sábado, 15 de dezembro de 2018

O Castigo de Fátima e a Singularidade Tecnológica

O constante avanço técnico-científico não é uma lei histórica absoluta e irreversível como creem os devotos do progresso; antes depende de um frágil e complexo arranjo civilizacional sociopolítico. Tendo isto em vista, gostaria de tecer algumas considerações sobre a teoria da singularidade tecnológica, mais especificamente no que diz respeito a possibilidade de que a inteligência artificial venha a revoltar-se contra os homens, pesadelo este descrito em diversas obras de ficção científica, a exemplo da trilogia Matrix.

Conforme já mencionei antes, a máquina não é capaz de desenvolver algo como fosse uma alma ou uma consciência. Todavia, em correção a anteriores reflexões, é preciso dizer que isso não significa que a máquina não possa vir a ferir o homem, ou atentar pela extinção da raça. A dinâmica interna de sua programação pode levar a i.a. a adotar medidas visando o fim da humanidade. É questão de lógica, o programador estabelece os princípios e a máquina extrai as consequências últimas, se princípios errôneos forem estabelecidos, consequências desastrosas serão resultantes. Assim, por sua programação e lógica interna, é uma possibilidade factível que máquinas venham a representar um risco, todavia isso se deve não ao desenvolvimento de alma e consciência, mas a falhas de programação. Entretanto, creio eu que as desordens internas do atual arranjo civilizacional levarão ao regresso no desenvolvimento técnico-científico antes que sejamos capazes de construir robôs que venham a causar problemas.

Que tipo de desordem poderia ocasionar um regresso tecnológico? Pensemos em um conflito nuclear de proporções mundiais, não restam dúvidas que após tão fatídico episódio os sobreviventes estariam reduzidos a padrões pré-revolução industrial. A temática “pós-apocalíptica”, aliás, já foi também trabalhada em diversas obras sci-fi como “O Livro de Eli” e em “Um Cântico para Leibowitz”.

Dito isto, a luz ainda das profecias de Fátima, gostaria de dar prosseguimento a autocrítica de meus devaneios arqueofuturistas. (Recordo, porém, ao leitor que é um raciocínio próprio, assentado sobre uma <<revelação privada>>, e mais ainda sobre determinada interpretação daquilo que nos chegou das palavras da profecia. Estou a especular sobre o futuro em bases epistemologicamente frágeis. Ainda assim, continuemos...)

Creio nas profecias de Fátima, e penso que a interpretação desta segundo exposto pelo padre Paul Kramer em ''O Derradeiro Combate do Demônio'' seja aquilo que de mais seguro há sobre o assunto. Desta forma, creio que antes do fim dos tempos haverá ainda um período de paz e restauração do poderio temporal da Igreja. SE, porém, esta nova era de ouro se dará em moldes civilizacionais e tecnológicos semelhantes aos nossos, ou se após o castigo regrediremos a técnica da era pré-revolução industrial é algo ainda mais nebuloso. Inicialmente sonhava com uma hipótese high tech pós-castigo, todavia tenho-me inclinado, nos últimos tempos, a tese do regressista, análogo ao que ocorreu com a durante queda do Império Romano. Sendo assim, talvez fosse mais prudente revisitar a literatura pós-apocalíptica.

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ATENÇÃO: Valorizo em demasia o aspecto artístico do texto, recorrendo com frequência a hipérboles e metáforas. Cuidado com interpretações literalistas, não me vá fazer nenhuma besteira!