sexta-feira, 9 de novembro de 2018

Aprendendo com a Esquerda (?)


Em tempos de fortalecimento da Direita, nada mais impopular que falar sobre um filme "de esquerda", mas eu gosto de provocar rsrs. Não, não voltei a ser comuna nem nada do tipo, mas como é de costume nesse BunKer, pretendo levar a reflexão para além da dicotomia ideológica e a vã segurança dos militantes, então, lá vamos nós, e os mais ousados podem me chamar de “Oh! Meu capitão!”

"Sociedade dos Poetas Mortos" é uma clássica apologia da pedagogia esquerdista, a obra conta a história de um inusitado professor que, com métodos heterodoxos, busca ensinar a seus alunos a arte da autenticidade contra o rígido conservadorismo escolar e familiar ao qual estão submetidos. Ante a subversiva influência do professor os garotos passam a se rebelar contra as regras da micro sociedade em que estão inseridos, todavia o conflito autoridade x liberdade acaba de maneira trágica: o jovem Neil Perry, desejoso de seguir atuando no teatro, mas pressionado a abandonar a vida de artista pelo pai, recorre ao suicídio. O argumento central do filme é que os valores tradicionais são fardos a oprimir o homem, negando-lhe a liberdade a autenticidade. Basicamente, o discurso new left. Tal argumento só ecoa e ganha adeptos porque carrega sua parcela de verdade; não são poucos aqueles que buscam tolher as escolhas alheias. Não tenho dúvida que muitos neoconservadores se identificariam com o diretor do colégio, repetindo o argumento de que o professor Keating seria um doutrinador comunista perigoso, responsável por perverter a juventude e, que uma rígida disciplina seria a resposta para todos os problemas educacionais.

Diferente dos degenerados da esquerda, digo eu que os valores e tradições não são fardos; o problema está no modo como são transmitidos. Por aquilo que ama, por aquilo que toma como um bem, o homem está disposto aos mais heroicos sacrifícios, mas aquilo que é simplesmente imposto, sem que seja precedido por uma escolha de amor, cedo ou tarde alimentará a rebeldia. O homem não é um cão a ser domesticado, é um ser livre dotado de espirito que clama por uma existência autêntica. Pensemos em um casamento, quantas privações e dificuldades trás consigo, não? E mesmo assim tantos entram nesta aventura motivados pelo amor. Todavia, se faltar o amor, esse ato da vontade, essa determinada determinação, o matrimônio se torna um fardo, uma estrutura opressora como descrito por aquelas feministas amarguradas. Keating despertou naqueles jovens apáticos o fogo de uma existência autêntica, fogo que as estruturas culturais a qual estavam submersos intentavam apagar, entretanto não lhes ensinou a controlar e direcionar tal paixão, de modo que o resultado foi desastroso.

Costumes e tradições existem por um motivo: porque deixada por si mesmas, por um uso indiscriminado de suas liberdades, a existência humana tende ao desastre. Vemos o resultado disso hoje, o grau de degeneração desta maldita sociedade liberal. Todavia, isso não significa que os sistemas sejam perfeitos, que devam ser fechados a toda e qualquer mudança, ou necessitemos de submissão aos imperativos culturais semelhante a nossa adesão aos dogmas de Fé. É lícito que afirmemos nossa existência, que não nos deixemos escravizar pelas estruturas que nos cercam, que não nos limitemos pela cultura de nosso “onde” e “quando”. Neil não errou ao seguir carreira no teatro. Entretanto, o mesmo não se pode dizer das atitudes dos demais jovens, sobretudo os soberbos excessos de Dalton.

Não sou a pessoa certa para apontar caminhos para o funcionamento das instituições educativas, minhas memórias de escola não são lá muito agradáveis, e igualmente sei o quanto aborrecimento trazem jovens imaturos e indisciplinados, deixo aos professores a missão de encontrar o equilíbrio entre disciplina e autenticidade. Equilíbrio o qual esplendidamente resume minha amiga Ana Paula Depoi: "Assim como só se aprende a ser um poeta quando se presencia o sentimento elevado de estar fazendo algo belo e humano. Mas esse sentimento não vai muito longe sem uma estrutura organizada para o poema e, inevitavelmente, sem um vocabulário interessante." 

Ressalto, por fim, que as lições de Keating são preciosas, e é de fato muito triste que tantos cheguem a vida adulta, muitos até a velhice, sem que tenham experimentado "o tutano da vida", a graça de uma existência autêntica.

3 comentários:

  1. O progressismo nada entende sobre amor e liberdade. Onde não há disciplina, o homem não está preparado para amar verdadeiramente e permanecerá preso em uma coleira materialista. Cristo veio para provar que os homens devem cuvar-se ao Senhor Deus, e assim mesmo apresentar a misericórdia e amor infinito Dele. Estou lisonjeada pela citação. Nunca deixe de escrever, Edmundo!

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  2. E ainda assim, o sensação de liberdade entre a sociedade dos poetas é correto e compreensível, pois estimula o sentimento combustível da arte, o amor pela vida e pela capacidade criativa. Estes que são concebidos por Deus. (Quando essa sensação não está associada a imprudência)

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  3. E ainda assim, o sensação de liberdade entre a sociedade dos poetas é correto e compreensível, pois estimula o sentimento combustível da arte, o amor pela vida e pela capacidade criativa. Estes que são concebidos por Deus. (Quando essa sensação não está associada a imprudência)

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