terça-feira, 20 de novembro de 2018

A Guerra da Ku Klux Klan aos Católicos

Durante seu auge, em 1920, a Ku Klux Klan mantinha uma incessante hostilidade ao Catolicismo. Como posto por um membro do Arkansas, “a lealdade dos Católicos estava além do mar e a religião que eles professavam era uma religião estrangeira. Quanto mais rápido os convidássemos para ir ao outro lado do oceano, melhor pra nós”. Um editorial tipicamente raivoso em um dos principais periódicos do Klan-- com o sinistro título de “Para suas armas!” -- deixava claro a seus leitores: “Não abandone sua cruz em chamas, mas carregue-a sobre vales e montanhas até que o paganismo Católico Romano tenha sido expelido de nossa livre e justa vida Americana para sempre.”

O “100% Americanismo” do Klan fazia do ódio ao Papa uma obrigação: “Eu sou um homem anglo-saxão branco, constituído e treinado de forma que não posso tomar de maneira consciente nem minha política nem minha religião de algum lugar isolado do outro lado do mundo.” Um membro do Klan do Mississippi foi mais sucinto: ele não tinha tempo para “aquele velho dago da Tibéria”. [NT: dago é uma ofensa racial para italianos]

As alegações fantásticas vieram em número rapidamente. Toda vez que um pai Católico tinha um filho ele adicionaria um rifle ao arsenal no porão da igreja local, com fim de se preparar para a grande revolução Católica que estava por vir. Afinal, quem poderia deixar de notar que dois canhões antigos da Universidade de Georgetown, em Washington, estavam apontados diretamente para o Edifício do Capitólio? Ainda pior, o Papa já havia comprado terras no Distrito de Columbia, onde planejava uma “mansão milionária” de onde ele poderia conduzir uma tomada do governo.

Em North Manchester, Indiana, circulara um rumor de que o Papa estava abordo de um trem vindo de Chicago, então membros do Klan foram esperar na estação na esperança de emboscar o Pontífice. Na Flórida, o governador Sidney J Catts, apoiado pela KKK, passou um bom tempo viajando na região avisando sobre uma iminente invasão papal.

De acordo com o Klan, antes do cataclisma os católicos fariam o melhor possível para arruinar a moral pública e minar os valores americanos. Suas audiências na década de 1920 rotineiramente tinham mulheres que afirmavam ser ex-freiras, e elas frequentemente exibiam bolsas de couro nas quais, segundo se alegava, os filhos recém-nascidos de ligações ilícitas entre freiras e padres eram levados para fornos de igrejas para serem cremados. “Será que as pessoas não perceberam”, um membro da Klan em Sacramento perguntou, “que quase todas as casas obscenas, juntas piratas e outros mergulhos são possuídos ou controlados por romanistas”?

Tragicamente, estes não eram simplesmente os delírios de um grupo marginal. Durante a década de 1920, o Klan foi extraordinariamente bem sucedido.

Sua associação provavelmente superou quatro milhões de membros e se espalhou por todos os 48 estados: contando com 700.000 membros em Indiana, e em torno de 400.000 no Texas em Ohio. O Klan fazia parte do mainstream da política americana, perfeitamente capaz de determinar o resultado das eleições grandes e pequenas.

Campanhas foram lançadas contra a provisão de fundos federais para escolas paroquiais católicas e professores católicos no setor público foram perseguidos; em Atlanta, membros do conselho escolar que se recusaram a seguir os caprichos da Klan tiveram suas vidas ameaçadas.

Em alguns lugares, o poder do Klan era visto às claras. Quando, em 1921, um homem confessou matar um padre católico em plena luz do dia, o juri em Birmingham, Alabama, composto majoritariamente de membros do Klan, alegremente absolveu-o. Em outros lugares, as tensões entre o Klan e seus oponentes se agitaram. Em Lilly, Pensilvânia, em 1924, um comício de Klan acabou em caos e quatro pessoas morreram. Vinte e nove desordeiros, dos quais 25 eram membros do KKK, foram presos. Em Niles, Ohio, quando o Klan ergueu uma de suas cruzes em chamas em frente a uma igreja, os católicos locais queimaram pneus do lado de fora das casas dos membros da Klan. Tal era o tom de violência recíproca e ameaça em Lafayette, Louisiana, que o bispo local exortou seus fiéis a não tomarem “vingança barata sobre o Klan”.

No final da década de 1920, o KKK conseguiu dividir o Partido Democrata e desempenhou um papel importante ao descarrilar a candidatura da católica Al Smith à presidência, mas seu período de ampla influência política acabou evaporando quase tão rapidamente quanto chegou. As reclamações continuaram, é claro, assim como a política local às vezes podia ser infectada pelas atividades do Klan, e as lembranças dos terríveis anos 1920 deixariam feridas profundas.

É importante que os católicos norte-americanos lembrem as histórias de homens como Pearce DeBardeleben, lojista católico de Sylacauga, Alabama, que em abril de 1921 foi arrastado para a floresta por membros da Klan, açoitado com tiras de couro e socado com tanta brutalidade que perdeu a maioria dos dentes.

As panacéias que permitiram à KKK atingir tamanhas alturas de influência podem não serem mais caminhos eficientes para os corredores do poder, mas seria negligente dos católicos norte-americanos presumir que eles desapareceram completamente.

Texto de Jonathan Wright para a Catholic Herald. Tradução: Tridecahedron

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