quinta-feira, 29 de março de 2018

Anjos da Noite: Como destruir uma boa história...

Fantasia Urbana ou Gothic Punk é o nome que se dá ao subgênero narrativo que busca retratar as realidades sobrenaturais inseridas em um contexto moderno e urbano. Bruxas, Vampiros e Lobisomens deixam as florestas dos contos de fada para habitar os guetos e vielas das grandes capitais. “Anjos da Noite(ao menos em sua estética) expressa bem o estilo. A premissa, para a época inovadora, hoje já saturada, trata de uma guerra milenar entre vampiros e lobisomens (lycans). A obra tinha tudo para ser inesquivável: uma boa trama, uma estética bacana, épicas cenas de ação, bem como uma linda e carismática protagonista: a vampira Selene, interpretada por Kate Beckinsale (que no primeiro filme, de 2003, estava na flor da idade, mas fora perdendo os traços juvenis com o decorrer da sequência, de modo que no filme de 2012 já se nota certo contraste); mas tornou-se intragável pelas falhas do roteirista, que não soube manejar o “time”, o ritmo da narrativa. 

O envelhecimento da atriz ao longo dos filmes é evidente.

No primeiro filme somos introduzidos naquele universo, apresentados aos clãs, suas lideranças e motivações, e os ecos desta batalha no mundo humano, vemos a lealdade de Selene para com Victor, líder adormecido do clã dos vampiros, até aí a narrativa vai bem, erra, porém, em não explorar tanto os efeitos da guerra no mundo humano, que serão retomados tardiamente apenas no quarto filme. 

A história prossegue com a introdução do personagem Michael Corvin, descendente humano de Corvinus, uma cobaia geneticamente apta para tornar-se um híbrido, meio vampiro meio lobisomem, aí que a história começa a desandar… O expectador simplesmente não consegue se importar com Michael, nada nos é dito sobre sua história senão que apesar da juventude, trabalha como médico e mora sozinho. Pai, mãe, namorada, amigos? Nada! Um personagem apático, unidimensional, sem o mínimo de personalidade, história ou marca distintiva. Posteriormente há um romancezinho entre Michael e Selene pouco convincente que faz com que a mocinha traia o clã que serviu durante séculos em prol de “um zé’’ com o qual mal trocara cinco frases. No meio da história se desperta Victor, o "vampirão malvadão", há uma batalha entre vampiros e lobisomens, a crianção do híbrido é concretizada, morrem os chefões e o primeiro filme termina aberto; Selene e seu namoradinho híbrido são agora odiados por vampiros e lobisomens. O plano de Lucian, chefão dos lycans não fica claro. Como a criação do híbrido colocaria fim a guerra? Bom, fica para o próximo filme responder… (e não respondeu).

O segundo filme foi um desastre, sepultou de vez todo o potencial da história. Um outro vampirão lá, Marcus, é despertado, e este mata todo seu clã e vai atrás de seu irmão lycan aprisionado. Simplesmente o foco do roteiro sai da guerra entre vampiros e lobisomens, do híbrido, para o drama das origens. Pra que serviu a porcaria do hibrido? Não deviam os vampiros ao menos continuar atrás de Selene para vingar Victor? A história corre demais e deixa de explorar aquilo que devia… Lá para o fim o roteirista mata Michael (para depois o trazer de volta magicamente), mas o personagem foi tão mal explorado que aquilo que era para ser um drama se torna tedioso. Posteriormente, Selene suga o sangue de Corvinus e torna-se overpower. Não era o híbrido o ser mais poderoso? Depois ficou sendo os alfa, Marcus e seu irmão Willian, para serem substituídos por Selene… Bom ao fim o casal sem mata os vilões e terminam o filme com um beijo romântico. 

Resumindo: 1) Temos uma guerra entre vampiros e lobisomens, guerra esta travada por milênios embaixo do narizes dos humanos, sem que estes bobalhões nada percebam, e sem que essas aberrações jamais tenham tentado dominar o mundo e jogar os humanos para escanteio. 2) Temos um personagem aleatório sem história, que por conveniência consegue conquistar a protagonista. 3) Esse personagem aleatório torna-se um hibrido overpower, a chave para acabar com a guerra entre os clãs, mas no segundo filme não existe mais guerra porque me aparecem os alfas igualmente overpower, e o híbrido tem um papel marginal, simplesmente ninguém esta nem ai para ele. 4) Selene também tem seus poderes turbinados, a ponto de derrotar o vampirão alpha. 

Parabéns ao roteirista por esse segundo filme, destruiu uma história promissora. Pior que isso, só aquele Death Note americano de Netflix.

E os outros filmes? Depois do segundo não têm como. A paciência do expectador acaba aí...

sexta-feira, 23 de março de 2018

Política e Religião


5ª Semana da Quaresma - Sexta-feira 
Primeira Leitura (Jr 20,10-13) 
Responsório (Sl 17) 
Evangelho (Jo 10,31-42) 

Nas proximidades da Semana Santa, a liturgia de hoje nos fala de um dos episódios decisivos que culminaram na condenação de Nosso Senhor Jesus Cristo. Jesus revela claramente aos judeus sua divindade, e estes escandalizados procuram apedrejá-lo. Note que não é uma questão política que instiga o ódio dos judeus, mas um problema religioso. Aliás, durante toda a Sua vida vimos isto, Cristo não veio para promover agitações políticas, tanto é que a maior parte dos Evangelhos é constituído por suas discussões não com o senado romano, mas com o colégio dos fariseus. 

Mas, infelizmente a atitude em muitas de nossas paróquias tem sido diferente. Quão pouca atenção se tem dado os dogmas, a doutrina revelada, a religião; ao invés disso se está a fazer politicagem! Desde o teólogo da libertação a trupe neodireitista, a religião é posta em escanteio. Recordo-me do que ouvi anos atrás de um rapaz ligado a Renovação Carismática: ''Houve um tempo em que só se falava de política, o templo estava mais preocupado com o parlamento do que com Jesus. Não aprendíamos sobre a vida de Jesus, sobre como imitá-lo, e a ajudar o próximo por amor a Jesus; só politicagem! Graças a Deus que encontrei o movimento (RCC), aqui sim há lugar para Jesus" .

Em tempos onde a esquerda tenta reduzir o catolicismo a um mero ativismo social e a direita se contenta em transformá-lo em um anticomunismo tacanho somado a algumas regrinhas de bom comportamento, tenhamos a coragem de desprezar as ideologias e reagir contra está instrumentalização política da Fé. Busquemos em primeiro lugar as coisas de Deus, a doutrina, a religião! 

quarta-feira, 21 de março de 2018

''Se fôsseis filhos de Abraão, faríeis as obras de Abraão''


5ª Semana da Quaresma - Quarta-feira
Primeira Leitura (Dn 3,14-20.24.49a.91-92.95)
Responsório (Dn 3,52-56)
Evangelho (Jo 8,31-42)

<''Nosso pai'' - replicaram eles - ''é Abraão.'' Disse-lhes Jesus: ''Se fôsseis filhos de Abraão, faríeis as obras de Abraão. (Jo 8, 39)>; este pequeno trecho do Evangelho de hoje nos aponta para o verdadeiro sentido da filiação espiritual: devemos realizar as obras daquele pois que temos como Patrono; todavia, muitas vezes essa filiação é apenas aparente, um artifício propagandístico ao invés de uma sincera adesão. Recordo-me que durante a minha adolescência estudei em um colégio que levava o nome do poeta Carlos Drummond de Andrade, durante os anos que passei lá, pouco escutei sobre Drummond; o colégio Drummond não realizava as obras de Drummond. Isto com um simples poeta secular! A coisa é ainda mais grave e contrastante quando se trata dos santos de Deus.

Recentemente têm surgido no Brasil uma série de organizações culturais que levam o nome de santos, iniciativa boa e louvável, mas até que ponto essa filiação é vivida? Existe mesmo o sério compromisso de se imitar as obras do Patrono? Dias atrás me envolvi em uma polêmica com o Centro Dom Bosco, uma organização boa, bonita e louvável, por conta de sua nova publicação, o jornal ''O Universitário''. Fiquei decepcionado pelo fato desta tratar tão somente de política, ignorando quase totalmente o foco evangelizador e apologético. Estas são as obras de Dom Bosco? Tão somente insistir no combate ao comunismo, e esquecer da defesa da Igreja e sua ortodoxia, da pregação do Evangelho e a submissão a Cristo?

Por fim, olhemos para nós mesmos, para nossas paróquias, cada uma delas leva o nome de um santo de Deus. Nós, paroquianos, temos nos esforçado para conhecer e imitar as obras de nosso Patrono? Pensemos nisso, com sinceridade e sem espírito de contendas.

terça-feira, 20 de março de 2018

Murmuração e Maledicência


5ª Semana da Quaresma - Terça-feira
Primeira Leitura (Nm 21,4-9)
Responsório (Sl 101,2-21)
Evangelho (Jo 8,21-30)

Escutamos na primeira leitura que, por canta das fofocas e murmurações dos israelitas, Deus envia serpentes venenosas para os castigar. A língua venenosa do maledicente torna-se vítima da peçonha da serpente; fina ironia, não? Em tempos de internet e fake news, precisamos prestar grande atenção para não cairmos em murmurações e maledicências. 

Quão triste é ver pessoas fanatizadas pelas ideologias a murmurar injustamente contra as autoridades da Igreja, tal qual se fez contra Moisés; e o pior, mesmo manifesta sua mentira, não voltam atrás, antes dão de ombros com birra. Recordo-me o caso de um folheto da Paulus, onde acusavam de retratar Lula como Nicodemos, tolice facilmente refutada com os fatos, mas que é os fatos para um militante? A mentira continua a ser propagada pois “serve a causa”. 

Ontem celebramos a solenidade da memória de São José, homem justo. Imitemos pois o silêncio de José, e afastemo-nos das maledicências.

sábado, 17 de março de 2018

''Quando os sábios tropeçam, a ajuda costuma vir das mãos dos fracos''


4ª Semana da Quaresma - Sábado
Primeira Leitura (Jr 11,18-20)
Responsório (Sl 7)
Evangelho (Jo 7,40-53)

1.Resmungam os fariseus diante da hesitação de seus guardas em opor-se a Cristo: <Este poviléu que não conhece a Lei é amaldiçoado!… (Jo 7, 49)>; curioso, não ? Os sábios do povo, aqueles instruídos na Lei, cultos, eruditos, não foram capazes de acolher o Cristo, enquanto o “poviléu”, os humildes, pobres e incautos ficavam admirados diante das palavras e ensinamentos do Divino Salvador. Até hoje é assim, em quanta asneira não se devaneiam os sábios e estudados? Universitários e intelectuais engolem essa mentira demoníaca da ideologia de gênero, o povo simples, o caipira do interior em sua simplicidade bem sabe que “Deus criou homem e mulher, o resto é gambiarra”. Há uma frase de Tolkien segundo o qual: <Quando os sábios tropeçam, a ajuda costuma vir das mãos dos fracos>; afastemo-nos do caminho dos fariseus, de um certo intelectualismo arrogante e desencarnado, estudemos sim, mas jamais percamos o bom e velho senso comum, tal qual Nicodemos que não hesitou em defender Nosso Senhor Jesus Cristo diante da panelinha farisaica. 

2. A escritura hoje também nos traz um sadio remédio para evitarmos o pecado da maledicência: <Condena acaso nossa Lei algum homem, antes de o ouvir e conhecer o que ele faz? (Jo 7, 51)>; que tenhamos a prudência de ouvir o irmão e investigar bem seus atos a fim de que naquelas situações em que nos cabe o juízo, não sejamos temerários. 

3. Hoje também é dia de São Patrício, apóstolo da Irlanda. Abaixo encontra o leitor uma breve animação que resume a vida deste grande santo. Rezemos pela Irlanda. 



São Patrício, rogai por nós!

sexta-feira, 16 de março de 2018

''Sua existência é uma censura às nossas ideias''


4ª Semana da Quaresma - Sexta-feira 
Primeira Leitura (Sb 2,1a.12-22) 
Responsório (Sl 33) 
Evangelho (Jo 7,1-2.10.25-30) 

Na primeira leitura escutamos as conjurações dos ímpios contra a vida do justo e, no santo Evangelho vimos como a mesma impiedade se manifesta na perseguição dos judeus a Nosso Senhor Jesus Cristo. <Sua existência é uma censura às nossas ideias, basta sua vida para nos importunar (Sb 2,12)>; o bem e o mal, a verdade e a mentira, não podem conviver; os escravos do demônio sempre mobilizarão suas hostes contra o justo; assim foi e assim será na totalidade de todos “onde” e “quando”. Porém, diante de tal perseguição não deve o justo acovardar-se, antes precisa colocar sua confiança em Deus, implorar sua proteção e as graças para manter-se no caminho da justiça, e então no tempo oportuno Deus o glorificará e extirpará da face da terra a herança dos ímpios, como ocorreu no tempo do diluvio. 

quinta-feira, 15 de março de 2018

''Há quem voz acuse: Moisés"


4ª Semana da Quaresma - Quinta-feira
Primeira Leitura (Êx 32,7-14) 
Responsório (Sl 105) 
Evangelho (Jo 5,31-47) 

Deus salvou o seu povo, tirando-o da escravidão do Egito, realizando prodígios admiráveis, porém, enquanto Deus revelava a Moisés seus mandamentos, aquele povo de cerviz duríssima o abandonará, fabricando ídolos, curvando-se diante da imagem de um boi que como feno. O povo rejeitava a Revelação em prol de suas próprias ideias e conceitos distorcidos. A comunidade criou seu próprio Deus. Tal ato abominável se repete ainda hoje, embora de modo mais sutil. Continua a se rejeitar o Deus da Revelação e a fabricar-se ídolos, quantas seitas e heresias não criam seu próprio Cristo? Os teólogos da libertação criaram o seu: um cristo comunista e revolucionário, quase um Che Guevara da antiguidade; os neodireitistas têm fabricado o seu: um Deus de direita e liberal, que abençoa os ricos e poderosos e despreza os pobres[1]; há o “Jesus Histórico” outra quimera criada por um povo de cerviz duríssima que rejeita a Revelação Bíblica; e tantos outros. E Deus se enfurece com isto, e ameaça destruir o seu povo, porém, Moisés intercede por este povo infiel. 

Mas uma hora se esgota até a paciência de Moisés; dirigindo-se aos fariseus que diante de tantos sinais e tantos testemunhos (o testemunho de João Batista, o testemunho das Escrituras, os prodígios admiráveis realizados por Nosso Senhor Jesus Cristo) permaneceram incrédulos, diz Cristo, o Senhor: <Não julgueis que vos hei de acusar diante do Pai; há quem vos acuse: Moisés, no qual colocais a vossa esperança. Pois se crescêsseis em Moisés, certamente crereis em mim, porque ele escreveu a meu respeito. Mas, se não acreditais nos seus escrito, como acreditareis nas minhas palavras? (Jo 5, 45-47)>. Moisés mesmo acusa os judeus, não só os fariseus de outrora, mas seus seguidores hoje, o moderno Israel, que rejeita o testemunho da Escritura. Quantas outras santas testemunhas não estarão hoje acusando diante de Deus este mundo incrédulo, depois de terem cansado de interceder e trabalhar por ele? 

Convertamo-nos plenamente a Deus, abandonando todo resquício de idolatria, enquanto ainda é tempo de misericórdia, pois ai de nós quando vir o dia da justiça.

quarta-feira, 14 de março de 2018

Fé e Obras


4ª Semana da Quaresma - Quarta-feira
Primeira Leitura (Is 49,8-15)
Responsório (Sl 144)
Evangelho (Jo 5,17-30)

1.<Mas ele lhes disse: “Meu Pai continua agindo até agora, e eu ajo também” (Jo 5,17)>; Deus não dorme, o Pai o Filho e o Divino Espírito operam sempre. Mesmo nestes tempos caóticos a ação de Deus se faz presente: Ele guia sua Igreja, levanta os caídos, liberta os cativos, socorre o pobre o indigente. Se assim age o Pai, se assim age o Filho, se está sempre a trabalhar, sempre a operar, porque nós seus discípulos devemos agir de modo diferente? Temos de estar sempre agindo, sempre operando, sempre a praticar boas obras, por amor a Deus. Escutemos o que diz o Senhor: <os que praticaram o bem irão para a ressurreição da vida, e aquelas que praticaram o mal ressuscitarão para serem condenados. (Jo 5,29)>; é preciso praticar o bem, operar sem preguiça, trabalhemos!
A ciência sem obras não o justificará no tribunal supremo, antes agravará sua sentença. - Tomás de Kempis (A Imitação de Cristo)

2. Mas as obras pressupõe a Fé, pois sem Fé, ninguém pode agradar a Deus. <Em verdade, em verdade eu vos digo: quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna e não incorre na condenação, mas passou da morte para vida (Jo 5, 24)>; precisamos ESCUTAR e CRER na Revelação, crer no Filho e em tudo o que ele nos revela por sua Santa Igreja, e então, movidos pela Fé, atentos a essa escuta, operar boas obras, buscando assim a vontade daquele que nos chama da morte para a vida.

segunda-feira, 12 de março de 2018

''Eis que eu criarei novos céus e nova terra''


4ª Semana da Quaresma - Segunda-feira
Primeira Leitura (Is 65,17-21)
Responsório (Sl 29)
Evangelho (Jo 4,43-54)

1. Na primeira leitura fala-nos o Senhor pela boca do profeta Isaías: <Eis que eu criarei novos céus e nova terra, coisas passadas serão esquecidas, não voltarão mais à memória. (Is 65,17)>; "novos céus e nova terra", a mesma expressão é usada no Apocalipse para se referir a realidade que se manifestará após o juízo universal. Olhemos para o céu, a luz do sol, a lua e as estrelas, olhemos para a terra, a fauna, a flora; é lindo não? E outrora foi mais, e o será ainda melhor. 

Quando o pecado entrou no mundo não apenas o homem foi afetado, mas toda a criação. Isaías nos aponta para esta restauração da criação, novos céus e nova terra; pensemos nisso, nas coisas admiráveis que se sucederão e, enquanto esperamos este tempo, olhemos para a criação, que embora de algum modo também contaminada pelo pecado, ainda conserva sua beleza bondade originais. Como São Francisco de Assis louvemos ao Senhor por suas obras.
Cântico das Criaturas

Altíssimo, omnipotente, bom Senhor,
a ti o louvor, a glória,
a honra e toda a bênção.
A ti só, Altíssimo, se hão-de prestar
e nenhum homem é digno de te nomear.

Louvado sejas, ó meu Senhor,
com todas as tuas criaturas,
especialmente o meu senhor irmão Sol,
o qual faz o dia e por ele nos alumias.
E ele é belo e radiante,
com grande esplendor:
de ti, Altíssimo, nos dá ele a imagem.

Louvado sejas, ó meu Senhor,
pela irmã Lua e as Estrelas:
no céu as acendeste, claras, e preciosas e belas.

Louvado sejas, ó meu Senhor,
pelo irmão Vento
e pelo Ar, e Nuvens, e Sereno,
e todo o tempo,
por quem dás às tuas criaturas o sustento.

Louvado sejas, ó meu Senhor, pela irmã Água,
que é tão útil e humilde, e preciosa e casta.

Louvado sejas, ó meu Senhor,
pelo irmão Fogo,
pelo qual alumias a noite:
e ele é belo, e jucundo, e robusto e forte.

Louvado sejas, ó meu Senhor,
pela nossa irmã a mãe Terra,
que nos sustenta e governa,
e produz variados frutos,
com flores coloridas, e verduras.

Louvado sejas, ó meu Senhor,
por aqueles que perdoam por teu amor
e suportam enfermidades e tribulações.
Bem-aventurados aqueles
que as suportam em paz,
pois por ti, Altíssimo, serão coroados.

Louvado sejas, ó meu Senhor,
por nossa irmã a Morte corporal,
à qual nenhum homem vivente pode escapar.
Ai daqueles que morrem em pecado mortal!
Bem-aventurados aqueles
que cumpriram a tua santíssima vontade,
porque a segunda morte não lhes fará mal.

Louvai e bendizei a meu Senhor,
e dai-lhe graças
e servi-o com grande humildade.


2. No santo Evangelho, Cristo cura a criança atendendo ao pedido de seu pai. Quantas graças não entram na vida dos filhos pela oração de seus pais? Nas proximidades da festa de São José pensemos em nossos pais, e rezemos por eles como rezaram e ainda rezam por nós.

domingo, 11 de março de 2018

Um Cântico para Leibowitz: Uma Igreja Pós-Guerra Nuclear

Sabemos pela Escritura que Deus, justo juiz, há de, ainda nesta terra, castigar aquelas nações que se apartam de sua Lei. Pensemos no Dilúvio, em Babel, na destruição de Sodoma e Gomorra, bem como no cativeiro babilônico do antigo Israel; pensemos na civilização Asteca que por sua iniquidade foi entregue a espada de Hernán Cortés. De igual modo perecerá nossa civilização iníqua, conforme já profetizado em Fátima e La Sallete

É evidente a necessidade do castigo, porém se corre o risco da ilusão, quem sabe não estamos alimentando expectativas irreais pensando, talvez, que tudo se resolverá do dia para noite e a Igreja logo após um breve tempo de caos, erga-se vitoriosa e resplandecente. Também a Igreja há de sofrer, como sofreu com as invasões bárbaras após a queda do Império Romano, antes do alvorecer da Idade Média. 

Afim de auxiliar o irmão a preparar-se de alguma forma para este tempo vindouro, adequando o imaginário a este futuro terrível, recorro a ficção de Walter M. Miller. Júnior; em "Um Cântico para Leibowitz" o autor se tanta imaginar a sobrevivência da Igreja em um mundo pós-guerra nuclear: 
Dizia-se que Deus, para provar a humanidade que se tinha enchido de orgulho como no tempo de Noé, mandara que os sábios da época, entre os quais o Beato Leibowitz, inventassem grandes máquinas de guerra nunca antes vistas na Terra, providas de tal poder que continham o próprio fogo do Inferno, e que permitira que os magos as colocassem nas mãos dos príncipes dizendo a cada um: "Somente porque os inimigos possuem essas coisas, inventamos essas armas para teu uso, a fim de que saibam que tu também as possuis, e temam atacar. Cuida, meu senhor, de temê-los tanto quanto temem a ti, de modo que nenhum desencadeie essa horrível coisa que construímos".

Mas os príncipes, não fazendo caso do que diziam os sábios, pensaram cada um de si para si: se eu atacar depressa e em segredo, destruirei os outros enquanto dormem e não haverá luta; a Terra será minha.

Essa foi a loucura dos príncipes e seguiu-se o Dilúvio de Fogo.

Dentro de algumas semanas — há quem diga dias — tudo terminou, depois de desencadeado o fogo do Inferno. As cidades ficaram reduzidas a montões de vidro rodeados por vastas extensões de estilhaços de pedras. As nações desapareceram do mundo e a terra cobriu-se de corpos de homens e de bestas de toda espécie, de pássaros e de tudo quanto voa; tudo o que nadava nos rios subiu para a relva ou escondeu-se em tocas; tendo adoecido e perecido, cobriram a terra, mas naqueles lugares em que os demônios do Dilúvio infestavam os campos, os corpos não apodreciam, a não ser quando em contato com a terra fértil. As grandes nuvens da ira engolfaram as florestas e os campos, ressecando as árvores e matando as colheitas. Havia grandes desertos onde já houvera vida e, nesses lugares, onde ainda existiam homens, todos sofreram com o ar envenenado e muitos morreram; e até nas terras não atingidas pelas armas houve muitas mortes causadas pelo veneno do ar.

Em todas as partes do mundo os homens fugiram de um lugar para outro e houve confusão de línguas. Muita ira acendeu-se contra os príncipes e seus servos e contra os magos que tinham inventado as armas. Passaram-se os anos e a Terra não foi purificada. Assim estava bem registrado na Memorabilia.

Da confusão das línguas, da mistura dos remanescentes de muitas nações, do medo, nasceu o ódio. E o ódio disse: "Apedrejemos e estripemos e queimemos os que fizeram isso. Façamos um holocausto dos que deram causa a esse crime, e de seus criados e seus sábios; que pereçam pelo fogo, com suas obras, seus nomes, e até a lembrança deles desapareça. Destruamo-los todos, e ensinemos a nossos filhos que o mundo é novo, de modo que nada saibam do que aconteceu antes. Façamos uma grande simplificação, e então o mundo começará outra vez".

Assim foi que, depois do Dilúvio Nuclear, da peste, da loucura, da confusão das línguas, da fúria, começou a sangria da Simplificação, depois de os remanescentes da humanidade se terem dilacerado uns aos outros, matando os governantes, cientistas, líderes, técnicos, professores e todos aqueles que os chefes das turbas enlouquecidas diziam que mereciam a morte por terem concorrido para fazer da Terra o que ela agora era. Nada fora tão detestável aos olhos dessa população como os homens de saber, a princípio porque estavam a serviço dos príncipes e, depois, porque se recusavam a aderir ao derramamento de sangue e tentavam se opor a ela, qualificando os que a compunham de "simplórios sanguinários".

Alegremente aceitaram o apelido e começaram a gritar: "Simplórios! Sim, sim! Sou um simplório! Você é um simplório? Construiremos uma cidade que se chamará Cidade Simples, porque então todos os espertalhões que causaram tudo isso já estarão mortos! Simplórios! Vamos! Mostremos a eles quem somos! Alguém aqui não é simplório? Que morra!"

Para escapar da fúria dos bandos, os poucos homens instruídos que sobreviveram refugiaram-se nos santuários que encontraram em seus caminhos. A Santa Igreja, ao recebê-los, vestiu-os de monges e procurou escondê-los nos mosteiros e conventos que tinham escapado da destruição e podiam ser habitados, pois os religiosos eram menos desprezados pela multidão, exceto quando abertamente a desafiavam e aceitavam o martírio. Algumas vezes tais santuários eram respeitados, outras, não. Os mosteiros eram invadidos, os registros e os livros sagrados queimados, os refugiados aprisionados e sumariamente enforcados ou mortos na fogueira. A Simplificação cessara de obedecer a qualquer plano ou propósito logo depois de ter começado, e tornou-se um frenesi insano de assassinato e destruição das massas, como só ocorre quando já não há mais vestígio de ordem social. A loucura foi transmitida às crianças que tinham aprendido não só a esquecer, mas a odiar, e vagas de fúria reapareceram esporadicamente até na quarta geração depois do Dilúvio. Então, não mais se destruíam os sábios, que já não existiam, mas os simples alfabetizados.

Isaac Edward Leibowitz, depois de procurar em vão sua mulher, fugira para o convento dos cistercienses, onde ficou escondido durante os anos que se seguiram ao Dilúvio. Passados seis anos, mais uma vez saíra à procura de Emily ou de seu túmulo, no distante sudoeste. Lá, afinal, convenceu-se de que ela morrera, pois a morte triunfara totalmente naquele lugar. Ali, no deserto, tranquilamente, fez um juramento. Depois regressou aos cistercienses, tomou o hábito deles e, passados alguns anos, foi ordenado sacerdote. Reuniu alguns companheiros em volta de si e propôs-lhes seus planos. Passados mais alguns anos, esses planos chegaram a "Roma", que não mais era Roma (a cidade não mais existia), tendo-se mudado para outros lugares muitas e muitas vezes, em menos de duas décadas, depois de ter ficado no mesmo lugar durante dois milênios. Doze anos depois de formular seus planos, o Padre Isaac Edward Leibowitz recebera da Santa Sé a permissão para fundar uma nova comunidade de religiosos a ser conhecida pelo nome de Alberto Magno, professor de Santo Tomás e patrono dos homens de ciência. A finalidade da nova ordem, se bem que não anunciada e, a princípio, apenas vagamente definida, seria conservar a história da humanidade para os descendentes dos filhos daqueles mesmos simplórios que a queriam destruir. Seu hábito primitivo consistiu em sacos esfarrapados e um alforje — o uniforme dos simplórios. Seus membros eram "coletores de livros" ou "memorizadores", conforme as tarefas que lhes eram atribuídas. Os coletores arrebanhavam livros, fugiam para o deserto do sudoeste e os enterravam em pequenos barris. Os memorizadores decoravam volumes inteiros de história, escritura sagrada, literatura e ciência, caso um dos coletores fosse preso, torturado e forçado a revelar a localização dos barris. Enquanto isso, outros membros da ordem encontraram uma nascente de água pura a três dias de viagem do esconderijo dos livros e começaram a construir um mosteiro. O projeto, destinado a salvar um pequeno remanescente da cultura da humanidade que a queria destruir, começava então a se delinear.

Leibowitz, enquanto desempenhava suas funções de coletor de livros, foi aprisionado pelos simplórios. Um técnico, que aderira à multidão e a quem o padre logo perdoou, identificou-o não só como homem de ciência, mas como especialista na fabricação de armas. Coberto com um saco, foi martirizado por estrangulamento com uma corda cujo nó corria lentamente e, ao mesmo tempo, queimado vivo — o que deu lugar a uma discussão entre a turba sobre a melhor maneira de executá-lo.

Os memorizadores eram poucos e suas memórias, limitadas.

Alguns dos barris de livros foram encontrados e queimados, como também o foram vários outros monges coletores. O próprio mosteiro foi atacado três vezes antes que a loucura esmorecesse.

De todo o vasto acervo de conhecimentos humanos, somente uns poucos barris com originais e uma pobre coleção de textos ditados pelos memorizadores e escritos à mão sobraram na biblioteca da ordem, quando a fúria passou.

Agora, depois de seis séculos de trevas, os monges ainda conservavam essa Memorabilia que estudavam, copiavam e recopiavam, aguardando pacientemente. No princípio, ainda no tempo de Leibowitz, esperara-se — e mesmo antecipara-se como provável — que a quarta ou quinta geração quisesse reaver a sua herança. Mas os monges daqueles dias não tinham contado com a habilidade humana de construir uma nova herança cultural no espaço de duas gerações, quando as que passaram foram totalmente destruídas, e formá-la por meio de legisladores e profetas, gênios e maníacos; através de um Moisés ou de um Hitler, ou de um ancestral ignorante e tirânico, pode-se adquirir uma herança cultural da noite para o dia, e muitas foram assim adquiridas. Mas a nova "cultura" era uma herança das trevas e nela "simplório" tinha o mesmo significado que "cidadão" ou "escravo". Os monges aguardavam. Não importava que os conhecimentos que tinham conservado fossem inúteis e que nem eles próprios os compreendessem mais, como não os compreenderiam os jovens iletrados e selvagens que habitavam os montes; esses conhecimentos já nada significavam. No entanto, eles tinham a estrutura simbólica característica, e essa, ao menos, podia ser seguida. Observar a maneira pela qual é construído um sistema de conhecimentos já era aprender um mínimo daqueles conhecimentos, até que um dia — um dia ou um século — um Integrador aparecesse e tudo ganhasse sentido outra vez. Por isso, não importava que o tempo passasse. A Memorabilia ali estava e era dever dos monges conservá-la, e eles a conservariam mesmo que as trevas durassem mais dez séculos ou dez mil anos, pois, apesar de nascidos na mais obscura das épocas, ainda eram os coletores de livros e memorizadores instituí- dos pelo Beato Leibowitz; e quando se afastavam da abadia em viagem, cada um dos professores da ordem — fosse ele ajudante no estábulo ou o Dom Abade — levava, como parte do hábito, um livro, em geral um breviário, amarrado no alforje.

sexta-feira, 9 de março de 2018

''Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu espírito e de todas as tuas forças''


3º Semana da Quaresma - Sexta-feira 
Primeira Leitura (Os 14,2-10) 
Responsório (Sl 80,6-17) 
Evangelho (Mc 12,28b-34) 

Jesus respondeu-lhe: O primeiro de todos os mandamentos é este: Ouve, Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor; amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu espírito e de todas as tuas forças. Eis aqui o segundo: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Outro mandamento maior do que estes não existe. (Mc 12, 29-31) 
Todos os preceitos cristãos se resumem nestes dois: o amor a Deus e ao próximo. Todavia, não basta apenas amar a Deus, é preciso amá-lo sobre todas as coisas, com todo o coração, com toda alma e todo o entendimento. Em nosso país, em nossas paróquias, vemos muita gente que de fato ama a Deus, mas um amor morno, moderado, que convive e compete com diversos outros amores. Isso não basta! É preciso viver a radicalidade do mandamento, é preciso que coloquemos toda nossa energia, inteligência e esforço a serviço de Deus, que busquemos conhecê-lo cada vez mais, que toda nossa vida se ordene a Ele e para Ele! 

Quanto tempo tem o leitor gasto nas coisas de Deus? Tem rezado o suficiente? Tem estudado Seus preceitos? Tem se empenhado que toda sua vida comum e cotidiana encontre o seu sentido último na Cruz do Redentor? 

E a consequência do amor a Deus, é o amor ao próximo. É por amor a Deus que nos colocamos a serviço do irmão, que suportamos suas falhas, toleramos suas injustiças. Observemos a vida dos santos, quanto mais inflamados no amor a Deus, tanto mais cresciam no amor e serviço ao próximo, sobretudo aos mais pobres e necessitados. 

Peçamos a Deus a graça de viver a radicalidade do amor. 

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Hoje também é dia de Santa Francisca Romana, grande mística cristã que recebeu incríveis revelações a respeito das realidades invisíveis e sobrenaturais. Meu amigo Augusto Pola Júnior gravou um programa comentando algumas destas visões, confira abaixo:

quinta-feira, 8 de março de 2018

''Esta é a nação que não escuta a voz do Senhor, seu Deus''


3ª Semana da Quaresma - Quinta-feira 
Primeira Leitura (Jr 7,23-28) 
Responsório (Sl 94) 
Evangelho (Lc 11,14-23) 

1. <Tu lhes dirá então: Esta é a nação que não escuta a voz do Senhor, seu Deus, e não aceita suas advertências. A lealdade desapareceu, tendo sido banida de sua boca. (Jr 7, 28)>; eis as duras palavras que o Senhor, pela boca do profeta Jeremias, dirige aos antigo Israel; a nação que não escuta a voz do Senhor...As mesmas palavras poderiam ser dirigidas hoje ao Brasil, ou a quase todo mundo o ocidental (com louváveis exceções como a Polônia e a Hungria), não se escuta mais a voz do Senhor; estamos diante da apostasia das nações, onde tal qual em Babel se quer construir uma cidade sem Deus, o resultado já sabemos pela Escritura e podemos antever pelos fatos cotidianos: confusão. Quando os povos fecham o coração, quando não se orientam pela voz de Deus, hão de perecer. 

Não pensemos, porém apenas na triste realidade civilizacional, mas em nossas paróquias, em nossas famílias, em nosso coração; estamos abertos à escuta, atentos à Palavra de Deus? 

2. No Santo Evangelho, a realidade do coração empedernido, fechado, esclerosado, continua em evidência. Nosso Senhor Jesus Cristo liberta um possesso e os fariseus diante deste inegável sinal dos céus, inventam desculpas. Não se faz isso hoje? Se outrora diziam que se expulsava demônios em nome de Belzebu, hoje está na moda alardear que o demônio não existe. Não apenas na questão da demonologia reinam as desculpas, mas em tantas outras áreas, quanto não se tenta hoje relativizar, esvaziar e desacreditar as palavras e sinais de Nosso Senhor Jesus Cristo? Se foi assim com o Divino Mestre, porque conosco seus discípulos seria diferente? Muitas vezes se põe em dúvida nossas obras, se questiona nossas mais puras intenções, nossos pequenos, mas alegres frutos; suportemos, pois, com paciência, por amor a Jesus. 

Vigiemos para que também nós não sejamos cúmplices desta trama farisaica; a luz deste episódio, pensemos também na multidão extasiada que acusava Santa Joana D’ Arc de bruxaria, ou naqueles que enviaram São João de Deus ao manicômio, tendo-o como louco; que não nos precipitemos para acusar ou duvidar das  intenções do irmão.


segunda-feira, 5 de março de 2018

A Simplicidade de Deus


3ª Semana da Quaresma - Segunda-feira
Primeira Leitura (2Rs 5,1-15a)
Responsório (Sl 41)
Evangelho (Lc 4,24-30)

Naamã, o sírio, esperava por sinais portentosos e empreitadas difíceis. Não estava ele preparado para a simplicidade do profeta de Deus, e quase perdeu o tempo da graça, não fosse o bom conselho de seus servos. Outro foi o caminho dos nazarenos, que não reconheceram a presença do Filho de Deus entre eles. Deus se revela, sobretudo, na simplicidade, é preciso, pois, que tenhamos um coração humilde e atento para reconhecer Sua presença e obedecer a Sua voz.

Em Fátima, Nossa Senhora também fora perturbadoramente simples ao apontar os remédios para os males modernos: a récita do santo rosário, a penitência pela conversão dos pobres pecadores e, a consagração da Rússia a seu Imaculado Coração. Mas, tal qual Naamã, nós arrogantemente ignoramos tais conselhos, indo atrás de nossas próprias e complexas tolices: ecumenismo, alianças escusas, politicagem, etc etc…

Imploremos ao Senhor o dom da humildade.

sexta-feira, 2 de março de 2018

[Crítica] Um Dia de Fúria (1993)


Um Dia de Fúria (1993) é uma destas raras produções de Hollywood capazes de instigar boas reflexões sem que a qualidade do entretenimento seja afetada. Para muitos, um verdadeiro clássico, o que torna ainda mais difícil o trabalho da crítica convencional; como escrever algo original diante de um filme já tão comentado e discutido? Quem acompanha o blog sabe que a muito já abandonei o terreno do convencional, não pretendo tratar aqui sobre roteiro, atuação, trilha sonora ou nada do tipo, deixo isso aos especialistas, meu intuito aqui é usar a obra como desculpa para algumas reflexões de cunho moral e religioso. Então, lá vamos nós, ah fica o aviso, não estou nem aí para spoliers, então caso tenha essas frescuras, vá assistir ao filme e depois volte.

Para a esquerda, ''Um Dia de Fúria'' trata-se de um filme machista, racista e homofóbico (só não chamam de fascista por conta da cena da loja de armas, em que o protagonista mata um simpatizante nazista, após proferir de algumas palavras em defesa da ideologia da liberdade), isso se dá pelo fato de que o filme é quase como um manifesto da direita norte-americana. Não falo daqueles ricaços de Wall Street, mas do americano médio, do tipo que votou massivamente em Donald Trump. William Foster é um homem comum, com problemas comuns, desempregado, afastado da mulher que ama e da convivência com sua filha por um traumático divórcio, Foster acaba vivendo um dia ruim, destes comuns em toda grande metrópole: engarrafamentos, preços abusivos no comércio, problemas com a violência urbana, etc; todavia diferente do ordinário, ele acaba por “explodir”, manifestando toda sua fúria contra esta sociedade decadente.

Os problemas do protagonista são tão palpáveis, tão reais, que facilmente o expectador consegue se identificar com o personagem e, em seu intimo, muitos desejariam fazer o mesmo, “pistolar”, “desabafar”, por pra fora toda sua ira. Mas, o roteirista é competente, e Foster é contraposto com Martin Prendergast, um policial as vésperas da aposentadoria, que também não tem uma vida fácil. Nos momentos finais do filme, a mensagem moral do fica explicita, Prendergast diz ao protagonista que ele não é o único que esta tendo um dia difícil naquela cidade, que muitos diariamente vivem problemas semelhantes, e não saem por ai criando confusão como ele.

O surtar, desabafar, ou na gíria internetica: “pistolar”, é uma descarga emocional inútil e desordenada. O indivíduo põe para fora seus sentimentos, mas, não resolve nenhum de seus problemas. Depois das loucuras de Foster, a lojinha continuou a praticar preços abusivos, a comida dos fast foods continua horrível e as propagandas igualmente enganosas, sua mulher e filha ainda mais distantes. Ensina-nos a tradição cristã que a ira manifesta desta forma irracional é um pecado capital, uma paixão desordenada. A ira é como um combustível, que deve ser ordenado pela razão, iluminada pela Fé. Para nós, homens comuns, que vivemos em uma sociedade ainda mais degenerada que a de Foster, que temos problemas iguais ou piores, o caminho não é a loucura, tampouco o fingir que está tudo normal, mas transformar esse sentimento de indignação, de revolta, em energia para nos motivar a mudança, de modo que realmente tragam um resultado real, duradouro e palpável.

Irmãos de Fé



2ª Semana da Quaresma - Sexta-feira 
Primeira Leitura (Gn 37,3-4.12-13a.17b-28) 
Responsório (Sl 104,16-21) 
Evangelho (Mt 21,33-43.45-46)


José foi vendido como escravo aos ismaelitas, vendido por seus próprios irmãos que pretendiam até mesmo matá-lo se fosse preciso. E nós? Como temos tratado nossos irmãos, sobretudo, nossos irmãos de Fé? Será que não estamos deixando a inveja corroer as relações intraeclesiais, criando nossa própria “igrejinha” dentro da Igreja, nossa panelinha de seletos? Não estamos vendendo nossos irmãos como escravos com nossas opções políticas e adesões ideológicas? Penso, sobretudo, no apoio irrestrito que dão certos católicos, contaminados pela pérfida ideologia neodireista, ao moderno Israel Sionista; esse mesmo Israel que vem oprimindo os cristãos com impostos abusivos que acabaram por promover o fechamento da Igreja do Santo Sepulcro. Israel esse que a muito deixará se ser o povo eleito, pois, como lemos no Evangelho, o Reino de Deus lhes foi tirado, e entregue a um povo que produz frutos, este povo é a Igreja; a Igreja Católica e não o Israel Sionista é hoje o povo de Deus

Imitemos, não os filhos de Israel, que venderam a José seu irmão como escravo, mas antes os monges mercedários, ordem esta fundada por São Pedro Nolasco, para o resgate dos cristãos cativos. Rezemos por nossos irmãos perseguidos em Israel, no Oriente Médio, na China, na Coreia do Norte, e em tantos outros lugares onde os tiranos oprimem e escravizam nossos irmãos. 

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P.S. Acabo de receber informações, que graças a pressão internacional e aos protestos dos patriarcas do Santo Sepulcro, Israel suspendeu suas medidas tiranas contra as igrejas cristãs. 

Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!

quinta-feira, 1 de março de 2018

O Juízo Pós-Morte


2ª Semana da Quaresma - Quinta-feira 
Primeira Leitura (Jr 17,5-10) 
Responsório (Sl 1) 
Evangelho (Lc 16,19-31) 

Na primeira leitura, o profeta Jeremias nos propõe a imagem de duas árvore: uma plantada junto ás águas, que a seu tempo dá frutos abundantes; a outra, habitando sob o solo desértico, que murcha e seca. No salmo, continuamos a cantar o contraste entre os caminhos daqueles que temem o Senhor, e dos que andam sobre os conselhos dos perversos. Todavia, parece que não é sempre assim. Ao observarmos nossa realidade, vemos que tantas vezes pessoas boas sofrem, vivendo de migalhas, enquanto os maus parecem prosperar. Fechados da imanência, neste mundo que passa, realmente parece um mistério incompreensível.  É esta a confusão de que padecem as teologias ditas da libertação e da prosperidade, ficam apenas neste mundo que passa. A liturgia, porém, continua e no santo Evangelho nos é apresentada a história de Lázaro e do rico epulão. Com a morte é feita a justiça, Lázaro vai para o seio de Abraão, enquanto o rico padece a secura do inferno. 

Pensemos nisso, na realidade do juízo. Lembremo-nos que a justiça não é feita apenas neste mundo, e andemos nos caminhos do Senhor. Escutemos Moisés, os Profetas, e Aquele que Ressuscitou. 

Por agora, ainda é tempo de conversão, após a morte, porém...