sábado, 29 de setembro de 2018

O Despertar para Eternidade como Remédio ao Tédio Existencial


Muitos são aqueles que se surpreendem pelo modo como nossos contemporâneos se afundam na embriaguez, nas drogas e demais vícios autodestrutivos; eu não. Se pensarmos na pequenez, no provincialismo existencial a que se restringe o materialista, o escapismo torna-se um caminho compreensível. 

Enquanto o católico tem sua imaginação povoada por anjos, demônios, profecias, sociedades secretas, conspirações, guerras políticas, embates teológicos, disputas filosóficas, conflitos milenares que se perpetuam ao longo a história universal; o mundano restringe suas preocupações à vida privada do coleguinha de trabalho, a nova modinha midiática e ao pagodinho do fim de semana. O mundano não tem uma vida espiritual, não reza; não tem uma vida intelectual, não empreende uma autêntica busca da verdade do ser; não têm um cosmovisão clara, não consegue se orientar ante política mundial e os poderes em conflito, não toma parte nem sente-se membro desta trama; não tem o adequado senso estético, a atitude de contemplação para com o belo, o êxtase ante a verdadeira arte; não possui outro sentido para seu trabalho que não seja a mera acumulação de capital. Como suportar uma vida assim? Tamanho vazio é demasiado perturbador, de modo que é compreensível a lógica da fuga. Se a vida lhe parece sem sentido, se sua existência não tem um significado radical, de que outro modo suportá-la que não embriagado?

A experiência da fé não proporciona apenas um futuro melhor na eternidade e um comportamento mais correto no hoje, mas, sobretudo torna a existência mais autêntica, mais bela, mais rica, cheia de significado; é uma transformação total, absoluta e irrestrita da própria existência, um repensar sua relação com o todo e uma abertura as realidades do espírito. A prática da verdadeira religião conecta o fiel e seu microcosmos ao empolgante drama da história universal, torna-o participante ativo desta luta que se prolongará até o fim dos tempos; torna-o próximo de homens e mulheres de diversos tempos e lugares, torna-o capaz de sofrer as dores da Igreja, e alegrar-se em suas vitórias, o eleva para além de uma existência rotineira e tediosa.

Recordo-me de como era triste antes da conversão, de como minha vida até então era tola e sem sentido, sem a chama da uma verdadeira aventura, uma aventura eterna, e do modo como para fugir do tédio, recorria a imprudências que embora proporcionassem fortes emoções, não tinham um sentido e uma direção, não ultrapassavam o limite do do efêmero...

Pergunto ao eventual leitor descrente: como consegue contentar-se com uma vida tão pequena e tediosa, rejeitando uma perspectiva tão ampla, empolgante e rica de sentido? Como pode satisfazer-se vivendo como animal, quando fora chamado a julgar os anjos e habitar os céus? Baladinhas, embriaguez, entretenimento e mesmo o amor romântico não será suficiente para preencher o vazio de sua alma. Desperte para eternidade meu amigo, e já nesta terra, em meio a tribulações e perseguições, experimentará a alegria da verdadeira aventura do viver.

quinta-feira, 27 de setembro de 2018

''Todas as coisas são difíceis; o homem não as pode explicar com palavras.''


25ª Semana do Tempo Comum - Quinta-feira
Primeira Leitura (Ecl 1,2-11) 
Responsório (Sl 89)
Evangelho (Lc 9,7-9) 

Continuamos essa semana meditando a respeito dos livros sapienciais. Depois de alguns trechos do livro dos Provérbios, hoje lemos o Eclesiastes, um de meus livros favoritos da Sagrada Escritura. O autor sagrado chama-nos atenção a estabilidade do mundo e a insignificância do homem: <Todas as coisas são difíceis; o homem não as pode explicar com palavras. O olho não cansa de ver, nem o ouvido cansa de ouvir (Ecl 1, 8)>; o mundo é demasiado complexo para nossa vã compreensão. Essa atitude de reverência frente ao mistério e a imensidão da criação, precisamos cultivar e recuperar isto! Em nossos tempos, predomina uma visão arrogante e tola, segundo a qual pela ciência toda criação há de ser decifrada, muitos se comportam como se já estivesse, inebriando-se com seus reducionismos e construtos mentais. Vaidade das vaidades... 

Diz ainda o Eclesiastes: <Não há memória das coisas antigas, mas também não haverá memória das coisas que hão de suceder depois de nós entre aqueles que viverão mais tarde. (Ecl 1, 11)>; em poucas palavras o autor inspirado demonstra a tolice do mito do progresso. Segundo tal superstição, tão popular em nossos dias, a humanidade acumularia os conhecimentos das gerações anteriores, somando novas descobertas a cada geração, chegando ao ponto de em um futuro longínquo estabelecer o Paraíso na Terra. Mostra-nos a Escritura que apesar da estabilidade da criação, a linha de comunicação entre as gerações humanas é tênue, e muitos conhecimentos preciosos acabam sepultados nas areias do tempo. Ainda hoje, o modo como foi construído as Pirâmides do Egito permanece um mistério; não se sabe onde fica a Atlântida de Platão; entre tantos outros enigmas, aos quais a história e a arqueologia não se mostram capazes de resolver. Quanto das inovações, da sabedoria do hoje, não terão o mesmo destino? 

Reconheçamos nossa pequenez, nossa insignificância, cultivemos uma atitude de humildade interior frente aos mistérios da criação, abandonando a tolice moderna de uma idolatria do homem, um antropocentrismo imbecil. 

Louvado Seja Nosso Senhor Jesus Cristo!

quarta-feira, 26 de setembro de 2018

''Não me dês nem a pobreza, nem as riquezas, dá-me somente o que for necessário"


25ª Semana do Tempo Comum - Quarta-feira 
Primeira Leitura - Pr 30,5-9
Responsório Sl 118 (119),29. 72. 89. 101. 104. 163 (R. 105a)
Evangelho - Lc 9,1-6 

1. A prece do livro dos Provérbios é sinal de contradição, sobretudo neste mundo capitalista materialista e idólatra. Diz a Escritura: <Afasta de mim a vaidade e as palavras mentirosas, não me dês nem a pobreza, nem as riquezas, dá-me somente o que for necessário para viver; para que não suceda que, estando saciado, eu te renegue e diga: Quem é o Senhor? Ou que, constrangido pela pobreza me ponha a furtar, e perjure o nome de Deus. (Pr 30, 8-9)>. Em um mundo onde se idolatram as riquezas, onde desde cedo somos educados a buscar a fortuna a todo custo, a Escritura nos ensina a temer o dinheiro em demasia. Uma vez saciados, uma vez inebriados pela fortuna, estamos correndo risco de nos esquecer de Deus, de nos entregar aos prazeres do mundo, a soberba da vida, ao orgulho infernal. Olhemos para os grandes deste mundo, os ricos e famosos, pensemos o quanto seu comportamento se distancia das leis eternas, quantas vezes agem de forma vil e escandalosa, abusando de drogas, destruindo-se na luxúria, sacrificando a sua vida e a de muitos na busca de ainda mais dinheiro e poder. Pensemos em como a apostasia das nações é precedida por tempos de insana prosperidade. A fortuna, o dinheiro em demasia, é uma grande tentação. A miséria igualmente: quando falto-nos o essencial, somos tentados ao furto, ao roubo e a inveja.

Em nossa relação com o dinheiro, pensemos em nossa alma. Não façamos da moeda um ídolo, lembremo-nos que de nada vale o conforto e o luxo neste lugar de desterro quando acompanhado do castigo na eternidade.

2. Hoje também celebramos a memória dos mártires Cosme e Damião, homens que deram a vida por amor a Cristo. Preferiram morrer do que cair na idolatria e adorar aos falsos deuses pagãos. Infelizmente, nosso povo brasileiro profana a memória destes santos irmãos pela prática de macumbarias e sincretismos. 

Que por intercessão de São Cosme e São Damião, Deus nos livre da lepra do paganismo.

terça-feira, 25 de setembro de 2018

O Diabo na Netflix

Malachi Martin foi padre jesuíta, teólogo, paleontólogo, crítico e delator dos bastidores do Concílio Vaticano II, lavador de pratos, exorcista clandestino, escritor, celebridade do rádio e da TV; enfim o Martin gostava de aventuras, se metia em tudo quanto é encrenca. E o pior de tudo, ainda era bom, muito bom naquilo que fazia. 

Já faz algum tempo desde que venho estudando a obras deste gigante do catolicismo norte-americano, inclusive comentei uma de suas obras por aqui, mas foi só hoje tive a oportunidade de assistir ao documentário Hostage to the Devil (2016) . Embora tome emprestado o título da mais famosa de suas obras, o documentário foca-se em apresentar ao expectador a vida deste polêmico personagem, e faz isso munido de uma técnica fantástica. O documentário é uma obra de arte, o trabalho de câmera, os relatos colhidos, a ordem das entrevistas, bem como o ocultar do diretor que dá o tom extremamente pessoal a obra. Não sejamos, porém, ingênuos: esta não é nada imparcial, seu objetivo é claro: semear da ideia segundo a qual Malachi Martin seria um maluco, um farsante, um charlatão; e por tabela atingir também aos críticos do concílio. 

Comparo esta produção com o recente (nem tanto) lançamento The Devil and the Father Amorth, uma vez ambos tocam ao seu modo na temática do exorcismo, e exploram a estética do filme de William Friedkin (que, aliás, é quem comanda o documentário sobre o exorcista italiano). Embora a película sobre o Padre Amorth seja muito mais honesta, e simpática ao personagem e a perspectiva católica tradicional, deixa muito a desejar no âmbito artístico, e a presença do famoso diretor como narrador participante ofusca a quase mítica figura de Gabriele Amorth. Ainda assim, ambas as obras são recomendas, pois além de tratarem de relevantes temas para o catolicismo norte-americano e mundial, permitem-nos ter uma noção de como tais questões são compreendidas ante um público não tão devoto, e por vezes hostil a Igreja Católica. Fica é claro a ressalva, que o tais obras sejam assistidas, apreciadas e discutidas por pessoas sãs, do contrário, se for meio biruta vai começar a ver diabretes embaixo da cama...

''Todo o preguiçoso porém está sempre na pobreza''


25ª Semana do Tempo Comum - Terça-feira 
Primeira Leitura (Pr 21,1-6.10-13) 
 Responsório (Sl 118, 1.27.30.34.35.44) 
 Evangelho (Lc 8,19-21) 

 Estamos lendo na liturgia dos últimos dias o livro dos Provérbios, entre diversos aforismos e conselhos, hoje chamou-me atenção o seguinte: <Os pensamentos do homem ativo produzem sempre abundância, todo o preguiçoso porém está sempre na pobreza (Pr 21, 5)>; uma verdade simples, óbvia e, todavia, um tanto quanto esquecida. Parece que em nosso país reina certo clima de vitimismo, onde tudo se espera dos líderes e governantes. Se as coisas vão mal, a culpa é do governo corrupto, dos líderes incompetentes, etc. Mas, e a minha responsabilidade em tudo isso? Estou de fato dedicando-me a minha profissão? Trabalhando com fidelidade? Estou dedicando-me dignamente, com atividade, entusiasmo e criatividade? Tenho visto como uma visão errada da vida intelectual tem destruído a vida de muitos e servindo de máscara para disfarçar a preguiça. Sob a desculpa de se dedicar aos estudos, a “restauração da alta cultura”, o sujeito negligencia seus deveres, seu trabalho, vira um especialista de internet sustendo por terceiros e lamentando eternamente o fato de não lhe reconhecerem o talento. Onde está sua inventividade? Sua criatividade? Seu vigor para buscar cumprir um dos primeiros deveres de todo o bom homem que é providenciar dignamente o próprio sustento?

Rezemos a Deus para que nos livre do vício da preguiça, vício este que só produz a miséria.

segunda-feira, 24 de setembro de 2018

Diálogos para com o entretenimento barato...

Quando mais novo acompanhei durante algum tempo as histórias em quadrinhos da Marvel; nunca fui um grande e profundo fã, mas gastei uns bons trocados com algumas centenas de revistinhas. Acompanhei algumas aventuras dos Vingadores, do Capitão América, do Cavaleiro da Lua, do Justiceiro, e do Demolidor... Demolidor; foi vendo a série da Netflix que resolvi dar uma chance ao universo de Punho de Ferro, personagem que, pouco ou nada conheço. Como diria o Pica-Pau: “fui tapeado!”, diferente de Demolidor, Punho de Ferro é uma chatice! Fora a estética bacana que mistura a modernidade metropolitana com a fantasia chinesa e artes marciais, a série não tem muito a oferecer; estilo sem substância, e a segunda temporada consegue ser ainda pior; todavia, por vezes mesmo o entretenimento barato nos trás algumas boas intuições... 

Tendo recebido um treinamento kung fu shaolin hard old school secreto, ao mesmo tempo em que é podre de rico, Rand consegue ser um “BETA”, um “macho inferior”, um homem pós-moderno confuso, perdido e inconstante. Danny fracassou para cada uma das missões que lhe fora legado por seus antepassados, da administração das empresas Rand a defesa de K'un Lun; confesso que passei a temporada inteira torcendo pelo vilão, Davos, que ao menos tinha um sentido na vida. Dany é patético, mas de certa forma “real”. O drama do personagem, da maioria dos personagens do bairro chinês, é palpável, embora mal conduzido pelos roteiristas. É o drama do herdeiro, do escolhido, inserido nas dinâmicas relações entre tradição e modernidade. Em meus comentários sobre Karatê Kid, falei sobre como o protagonista fora enxertado em um universo de costumes que não lhe era próprio; em Punho de Ferro a dinâmica é inversa, é a dinâmica do migrante que é forçado a abandonar seu mundo, sua cultura e, se adaptar a um novo mundo, absorver um novo ethos. No estrangeiro, o migrante então toma alguns hábitos modernos, ao mesmo tempo em que procura preservar suas raízes, mas já não é nem um nem outro. Pensemos nos sino-americanos da obra analisada, já não são de fato orientais, a cultura que habitavam se transformou desde que saíram, e ao mesmo tempo não se encaixam como plenamente americanos, a herança que receberam dos antigos impede sua assimilação. Sob um ponto de vista tradicionalista estrito, certo bairrismo amalucado, tais homens seriam um desastre civilizacional que só encontrariam sentido quando ao longo das gerações fossem assimilados, seja a sua nova cultura, seja devolvendo seus filhos para o mundo do qual saíram; mas esse é um raciocínio inadequado. A cultura humana tem junto das nuances regionais, um tom universal. Deste ramo cortado pode surgir uma nova ordem, de um grupo de migrantes longe de suas tradições e de difícil assimilação pode ter origem um novo povo, novas comunidades, uma nova tradição! Sim, eu sei, o assunto é complexo demais para ser tratado a partir de entretenimento ruim, retornarei ao tema algum dia, de todo o modo, fica registrado os esboços desta reflexão para além de um clichê ideológico-tradicionalista demasiado simplista.

sexta-feira, 21 de setembro de 2018

''Eu sou hoje salvo pela cruz!''


24ª Semana do Tempo Comum - Sexta-feira 
Primeira Leitura (Ef 4,1-7.11-13) 
 Responsório (Sl 18) 
 Evangelho (Mt 9,9-13)

Jesus chamou a Mateus, um cobrador de impostos, um traidor de Israel e servo do Império Romano; e tornou este homem um grande santo. Mas nós, hoje, parece que temos "medinho" de convidar os pescadores ao encontro de Cristo. Olhamos para tal ou qual pessoa, e já desistimos no primeiro olhar "nah, esse aí não tem jeito". Cristo não desistiu de Mateus, não desistiu de nós! Não sejamos fariseus burgueses, peçamos ao Senhor a graça da conversão dos pobres pescadores, e a docilidade ao Espírito, para não sermos obstáculos, mas antes instrumentos, para que os demais se aproximem do Senhor e sua Santa Igreja.

Lembremos também de nossa miséria e iniquidade, como eramos vermes vagando pelos charcos antes da graça da conversão e, agradeçamos a Deus por sua infinita bondade e misericórdia.

terça-feira, 18 de setembro de 2018

Liturgia

Liturgia Veterotestamentária
Uma libertação política pressupõe um culto litúrgico adequado. Quando vai dirigir-se ao Faraó comunicando a mensagem de Deus, Moisés diz a rei do Egito que liberte os israelitas para que possam prestar culto ao Senhor no deserto. Posteriormente, vemos que, uma vez libertos da escravidão no Egito, antes de adentrarem a Terra Prometida, Israel recebe ordens minuciosas para o culto divino. Apenas após a perfeita instituição e realização adequada da liturgia veterotestamentária é que o povo eleito se coloca em marcha, rumo a conquista de Canaã.

O análogo com nosso tempo é inevitável: não haverá nenhuma libertação política satisfatória antes de uma correta e piedosa purificação da liturgia. Em tempos recentes, muitos católicos passaram a dedicar-se ao estudo da política, da economia, à militância partidária e ideológica, grupos inúmeros foram criados com tal objetivo, mas tão poucos são ainda os que dedicam-se a música, a pintura e a arquitetura. Olhemos para o estado lastimável da liturgia hoje; pensemos nos grunhidos e cantos mal escritos, na horrenda arquitetura pós-moderna, nas pinturas e esculturas inadequadas; é isto o melhor que temos a oferecer ao Senhor?

Rezemos a Deus para que inspire homens de boa vontade e talento, homens como Beseleel e Ooliab, que executem fielmente os desígnios do Senhor, e deem um novo vigor a vida litúrgica da Igreja no Brasil.

sábado, 15 de setembro de 2018

Sinopse dos erros imputados ao Concílio Vaticano II: Os Judeus

9.6 As proposições: “Ainda que as autoridades judias, com seus partidários, tenham levado à morte o Cristo, aquilo que foi cometido durante sua paixão não pode ser imputado nem indistintamente a todos os judeus então vivos, nem aos judeus de nosso tempo. Se é verdade que a Igreja é o novo povo de Deus, os Judeus não devem por isto, ser apresentados como reprovados por Deus nem malditos, como se isto decorresse das Sagradas Escrituras” (NA 4).

É preciso notar aqui a tentativa de limitar a responsabilidade do deicídio a um circulo estreito de pessoas quase particular, quando o Sinédrio, suprema autoridade religiosa, representava todo o judaísmo e por isso comprometia, na rejeição ao Messias e Filho de Deus, a responsabilidade coletiva da religião judia e do povo judeu, como isso aparece de modo indiscutível na Sagrada Escritura (“A partir desse momento, Pilatos procurou libertá-lo. Mas os judeus gritavam : ‘Se o soltas não és amigo de César’...” João 19,12 e Mt. 27,25: “Seu sangue caia sobre nós e nossos filhos”).

Ficamos chocados pela a afirmação segundo a qual “os judeus... não devem ser apresentados como reprovados por Deus nem malditos, como se isto decorresse da Sagrada Escritura”. Falta aqui a distinção necessária entre os indivíduos e a religião judia. Se falarmos dos judeus indivíduos, a afirmação é verdadeira e demonstrada pelo grande numero de convertidos do judaísmo em todas as épocas. Mas se falamos do judaísmo como religião, a afirmação é errada e ilógica: errada porque contradiz os textos evangélicos e a fé constante da Igreja desde as origens (cf. Mt, 21,43: “Por isso vos digo que vos será tirado o reino de Deus e será dado a um povo que produza os frutos dele”); ilógica, porque se Deus não rejeitou a religião judia ou o povo judeu no sentido religioso (o que era uma só e mesma coisa no tempo de Jesus), então a antiga Aliança deve ser considerada como ainda valida, em concorrência com a Nova, assim como a espera injustificada do Messias, ainda alimentada na hora atual pelos judeus! Tudo isto constitui uma apresentação totalmente mentirosa do judaísmo e de sua relação com o cristianismo.

FSSPX; Sinopse dos erros imputados ao Concílio Vaticano II, pág 56-57.

terça-feira, 11 de setembro de 2018

''Fostes lavados, fostes santificados, fostes justificados pelo nome do Senhor Jesus Cristo''


23ª Semana do Tempo Comum - Terça-feira
Primeira Leitura (1Cor 6,1-11)
Responsório (149) 
 Evangelho (Lc 6,12-19) 

Na primeira leitura, São Paulo faz uma lista de pecados abomináveis, e diz enfaticamente que aqueles que praticam tais atos no entrarão no reino dos céus. Vemos listado entre tantos vícios o pecado da sodomia (presente na Vulgata, mas ocultado nas traduções modernas). No versículo seguinte, diz os apóstolo que muitos dos fiéis de Corinto eram vítimas de tais vícios, mas que foram libertos pelo sangue de Cristo.

Uma das artimanhas do Inimigo é o de proclamar os vícios como incuráveis. Uma vez acometido por tal, caberia ao pecador "se aceitar", pois seria inútil lutar contra tal. Este nunca foi o ensino da Igreja, olhemos pelas conversões heroicas e curas extraordinárias realizadas entre os primeiros cristãos, e que se repetem de forma silenciosa em toda a história da Igreja.

Nada é impossível para aquele que crê, não há conduta ou vício que não possa ser vencido e abandonado! Certa vez, ouvi de um irmão de Fé sobre como abandonara o vício do crack e inciou um profundo processo de conversão após sua mãe recitar sobre ele o o Pequeno Exorcismo de Leão XIII, também chamado de Oração de São Miguel Arcanjo.

Pensemos nisso e louvemos o Senhor.

sexta-feira, 7 de setembro de 2018

#Notas: Pastoral do Busão (?)

No Brasil problemas doutrinais e morais se mesclam com doenças espirituais e enfermidades psicológicas. Em muitos casos, há histórico de famílias desordenadas, uso de drogas, participação em seitas e outros vícios greves. 

Um problema puramente intelectual, como a busca da verdade, da doutrina correta, pode ser resolvido intelectualmente por um "homem de estudo", mesmo que seja via internet. Mas muitas situações exigem especialistas: um confessor, um diretor espiritual, um psicólogo, às vezes até um psiquiatra. Todavia, as pessoas fogem dos especialistas, não admitem a extensão da doença e, preferem conversar com um "leigo". Há homens com dom, o carisma (em um sentido sobrenatural), do conselho, mas são casos raros, e normalmente o que acontece é que este fica sem saber como ajudar, e não consegue encaminhar o "paciente" ao profissional competente, o que acaba piorando a situação.

Aos doutores da mente e da alma, fica um pedido, estejam atentos ao entorno, pois a maioria das pessoas que precisa de ajuda não vai ao consultório. Francisco, quando Bergoglio, bispo na metrópole Argentina, tinha uma prática pastoral muito bonita: preferia andar sempre que possível de ônibus e metrô, no transporte público. Acreditem, lá dentro cai cada história, cada drama humano a sua frente, de modo totalmente involuntário e inesperado.


quarta-feira, 5 de setembro de 2018

Em Defesa dos Radicais

Já viram Trato Feito? Se sim, devem ter aprendido o básico da negociação: se quiser obter um bom preço, você sempre joga alto. Não, não se deve ser moderado,  pedir exatamente o que quer, mas ser incrivelmente arrogante e pedir o irreal munido de uma auto confiança absurda. Inevitavelmente ao longo da discussão o preço vai baixar, concessões serão feitas, mas se começar mirrado, vai terminar com migalha. Na política é exatamente assim, com a diferença de que há múltiplos atores, e o que abre com o preço em alta, está ajudando o cara do fechamento.

Quando vejo pessoal reclamando do radicalismo político e irrealismo de certos católicos, dá vontade de amarrar o infeliz na cadeira e por pra acompanhar a maratona do "vai vender ou penhorar". Precisamos dos radicais, quanto mais confiantes, presunçosos e exigentes, politicamente melhor!


Política é como um jogo, como truco! O mesmo para o campo da guerra cultural. É necessária certa dose de malandragem, malandragem e não desonestidade, a popular "ginga". Voces são brasileiros paçocas! Deveriam saber disso melhor que ninguém. Sem isso, não se sai do lugar.

Não, não fui eu quem inventei tal estratégia, nem mesmo os caras do History, mas um veio china, não o da pastelaria, mas poeta guerreiro Sun Tzu.

Por isso que amo os radicais, exalto o radicalismo, e faço troça com a moderação.

segunda-feira, 3 de setembro de 2018

Salazar maçom?

Nos ambientes católicos, a figura de Salazar é exaltada e promovida. O antigo líder português teria sido instrumento da Providência, sendo comparado a santos e mártires. Confesso que meus estudos sobre a figura de Salazar ainda são demasiado iniciais, mas tive acesso a dados verdadeiramente assustadores. Segundo o magistrado José da Costa Pimenta, o suposto líder católico seria na verdade um fantoche da seita dos maçons. Confira alguns trechos da entrevista do autor, ás vésperas do lançamento de seu livro, em meados de 2009: 
Admitindo que Salazar tenha sido maçon, quando é que ocorreu esse afastamento e porquê? Como é que Salazar poderia ter integrado uma organização que acolheu dos mais fervorosos republicanos e ferozes opositores ao Estado Novo?

Esse afastamento de Salazar relativamente a "Roma" deu-se em 1914, tinha ele 25 anos. Desde então Salazar jamais se confessou ou comungou. Salazar tornou-se maçon cerca de 20 antes do advento do Estado Novo, com cuja existência então ninguém sonhava. O Estado Novo, corporativo, é o Estado maçónico no seu auge. Todos os presidentes da República, todos os presidentes da Assembleia Nacional, todos os comandantes militares, todos os procuradores-gerais da República, todos os presidentes do Supremo Tribunal de Justiça, todos os presidentes do Supremo Tribunal Administrativos, todos os presidentes do Tribunal da Relação, todos os governadores civis, todos os directores das polícias, todos os directores da RTP eram maçons. A História não regista a prisão de nenhum opositor do Estado Novo por ser maçon. Claro que havia opositores de Salazar que eram maçons, sendo o mais conhecido o General Humberto Delgado. Mas isso não tem nada de extraordinário, pois dentro das lojas maçónicas não há sempre unanimidade.

Quando é que Salazar aderiu à maçonaria e a que Loja? Quem é que o convidou - visto tratar-se de uma organização secreta em que se ingressa apenas por convite?

Há provas circunstanciais, mas não decisivas, do seguinte: Salazar foi iniciado maçon na Loja Revolta n.º 336, em Coimbra, em 1914, no fim do seu curso de Direito, tendo adoptado o nome simbólico de Pombal. A Loja Revolta, onde se iniciaria também, por exemplo, Vitorino Nemésio, fora fundada por Bissaya Barreto, em 1909, e foi a convite dele que Salazar lá foi iniciado. Sem qualquer surpresa, a Loja maçónica Revolta jamais "abateu colunas" (nunca fechou), tendo continuado a sua actividade, serena e ininterruptamente, sem inquietação alguma, durante todo o período da Ditadura e do Estado Novo até hoje. Não parece que Salazar tenha sido iniciado na loja maçónica, composta por professores da Faculdade de Direito de Coimbra e que, desde 1850, governa aquela instituição.[1]
São graves acusações dirigidas a um vulto tão grandioso da história portuguesa. Ainda não consegui acesso a obra na íntegra para dar prosseguimento aos estudos, fico devendo ao leitor maiores informações.