domingo, 21 de outubro de 2018

Mesmo que conhecesse todos os mistérios e toda a ciência...

Desde o início de minha conversão tenho procurado aprofundar-me na compreensão da doutrina da Igreja e, sobretudo, nas conspirações e nuances envolvendo o atual contexto histórico da crise neomodernista advinda do Concílio Vaticano II. Nesta jornada, conheci alguns irmãos a trilhar o mesmo caminho, contudo, observo certos vícios que em maior ou menor grau também em mim se manifestam. Enebriados com certa compreensão do atual cenário, muitos deixam-se seduzir pelo orgulho, toma seus estudos como a garantia de sua salvação e, acabam por desprezar os irmãos, desrespeitar as autoridades eclesiais, bem como escandalizar os pequeninos. Tal atitude evoca-nos o neognosticismo do qual nos fala Francisco em sua exortação apostólica Gaudete et Exsultate. Por mais que o conhecimento e a sabedoria sejam preciosos, não é por meio destes, e sim na prática da caridade que está o caminho de nossa Salvação:
37. Graças a Deus, ao longo da história da Igreja, ficou bem claro que aquilo que mede a perfeição das pessoas é o seu grau de caridade, e não a quantidade de dados e conhecimentos que possam acumular. Os «gnósticos», baralhados neste ponto, julgam os outros segundo conseguem, ou não, compreender a profundidade de certas doutrinas. Concebem uma mente sem encarnação, incapaz de tocar a carne sofredora de Cristo nos outros, engessada numa enciclopédia de abstrações. Ao desencarnar o mistério, em última análise preferem «um Deus sem Cristo, um Cristo sem Igreja, uma Igreja sem povo».

Meditava a respeito, quando conversava com alguns amigos sobre Carlo Acutis. Carlo, um jovem contemporâneo que faleceu em odor de santidade, viveu de modo extraordinário a vida ordinária, faleceu em 2006 com pouco mais que 15 anos, iluminando a existência de muitos com seu exemplo de coragem, piedade, caridade e devoção. Em um tempo em que eu estava acovardado e perdido no mundanismo, Carlo habitava a terra e apontava com sua vida para os caminhos do Senhor. Carlo não sabia muito a respeito das conspirações judaico-maçônicas, das polêmicas teológicas do pós-concílio, dos meandros da história eclesiástica, e mesmo assim foi santo. E nós que conhecemos tudo isso? Quão longe estamos; quão longe estou... Não que aconselhe aqueles que optaram pela pílula vermelha a ignorar tudo isso, esta jornada intelectual uma vez iniciada deve ser levada até o fim, mas que saibamos: <Mesmo que eu tivesse o dom da profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência; mesmo que tivesse toda a fé, a ponto de transportar montanhas, se não tiver caridade, não sou nada. (1Cor 13, 2)>.

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