sábado, 21 de abril de 2018

Ritmos Temporais: O Kairós na Tradição e o Monótono Moderno

Admitamos com franqueza: o homem moderno é trouxa; foi embobecido pela mentalidade industrial de tudo simplificar, perdeu a capacidade mental de distinguir, o mínimo senso. O homem antigo sabia, por exemplo, que haviam ocasiões especiais que exigiam uma linguagem especial, uma roupa especial, uma comida especial. Minha avó tinha isso bem claro, havia um cardápio requintado preparado apenas durante o Natal; partes da casa que ficavam trancadas e só eram abertas para receber em visitas parentes distantes; havia até mesmo uma prataria específica para os dias santos. Com quem aprendeu ela sobre isso? Com seus antepassados; e eles onde aprenderam? Na Igreja observando a Sagrada Liturgia, e na roça, contemplando o kairós da criação. 

Longe da roça e afastado da Igreja, o homem perdeu o senso do tempo. O tempo antes variado, rico, multitonal, virou uniforme, cinza, monótono. A internet acabou por fechar a cova. Não que a TV fosse boa, mas nesta transição do moderno para o pós-moderno ela esforçava-se por preencher o espaço vazio e ditar os ritmos, por exemplo: a programação natalina costumava ser diferente, especial. Hoje, pleno Abril posso ir no Youtube assistir aqueles filmes de Papai Noel e depois colocar marchinhas de carnaval ou assistir desenho infantil da década passada.  Essa falta de senso qualitativo do tempo tornar-nos um tanto mais idiotas, criando problemas pessoais e sociais que nossos antepassados jamais experimentaram.  Já ouviu falar, antigamente, de velhas que queriam se comportar como adolescentezinhas? Antes a  consciência das estações da vida e da própria identidade eram claras; hoje, o que têm te tiazona de filho crescido indo pra baladinha... 

O ritmo do mundo antigo era eco da liturgia da criação em relação íntima relação com a liturgia da Igreja (pensemos na prática do Jejum das Quatro Têmporas). O ritmo da modernidade é o da indústria, das cosmópoles que nunca dormem, das rodovias, e monoculturas; é o que a física chama de processos monotônicos. Mas esse tipo de processo só existe enquanto abstração, na vida real, ele sempre termina explodindo algo.  Consegue escutar o apito da máquina, observar subir das fumaça? Logo vem o ca-bum...

Nenhum comentário:

Postar um comentário