terça-feira, 25 de setembro de 2018

O Diabo na Netflix

Malachi Martin foi padre jesuíta, teólogo, paleontólogo, crítico e delator dos bastidores do Concílio Vaticano II, lavador de pratos, exorcista clandestino, escritor, celebridade do rádio e da TV.; enfim o Martin gostava de aventuras, se metia em tudo quanto é encrenca. E o pior de tudo, ainda era bom, muito bom naquilo que fazia. 

Já faz algum tempo desde que venho estudando a obras deste gigante do catolicismo norte-americano, inclusive comentei uma de suas obras por aqui, mas foi só hoje tive a oportunidade de assistir ao documentário Hostage to the Devil (2016) . Embora tome emprestado o título da mais famosa de suas obras, o documentário foca-se em apresentar ao expectador a vida deste polêmico personagem, e faz isso munido de uma técnica fantástica. O documentário é uma obra de arte, o trabalho de câmera, os relatos colhidos, a ordem das entrevistas, bem como o ocultar do diretor que dá o tom extremamente pessoal a obra. Não sejamos, porém, ingênuos: esta não é nada imparcial, seu objetivo é claro: semear da ideia segundo a qual Malachi Martin seria um maluco, um farsante, um charlatão; e por tabela atingir também aos críticos do concílio. 

Comparo esta produção com o recente (nem tanto) lançamento The Devil and the Father Amorth, uma vez ambos tocam ao seu modo na temática do exorcismo, e exploram a estética do filme de William Friedkin (que, aliás, é quem comanda o documentário sobre o exorcista italiano). Embora a película sobre o Padre Amorth seja muito mais honesta, e simpática ao personagem e a perspectiva católica tradicional, deixa muito a desejar no âmbito artístico, e a presença do famoso diretor como narrador participante ofusca a quase mítica figura de Gabriele Amorth. Ainda assim, ambas as obras são recomendas, pois além de tratarem de relevantes temas para o catolicismo norte-americano e mundial, permitem-nos ter uma noção de como tais questões são compreendidas ante um público não tão devoto, e por vezes hostil a Igreja Católica. Fica é claro a ressalva, que o tais obras sejam assistidas, apreciadas e discutidas por pessoas sãs, do contrário, se for meio biruta vai começar a ver diabretes embaixo da cama...

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