quarta-feira, 24 de outubro de 2018

E as namoradinhas?

Como vimos, o namoro tem por fim o matrimônio.  Logo, não devem
pensar em namorar aqueles que não pensam em se casar.

Se você não pode casar-se devido à pouca idade ou à falta de condições financeiras para sustentar uma família, então não é hora de namorar. Não tenha pressa de iniciar um namoro. Lembre que se sua vocação é matrimonial, o seu cônjuge (esposo ou esposa) já existe, pois Deus já o escolheu. Não é sua a tarefa de “fabricar” a pessoa com quem vai se casar. Sua oração deve ser semelhante àquela que fizeram Pedro e os outros discípulos quando desejavam saber quem iria tomar o lugar de Judas Iscariotes, que havia se enforcado: “Mostra-nos qual destes dois escolheste” (At 1,24). Entre os dois candidatos apresentados pela comunidade – José e Matias – era preciso saber qual Deus já havia escolhido. E a sorte caiu sobre Matias, que se associou aos onze apóstolos. A oração não foi “escolhe” ou “ajuda-nos a escolher”, mas “mostra-nos quem escolheste”. Se você é chamado ao matrimônio, peça a Deus que mostre quem ele já escolheu para ser seu cônjuge.

Conte, porém, com a possibilidade de Deus ter chamado você para uma vocação maior: a da virgindade consagrada a Ele. Se este for o seu caso, o seu cônjuge aqui na terra não existe. É o próprio  Senhor que vai ocupar o lugar dele. Você poderá então recitar o Salmo 15, cantado pelos levitas:

Senhor, minha parte na herança e minha taça,
és tu que garantes a minha porção;
o cordel mediu para mim um lugar delicioso,
sim, é magnífica a minha herança (Sl 15,6).

Quando os israelitas tomaram posse da terra de Canaã, cada tribo ocupou um território, menos a tribo de Levi, cujos membros – os levitas – eram dedicados ao sacerdócio. Eles viviam na terra de outras tribos. Sua “porção” não era um pedaço de terra, mas o próprio Senhor, a quem eles ofereciam sacrifícios.

Voltemos, porém, à vocação matrimonial. Se Deus quer que você se case, não se preocupe: ele vai mostrar quem escolheu para você. Mas não é nos bailes mundanos nem nos divertimentos perigosos para a castidade que você deve esperar que Deus se revele. Ele costuma falar a nós no silêncio do coração.

Não comece a namorar antes de ter quase certeza de ter encontrado quem Deus escolheu para você. O namoro poderá consolidar essa certeza, mas não é bom correr o risco de namorar inutilmente. Peça a Deus que seu primeiro namorado (sua primeira namorada) seja também o único (a única). Seja exigente. Pergunte a ele (a ela):
—Você aceita que tenhamos um namoro casto?
—Aceita que levemos a castidade até as últimas consequências?
—Está disposto (a) a aceitar quantos filhos  Deus nos quiser dar?

Uma resposta positiva a essas perguntas é um bom sinal. Se, porém, ele (ou ela) se mostrar hesitante, não inicie o namoro. Os riscos são imensos.

Um namoro santo deve durar pouco tempo. Um tempo suficiente para que os dois possam conhecer-se interiormente, mas não tão longo que  os exponha a ocasiões de pecar. É comum que jovens venham dizer ao sacerdote: “Padre, no início nosso namoro era santo. Mas, com o tempo, passamos a relaxar a vigilância e cometemos graves pecados”.

Para que isso não aconteça com você, namore apenas quando tiver uma perspectiva próxima de casamento. Assim será possível conservar se puro para o grande sacramento do matrimônio.

Descobrindo a Castidade - Pe. Luiz Carlos Lodi da Cruz; pág.91-94.

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