sexta-feira, 11 de maio de 2018

Veganismo Católico?


Hoje é sexta-feira, para nós católicos é tempo de abstinência de carne, prática penitencial que tem em vista recorda-nos dos derradeiros sofrimentos de Nosso Senhor Jesus Cristo na Cruz, bem como contribuir para um melhor autodomínio sobre nossos instintos. Têm essa prática algo a ver com o Veganismo? Aliás a Igreja e a Escritura dizem algo a respeito desta moderna prática? Vejamos… 

Veganismo, vegetarianismo e outros -ismos; são uma espécie de etiqueta alimentar moderna que tem em vista abolir o consumo de carnes e produtos de origem animal, a fim de minimizar as formas de exploração e de crueldade contra animais. 

A atenção para com os direitos dos animais é uma preocupação meritória, desde que temperada e ordenada pela virtude da prudência, o próprio Catecismo da Igreja Católica nos ensina: 
§2415 O sétimo mandamento manda respeitar a integridade da criação. Os animais, como as plantas e os seres inanimados, estão naturalmente destinados ao bem comum da humanidade passada, presente e futura . O uso dos recursos minerais. vegetais e animais do universo não pode ser separado do respeito pelas exigências morais. O domínio dado pelo Criador ao homem sobre os seres inanimados e os seres vivos não é absoluto; é medido por meio da preocupação pela qualidade de vida do próximo, inclusive das gerações futuras; exige um respeito religioso pela integridade da criação .

§2416 Os animais são criaturas de Deus, que os envolve com sua solicitude providencial. Por sua simples existência, eles o bendizem e lhe dão glória . Também os homens lhes devem carinho. Lembremos com que delicadeza os santos, como S. Francisco de Assis ou S. Filipe de Neri, tratavam os animais. 
E bem sabemos que existem abusos e problemas na indústria alimentar. O jornalista Michel Pollan documenta bem isso em sua obra "O Dilema do Onívoro". 

Dito isto, porém, é necessário lembrar-se que existe uma hierarquia na Criação, sendo o homem a obra prima criada a imagem e semelhança de Deus; e uma única alma humana mais valiosa que milhões de espécies animais. Além disso, este mesmo homem por sua superior dignidade, pode dispor-se das espécies para seu usufruto: 
2417. Deus confiou os animais ao governo daquele que foi criado à Sua imagem (159). É, portanto, legítimo servimo-nos dos animais para a alimentação e para a confecção do vestuário. Podemos domesticá-los para que sirvam o homem nos seus trabalhos e lazeres. As experiências médicas e científicas em animais são práticas moralmente admissíveis desde que não ultrapassem os limites do razoável e contribuam para curar ou poupar vidas humanas. 

2418. É contrário à dignidade humana fazer sofrer inutilmente os animais e dispor indiscriminadamente das suas vidas. É igualmente indigno gastar com eles somas que deveriam, prioritariamente, aliviar a miséria dos homens. Pode-se amar os animais, mas não deveria desviar-se para eles o afecto só devido às pessoas. 

E a Bíblia? Segundo o livro do Gênesis (Gn 1, 29) a dieta do homem primevo era constituída unicamente de vegetais, sendo o consumo de carne uma concessão pós-diluviana (Gn 9, 3). A ordem dos monges Cartuxos, adota essa dieta primeva ainda hoje como forma de penitência e ascese. Mas é uma prática opcional, e não lei para todos os fiéis, uma vez toda e qualquer restrição alimentar (mesmo as antigas distinções judaicas entre animais puros e impuros) foram abolidas na Nova Aliança (At 10, 9-16). Nosso Senhor Jesus Cristo em sua vida terrena alimentou-se de animais, a escritura nos fala ao menos de peixes (Lc 24, 42-43) e do tradicional cordeiro consumido na páscoa judaica (Lc 22, 8-15). 

Em resumo, a Igreja não impõe a nenhum homem a abstinência perpétua, tampouco o consumo obrigatório de carne animal, cabe a cada um julgar por si. Um católico pode ser vegano ou vegetariano? Sim, desde que tenha em vista a superioridade do homem sobre os demais seres da Criação, e respeite a opção “carnívora” dos demais, não impondo seus caprichos pessoais como norma de conduta universal

3 comentários:

  1. O texto estava ótimo até o "caprichos pessoais". Que pena.

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  2. Ótimo texto, gostaria de fazer alguns acréscimos sem me desviar da idéia central, sou vegetariano há 7 anos, adepto ao catolicismo como mais que uma religião, mas um motivo de existir. Crente nessa fé, eu optei por me abster de carne, tendo em vista o sofrimento proporcionado aos animais, em tempos e circunstâncias que, para mim, não é mais necessário matar para viver! Não prego isso como doutrina, mas acredito que é muito importante que homens se coloquem no lugar de animais (no sentido empático, não ignorando que somos superiores a eles) para que saibamos amar a vida tal como ela é! É compreensível pessoas pobres, em situação de miséria e tendo como única opção comer apenas carne, que o façam, mas pessoas que comem filé num churrasco para se deliciarem, e quando vêem algum vegetariano/vegano dizem que não conseguem viver sem carne. Esses mesmos dizem que cristãos não adotam a essas coisas (veganismo), mas seus motivos são hedonistas, não são inspirados na Vontade de Deus, mas sim em seus prazeres! Dito isso, respeito seu direito de comer carne, peço que respeite o meu de não comer, ademais, deixo em aberto o convite a reflexão!

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