segunda-feira, 6 de agosto de 2018

O Mistério do Humano


Transfiguração do Senhor - Segunda-Feira
Primeira Leitura (Dn 7,9-10.13-14)
Responsório (Sl 96(97))
Evangelho (Mt 9,2-10)

Hoje, Festa da Transfiguração, contemplamos no Evangelho o momento em que Nosso Senhor Jesus Cristo mostra aos apóstolos sua natureza divina. Mistério sublime, grandioso! Mas, tão incompreensível para nós hoje, que mal compreendemos a natureza humana; escrevo olhando para mim, e quão distorcida me é a imagem do humano. Tanto poluí meu imaginário com ficção ruim que comprei a ideia do “super-homem”, de um homem com capacidades extraordinárias de domino sobre si, razão clara, fôlego infinito, físico perfeito...Não faz nem muito tempo, em que vendo as cenas de ação de Demolidor, improvisei alguns treinos caseiros de parkur, e constatei afinal, o esgotamento logo antes do completar as primeiras acrobacias. Não só no corpo, também na mente somos tão limitados, vejo o quanto ignorava outrora, e o tanto que ignoro ainda hoje, vejo o quanto minha vontade é frágil, e quão fácil me é abandonar a jornada aos primeiros sinais de cansaço e fracassar em tantos objetivos traçados. Isso é o humano chagado pelo pecado original. Não só eu sou assim, mas também meu próximo, motivo pelo qual deveria compreendê-lo melhor, ao invés de esperar dele também um outro “super homem”, de caráter fixo, e personalidade fechada como uma sinfonia clássica. Nessa procura por super-homens, quantas vezes esquecemos de valorizar nesses nossos irmãos de carne e osso grandes virtudes manifestas?

Peçamos a Deus a graça de ver o humano, e então, quem sabe um dia, possamos ter um vislumbre da compreensão do divino.

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