sábado, 26 de maio de 2018

Especulações Futuristas e a Greve dos Caminhoneiros

A greve dos caminhoneiros já começa a complicar a vida do cidadão comum: faltam combustíveis e insumos, criadores registram perdas de produção, os correios estão paralisados, transportes públicos comprometidos, as prateleiras dos supermercados começam a esvaziar-se, isso reflete nos preços dos produtos: o quilo batata, por exemplo, está 221% mais caro!

O meu objetivo aqui não é avaliar a licitude desta greve ou locaute, mas acima de tudo o modo como ela aponta para a fragilidade de nosso sistema, um sistema baseado nos transportes rodoviários e em combustíveis derivados de petróleo, o mundo do just in time e do abismo entre o centro de produção e o de consumo, se uma perspectiva um tanto quanto mais futurista fosse aplicada nesta Terra de Santa Cruz, os impacto de tal crise sobre o cidadão comum seria mínimo.

Pensemos na matriz de transporte, se as estradas de ferro rasgassem o país como outrora, ligando a Amazônia aos Pampas, ferrovias a escoar a produção; não apenas, pensemos nos correios, no setor de entregas movido não a quatro ou duas rodas, mas pelas hélices dos drones; pensemos também em nossas cidades, ciclovias fornecendo uma alternativa urbana ao monopólio dos veículos automotivos. Olhemos para os próprios veículos, com um olhar um tanto mais além, para as fontes de energia e combustível, imaginemos se o motorista tivesse a sua disposição, além do petróleo, outras fontes alternativas, não falo apenas dos biocombustíveis como o Etanol, mas de carros elétricos, da luz solar! E a produção? Porque raios ela deve ficar uma distância quilométrica dos setores de consumo? Porque não incentivar a produção agrícola dentro do espaço citadino? A agricultura urbana poderia dar-nos estrutura para lidar com crises no abastecimento e transporte, pensemos não somente na arvorezinha do quintal, mas em hortas públicas e comunitárias, criando laços socais, empregando a juventude, restabelecendo o verde na terra do asfalto. Não apenas a produção vegetal, mas também seria possível integrar no espaço urbano a criação de animais de pequeno porte, peixes e lebres, mesmo algumas aves.

Utópico? Talvez, mas veja onde o pragmatismo está nos levando, como tornou-nos frágeis, como basta uma greve para pôr em risco o estilo de vida de toda uma nação; precisamos ter a coragem de vislumbrar o futuro, as possibilidades do amanhã, ainda mais quando lá está a solução para os problemas do hoje.

Nenhum comentário:

Postar um comentário