segunda-feira, 27 de agosto de 2018

[Resumo] A Candeia Debaixo do Alqueire

Resumo da tese do Pe. Calderón, exposta no livro "A Candeia Debaixo do Alqueire":

A idéia central da tese do Pe. Calderón é a de que, desde o Concílio Vaticano II, não houve mais exercício formal do Magistério Eclesiástico. Este fato não é nada evidente, pois não faltam documentos emanados de Roma nos últimos 40 anos. Conseqüentemente, tal fato necessita ser demonstrado e foi preciso um livro inteiro para fazê-lo. O ideal é que se leia “A Candeia Debaixo do Alqueire”, mas pode-se falar do conteúdo do livro por aqui em linhas bem gerais.

Primeira distinção teológica: o Magistério Autêntico da Igreja tem por órgãos autênticos o Papa e os Bispos sob algumas modalidades (declaração ex-cathedra, concílio, etc.) e pode ser classificado em “infalível” e “meramente autêntico”. O infalível tem grau máximo de autoridade enquanto o meramente autêntico comporta diversos graus que equivalem ao grau de assistência do Espírito Santo ao magister. Mesmo possuindo eventualmente um grau de autoridade ínfimo, o Magistério Autêntico da Igreja exige submissão e docilidade da alma católica.

Segunda distinção teológica: uma mesma pessoa física pode comportar mais de uma pessoa moral. Assim, o mesmo Francisco, por exemplo, pode atuar enquanto Papa, enquanto bispo de Roma e enquanto teólogo privado.

Postas as premissas, o livro está dividido em quatro artigos em forma de disputatio. Pe. Calderón demonstra primeiramente que o magistério conciliar não foi infalível. Depois, que o magistério conciliar pode ser posto em discussão por ter sido exercido ao modo dialogado e não impositivo, mas disso decorre a terceira demonstração que é a de que o magistério conciliar possui zero grau de autoridade. Ele não é nem mesmo Magistério meramente autêntico. Não há nele a mais ínfima assistência do Espírito Santo e este fato tem importantes conseqüências:

– O magistério conciliar não exige submissão dos fiéis;
– Os fiéis não só tem o direito de negarem submissão a tal magistério, mas o dever de se lhe opor à medida que ele contraria o que a Igreja sempre ensinou;
– O papa e os bispos não atuam enquanto tais, mas enquanto teólogos privados ao exercerem o magistério conciliar;
– O magistério conciliar não pode ser formalmente atribuído à Igreja Católica.

Isto corrige a problemática postura teológica daqueles que o Pe. Calderón chama de “tradicionalistas críticos”, ou seja, aqueles que reconhecem o concílio como magistério autêntico, mas que se acham no direito de criticá-lo pelo simples fato de que ele não é infalível. Tal postura só dá margem para que os modernistas ponham em discussão todo o magistério ordinário das Encíclicas anti-liberais, desde a Mirari Vos, de Gregório XVI, à Humani Generis, de Pio XII, passando pela Pascendi, de São Pio X. O magistério das Encíclicas é, via de regra meramente autêntico.

A tese também é contrária ao sedevacantismo pois, se o magistério conciliar é uma espécie de exercício material (mas não formal) do Magistério da Igreja, isto se deve apenas ao modo dialogado de tal exercício e não do suposto fato de que o papado é material ou coisas do gênero. O Papa não perdeu sua autoridade. Ele apenas não a exerce efetivamente e sim de modo aparente.

O último artigo do livro é bem interessante, pois trata de um eventual comprometimento indireto da autoridade do magistério conciliar. Assim, Pe. Calderón fala sobre a Missa Nova, os movimentos eclesiais, as supostas aparições marianas, as canonizações, o Código de Direito Canônico, entre outros.
#Leonardo Brum

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