terça-feira, 13 de novembro de 2018

#Notas: Conservadorismo e Tradicionalismo

1 .O termo neocon têm sido usado tanto no ponto de vista intraeclesial, quanto político, e por vezes causa confusão, sendo necessário uma definição mais precisa, para além de estereótipos indenitários mais ou menos mutáveis. A meu ver, a definição mais adequada, a característica essencial do neoconservadorismo, seria tomar o status quo como fosse continuidade natural daquelas veneráveis tradições, e como tal, devesse ser defendido com afinco. Todavia, bem sabemos que longe da continuidade, há uma ruptura radical com o passado de outrora, de modo que o conservador não faz outra coisa que defender a perpetuação da fase anterior da Revolução, sem avanços ou regressos. O que o diferenciaria do tradicionalista, que defende um retorno, uma restauração, um reconectar-se com o fluxo vivo que animou as sociedades de outrora.

2. Assim, no âmbito político, ao mesmo tempo em que tradicionalistas e conservadores são circunstanciais aliados no que diz respeito a defesa contra o ataque das fases posteriores da degeneração revolucionária (gayzismo, comunismo, e cia), por outro lado, são inimigos mortais no que diz respeito ao atual modelo civilizacional (laico, liberal, lascivo, democrático e pluralista).

3. Existe o conservador ateu? Sim. Todavia não existe o tradicionalista ateu. A veneração da tradição exige necessariamente uma perspectiva religiosa, seja esta verdadeira (catolicismo) ou falsa (paganismo).

4. Para o tradicionalista, a defesa da tradição é um dever moral, independente do quão exequível é uma restauração. O conservador por sua vez é demasiado pragmático e prefere antes abandonar antigos princípios, modos usos e costumes que entregar-se por amor às causas perdidas. Para o tradicionalista, a tradição têm um valor transcendental; é a Verdade, a própria estrutura do real.

5. Enquanto o conservador discute em termos de conveniente ou inconveniente, prejuízo e lucro social; o tradicionalista fala em termos de certo e errado, Bem e Mal.

6. No âmbito eclesial, o ponto de ruptura é sem dúvida o Concílio Vaticano II, embora, diferentemente da disputa política e social, as tradições pretéritas, mais especificamente a Sagrada Tradição Apostólica, têm um valor infinitamente superior, do qual depende não apenas a sanidade da sociedade, mas o destino eterno de miríades de almas imortais. 

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