segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

Ambições Políticas

Para tantos, a vida intelectual, a contemplação da verdade, não é mais um fim em si mesmo, mas torna-se instrumento, um meio para a conquista de glória, fama e poder. Quantos mal iniciados aos estudos filosóficos já se apressam em abandonar as lições para militar em tal ou qual movimento? Quantos outros não prostituem seu saber, colocando sua retórica a serviço dos poderosos em busca de cargos, dinheiro e poder. Não se busca mais servir a verdade, mas servir-se desta....Quão contrante está a prática moderna com o ideal dos filósofos, o ideal de Sócrates, o ideal de Santo Tomás. A respeito do mais santo dos sábios, diz-nos J. Ferreira Fontes[1]:
Quem escreveu, como Santo Tomás, sobre os mais intrincados problemas políticos e sociais, era certamente capaz de governar. Pois bem, apesar de ser previamente consultado por S. Luís em todos os negócios delicados do governo do Estado, nunca, depois de ter mandado por escrito o seu parecer ao Santo Rei, cedeu à tentação de se ingerir nos enredos políticos; não obstante ter vivido tão perto do Papa e dos Cardiais, como teólogo da Cúria romana, jamais se deixou dominar do pensamento de influir nos negócios eclesiásticos. «Nunca serei mais que um simples Pregador», respondia êle singelamente ao seu amigo Fr. Reginaldo, que lhe dissera um dia: «Sereis nomeado Cardial com Fr. Boaventura e toda a ordem se alegrará com isso». Assim mortificava Santo Tomás todo apetite da vontade ou da inteligência que o pudesse distrair da sua vocação intelectual.
A luz da vida de Santo Tomás, refreemos nossos apetites, mortifiquemos nossas paixões e abandonemos as vaidosas ambições. Que a vaidade, a fama e o poder não venham a cegar-nos para verdade, o qual é o objeto de nosso estudo.
 
[1]  J. Ferreira Fontes. Santo Tomás de Aquino e a Crise Contemporânea; pág.10.

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