sexta-feira, 16 de novembro de 2018

“Jerusalém é a capital povo judeu!” #sqn


Jerusalém é a capital eterna e indivisível do povo judeu!”

O slogan acima contém tantos erros que é até difícil escolher um só para começar a presente abordagem. De qualquer maneira, tentemos:

1) Nem todo aquele que se declara judeu é cidadão israelense, e tampouco o cidadão israelense será sempre alguém que se declara judeu: alguns são árabes, por exemplo. Assim sendo, é o caso de se perguntar: alguém como o Sílvio Santos teria mais direito a Jerusalém que um cidadão israelense de sangue árabe que nasceu e cresceu em Jerusalém?

2) Os israelitas só ocuparam Jerusalém a partir do reinado do Rei Davi, tendo antes a cidade sido habitada por pelo menos outro povo, e mesmo assim só mantiveram controle da cidade ao longo da história pré-II Guerra por pouco mais de 500 anos. Fora desses poucos séculos de domínio israelita, a maior parte do tempo Jerusalém foi dominada por outros povos: gregos, persas, romanos, bizantinos, árabes, cruzados, britânicos, otomanos...

Ora, se a permanência de poucos séculos em Jerusalém cacifa aqueles que se declaram herdeiros dos israelitas a pleitear pela exclusividade sobre a cidade, então o que impediria que os herdeiros de outros povos que lá estiveram por igual ou superior período façam semelhante reivindicação agora ou no futuro?

3) Qual axioma do direito internacional estabelece que um povo expulso há séculos de um território tem direito de retomar o domínio desse local em detrimento dos que lá estão em permanência duradoura?

4) Deus deu a terra de Canaã aos israelitas por dois motivos: honrar aquele que era Seu Povo Escolhido, e fazer justiça contra os cananitas, um povo àquela altura entregue ao mal, particularmente ao sacrifício idolátrico das próprias crianças. Assim como levou os israelitas até lá, Deus também os dispersou como castigo por suas infidelidades — e os trouxe de volta quando haviam expiado suficientemente suas culpas no exílio na Babilônia. Do mesmo modo, Deus os dispersou uma segunda vez por terem recusado o Messias — e só poderiam ter permissão divina para retornar caso reconhecessem o Messias.

Ademais, não fazem hoje os israelenses aquilo que levou Deus a tirar dos cananitas o domínio sobre Canaã, a Terra Prometida? O Israel dos sionistas — fundado, aliás, por hordas de terroristas a serviço do bolchevismo, e não por algum ungido dos Céus — é um dos Estados de legislação mais permissiva para o aborto, hospeda a maior parada gay do Mediterrâneo, é o centro mundial do comércio dos chamados “diamantes de sangue”, além de ser a meca do tráfico de órgãos.

Portanto, evocar o direito divino em favor das pretensões sionistas é como dar um tiro que sai pela culatra...

4) Por fim, é simplesmente falso que um povo — qualquer que seja ele — tenha uma capital: só Estados as possuem. Se os que se declaram judeus podem ter uma capital, por que não o tuaregue? Por que não o pataxó? Por que não o roma (cigano)? Aceitar tal absurdo, portanto, abre uma Caixa de Pandora de precedentes que podem criar instabilidade e fragmentação dos diversos territórios nacionais mundo afora.

#Victor Fernandes

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