terça-feira, 27 de novembro de 2018

''(...) não ficará pedra sobre pedra''


34ª Semana do Tempo Comum - Terça-feira
Primeira Leitura (Ap 14,14-19)
Responsório (Sl 95)
Evangelho (Lc 21,5-11)

<Dias virão em que destas coisas que vedes não ficará pedra sobre pedra: tudo será destruído (Lc 21,6)>; assim foi com o Templo de Jerusalém, assim foi com o Império Romano, com as milenares dinastias chinesas, com o sangrento Império Asteca, com a França de Napoleão, o pretenso Reich de 2 mil anos de Hitler, com o Comunismo Soviético, assim também o será com o Capitalismo Americano. Não restará pedra sobre pedra! As construções humanas são perecíveis, por mais que se esforcem os filhos de Adão, não são eles capazes de perenizar-se no tempo. Quantos outros impérios e tiranos orgulhos a história não enterrou? Tudo passa, mas a Igreja permanece. Permanece, porém, enquanto instituição e doutrina, mesmo as grandes catedrais um dia desaparecerão, mas a Fé que as edificou permanece.

A ficção de Walter Miller Jr.; Um Cântico para Leibiowitz, ilustra de maneira magistral essa realidade teológica, recordo aqui o que escrevi outrora:
Qual o sentido da história para Miller? A eterna repetição do primevo pecado de Adão. Nascem e morrem as civilizações, as areias do tempo levam consigo a memória do nome dos sábios, esquecidos tal qual os tolos e néscios. Como Ozymandias de Shelley, ridícula é a sorte dos tiranos. O imortal tudo contempla e pouco entende, pois pouca valia têm o tempo sem a graça da Fé. E como figura da Igreja, lá permanece a abadia de São Leibiowitz, habitada por tão diferentes e curiosos homens, alguns veneráveis santos, outros apenas homens, tão humanamente homens.

Primeiras, segundas, terceiras, quartas teorias políticas, povos, raças, classes e nações; efêmeras ilusões reduzidas ao ridículo diante da lucidez de um suicida[1]. O provocador sorriso estampado na imagem do mártir, o sorriso de São Leibiowitz nesta bizonha ficção, é pois a mais piedosa e clara resposta ao paradigma moderno.

Quem sabe não encontre o leitor, nos fragmentos da Memorabilia, o senso do ridículo, que torna-nos capazes de rir, rir de nós mesmos e das tolas pretensões da cidade do homem, rir com a mesma naturalidade expressa na imagem do fundador da ordem albertiniana.
Que Deus nos ajude que no uso do efêmero, não esqueçamos aquilo que é eterno.

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