segunda-feira, 30 de abril de 2018

''Não a nós, ó Senhor, não a nós, ao vosso nome, porém, seja a glória''


5ª Semana da Páscoa - Segunda-feira
Primeira Leitura (At 14,5-18)
Responsório (Sl 113b)
Evangelho (Jo 14,21-26)

Diante dos estrondosos milagres operados por Paulo e Barnabé, os pagãos de Listra pensaram ser eles deuses, Zeus e Hermes, e passaram a adorá-los e oferecer-lhes sacrifícios. Os santos apóstolos, indignados repreenderam os pagãos. As palavras do salmista parecem ecoar o espírito de humildade de Paulo e Barnabé: "— Não a nós, ó Senhor, não a nós, ao vosso nome, porém, seja a glória". Infelizmente, nesta era apóstata, a atitude que se vê é justamente o oposto: ao invés do escândalo e da violenta rejeição da adoração, antes querem mesmo os homens ser tidos como deuses. Querem o culto, a suprema obediência, querem que os outros sejam escravos de suas vaidades. Muitas vezes, essa atitude entra mesmo dentro da Igreja, quanta gente, não conhece o leitor, que usa do nome de Deus para glorificar-se a si mesmo? 

Examinemos nossas atitudes, nossas idolatrias, talvez estejamos a deificar um artista famoso, ou quem sabe um escritor, um sábio, um intelectual? Ou ainda mais grave, estamos alimentando em torno de nós mesmos atitudes idolátricas, querendo a fama e a admiração do mundo? Imploremos a Deus o dom da humildade, o dom de morrer para o mundo. Cantemos com o salmista, fazendo está a nossa sincera oração: ''— Não a nós, ó Senhor, não a nós, ao vosso nome, porém, seja a glória''

quinta-feira, 26 de abril de 2018

Gaudete et Exsultate (I): "Cada um por seu caminho"

Que deve fazer o homem? A que ele é chamado a realizar nesta terra? Para a lógica capitalista, o “sucesso” se resume a um misto de prosperidade financeira e boa fama. A isto se dedicam milhões de indivíduos, à perseguir esta quimera e a ela dedicar todas as suas forças. Alguns, me refiro sobretudo aos protestantes e sua Teologia de Mamon, ou Teologia da Prosperidade, chegam mesmo a instrumentalizar a religião com tais fins, transformando as verdades eternas numa espécie de coaching espiritual. Em sua nova exortação apostólica, Gaudete et Exsultate, o Papa Francisco recorda-nos que: <[...] O Senhor pede tudo e, em troca oferece a vida verdadeira, a felicidade para a qual fomos criados. Quer-nos e espera que não nos resignemos com uma vida medíocre, superficial e indecisa. [...] (§1)>; é para a santidade que somos chamados, santos, filhos de Deus, e não este simulacro de homem: o “winner” capitalista. Escutemos e meditemos; meditemos profundamente sobre isso. Tenho eu organizado e ordenado minha vida em busca da santidade, ou antes busco os bens do mundo, vivo segundo a lógica dos pagãos? Estou de fato me esforçando radicalmente em vistas a este fim sublime? 

O Papa ainda recorda que a santidade é ao mesmo tempo um chamado universal e uma busca profundamente pessoal: 
10. Tudo isto é importante. Mas, o que quero recordar com esta Exortação é sobretudo a chamada à santidade que o Senhor faz a cada um de nós, a chamada que dirige também a ti: «sede santos, porque Eu sou santo» (Lv 11, 45; cf. 1 Ped 1, 16). O Concílio Vaticano II salientou vigorosamente: «munidos de tantos e tão grandes meios de salvação, todos os fiéis, seja qual for a sua condição ou estado, são chamados pelo Senhor à perfeição do Pai, cada um por seu caminho».

11. «Cada um por seu caminho», diz o Concílio. Por isso, uma pessoa não deve desanimar, quando contempla modelos de santidade que lhe parecem inatingíveis. Há testemunhos que são úteis para nos estimular e motivar, mas não para procurarmos copiá-los, porque isso poderia até afastar-nos do caminho, único e específico, que o Senhor predispôs para nós. Importante é que cada crente discirna o seu próprio caminho e traga à luz o melhor de si mesmo, quanto Deus colocou nele de muito pessoal (cf. 1 Cor 12, 7), e não se esgote procurando imitar algo que não foi pensado para ele. Todos estamos chamados a ser testemunhas, mas há muitas formas existenciais de testemunho. De facto, quando o grande místico São João da Cruz escrevera o seu Cântico Espiritual, preferia evitar regras fixas para todos, explicando que os seus versos estavam escritos para que cada um os aproveitasse «a seu modo». Pois a vida divina comunica-se «a uns duma maneira e a outros doutra».
"Cada um por seu caminho", não é empolgante? Saber que cada um de nós têm uma missão nessa terra, algo único e irrepetível, e ao nosso modo particularíssimo devemos alcançar a santidade? Olhemos para a historia da Igreja, houve santos das mais diversas condições: homens e mulheres; leigos, padres e religiosos; soldados, pais de família, professores, médicos, estudantes; adultos, velhos e crianças; reis e mendigos; etc. 

A respeito da particularidade deste caminho, gostaria de citar um poema de meu amigo Victor Barbuy
O ENGENHEIRO



Ontem, numa alameda
Da minha Cidade Interior,
Cruzei com aquele que eu deveria ter sido.
Com o grande Engenheiro que deveria ter sido,
Com o rico, cotidiano, respeitável,
Casado, tributável,
Normal e saudável
Engenheiro que deveria ter sido,
Se tudo em mim não tivesse dado errado,
Se eu não houvesse falhado
Em tudo aquilo que falhei ser.

Segui o Engenheiro até sua ampla,
Bela e confortável residência,
Em cujos jardins brincavam, contentes,
Os seus filhos,
E constatei que o Engenheiro havia realizado
Todos os seus sonhos,
Todos os sonhos que eu também tive um dia
E que jamais pude ver realizados.

E então, cheio de saudades do futuro,
Do brilhante futuro que jamais tive
E jamais poderia ter tido,
Afastei-me, com um melancólico sorriso,
Da morada daquele que deveria ter sido,
Daquele que aprendeu toda a Matemática
Enquanto eu lia romances, novelas e poemas,
Daquele que estudou Engenharia
Enquanto eu fingia estudar Direito
E que ora constrói torres de concreto e aço
Enquanto eu, em minha torre de marfim,
Construo sonhos irrealizáveis
E versos sem importância.

Ontem, numa alameda
Da minha Cidade Interior,
Cruzei com aquele que eu deveria ter sido,
Com o grande Engenheiro que deveria ter sido..."
Escutamos no poeta um contraste, vemos na figura do engenheiro as expectativas do mundo, um homem rico e bem sucedido, e na figura do poeta o sonho. Deveria o poeta ter abandonado os versos, para dedicar-se ao concreto e ao aço? O mundo, a lógica do dinheiro diria que sim, mas se a poesia for o íntimo de seu ser, se for na escrita a manifestação da vocação deste homem, não vale a pena a pobreza e suportando o desprezo do mundo? Se os caminhos da santidade para o eu lírico estiverem entrecruzados no caminho dos versos, não deveria pois angustiar-se, mas antes exultar por sua escolha. 

Chamados a santidade, cada um segundo seu caminho...Que Deus nos ajude a discernir nosso caminho,e com persistência seguir em frente nesta grande aventura que é a vida na Fé.

sábado, 21 de abril de 2018

Ritmos Temporais: O Kairós na Tradição e o Monótono Moderno

Admitamos com franqueza: o homem moderno é trouxa; foi embobecido pela mentalidade industrial de tudo simplificar, perdeu a capacidade mental de distinguir, o mínimo senso. O homem antigo sabia, por exemplo, que haviam ocasiões especiais que exigiam uma linguagem especial, uma roupa especial, uma comida especial. Minha avó tinha isso bem claro, havia um cardápio requintado preparado apenas durante o Natal; partes da casa que ficavam trancadas e só eram abertas para receber em visitas parentes distantes; havia até mesmo uma prataria específica para os dias santos. Com quem aprendeu ela sobre isso? Com seus antepassados; e eles onde aprenderam? Na Igreja observando a Sagrada Liturgia, e na roça, contemplando o kairós da criação. 

Longe da roça e afastado da Igreja, o homem perdeu o senso do tempo. O tempo antes variado, rico, multitonal, virou uniforme, cinza, monótono. A internet acabou por fechar a cova. Não que a TV fosse boa, mas nesta transição do moderno para o pós-moderno ela esforçava-se por preencher o espaço vazio e ditar os ritmos, por exemplo: a programação natalina costumava ser diferente, especial. Hoje, pleno Abril posso ir no Youtube assistir aqueles filmes de Papai Noel e depois colocar marchinhas de carnaval ou assistir desenho infantil da década passada.  Essa falta de senso qualitativo do tempo tornar-nos um tanto mais idiotas, criando problemas pessoais e sociais que nossos antepassados jamais experimentaram.  Já ouviu falar, antigamente, de velhas que queriam se comportar como adolescentezinhas? Antes a  consciência das estações da vida e da própria identidade eram claras; hoje, o que têm te tiazona de filho crescido indo pra baladinha... 

O ritmo do mundo antigo era eco da liturgia da criação em relação íntima relação com a liturgia da Igreja (pensemos na prática do Jejum das Quatro Têmporas). O ritmo da modernidade é o da indústria, das cosmópoles que nunca dormem, das rodovias, e monoculturas; é o que a física chama de processos monotônicos. Mas esse tipo de processo só existe enquanto abstração, na vida real, ele sempre termina explodindo algo.  Consegue escutar o apito da máquina, observar subir das fumaça? Logo vem o ca-bum...

segunda-feira, 16 de abril de 2018

''Não podiam, porém, resistir à sabedoria e ao Espírito que o inspirava''


3ª Semana da Páscoa - Segunda-feira
Primeira Leitura (At 6,8-15)
Responsório (Sl 118,23-30)
Evangelho (Jo 6,22-29)

1. Conta-nos hoje o livro dos Atos dos Apóstolos a respeito das disputas intelectuais entre os chefes da sinagoga, chamada dos Libertos, e Santo Estevão; diz a Escritura que: <Não podiam, porém, resistir à sabedoria e ao Espírito que o inspirava. (At 6,10)>; assim acontece com todo aquele que anda nos caminhos do Senhor: o Espírito de Sabedoria inspira-lhe o coração de modo que até o mais humilde e simples fiel torna-se capaz de enfrentar os sábios do mundo.

Nos últimos dias, por exemplo, estou eu a estudar a Quarta Teoria Política de Aleksandr Dugin. Apesar de seus muitos méritos e acertos, o professor russo comete erros grotescos, exemplo, afirma que não existe um padrão universal segundo o qual se possa julgar todas as culturas e sociedades. Existe sim: a lei natural, os dez mandamentos e o santo Evangelho. Esses intelectuais ficam a vida inteira militando, estudando, elaborando elucubrações políticas para serem feitos de bobo por qualquer um que tenha recebido uma boa catequese. Não há orgulho gnóstico que suporte rsrs. Tornarei a comentar tais erros duginistas em outra ocasião. 

2. No Santo Evangelho exorta-nos Jesus: <Trabalhai, não pela comida que perece, mas pela que dura até a vida eterna, que o Filho do Homem vos dará. Pois nela Deus Pai imprimiu o seu sinal. (Jo 6, 25)>; trabalhar, o reino dos céus exige trabalho exige esforço, exige uma resposta de nossa parte a graça divina. Esforcemo-nos por entrar na porta estreita, por configurar nossa vida ao Evangelho, pois os tíbios, os preguiçosos, em linguagem moderna “os vagabundos”, não entraram no reino dos céus. 

domingo, 15 de abril de 2018

Teologia da História em "Um Cântico para Leibiowitz"

Walter M. Miller Jr. toma liberdades que beiram a blasfêmia, ao mesmo tempo em que consegue expressar de forma clara e concreta uma teologia da história em sua fantasia sci-fi ''Um Cântico para Leibiowitz''. 

Qual o sentido da história para Miller? A eterna repetição do primevo pecado de Adão. Nascem e morrem as civilizações, as areias do tempo levam consigo a memória do nome dos sábios, esquecidos tal qual os tolos e néscios. Como Ozymandias de Shelley, ridícula é a sorte dos tiranos. O imortal tudo contempla e pouco entende, pois pouca valia têm o tempo sem a graça da Fé. E como figura da Igreja, lá permanece a abadia de São Leibiowitz, habitada por tão diferentes e curiosos homens, alguns veneráveis santos, outros apenas homens, tão humanamente homens. 

Primeiras, segundas, terceiras, quartas teorias políticas, povos, raças, classes e nações; efêmeras ilusões reduzidas ao ridículo diante da lucidez de um suicida[1]. O provocador sorriso estampado na imagem do mártir, o sorriso de São Leibiowitz nesta bizonha ficção, é pois a mais piedosa e clara resposta ao paradigma moderno. 

Quem sabe não encontre o leitor, nos fragmentos da Memorabilia, o senso do ridículo, que torna-nos capazes de rir, rir de nós mesmos e das tolas pretensões da cidade do homem, rir com a mesma naturalidade expressa na imagem do fundador da ordem albertiniana.

[1] Miller suicidou-se, com tiro de revólver, em 11 de janeiro de 1996, em Daytona Beach, Flórida, poucos dias antes de completar 73 anos.

sábado, 14 de abril de 2018

Precisamos de uma rede de instituições católicas atuando em diversos fronts!

Donald Trump foi eleito prometendo acabar com o financiamento a indústria abortista e, o abandonar a guerra na Síria. Prometeu ''drenar o pântano"; o Estado oculto, os lobbies e sociedades secretas. Não apenas fraquejou, como foi absorvido imerso neste mesmo pântano tornando-se uma marionete.


Do outro lado do mundo, na Rússia, Dugin comenta das dificuldades de Vladimir Putin em adotar de modo mais agressivo e ostensivo o projeto eurasiano
Putin quiere dar al conservadurismo cierta coherencia y resiliencia política. Este movimiento es perceptiblemente ralentizado debido a la falta de voluntad y a la actitud pasiva de los funcionarios del Estado, los partidos centristas y, posiblemente, incluso de las masas; la política es frenada por un séquito que embota su vector. No hay un foco intelectualmente concentrado, no hay instituciones adecuadas, y no hay instrumentos políticos capaces de llevarlo a cabo. Esta es la razón por la que muchos de los discursos de Putin son pasivamente conservadores, sugiriendo solamente satisfacer y preservar el statu quo. Esta es la contradicción principal de Putin y su gobierno: subjetivamente Putin comprende y reconoce la necesidad de medidas conservadoras activas para sacar al país del estancamiento, pero no puede aplicar correctamente dichas medidas. Hay un sabotaje pasivo permanente de las iniciativas de Putin por parte de miembros del entorno presidencial más cercano. [1]
Em Roma, um pântano semelhante freava as ações de Bento XVI, e conspiraram para sua renúncia. 

Olhem para esses episódios e raciocinem! Mesmo que se conquiste o cargo de poder visível, mesmo que se coloque o ''nosso homem'' no poder, na "cadeirinha alta"; o jogo não acaba aí. Se não houver instituições para lhe dar suporte, se não houver um caldo cultural preparado, ele será ora limitado ora absorvido pelo pântano. 

''Precisamos de pessoas!" dizem os imediatistas afobados. Não basta! - respondo eu. Precisamos que estas pessoas tenham ideias corretas, e encarnem estas em grupos e instituições. Precisamos de uma rede de instituições católicas atuando em diversos fronts!

Rezemos e trabalhemos por isso.

quarta-feira, 11 de abril de 2018

Política e Religião (II)


2ª Semana da Páscoa - Quarta-feira
Primeira Leitura (At 5,17-26) 
Responsório (Sl 33) 
Evangelho (Jo 3,16-21)

Na primeira leitura vimos como o anjo do Senhor libertou apóstolos de cárcere; impressionante e ao mesmo tempo perturbador. Ora, com tamanho poder a disposição, com as milícias celestes em seu auxílio, porque aqueles homens não tomaram o poder no Antigo Império? Quão poderosas e assustadoras não seriam as milícias celestes em batalha? Mas os planos de Deus são diferentes dos devaneios dos homens. <“Ide, apresentai-vos no templo e pregai ao povo as palavras desta vida”. Obedecendo a essa ordem, eles entraram no templo ao amanhecer e puseram-se a ensinar (At 5, 20-21)>; entraram eles no templo (no templo e não no parlamento!) e puseram-se a ensinar, ensinar o que? Ensinar religião! A salvação vem pela Fé, pela Doutrina, pela Religião, não pela Política! Foi para dar testemunho de Cristo, e não para estabelecer utopias terrenas, que os apóstolos foram libertados.

Peçamos a Deus a graça para compreendermos tão grandioso mistério, e rezemos pela conversão dos pobres pecadores.

terça-feira, 10 de abril de 2018

"És doutor em Israel e ignoras estas coisas!..."


2ª Semana da Páscoa - Terça-feira
Primeira Leitura (At 4,32-37)
Responsório (Sl 92)
Evangelho (Jo 3,7b-15)

<Disse Jesus: “És doutor em Israel e ignoras estas coisas!...” (Jo 3, 10) >; a frase fora dirigida a Nicodemos, por ocasião do momento em que Cristo lhe explicava a realidade do Batismo, mas parece ressoar tão viva ainda hoje. Não sou doutor, nem aqui, muito menos em Israel, todavia quanta coisa ignoro, como por exemplo a “inteligencia social” de nossos irmãos da igreja primitiva. Diz a Escritura que: <A multidão dos fiéis era um só coração e uma só alma. Ninguém dizia que eram suas as coisas que possuí, mas tudo entre eles era comum (At 4, 34)>; um só corpo e uma só alma, quão grande é o abismo entre o tempo de outrora e o de hoje? O quanto nossos pecados nos afastam de nossos irmãos de Fé? Quantas vezes somos tentados a viver uma fé individualista, ignorando o próximo, a vida paroquial, e por vezes até nossos familiares? Não apenas isso, mas ainda: “ninguém dizia que eram suas as coisas que possuía”; quão diferente, não? Quão egoístas temos sido, não apenas com nossos bens materiais, mas também com os talentos espirituais que recebemos? Se alguém recebe o dom para cantar, deve ser exercido para o bem da comunidade, se alguém recebe o bem do estudo, deve fazê-lo para o bem da comunidade; temos feito isso? Temos considerado estas coisas como uso comum da Igreja? Ou estamos nós tão adoentados pela maldita ideologia liberal capetalista? No dia de hoje, pensemos em nosso relacionamento paroquial e comunitário. 

quarta-feira, 4 de abril de 2018

Santo Isidoro de Sevilha: Padroeiro da Internet

Hoje, 04 de abril, a Igreja celebra a memória de Santo Isidoro de Sevilha, Santo e Doutor da Igreja. 

Isidoro de Sevilha (560 - 636) arcebispo, teólogo, filósofo, matemático e cientista espanhol, foi proclamado doutor da Igreja em 1722; entre suas numerosas e frutuosas obras destaca-se a "Etymologiae" um compilado de informações que seria a primeira enciclopédia da cultura ocidental. Preocupado com o amadurecimento cultural e moral do clero espanhol, formou-a em 20 volumes, contendo os conhecimentos da época sobre artes, biologia, anatomia, matemática, geologia, astronomia, filosofia, agricultura, entre outros. Por mil anos, foi considerada detentora de todo o conhecimento humano

Este trabalho minucioso, no entendimento da Igreja representa a imagem que temos hoje da internet, uma junção de conhecimentos, uma gigantesca biblioteca; portanto fora declarado pelo Papa São João Paulo II como o padroeiro da internet. 

Existe, inclusive, uma popular oração de autoria do Frei J.T. Zuhlsdorf, a Santo Isidoro indicada para antes do enfunar as velas e dar início à navegação da Internet: 
Oração para Antes da Ligação à Internet 

Deus Todo Poderoso, que nos criou à Vossa imagem e nos indicou o caminho do bem, do verdadeiro e do belo, especialmente na pessoa divina de Vosso Filho Unigênito, Nosso Senhor Jesus Cristo, permiti-nos que, pela intercessão de Santo Isidoro, bispo e doutor, durante nossas navegações pela Internet, dirijamos nossas mãos e nossos olhos apenas àquelas coisas que Vos sejam aprazíveis e que tratemos com caridade e paciência todas aquelas almas que encontrarmos pelo caminho. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.

Santo Isidoro, rogai por nós! 

A versão latina da oração é a seguinte: 

Orátio ante colligatiónem in rete contexto

Omnípotens aetérne Deus, qui secúndum imáginem Tuam nos plasmásti et omnia bona, vera, pulchra, praesértim in divína persóna Unigéniti Fílii Tui Dómini nostri Iesu Chrísti, quaérere iussísti, praesta quaésumus ut, per intercessiónem Sancti Isidóri, Epíscopi et Doctóris, in peregrinatiónibus per rete contéxtum, et manus oculósque ad quae Tibi sunt plácita intendámus et omnes quos convenímus cum caritáte ac patiéntia accipiámus. Per Christum Dóminum nostrum. Amen

Santo Isidoro, ora pro nobis! 

terça-feira, 3 de abril de 2018

"Eis que faço nova todas as coisas"


Oitava da Páscoa - Terça-feira
Primeira Leitura (At 2,36-41)
Responsório (Sl 32)
Evangelho (Jo 20,11-18)

No Evangelho de hoje contemplamos a aparição do Senhor a Santa Maria Madalena. Pouco nos é dito na Escritura sobre a vida pregressa de Maria, mas o quanto hoje se fantasia a respeito. Era uma prostituta, feminista, bruxa, tinha cabelos ruivos; dizem os modernos, quando não estão a repetir ladainhas gnósticas e conjecturar fantasias ainda mais blasfemas. Recentemente ouço sobre o um filme a respeito da santa que dá eco a este coro dos infernos.

O passado de Santa Maria Madalena pouco nos importa; o que sabemos é que desde a sua conversão foi uma discípula fiel, amou a Cristo não segundo as concupiscências pervertidas da carne, mas segundo a pureza da alma, foi uma contemplativa, uma mulher que após sua conversão viveu a Fé em sua radicalidade. 

E nós? Nós conversos a tanto tempo, temos sido fiel como Maria? Temos sido castos e puros como ela? Ou antes, cavucamos e fantasiarmos o seu passado para justificar nossas ignomínias presentes?

Estamos na Oitava de Páscoa, Páscoa do Senhor! Diz-nos o a Escritura: "Eis que faço nova todas as coisas" (Ap 21,5); permitamos que assim o faça em nossa vida, e na de nossos irmãos;  deixemos de dar ouvidos ao demônio que está a foucinhar, conjecturar e fantasiar a vida de outrora, a vida pregressa de antes da conversão. Basta de fofocas!