quarta-feira, 22 de agosto de 2018

O anticatolicismo EDGY de Hellsing


Edgy é um termo um tanto pejorativo usado na crítica para definir aquelas obras que tentam ser “adultas” e explorar o sombrio, o depressivo, o horrendo, mas ao final de modo involuntário acabam no cômico; é o caso de obras como Tokyo Ghoul, Elfen Lied. Mas, o edgy não fica restrito apenas ao terreno da animação, a moda dos headbanders, onde juvenis procuram ”chocar a sociedade” com um visual trevoso (cabelos longos, roupas pretas, maquiagem forte, etc) mas terminam no ridículo, é um exemplo típico. Hellsing é basicamente a mesma coisa. 

O anime tem estilo, e isso ninguém pode negar: o jogo de cores, a trilha sonora, a referência simbólica apelativa....Mas, é na psicologia das personagens que a obra arranca o humor involuntário; heróis, vilões, protagonistas, coadjuvantes e figurantes, são todos ecos de uma mesma personalidade insana e assassina. É um mundo de monstros, de modo que expectador não consegue conectar-se com os personagens, tomá-los a sério, ou sentir qualquer coisa ante os dramas e mortes na trama. A violência gráfica e simbólica é tamanha que já não choca, tal qual acontece com um medicamento usado de forma inadequada, o alvo cria resistência. Neste contexto que um católico frente a trama não tem outra reação senão boas gargalhadas ante a tentativa falha de retratar a Igreja como uma instituição perversa, fanática e monstruosa. Não atoa que o Padre Anderson, um dos vilões do anime,  tornou-se meme nas comunidades católicas de internet. 


Aí está, talvez, a grande pegadinha da obra, se tomá-la a sério como faz um adolescente juvenil, você se torna a piada tal como a trama, se porém tiver a maturidade para rir desse absurdo, capaz de se divertir. 

***

Deixemos o anime de lado, e voltemos a questão do edgy, curiosamente o estilo tem sido adotado por católicos tradicionalistas na internet como uma grande zombaria. A ideia é simples, absorver o esterótipo anti-católico, o personagem das lendas negras protestantes e, fingir tomá-lo a sério. Tal atitude causa um verdadeiro choque nos inimigos da Igreja, o qual não sabem como reagir quando seu adversário não se ofende com tais acusações, antes as absorve como fossem elogios; os caras entram em parafuso rsrs. 

O curioso é quando essa moda sai da internet, e acaba sendo assimilada pelo próprio clero, como no caso do calendário da FSSPX (Fraternidade Sacerdotal São Pio X): 



Vemos ao fundo da imagem de São Pio V um torturado da inquisição (recorte de uma velha difamatória confeccionada para alimentar a ficção negra sobre a instituição). 

Será que a brincadeira não acabou indo um pouco longe demais?

Nenhum comentário:

Postar um comentário