terça-feira, 24 de julho de 2018

''Dar o melhor de si'': Uma visão cristã sobre o desporto

São Pio X foi, na era recente, o Papa que deu início a um forte diálogo com o mundo do desporto[1]. Em 1904, o Papa abriu as portas do Vaticano para acolher um espetáculo juvenil de ginástica. Ante a perplexidade de um sacerdote da Cúria daquele tempo, que interrogava: – «Onde é que nós vamos parar?» –, de bom humor teria respondido o Papa: «Ao Paraíso, meu caro!»

O Esporte é uma realidade humana bela, de importância civilizacional profunda. Além de seu potencial educativo, dos benefícios a saúde, do justo recreio (já presente na Teologia de Santo Tomás), e da manifestação da beleza, e seu potencial de integração e socialização, creio, recorrendo a Mishima, que o desporto é um dos últimos refúgios do homem de ação. Em um mundo burguês e pacifista, é no desporto, neste ''círculo mágico'' um lugar privilegiado onde o homem pode expressar sua agressividade natural, sua competitividade, e testar seu corpo até os limite. 

A vida desportiva é, também, uma importante metáfora da vida moral. Nas competições as regras são claras e objetivas, e as consequências advindas da quebra das regras penosa para os atletas. Não há espaço do ''para mim isso não foi errado''; é um juiz exterior que pronuncia sentenças irrevogáveis com imparcialidade e justiça (ao menos idealmente), as quais o atleta não pode interferir.  Nossa vida também é assim: existem regras morais claras e objetivas (os mandamentos) cuja quebra leva a consequências no tempo e na eternidade; existe um juiz onisciente que não pode ser influenciado em seu julgamento por nossa oratória ou poder humano algum. 

Há, todavia, em alguns membros da Igreja certa mentalidade de velhas rancorosas, que acham o esporte inútil, ou bárbaro. Esse pensamento nunca foi a doutrina da Igreja. Aliás outro erro muito comum é uma tendência puritana de separar esportes profanos, dos esportes cristãos, nobres. O novo documento sobre o tema reafirma: não existe um esporte cristão. Mas uma visão cristã do desporto. Tais palavras deixam uma incrível liberdade as atletas, e a evolução das disciplinas desportivas, ao invés de ''canonizar'' um modelo fixo da disciplina corporal. 

O novo documento ainda contempla a realidade do desporto não apenas como passatempo, mas também como vocação. Para alguns homens e mulheres, existe de fato um "a vocação ao desporto", e uma "espiritualidade desportiva".

''Dar o melhor de si'', é de uma profunda sabedoria, e um tesouro a ser lido e refletido por todo o desportista cristão.
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[1] Desporto ou Esporte? - Desporto vêm do latim. Esporte vêm da adaptação inglesa (sport) da palavra latina. Apesar de o segundo termo ser mais popular, o primeiro está mais próximo das raízes latinas de nossa língua.

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