sexta-feira, 21 de dezembro de 2018

Digimon Frontier: Demasiado subestimado...

Fronteir é a quarta temporada da franquia Digimon e a mais subestimada, tanto pela crítica quanto pelo público em geral. Rememorando a infância, os poucos capítulos que assisti de "Digimon 4" não me empolgaram. A transformação dos protagonistas em digimon ao invés do tradicional parceiro digital fez com parte do carisma da narrativa se perdesse; além disso, as novas crianças escolhidas não tinham lá nada de muito marcante que as destacasse frente aos das temporadas anteriores. Já mais velho, especificamente a poucos meses atrás, rever o anime, sobretudo os capítulos iniciais não foi lá muito prazeroso; a carga dramática é extremamente mitigada em comparação as narrativas anteriores, todavia, no decorrer da história é possível vislumbrar uma explicação: o roteiro de Digimon Fronteir é um dos mais sombrios do universo digital, sendo a abordagem superficial da história necessária para que esta se torne apetecível ao público infanto juvenil. 

Uma guerra religiosa, inúmeras referências bíblicas e esotéricas, um verdadeiro genocídio digital com o sacrifício de inúmeros e inclusive a dúvida a respeito da morte de uma das crianças escolhidas. Olhemos para os gêmeos Koichi e Kouji, irmãos que até então não se conheciam devido a um divórcio traumático, o pai abandonara a mãe e um dos filhos, casando-se com outra mulher; não apenas isso, mas disse ao gêmeo mais novo que sua mãe havia morrido e guardou segredo sobre a existência do filho mais velho. E a história se torna ainda mais sombria quando descobrimos que Koichi morrera no caminho para o mundo digital, tendo apenas sua alma atravessado a fronteira entre os dois mundos, enquanto seu corpo estava em um leito de hospital. Fosse aprofundado e abordado em toda a sua complexidade e dramaticidade, a trama viria a causar pesadelos ao público infantil. 

Na temporada anterior, Digimon Tamers, a melhor da franquia em minha humilde opinião, esse mesmo contraste estava presente, por um lado os diretores e roteiristas buscando aprofundar a complexidade da narrativa, desenvolvendo aspectos psicológicos e dramáticos, por outro a necessidade de mitigar tais aspectos afim de que a obra fosse adequada ao publico visado. Todavia, creio que o resultado final foi bem mais adequado.

Fronteir, o nome chega a ser simbólico, de fato a trama está na fronteira entre o adulto e o infantil e, é devidamente por isso que por fim a impressão que fica é a de que o roteiro foi mal adaptado; ainda assim vale a pena conferir, mas cuidado com as crianças.

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ATENÇÃO: Valorizo em demasia o aspecto artístico do texto, recorrendo com frequência a hipérboles e metáforas. Cuidado com interpretações literalistas, não me vá fazer nenhuma besteira!