sexta-feira, 28 de dezembro de 2018

Fazendas Verticais e a falência do seu João

Não sou nenhum grande consumidor de hortaliças, carne frutas e cereais fazem mais o meu gosto, todavia suspeito que o leitor deva comer algum alface, rúcula, almeirão, vagem ou coisa do tipo. Se o leitor reside no Brasil, provavelmente a hortaliça consumida provém de uma pequena propriedade rural ou urbana com mão de obra familiar. Sim, as hortas urbanas estão cada vez mais populares, e se até aqui neste fim de mundo onde moro há algumas, não creio ser muito difícil encontrá-las nas grandes capitais. Porém, este tipo de empreendimento está com os dias contados. Na Europa e nos EUA têm se popularizado um sistema de cultivo conhecido como aerofarms, ou fazendas verticais; onde mesclando técnicas modernas como a hidroponia e a iluminação led, se produz hortaliças em quantidade avassaladora sem a necessidade de agroquímicos (abastecendo assim parcela considerável do mercado “orgânico” no estrangeiro).

Pois é caro amigo hippie, você que entrou nessa onda orgânica em busca de algo mais “natural” pode no futuro consumir hortaliças produzidas em laboratórios, que jamais tiveram sequer algum contato com o a terra ou o sol. Irônico, não?

O sistema ainda está em seus inícios, mas a tendencia é popularizar-se cada vez mais, sobretudo nas grandes metrópoles, tendo como consequência social imediata a expulsão dos pequenos agricultores do mercado. Ora, como a hortinha de seu João poderá competir com o volume e a complexidade destas verdadeiras fábricas vegetais? Entretanto, por agora, a técnica está restrita a espécies de ciclo curto, mais especificamente hortaliças. Não é ainda lucrativo a produção de frutas (culturas perenes) e cereais longe daquilo que chamamos natureza.

Bom, para além de meu pessimismo distópico, mencionemos algumas vantagens da técnica: a viabilidade financeira da produção de hortaliças em grande escala, bem como economia nos gastos decorrentes ao transporte uma vez que é a produção é instalada nas imediações do centro consumidor (dentro das cidades). Porém, não se afobe, no Brasil existe apenas uma unidade a adotar o modelo, creio que resta ainda um prazo de 5 a 7 anos até que a técnica venha a tornar-se relevante no país, sorte pro seu João.

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ATENÇÃO: Valorizo em demasia o aspecto artístico do texto, recorrendo com frequência a hipérboles e metáforas. Cuidado com interpretações literalistas, não me vá fazer nenhuma besteira!