segunda-feira, 14 de maio de 2018

Devaneios Católico-Futuristas

Convido o leitor a um exercício imaginário: esqueçamos, pois, o presente com seus problemas e vicissitudes e vislumbremos o futuro, uma fantasia futurista, pensando o papel que a Igreja poderia ocupar neste mundo do amanhã. 

Imaginemos que a tecnologia espacial seja tamanha que permita aos homens colonizar outros planetas, e que nesta jornada nenhuma outra raça vivente fosse encontrada. A fim de habitar os limites do cosmos, a tolice neomalthusiana deveria ser prontamente abandonada, e a doutrina eclesial das famílias numerosas acolhida pelo Estado.

Numerosas expedições para ocupar Marte, Vênus, Netuno, quem sabe até o longínquo Plutão? Pensemos na dinamicidade dessa economia galáctica, em quanto emprego e mão de obra serão criados inicialmente na confecção e manutenção da infraestrutura espacial. Imaginemos os sacerdotes de Cristo, pastores da Igreja, acompanhando os homens nesta viagem, nesta aventura. Missionários mandados a lua de Titã, igrejas nos Anéis de Saturno, quem sabe não teríamos Patriarcados Planetários? Liturgias próprias desenvolvidas segundo as características culturais gestadas em cada novo mundo, que tal a liturgia Greco-Uraniana, Latino-Marciana? Os confins do universo, em suas diversas línguas professando a mesma Fé Católica, ecoando cânticos em latim pelo cosmos. E que experiência sublime seria o conclave, onde cardeais vindos das mais longínquas terras se uniriam em Roma para a escolha do Pastor Universal. É certo que surgiriam também problemas: seitas, heresias, e até mesmo, talvez, cismas planetários. Mas que outra religião estaria mais preparada para está realidade cósmica, que não a Santa Igreja Católica? Protestantes que mal conseguem uma unidade municipal acaso seriam capazes de manter uma rede transplanetária? Talvez poderíamos, é verdade, ter problemas com o Islã, Sultões Espaciais, e Ciberterroristas, assustador, mas, sem dúvida, intrigante. Não só o terrorismo, mas também a criminalidade ofereceria novos desafios. Como se daria a segurança no espaço interplanetário? Talvez, quem sabe, o antigo sistema de caçadores de recompensa teria de ser restabelecido. Justiceiros privados em um game universal a procura de criminosos perigosos. Quão emocionante e arriscada não deveria ser a vida destes personagens, ou mesmo de profissões mais simples e cotidianas como um caminhoneiro, pensemos num “carga pesada” espacial. 

E a política? Teríamos unidades planetárias, ou antes, colônias nacionais em cada planeta? Talvez províncias russas e protetorados franceses rivalizando em Saturno? A democracia seria mantida ou a nova realidade demandaria um governo mais centralizado e estável, quem sabe um renascer das dinastias imperiais? 

E a saúde? Quanto não se demandaria da medicina a fim de socorrer e responder as injúrias alienígenas? Virus mutacionados em Mercúrio, respostas do corpo humano aos diversos climas, atmosferas e luminosidades. 

Tantos perigos e, ao mesmo tempo, tantas possibilidades. Uma aventura no mais puro sentido do termo. Será que a história dos filhos de Adão chegará a tanto? Deus permitirá ao homem colonizar o universo, espalhar-se pela galáxia, ou o fim dos tempos virá muito antes?

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