo isso, não rsrs? Além de que, a grande vilã apontada por derrubar as arvorezinhas, a “maligna” agricultura, não chega a ocupar nem 10% do território nacional. Para ser mais exato, 7%, e com um uso tão modesto da terra já somos conhecidos como o “celeiro do mundo”. 


O que pretendo eu com este texto? Talvez construir sofismas para justificar a destruição da natureza pelas malignas corporações agroindustriais rsrs; na verdade busco apenas ajustar o senso das percepções, do global para o local. É evidente que existem problemas ambientais, problemas estes que afetam não só o corpo como também a alma, tendo em vista que: <Desde a criação do mundo, as perfeições invisíveis de Deus, o seu sempiterno poder e divindade, se tornam visíveis à inteligência por suas obras; [...] (Rm 1, 18)>, ou seja a contemplação da criação é uma das vias as quais nos levam a conhecer Deus, bem como a nós mesmos. Entretanto, agrupar tais problemas em uma metanarrativa ideológica, em que de modo histérico as preocupações dos indivíduos se voltam não para a tragédia ambiental no âmbito local  - onde que terrenos baldios se tornam depósitos de lixo, antigos parques dão lugares a empreendimentos imobiliários, ciclovias são ignoradas em favor do lobby das montadoras - mas a um suposto desastre ambiental global - onde se grita em defesa da floresta (como um ente genérico e abstrato) e todo novo empreendimento é demonizado (hidroelétricas, grandes propriedades agrícolas, etc) -  é no mínimo histeria. 

No fundo, estamos diante do ressurgimento de primitivas superstições, onde a natureza, Pachamama, torna-se um ídolo ídolo demoníaco que, toma as vidas e destrói a inteligência de seus devotos. 

O verdadeiro amor pela Criação, enquanto herança confiada a Deus ao gênero humano, se manifesta, sobretudo, em âmbito local. Quando os limites do visível se excedem demasiado, corre-se o risco de entrar nos sinuosos terrenos da ideologia.

terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

''Prefiro deter-me no limiar da casa de meu Deus a morar na tenda dos pecadores''


5ª Semana do Tempo Comum - Terça-feira
Primeira Leitura (1Rs 8,22-23.27-30)
Responsório (Sl 83)
Evangelho (Mc 7,1-13)

Cantamos hoje com o salmista: <Verdadeiramente, um dia em vossos átrios, vale mais que milhares fora deles. Prefiro deter-me no limiar da casa de meu Deus a morar na tenda dos pecadores. (Sl 83(84), 11)>; que esta não seja apenas uma prece da boca para fora, mas uma oração que brote do interior de nossa alma, que aprendamos nós a valorizar a convivência com o Senhor no templo, onde somos instruídos com sua palavra, e alimentados com seu corpo e sangue. O templo, onde o senhor habita no meio de nós, onde se faz próximo, para ouvir nossos lamentos, e escutar nossas orações. Façamos o firme propósito de frequentar mais o templo, não apenas durante a Missa Dominical, mas também durante o resto da semana, em momentos de adoração ao Santíssimo ou de participação nas atividades paroquias para a Glória de Deus Onipotente.

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

''E todos quantos o tocavam ficavam curados''


5ª Semana do Tempo Comum - Segunda-feira
Primeira Leitura (1Rs 8,1-7.9-13)
Responsório (Sl 131)
Evangelho (Mc 6,53-56)

No dia de hoje o santo Evangelho trata das curas de Jesus. Assim como percorreu as estradas de Genesaré curando os enfermos, ainda hoje Cristo vem em socorro de nossas enfermidades. Por meio da Igreja por ele instituída, o quanto não se desenvolveu a ciência médica? Pensemos na fundação dos hospitais, nas centenas de Santas Casas de Misericórdia espalhadas pelo país, é Cristo que continua a curar-nos usando dos instrumentos humanos de sua Igreja! Mas, tantas vezes, a ciência humana não basta! E então, de modo admirável e extraordinário, o Senhor continua a agir, lembremo-nos dos numeráveis milagres ao longo de toda a história. Além das doenças do corpo, existem também as doenças da alma, nestes tempos modernos há uma verdadeira pandemia de doenças espirituais: as paixões desordenadas imperam e escravizam os homens, obscurecem nosso entendimento, colocam obstáculos a nossa vontade, e nos afastam de Deus; mas também e, sobretudo, estas doenças espirituais é que Nosso Senhor Jesus Cristo vem curar: por meio do Sacramento da Confissão, Ele restabelece em nós a vida na graça; por sua doutrina Ele ilumina nosso entendimento; por meio da oração, nossa vontade é ordenada e dirigida segundo os desígnios Divinos.

Rezemos pelos doentes, doentes do corpo e de alma, para que sejam curados pelo Divino Salvador.

sábado, 3 de fevereiro de 2018

"Dai, pois, ao vosso servo um coração sábio"


4ª Semana do Tempo Comum - Sábado
Primeira Leitura (1Rs 3,4-13)
Responsório (Sl 118)
Evangelho (Mc 6,30-34)

Sabedoria; nesta palavra poderíamos resumir as leituras de liturgia de hoje. É isto que pede Salomão ao Senhor, na primeira leitura, não as riquezas, não a glória, não a aniquilação de seus inimigos, mas a Sabedoria. E mais, Salomão pede não para si, para alimentar sua vaidade ou curiosidade, mas para ser posta a serviço de seu povo: <Dai, pois, ao vosso servo um coração sábio, capaz de julgar o vosso povo e discernir entre o bem e o mal; pois sem isso, quem poderia julgar o vosso povo, um povo tão numeroso? (I Reis 3,9)>

Os dons de Deus existem para ser colocados a serviço; a serviço do povo, da Igreja, do Reino de Cristo. De que adianta ler centenas de livros, cultivar conhecimentos profundos, se estes não edificam a ninguém? Busquemos sim a Sabedoria, mas não para nós, e sim para o serviço da Igreja, para o bem das almas e a glória de Deus.

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

Um Católico Comum

Ah, mas você é de algum movimento? Não é? Ah já sei, faz parte de uma ordem terceira... Também não?! Não frequenta nenhum grupo de jovens? É de uma prelazia? Nem isso? Então, você participa de uma comunidade, né? Não participa?!?! Bem, você vai então ao seminário? Nem ao Mosteiro? Já sei!!! Missionário, certo? Não vai????? Ah, você vai casar... Muito bem. Já ouviu falar no ecc? Não tem vontade de ir?? Hum... o que você é então?"

É tão difícil para o povo hoje conceber que se pode ser um católico comum, alguém simplesmente católico, sem nenhum adicional? Tem sempre que fazer parte de um clubinho ou grupo de jovens específico? Ou ser vocacionado a "missionário de vila-nhocunhé do raio que o parta"? Não basta o Batismo e demais Sacramentos de iniciação; frequentar sua paróquia, ter um confessor e diretor; cumprir os Mandamentos e se aperfeiçoar no crescimento da Caridade? Tem necessariamente que estar num "time juvenil" e vestir camisa de poliéster com uma estampa mal feita que parece um abadá? Nunca vi isso no catecismo. Se houver, por favor, alguém me mostre.

É tempo de dizer: por um Catolicismo "geral", comum. Sem raridades ou clubismos. Basta a Tradição, Magistério, boa doutrina, bons pastores tradicionais e bons amigos. Pronto.

Quanto menos católicos temos, mais "igrejeiros" surgem.

Ser raro não é legal. Eu admiro o homem ordinário.

#André Abdelnor Sampaio

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

"Sê corajoso, porta-te como homem! "


4ª Semana do Tempo Comum - Quinta-feira
Primeira Leitura (1Rs 2,1-4.10-12)
Responsório (1Cr 29,10-12)
Evangelho (Mc 6,7-13)

Nos últimos dias a liturgia nos conduziu em uma meditação a partir da vida do Rei Davi, contemplamos desde o momento em que fora ungido por Samuel, passando por sua vitória sobre Golias, seu conflito com Saul, sua consolidação no trono de Israel, seu pecado, a repreensão do profeta Natã, a traição de seu filho Absalão, a morte deste, seus posteriores pecados e consequências, sua penitência; hoje estamos diante da morte deste Santo Rei.
Aproximando-se o fim de Davi, deu ele ao seu filho Salomão as suas (últimas) instruções: Eu me vou, disse ele, pelo caminho que segue toda a terra. Sê corajoso: porta-te como homem. Guarda os preceitos do Senhor, teu Deus; anda em seus caminhos, observa suas leis, seus mandamentos, seus preceitos e seus ensinamentos, tais como estão escritos na lei de Moisés. Desse modo serás bem-sucedido em tudo o que fizeres e em tudo o que empreenderes, e o Senhor cumprirá a promessa que me fez, isto é, que eu terei sempre um de meus descendentes no trono de Israel, se meus filhos guardarem seus caminhos e andarem diante dele com fidelidade, de todo o seu coração e de toda a sua alma. (I Reis, 2, 1-4)
Sê corajoso, porta-te como homem, guarda os preceitos do Senhor e anda em seus caminhos; eis pois um conselho que ecoa ainda hoje, sobretudo hoje, nestes tempos abaitolados. Precisam os varões de fé portar-se como homens, redescobrir a virtude da coragem, da hombridade. Vemos no mundo o triunfo do pecado, da imoralidade, da iniquidade; onde estão, pois, os HOMENS de Deus? Homens de coragem que marchem contra a corrente, que não tomem parte nas tramas dos maus, que arquem com as consequências e responsabilidades de sua Fé. Homens que pelejem sem cessar contra tudo aquilo que foge aos ditames de Deus. Nos últimas dias, a maldita Rede Globo zombara mais uma vez da Fé na Santíssima Eucaristia; no mundo da música, ditos artistas gravaram uma paródia sodomita do livro do Gênesis; e que fazem os ditos homens de Fé? Se acovardam e lamentam como maricas. Levantai-vos Soldados de Cristo! Sê corajoso, porta-te como homem!

Que Deus nosso Senhor dê força e coragem aos homens de Fé, e que Aquele que domina sobre todas as nações extirpe seus inimigos da face da terra e ponha fim as obras dos maus, entre estas a maldita Rede Globo, tal qual fez com a Torre de Babel.