sábado, 18 de maio de 2019

Basta de puritanismo!

 
Puritanismo se refere historicamente a certa corrente protestante desenvolvida no interior do já degenerado calvinismo. Embora hoje não mais existam puritanos propriamente ditos, posteriormente, o termo ganhou significados mais amplos, de modo a se referir a uma suposta rigidez moral. Ainda assim, a expressão conserva um caráter polissêmico, sendo utilizado ora como insulto pelos pagãos a todo aquele que por meio de palavras descreve a nojeira a qual eles manifestam em ações, ora para designar certa perversão da teologia moral, uma rigidez injustificada que trata ocasiões neutras como fossem pecados hediondos. Não raro esta espécie de puritanismo promove uma síntese blasfema entre o ensinamento cristão e a moral politicamente correta, de modo que não são poucos aqueles que se escandalizam inflamados contra o cigarro, o álcool, as armas, a violência, a carne vermelha, o sal, e tantos outros alvos da engenharia social pós-moderna.

Além de tornar o cristão chato, essa síntese puritana politicamente correta cria homens fracos e efeminados; ante tal doença espiritual, gostaria de lhes recomendar um inusitado remédio: o cinema dos anos 80 e 90, especialmente a filmografia de Stallone e Schwarzenegger. É sobre isso que pretendo discorrer a seguir, mais especificamente sobre um profético clássico retrowave; falo de O Demolidor (no original Demolition Man).

A premissa é simples: o futuro é uma merda, o politicamente correto impregnou de tal maneira a sociedade que toda forma de violência e agressividade (mesmo verbal) é proibida, além do álcool, cigarro, carne, sal; nesta distopia sci-fi o crime é peça de museu, ou era, até que um antigo criminoso congelado no passado retorna a atividade e a polícia da época, fraca e efeminada, incapaz de lidar com este, é obrigada a trazer também do passado um velho policial casca-grossa. De resto temos aquela boa dose de violência, tiros, explosões, e o herói que fica com a linda mocinha ao final. Apesar da estética futurista, o filme tem muito a dizer aos nossos dias, dias estes em que os chamados justiceiros sociais colocam de fora suas garrinhas totalitárias, usurpando as estruturas da Igreja e do Estado para impor sua moral perversa e absolutamente arbitrária. Assim como o resgate a certo barbarismo viril, a redescoberta da alta macheza, fora no filme essencial para se demolir uma sociedade iníqua, assim nós homens católicos devemos cultivar este espírito viril, não devemos nos submeter a essa falsa moral, mas tão somente aos mandamentos divinamente revelados.

Um dos momentos mais cômicos do filme é a censura da linguagem. Os chamados palavrões; sobre isso gostaria de dissipar algumas confusões. Se, por um lado, os católicos devem evitar a vulgaridade e ofensas de cunho sexual, por outro nada impede o uso de palavras agressivas contra os inimigos da Igreja. Antes, é por vezes, uma obrigação denunciar o lobo, atacar os perversos, resistir aos maus. A este respeito, gostaria de citar São Boaventura, um mestre na arte do insulto, eis como o santo doutor se dirigia a um pérfido heresiarca de seu tempo: “desordenado, vagabundo, impostor, vaso de ignomínia, escorpião vomitado de Bréscia, visto com horror em Roma e com abominação na Alemanha, desdenhado do Sumo Pontífice, celebrado pelo diabo, artífice de iniquidade, devorador do povo, boca cheia de maldição, semeador de discórdias, fabricador de cismas, feroz lobo”.

Em suma, para uma nova cristandade florescer, esta iníqua civilização pós-moderna e sua pseudomoral politicamente correta devem findar. Sejamos, pois, cada um de nós um pequeno demolidor, artífices da destruição do erro, da mentira e da heresia.

segunda-feira, 13 de maio de 2019

Que é o Liberalismo? - Pe. Felix Sarda y Salvany

Ao estudar um objeto qualquer, depois da pergunta an sit?, faziam os antigos escolásticos a seguinte: Quid sit, e esta é a de que nos vamos ocupar no presente capítulo.

O que é o Liberalismo? Na ordem das ideias é um conjunto de ideias falsas; na ordem dos fatos é um conjunto de fatos criminosos, consequência prática daquelas ideias.

Na ordem das ideias o Liberalismo é o conjunto do que chamam princípios liberais, com as consequências lógicas que deles se derivam. Princípios liberais são: a absoluta soberania do indivíduo com inteira independência de Deus e da sua autoridade; soberania da sociedade com absoluta independência do que não provenha dela mesma; soberania nacional, isto é, o direito do povo para legislar e governar-se com absoluta independência de todo o critério que não seja o da sua própria vontade expressa primeiro pelo sufrágio e depois pela maioria parlamentar; liberdade de pensamento sem limitação alguma em política, em moral ou em religião; liberdade de imprensa, igualmente absoluta ou insuficientemente limitada; liberdade de associação com igual latitude. Estes são os chamados princípios liberais no seu mais cru radicalismo.

O fundo comum de todos eles é o racionalismo individual ou racionalismo político, e o racionalismo social. Derivam-se deles a liberdade de cultos mais ou menos limitada; a supremacia do Estado em suas relações com a Igreja; o ensino leigo ou independente sem nenhum laço com a religião; o matrimônio legalizado e sancionado pela intervenção exclusiva do Estado; a sua última palavra, a que abarca tudo e tudo sintetiza, é a palavra secularização, quer dizer, a não intervenção da religião em nenhum ato devida pública, verdadeiro ateísmo social, que é a última consequência do Liberalismo.

Na ordem dos fatos o Liberalismo é um conjunto de obras inspiradas por aqueles princípios e reguladas por eles. Como, por exemplo, as leis de desamortização, a expulsão das ordens religiosas; os atentados de todo o gênero oficiais e extraoficiais, contra a liberdade da Igreja; a corrupção e o erro publicamente autorizado na tribuna, na imprensa, nas diversões, nos costumes; a guerra sistemática ao catolicismo, que apodam com os nomes de clericalismo, teocracia, ultramontanismo, etc., etc.

É impossível enumerar e classificar os fatos que constituem o proceder prático liberal, pois compreendem desde o ministro e o diplomata, que legislam ou intrigam, até o demagogo, que perora no clube ou assassina na rua; desde o tratado internacional ou a guerra iníqua que usurpa ao Papa o seu principado temporal, até à mão cobiçosa que rouba o dote da religiosa, ou se apodera da lâmpada do altar; desde o livro profundo e sabichão que se dá como texto na Universidade ou no Instituto, até à vil caricatura que regozija os frequentadores de taberna. O Liberalismo prático é um mundo completo de máximas, modas, artes, literatura, diplomacia, leis, maquinações e atropelamentos completamente seus. É o mundo de Luzbel, hoje disfarçado com aquele nome, e em radical oposição e luta com a sociedade dos filhos de Deus, que é a Igreja de Jesus Cristo.

Eis aqui, pois, retratado, como doutrina e como prática, o Liberalismo.

- Pe. Felix Sarda y Salvany. O Liberalismo é Pecado; Cap. II: Que é o Liberalismo?

quinta-feira, 9 de maio de 2019

Paradoxos da Vida Intelectual: Gratidão e Evolução

A vida intelectual (termo que julgo absolutamente inadequado, mas uso na falta de outro melhor) é feita de infinitos ciclos de morte e ressurreição. Renunciar a essa lógica, é perecer na estagnação.

Iniciamos lendo determinado autor, os temo-lo por um sábio, aderimos a tal doutrina, tão logo descobrimos seus erros e somos obrigados a renunciar-lha e afastar-nos daquele que nos instruiu outrora. Muito temos de limpar a mente daquilo que anteriormente aprendemos com pretéritos autores, ao mesmo tempo temos de nos esforçar por guardar algumas poucas pérolas preciosas.

É difícil conciliar este ciclo de destruição e autodestruição com a virtude da gratidão. Se por um lado amamos determinado pensador pelos caminhos que nos abriu, pelos processos que inciou; por outro o odiamos pelos erros que nos legou, pelo fardo que depositou sob nossos ombros, fardo o qual com tanta dificuldades nos livramos.

É preciso frieza e maturidade para lidar com isso, e mesmo assim é complicado, paradoxal. Tanto mais é quando determinado autor foi responsável por iniciar processos que mudaram nossa vida: s nossa conversão ao catolicismo, a nossa introdução a vida intelectual, nosso interesse a determinada área. Quão gratos devemos ser e, ao mesmo tempo, sob pena de não completar os processos inciados, não podemos calar-nos ou fechar os olhos pra seus erros, apegarmo-nos a eles como fossem mestres infalíveis. Só um é o mestre, o Cristo Jesus.

Ao vulgo, tudo isso parece bobagem, mas não é. É uma questão crucial, que determina os rumos que a vida toma e do qual nos será pedido contas no dia do juízo.

Gratidão e evolução (ou desenvolvimento, se preferir, mas optei por conservar a rima), tal paradoxo quem o poderá resolver?

Viagem Apostólica


3ª Semana da Páscoa - Quinta-feira
Primeira Leitura (At 8,26-40)
Responsório (Sl 65)
Evangelho (Jo 6,44-51)

O anjo do Senhor lhe apareceu e, atento a da voz, partiu Felipe ao caminho que leva de Jerusalém a Gaza. Não foi Felipe atrás de ecumenismos, tampouco fazer diplomacia, foi para converter. E assim o fez. Explicou ao etíope as escrituras, este acreditou e foi batizado.

Quão diferente é a viagem de Felipe de tantas viagens ditas apostólicas. Nunca se viajou tanto, todavia se faz por motivos não muito cristãos: paz, diplomacia, ecumenismo, politicagem... São afinal sucessores dos apóstolos, servos de Cristo ou observadores da ONU?

Rezemos pelo clero, para que retorne ao caminho de Felipe e, obedecendo a voz do anjo, vão em busca das ovelhas perdidas. Ah, tantas são as almas que se precipitam no inferno porque não há quem lhes explique as escrituras! Caem nas seduções dos hereges, na lábia dos endemoniados...
Senhor, tende piedade de nós! São Felipe, rogai por nós!

segunda-feira, 6 de maio de 2019

Não se defende a verdade por meio da mentira


3ª Semana da Páscoa - Segunda-feira
Primeira Leitura (At 6,8-15)
Responsório (Sl 118,23-30)
Evangelho (Jo 6,22-29)

1. Na primeira leitura, extraída do livro dos Atos dos Apóstolos, vimos um pouco da saga de Estevão. O Espírito Santo lhe dava sabedoria, com a qual disputava com os judeus no que diz respeito as verdades de Fé, mas os judeus trapaceiros, incapazes de lhe vencer, recorrem a falsos testemunhos para incriminá-lo. Pode ser que nós, hoje, não estejamos a resistir a santos inspirados pelo Divino Espírito, mas quão triste é ver que tantas vezes, derrotados em disputas intelectuais, irmãos recorrem a falsos testemunhos contra seu adversário. Que Deus nos dê as graças para resistir a este tipo de tentação, não se defende a verdade por meio da mentira!

2. No santo Evangelho, quando interrogado pela multidão a respeito das obras que são do agrado de Deus, <Jesus respondeu e disse-lhes: A obra (do agrado) de Deus é está: Que acreditais naquele que ele enviou (Jo 6,29)>. Sim, a Fé é a primeira das obras, sem a Fé, a fé verdadeira, é impossível agradar a Deus. Todavia, crer ainda não é o suficiente, não basta crer no escondido, ter uma fé oculta, é preciso de a coragem de confessá-la, testemunhá-la, conforme nos ensina o Catecismo Romano:
(...) Quem diz "Creio" exprime a íntima aquiescência da alma, que é o ato interior da fé. Deve, porém, externar com pública profissão a fé que lhe vai na alma, e manifestá-la com a maior expansão de alegria.

Devem os fiéis estar possuídos daquele espírito que levou o Profeta a dizer: "Eu tinha fé, por isso é que falei". Força lhes é imitar os Apóstolos que aos príncipes do povo responderam: "Não podemos silenciar o que vimos e ouvimos" .

Devem entusiasmar-se com a grandiosa declaração de São Paulo: "Não me envergonho do Evangelho, pois é uma virtude de Deus para salvar todo homem crente" ou também, com esta outra palavra: "com o coração se crê para ser justificado; com a boca se faz confissão, para que haja salvação".

sábado, 27 de abril de 2019

O Jardim Terrestre e o Cósmico Ultramar

A perspectiva espacial ainda hoje instiga minha imaginação. Um universo tão vasto, mundos diversos, planetas variados e misteriosos a serem explorados. A ideia de uma colonização espacial nos tira da monotonia de um mundo estável o qual aparentemente não há mais mistérios por se desvendar. Todavia, na contramão da ficção, a ideia de discos voadores e homenzinhos verdes me parece muito pouco provável.

Sabemos que é a alma imortal, o sopro divino, que nos difere das bestas e nos permite as operações do intelecto. Nossa alma não surgiu ao acaso e sim nos foi infundida por uma livre escolha do Criador. Porque tal escolha deveria se repetir em mundos infinitos?

Afirmo, pois, minha convicção de que enquanto seres racionais, constituídos de um corpo material e uma alma espiritual estamos sozinhos no universo.

E quanto aos relatos de discos voadores e aparições alienígenas? Demônios, alucinações e homens disformes vítimas de perversos experimentos biológicos orquestrados pelo governo (hoje norte-americano, outrora também o soviético).

Quanto a bestas, vegetais, bactérias espaciais e coisas do gênero, creio que sua existência não contradiz o relato do Gênesis.

Pode existir alguma esperança de que a humanidade dure o suficiente para explorar e colonizar alguns daqueles “onde” longínquos. Igualmente, podemos não durar tanto. Deus criou o universo, mas colocou o homem em um jardim… Talvez toda a nossa história se restrinja a este pequeno planeta azul, e o conhecimento do cósmico ultramar fique para depois do fim dos tempos. De todo o modo, deixemos o futuro aos homens de amanhã, nós já temos nossos próprios problemas.

sexta-feira, 26 de abril de 2019

Gyakkyou Burai Kaiji: Escrúpulos



Não raro o anime Gyakkyou Burai Kaiji figura entre as listas elitistas das melhores obras do entretenimento japonês, todavia, confesso que a premissa nunca me convenceu. O que de tão interessante haveria em tramas sobre dinheiro e jogos de azar? De modo que sempre posterguei e adiei a apreciação da obra. Porém, por insistência de um leitor, resolvi dar uma chance a narrativa, que de início não me convenceu, os personagens eram superficiais, a trama simplista, mas afinal, por volta do quinto episódio começava simpatizar com o anime. Até o presente momento, não fui além da finalização do primeiro arco, entretanto, há aspectos interessantes que justificam o presente artigo; a começar pelas técnicas de manipulação comportamental utilizadas pelos personagens. Para convencer Kaiji a entrar no Espoir, o navio de apostas donde se decidiria a sorte e maldição de muitos, o mafioso Endou usa de expedientes bem conhecidos pela psicologia, de uma simulada simpatia a técnica da escassez. A ideia por trás desta última, tão ultilizadaa no “livre mercado”, é simples: introjetar na vítima a ideia que tal produto ou oportunidade é escassa, de modo a pressioná-lo a tomar sua decisão o mais rápido possível, sem a devida reflexão. Na trama, Endou diz a Kaiji que restavam apenas duas vagas para o navio, e tão logo simula uma ligação com o preenchimento da primeira, restando apenas mais uma… O resultado já podem adivinhar. Meu pároco costuma expor em suas homilias sobre os mecanismos de funcionamento desta técnica, tão popular entre os serviçais de Satanás, e nos ensina o método para detê-la: “Se precisar de uma resposta imediata, a resposta é não! O sim exige tempo e reflexão, se não pode me fornecer isso, fique com a negativa!”, uma perspectiva relativamente simples, mas que se bem aplicada nos pouparia muita dor de cabeça, interessante, não?


Voltemos ao anime, já no navio, Kaiji é ludibriado uma vez mais. Funai se finge de amigo e propõe uma aliança para saírem de lá juntos...Sem entrar em detalhes sobre o jogo e a estratégia utilizada, o cerne do episódio é que tudo não passou de uma armadilha onde Funai se aproveita da ingenuidade de Kaiji. Há aqui outra lição: a amizade, a confiança vem com o tempo, não se deve ingenuamente confiar em qualquer estranho que acaso venha a demonstrar alguma simpatia. Lição essa, aliás, ensinada a crianças por meio dos chamados contos de fadas, mas avante, a lição mais interessante vem agora…



Kaiji nota que existem regras ocultas, ou melhor dizendo, que nosso cérebro supõe regras e proibições, escrúpulos, que não existem. Há tantas coisas permitidas naquele jogo, mas que nossa consciência sequer é capaz de imaginar, tantos caminhos ocultos a nosso cérebro abestado que foi programado a enxergar apenas um. Assim também o é na vida. Quando mais novo, pensava que a amizade para com todos era um dever moral, seria um crime terrível, uma imoralidade hedionda, afastar-me de alguém, rejeitar uma amizade, não importa o quão repugnante, desprezível e ofensivo fosse comportamento do “amigo”. Quanto tempo aceitei e convivi com gente ruim, gente de maus costumes, gente desagradável. Tão logo descobri que não era obrigado a tal, que a amizade é um privilégio e não uma obrigação, que ao afastar-me de quem me era incômodo nada perdia, fora uma verdadeira libertação! Quão mais leve minha vida se tornou depois disso. Tal como está, há infintas regras ocultas, na vida, nos negócios, no estudo, a qual cabe a nós descobrir para sermos homens verdadeiramente livres, para vivermos de forma ética sim, mas não preso a escrúpulos que antes nos escravizam.


Para quem quer aprofundar um pouco mais na descoberta na temática destas regras ocultas e escrúpulos sociais, recomendo a leitura desta velharia, onde discorro um pouco sobre a arte da não conformidade.

Isso é tudo pessoal!

Ao menos, por agora. Talvez o segundo arco venha a inspirar mais algumas reflexões, todavia, não prometo nada, até mais!

quinta-feira, 25 de abril de 2019

''(...) um espírito não tem carne nem ossos como vós vedes que eu tenho"


Oitava da Páscoa - Quinta-feira 
Primeira Leitura (At 3,11-26)
Responsório (Sl 8)
Evangelho (Lc 24,35-48)

1.<Pedro, vendo isto, falou assim ao povo: Varões israelitas, porque vos admirais disto, ou porque pondes os olhos em nós como se por nosso poder, ou por nossa piedade tivéssemos feito andar este (homem)? (At 3,12)>. Logo após um esplendoroso milagre, São Pedro e São João demonstra grande humildade e honestidade. Não é por nosso poder, por nossa piedade, mas por Jesus Cristo! Tantas vezes caímos na tentação da meritocracia, sim uma tentação, pensar que temos méritos, que temos poder, que somos como que super-humanos. Não é assim, tudo que  temos vem de Deus. Não cultivemos ilusões, tenhamos em vista esta verdade que é a base da verdadeira humildade.


2. Cristo Ressuscitou! Ele apareceu diante dos apóstolos, comeu com eles, peixes e favos de mel, os convidou a tocar em suas chagas e, ainda o disse: <Olha para as minhas mãos e pés porque sou eu mesmo; apalpai e vede, um espírito não tem carne nem ossos como vós vedes que eu tenho (Lc 24,39)>. É o mesmo corpo, o corpo que outrora foi transpassado na cruz, agora glorioso, ressurrecto. Mas, os boboquinhas dos espíritas dizem que não: não ressuscitou, mas apenas manifestou seu espírito desencarnado. São mentirosos como seu pai o Diabo. Que Nossa Senhora, aquela que foi vitoriosa sobre todas as heresias, interceda por nós, para que Deus livre esta Terra de Santa Cruz desta peste.
Ó Virgem poderosa, única que destes o golpe mortal a todas as heresias em todo o mundo, dignai-Vos de libertar o universo Cristão dos laços do demônio.
Volvei os vossos olhos misericordiosos às almas seduzidas pela astúcia de Satanaz, para que, rejeitando o veneno das heresias, os corações transviados se arrependam e voltem a unidade da verdade católica, mediante a vossa poderosa intercessão junto a Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que vive e reina com Deus Pai em união do Espírito Santo por todos os séculos dos séculos. Amém.

segunda-feira, 22 de abril de 2019

Docilidade a Verdade


Oitava da Páscoa - Segunda-feira
Primeira Leitura (At 2,14.22-32)
Responsório (Sl 15)
Evangelho (Mt 28,8-15)

1. A Ressurreição de Cristo transforma o cristão no soldado perfeito. A morte já não mata mais, Nosso Senhor está conosco e, reserva o paraíso a seus amigos. Não há motivo para o temor, não há desculpa para a covardia. 
Levantai-vos Soldados de Cristo!

2. Cristo Ressuscitou e, ante um sinal tão claro da ação de Deus, que fazem os judeus? Recorrem a mentiras: falam de um cadáver roubado pelos discípulos. Povo de cabeça dura, endemoniados presos em sua teimosia, distorcem a própria realidade afim de encaixá-la em seus esquemas mentais e não atrapalhar sua pose. Ainda hoje é assim, tantos milagres, tantas evidências da ação de Deus sobre a história e, muitos persistem em negar recorrendo as mais amalucadas sandices. Mas, falemos sobre a mentira em si; em toda a mentira há certo orgulho demoníaco. O orgulho daquele que não é dócil a verdade, antes procura moldá-la, ao invés de acolher os dados do real, procura construí-los a luz dos devaneios de sua própria mente. Há um ódio a realidade, e certo desejo gnóstico de como um "deus" moldá-la, construí-la, modificá-la, por meio da palavra; não atoa o diabo é chamado o pai da mentira. Nesta a oitava de Páscoa peçamos a Deus que a luz de seu Cristo ilumine a trevas de Nossa existência e nos dê a graça da docilidade a verdade.

quarta-feira, 17 de abril de 2019

Love is War

Slice of life (em português: fatia de vida) descreve o uso de experiências quotidianas em arte e entretenimento. Em anime e manga, "slice of life" é um gênero que muitas vezes se assemelha à um melodrama adolescente; ou seja uma novelinha chata e tediosa. Do complexo universo do entretenimento japonês são histórias as quais sempre evitei. Mas, a vida é uma caixinha de surpresas e, e depois de consultar a crítica, resolvi dar uma chance a Kaguya-sama: Love is War.

A premissa é extremamente interessante: o amor é uma guerra, uma relação de poder, há o senhor e o escravo, nessa guerra perde aquele que se apaixona. Para aqueles envoltos no que “A Real” (uma espécie de masculinismo tupiniquim) chama "Matrix", isso pode soar escandaloso: “como o terreno puro do amor pode ser ocasião de relações tão baixas e sombrias”, mas para quem há muito abandou as ilusões românticas, não há nada de novo no front. Da premissa se deriva o conflito que estrutura a narrativa, cientes desta dinâmica de dominação presente nos relacionamentos afetivos, dois gênios apaixonados, Miyuki Shirogane e Kaguya Shinomiya confeccionam joguinhos e estratégias afim de forçar o outro a confessar-lhe seu amor. Se o relacionamento é desejado, a submissão é intolerável, importa amar sim, mas entregar-se, jamais!


Esta dinâmica de jogos afetivos e psicológicos, afim de estabelecer o domínio sobre a relação, fora sistematizada de modo mais ou menos ordenado pelo webescritor Nessahan Alita. Nessahan sistematizou os principais “joguinhos” usados pelas moças afim de manipular os varões, bem como expõe técnicas para “contra-atacar” e vencer a silenciosa batalha do amor.

O anime é muito bom, expõe com precisão técnicas complexas, bem como capricha na comédia, além de possuir personagens extremamente carismáticos e um trabalho de animação fantástico. Voltando a Alita, suas técnicas funcionam, e confesso que é um tanto divertido jogar o jogo do amor munido de tais armas, todavia…. Não é um jogo honesto nem ético!

O amor não deve ser uma relação de dominação, uma guerra onde um lado procura subjugar o outro, onde cada elemento se eleva ao status de divindade, esperando o culto e a devoção do amado; onde, no fim, tudo se resume a usar-se mutuamente. A finalidade do namoro é o casamento, e a finalidade deste é a família e a finalidade desta é o Céu. Desta forma, uma relação saudável tem Deus como o centro e fim último, de modo que ao invés de se servir-se do parceiro ou parceira para saciar os próprios egoísmos, ambos se unem para melhor servir seu Criador. E, aspirando a glória de Deus, ambos são capazes de se entregar totalmente, cumprindo seus deveres munidos de um divino zelo e temor, também pela dignidade do outro (o qual pelo sagrado matrimônio se torna carne de sua carne, sangue de seu sangue). Utópico? Talvez, mas sem esse ideal em vista, que é o amor senão uma cruel ilusão? Se o outro sempre estará a jogar, a conspirar, a aspirar a dominação, não seria melhor se manter longe da guerra dos sexos, preservando a sanidade com o celibato?

Meu conselho, ame a Deus mais que a sua esposa e mais do que a si mesmo, encontre uma moça que faça o mesmo, rezem, e quem sabe não saia algo bonito daí. Fora disso só vai arranjar encrenca.

sábado, 13 de abril de 2019

Sedevacantismo (?)


5ª Semana da Quaresma - Sábado
Primeira Leitura (Ez 37,21-28)
Responsório (Jr 31,10-13)
Evangelho (Jo 11,45-56)

Se Caifás, um homem mal, um iníquo, aquele que condenou a Jesus, conservou ainda assim o ministério de Sumo Sacerdote até o cumprimento das profecias, conservou as graças de Estado e fora capaz de profetizar apesar da imundície de sua alma, seria diferente com um mal Papa?

O sedevacantismo me soa como uma espécie de donatismo, uma confusão entre nasce de uma confusão entre graça santificante e graças de estado, ou no latim "Gratum faciens" et "Gratis data".

Que a Sé esteja vacante desde Pio XII ou São João XXIII não faz o menor sentido. Todavia, há que se manter a honestidade científica, é possível que Francisco não seja um Papa legítimo e Bento XVI ainda o seja, as condições da renúncia ainda estão mais ou menos nebulosas, e qualquer nova evidência pode vir a alterar a compreensão do todo. Entretanto, até que novos dados sejam desvelados, creio ser temerário colocar em dúvida a validade do atual e desastroso pontificado de Francisco.

sexta-feira, 12 de abril de 2019

O Castigo de La Sallete

Durante o período quaresmal dediquei-me a leitura do livro Conheçam la Salette do Pe. Dr. Simão Baccelli; obra extensa, volumosa, densa, embora um tanto decepcionante, uma vez que Pe. Simão recusa-se a comentar sobre o conteúdo do “segredo” revelado aos pastorinhos. De todo o modo, é um início ao estudo de tão interessante, misteriosa e chocante a aparição. Como não se comover diante da imagem da Virgem em prantos, da “Bela Senhora” que desce em lágrimas do paraíso para avisar seus filhos sobre a consequência do pecado e o castigo que lhes está reservado se persistirem em sua conduta iníqua. A ideia de um castigo, de que as ofensas perpetradas exigem uma reparação, uma paga, doutrina constante na tradição da Igreja, explícita em toda a escritura, doutrina essa obscurecida nestes tempos iníquos por teólogos desonestos e medíocres. E mais, não é sobre os “pecados sociais” (os únicos os quais a mentalidade materialista permite-nos lamentar) que a Imaculada vem nos alertar, mas sobre ofensas espirituais, sobre a violação da primeira das tábuas da lei, a Virgem chora pelas blasfêmias, pela profanação dos dias santos de guarda, pela violação do jejum quaresmal; isso em 1846! Tanto mais há para chorar neste 2019….

Pouco tempo depois da manifestação sagrada da Virgem Santíssima, suas profecias começaram a se cumprir, como castigo pela iniquidade dos homens, uma grande fome se abateu sobre a França, as colheitas foram destruídas, crianças foram vitimadas; há como que um eco das pragas do Egito realizadas no tempo de Moisés:

Ela anunciou: “Sobrevirá uma grande fome”.

Ora, o jornal "Constitutionnel", início de Março de 1856, escrevia: "Embora não seja concluída a estatística do movimento do estado civil para o ano de 1855, temos fundados motivos, pelos resultados já conhecidos, que nesse ano terá havido excepcional mortandade, de mais de oitenta mil falecimentos por causa da escassez de víveres". Pelo mesmo jornal, em 1854, deram-se sessenta mil falecimentos e pior· foi ainda no ano de 1856. Em dois anos morreram, na França, duzentos e cinquenta mil pessoas de fome. Avaliam-se que em toda a Europa houve um milhão de vitimas.

Ela anunciou: "As nozes vão se estragar".

Ora, um relatório enviado ao ministério do interior, assinalava: "As nogueiras no centro da França se acham acometidas por doença desconhecida e que na região do Isére (isto é de La Salette), a colheita das nozes está totalmente perdida". No ano seguinte as próprias nogueiras tinham desaparecido.

Ela anunciou: "As uvas apodrecerão".

Ora, em 1847 apareceu o terrível flagelo "oidium", que destruiu quase todos os vinhedos da França. Chegaram ao extremo, para destruir o inseto[1], de inundar as videiras, o que produziu outro flagelo que só pode ser debelado pelo sulfato.

Ela anunciou: “As crianças morrerão”.

Ora, na França. terrível doença - uma espécie de peste - vitimou milhares de crianças que, acometidas por intensíssimo frio, morriam, tremendo, nas condições profetizadas.”

Mais de um milhão de vítimas pela fome...Quantos perecerão em castigo dos pecados desta era que são infinitamente mais graves e numerosos que em 1846?

"Penitência!" - clamava o anjo em Fátima, escutemos antes que seja tarde demais.

[1] Apesar de um exímio teólogo, o Padre Simão não é um bom agrônomo. O desculpemoss por essa errata. O oidium é um fungo, e não um inseto.

segunda-feira, 8 de abril de 2019

Juízos Temerários


5ª Semana da Quaresma - Segunda-feira
Primeira Leitura (Dn 13,41c-62)
Responsório (Sl 22)
Evangelho (Jo 8,12-20)

Dois velhos juízes, homens sábios e respeitados em Israel, abusavam de sua autoridade para saciar suas paixões pervertidas e pecaminosas. É o que vimos hoje na primeira leitura. E, por meio de seu falso testemunho, levariam Suzana a morte, não tivesse Deus inspirado a Daniel. Nossos olhos, que veem antes as aparências que os corações, dificilmente teriam tomado o partido de Suzana. Quantos casos semelhantes hoje não há? E os homens se apressam em condenar.... De quantos juízos temerários temerários de prestar contas ao justo juiz?

Creio que deveríamos evitar opinar e tomar partido naquilo que não nos diz respeito, naquelas situações em que não temos suficiente clareza. Será melhor para nós que já temos muitas culpas a expiar...

sexta-feira, 5 de abril de 2019

''(...) abstém-se do nosso modo de viver como duma coisa imunda''

4ª Semana da Quaresma - Sexta-feira
Primeira Leitura (Sb 2,1a.12-22)
Responsório (Sl 33)
Evangelho (Jo 7,1-2.10.25-30)

<Considera-nos como pessoas vãs, abstém-se do nosso modo de viver como duma coisa imunda, prefere o fim dos justos, gloria-se de que tem a Deus por pai (Sb 2, 16)>; de fato assim o é. O modo de proceder dos ímpios é repugnante, nojento, imundo Infelizmente, há entre os cristãos certo clima pacifista, certo bom mocismo, a perspectiva do “discordo, mas respeito” que faz muitos invejarem os costumes mundanos. Não deve ser assim! Nós que vivemos na casa do Pai não temos porque invejar a lavagem dos porcos, antes, movidos pela caridade, devemos rezar por aqueles que estão afastados para abandonem sua iniquidade, abandonem este modo de proceder pecaminoso, nojento.

quarta-feira, 3 de abril de 2019

"....porque não busco a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou"


4ª Semana da Quaresma - Quarta-feira
Primeira Leitura (Is 49,8-15)
Responsório (Sl 144)
Evangelho (Jo 5,17-30)

Como somos bobocas, não? Andamos aí por mil e um caminhos em busca de uma fórmula mágica, uma regra de vida que padronize nossas escolhas e simplifique tudo. E quanto mais simples, mais seguro, pois tudo se torna óbvio e previsível. Mas isso não existe.

Devemos buscar a vontade de Deus. E a vontade de Deus contaria nossa vontade, nossos planos, nos joga por veredas inesperadas, nos reserva surpresas e aventuras.

Não é pra rir? Rir de nós mesmos, de nossa presunção idiota? Da ilusão de que sabemos alguma coisa?

O amanhã é um mistério, o hoje um desafio...

Vamos como Jonas, para Nínive, e paremos de perder tempo no ventre da Baleia. Avante! Será o que Deus quiser!

"....porque não busco a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou."; eis aí a Verdade Encarnada, imitemos, pois, o Divino Mestre!

segunda-feira, 1 de abril de 2019

Padres católicos polacos queimam livros blasfemos

Em meio as trevas da crise neomodernista que assola a Igreja, a Polônia se mostra um verdadeiro luzeiro de ortodoxia e sanidade. Contra todo o espirito pacifista e o conformismo para com os caprichos liberais, padres polacos revivificam uma antiga prática pastoral, levando ao fogo uma série de obras blasfemas, entre elas, menciona-se algumas edições da saga Harry Potter, bem como livros do guru Osho. O episódio, para além da condenação da impiedade evidente de tais obras, reafirma o ensinamento da tradição contra o dogma laico da liberdade de expressão; o mal não têm direitos! A censura é legítima; a blasfêmia deve ser objeto de coação. Que as chamas polacas incendeiem também os frouxos espíritos ocidentais, para que libertos das ilusões liberais que congelam nossa alma e degeneram nossa Fé, lutemos por Cristo Rei e Senhor.
Padres católicos no norte da Polónia queimaram vários livros este fim de semana acusando-os de serem sacrílegos, por irem contra os ensinamentos da Bíblia. Entre essas obras estavam os livros do mundo mágico de JK Rowling.

O grupo evangélico católico SMS Heaven Foundation partilhou no Facebook as fotografias da queima dos livros, que ocorreu na cidade de Koszalin.

A publicação na rede social justifica a queima com citações bíblicas a condenar magia. "Cada uma das nossas palavras ou aproxima os outros de Deus ou os afasta desse relacionamento," afirmou o grupo evangélico.[1]

domingo, 31 de março de 2019

"Gratum faciens" et "Gratis data"

''Tudo o que vem de Deus vem sendo feito de modo coordenado.'"

A criação de Deus é hierarquia; não só Deus governa pessoal e diretamente os seres, mas ainda Ele quis comunicar às suas criaturas essa perfeição, essa grandeza, para que elas fossem também ativas e providen­tes umas para com as outras. Isso é verdade na ordem da natureza e é verdade na ordem da graça; também a ordem sobrenatural é uma hierarquia.

É mister, portanto, dizer que a conversão e união a Deus - que são toda a razão de ser e toda a essência da graça - se realizam de dois modos: sem intermediário, quando Deus age só no íntimo d’alma; e indiretamente, quando Deus usa dum instrumento que Ele escolheu para operar a salvação dos homens.

De modo que existe dupla graça; uma pela qual o homem fica unido individual e imediatamente a Deus, é a graça Gratum faciens, e outra pela qual coopera com alguém para converter; é a graça Gratis data"' (graça dada para bem dos outros).

Chama-se a primeira Gratum faciens, porque santificando aquele que a recebe e a conserva, torna-o agradável a Deus.

Não se chama a segunda Gratum faciens, porque, por meio dela, o homem que a recebe, não a recebe para a sua própria justificação (volta ao estado de graça) e santificação, mas para a justificação e santificação dos outros.

Chama-se gratis data" porque é gratuita inteiramente e por dois modos: pelo primeiro modo, porque ela está acima das forças da natureza, cujas leis ultrapassa; é a força que faz o profeta; pelo segundo modo ela não tem relação com o mérito da pessoa a quem é concedida.

Como diz S. Paulo, é concedida para utilidade comum.

Essa doutrina, tão clara, tão simples, é a luz que ilumina todo o tratado da Inspiração na Suma Teológica. Logo de início, santo Tomás coloca a profecia, isto é, a inspiração, na categoria das graças Gratis data"' (concedida para o bem dos outros). Mais em baixo, ele faz apelo para essa doutrina, para resolver um caso difícil, aquele precisamente de que estamos falando: o caso dum profeta que não é santo: "A profecia é dada para o bem dos outros e da Igreja".

Ele já dissera no tratado "De Veritate" (Da Verdade), questão 12, art. 5: "A profecia é concedida para bem da Igreja e não para bem do próprio profeta". Sustenta a mesma tese, em termos iguais, na Suma contra os Pagãos (livro III, pág. 154-155).

É portanto nele, ideia sólida, uma convicção firme e sempre mantida. Aliás, tradicional, sempre afirmada desde S. Paulo.

Pe. Dr. Simão Baccelli; Conheçam la Salette; pág. 173-174.

segunda-feira, 25 de março de 2019

Remédios externos contra a Impureza

Agora, vamos tratar dos remédios externos contra a impureza. 

3. Meios externos de castidade:

a) fuga do ócio e intemperança...

[10] Em primeiro lugar, é preciso fugir absolutamente da ociosidade. Conforme se lê nas profecias de Ezequiel, foi o ócio que embruteceu os habitantes de Sodoma e os precipitou naquele imundíssimo crime da mais abjeta devassidão.

Depois, devemos esforçar-nos por evitar a intemperança. “Eu os saciei, diz o Profeta, e eles cometeram adultério". A razão é porque o ventre cheio e saturado provoca a sensualidade. Nosso Senhor nos faz a mesma advertência : “Guardai-vos, pois, de agravar vossos corações com excessos de comida e bebida" . E o Apóstolo também diz: “Não vos embriagueis com vinho, pois nisso há luxúria"

….dos olhares indiscretos

Muita s vezes, são sobretudo o olhos que ateiam a luxúria no coração. A isso alude aquela palavra de Cristo Nosso Senhor: "Se teu olho te for ocasião de pecado, arranca-o e lança-o para longe de ti". Inúmeras são, aliás, as passagens dos Profetas que redundam na mesma doutrina. Por exemplo, o que dizia Jó: "Ajustei com os meus olhos, para que nem sequer me acudisse a lembrança de urna virgem". Muitos também, e quase inumeráveis, são os exemplos de desgraças que tiveram sua origem na fixação de um olhar. Assim pecou Davi , assim pecou o principie de Siquém; do mesmo modo delinquiram também os anciãos, que caluniaram Susana.

...dos requintes da moda

[11] Por sua vez, os requintes da moda agradam muito à vista, mas provocam não raro tentações impuras. Por isso mesmo, adverte o Eclesiástico: ''Afasta teus olhos da mulher que estiver ataviada”. Ora, · como as mulheres se comprazem em adornos exagerados, será de bom aviso que o pároco, de vez em quando, as advirta e repreenda naqueles termos rigorosos que o Apóstolo São Pedro empregou, quando falava desta matéria “ O adorno das mulheres não consista em exterioridades : cabelos armados, adereços de ouro, gala e luxo nos vestuários". São Paulo também insiste em que elas não andem "com cabelos frisados, com joias de ouro, com pérolas e ricos vestidos". Na verdade, muitas mulheres que se adornavam com ouro e pérolas, perderam a formosura da alma e do corpo.

...das conversas, cantigas e bailes torpes

A esta provocação de luxúria, proveniente do exagero no trajar, acresce outra que são as conversas torpes e obscenas . As palavras obs­cenas são como um facho que põe a arder o coração dos adolescentes. “As más conversas, diz o Apóstolo, corrompem os bons costumes".

Piores efeitos, ainda, surtem as cantigas e os bailes sensuais e voluptuosos. Devem, pois, ser evitados com o maior escrúpulo.

...do livros e imagens obscenas

Nesta categoria entram também os livros obscenos e romances amorosos. É um dever evitá-los, bem como as imagens indecentes, porque tais coisas arrastam, com a maior violência, a prazeres sensuais, e inflamam para o mal o coração dos jovens.

O pároco por sua vez, obrigar-se-á a cuidar, antes de tudo, que a respeito de imagens sejam estritamente observadas as santas e respeitáveis determinações do Sacrossanto Concilio de Trento.
Havendo, pois, grande zelo e vigilância em se evitarem os perigos que acabamos de apontar, desaparecem quase todas as ocasiões para os desmandos da luxúria.

b) uso frequente dos Sacramentos

[12] Mas a maior força para a sua repressão está no uso frequente da Confissão e da Eucaristia; depois, nas assíduas e fervorosas orações a Deus, acompanhadas de esmolas e jejuns. Pois a castidade é uma graça, que Deus não nega a quem a pede com as devidas disposições. Além do mais, Ele não permite que sejamos tentados acima de nossas forças.

c) obras de mortificação

[13] Devemos, entretanto, exercer o corpo não só por meio de jejuns, preferindo os dias instituídos pela Santa Igreja, mas também por vigílias, piedosas romarias e outras espécies de mortificação. Devemos, pois, sofrear a petulância dos sentidos. Nestas e noutras práticas semelhantes é que mais se manifesta a virtude da temperança.

No mesmo sentido escrevia São Paulo aos Coríntios : “Todos aqueles que lutam na arena, fazem abstinência em toda s as coisas. Eles assim procedem, para conseguirem uma coroa que murcha; nós, porém, (lutamos) por uma coroa incorruptível" . Mais adiante diz ele: "Castigo o meu corpo, e o reduzo à escravidão, para que, depois de haver empregado a outros, não seja eu mesmo condenado como réprobo". E noutro lugar : "Não ceveis a carne em favor da má concupiscência" . 

Catecismo Romano; III Parte: Dos Mandamentos; VI. 6° Mandamento; pág. 449-450.

Santos Proibidos

O martírio de São Domingos de Saragosa
Ontem foi o dia de São Simão de Trento, um garoto de pouco mais de dois anos martirizado em rituais de magia negra judaica conhecidos por libelo de sangue. O caso de São Simão é emblemático sobretudo pelos esforços recentes da hierarquia pós-conciliar em suprimir seu culto e apagar da mente dos fiéis a marca de sua existência, mas, além de Simão há diversos outros jovens santos vitimados de maneira semelhante e igualmente ostracizados por certa agenda; são eles:
  • Santo André de Lucens, morto em 1198;
  • São Domingos de Saragoça, morto em 1250;
  • São Hugo de Lincoln, morto em 1255;
  • Santo Werner de Wessel, morto em 1286;
  • Santo André de Rinn, morto em 1430;
  • São Nino de La Guarida, morto em 1490;
  • São Joannet de Colônia, morto em 1745.

sexta-feira, 22 de março de 2019

''(...) vos será tirado o reino de Deus''


2ª Semana da Quaresma - Sexta-feira
Primeira Leitura (Gn 37,3-4.12-13a.17b-28)
Responsório (Sl 104,16-21)
Evangelho (Mt 21,33-43.45-46)

1. <Por isso, vós digo que vos será tirado o reino de Deus, e será dado a um povo que produza os frutos dele (Mt 21, 43)>; fora dito aos fariseus, aos judeus, assim lemos no Evangelho de hoje. Mas, você não tem medo, caro leitor, que isso também a nós se aplique? Quando findar a paciência do Senhor para com o nosso povo, para com o Brasil, o reino de Deus nos será retirado. Que é o Brasil sem a Cruz? Um inferno tropical de monstros canibais. Tenho ouvido falar por aí de patriotismo, o maior ato de patriotismo para com o Brasil é trabalhar para que esta terra frutifique no Evangelho. É rezar e agir pelo fim das heresias, pela extinção do paganismo, pelo socorro aos pobres, pela purificação dos costumes e a conversão das almas; tudo o mais são miudezas.

Senhor tende paciência conosco...

2. Hoje é dia da água, essa irmã preciosa e casta, que sacia a sede e refresca o corpo, sobretudo nestas terras tropicais. De modo análogo refresca também a alma, onde pelo sacramento do Batismo recebemos a graça da filiação divina, que dá cores e alegrias a nossa vida, substituindo a monotonia insana de trabalhos e ilusões deste desterro abaixo do sol.

A água é pura, simples e casta. Mas nós pecadores iníquos insistimos em despejar sobre ela nossa imundice. A poluição dos rios é uma boa analogia a profanação do corpo, bem como a sujeira de tantas almas. Como a nojeira do Tietê na metrópole paulista, assim se encontram tantas almas de espíritos que como porcos estão a chafurdar no pecado e na iniquidade.

A água pode ser tratada, todo aquele lodo transformado em adubo. Nossa alma, pela santa confissão, também pode ser purificada, e a memória e dor do pecado de outrora, também pode servir de adubo espiritual, frutificando em obras de penitência e reparação.

quinta-feira, 21 de março de 2019

Devaneios Autobiográficos


Aqui onde moro o frio é coisa rara; aparece durante três ou quatro dias em Julho ou Agosto, logo some. A temperatura fica nas demais estações pouco se afasta dos 30 °C; a própria arquitetura reflete esse extenuante calor tropical; as igrejas ostentam cores fortes, o povo fala alto, no paisagismo urbano, secos coqueiros em meio a um gramado, que quando mal cuidado vira um pesadelo de plantas daninhas. Baratas, com frequência saem dos esgotos. A chuva, mesmo a chuva, nada tem de poético; fortes pancadas e bravas ventanias nas tardes quentes de verão. Para uma personalidade fleumática, não há ambiente pior. Ou talvez esteja sendo hiperbólico. Imagino que tais características tropicais combinadas com a agitação metropolitana, como o é no Rio de Janeiro, configure perturbação infinitamente maior.

Talvez, como uma reação adversa ao clima inóspito, tenha eu desenvolvido uma espécie de senso de humor desloucado. Essa veia cômica, esse gosto pela zoeira, isso não me é inato, veio na adolescência, como um mutação uma defesa para esta exótica planta temperada perdida no cerrado tropical. Planta temperada em clima tropical, não deixa de ser cômico.

A invenção da poesia brasileira
Ribeiro Couto

Eu escutava o homem maravilhoso,
O revelador tropical das atitudes novas,
O mestre das transformações em caminho:

"É preciso criar a poesia deste país de sol!
Pobre da tua poesia e da dos teus amigos,
Pobre dessa poesia nostálgica,
Dessa poesia de fracos diante da vida forte.
A vida é força.
A vida é uma afirmação de heroísmos quotidianos,
De entusiasmos isolados donde nascem mundos.
Lá vai passando uma mulher... Chove na velha
praça...
Pobre dessa poesia de doentes atrás de janelas!
Eu quero o sol na tua poesia e na dos teus amigos!
O Brasil é cheio de sol! O Brasil é cheio de força!
É preciso criar a poesia do Brasil!"

Eu escutava, de olhos irônicos e mansos,
O mestre ardente das transformações próximas.

Por acaso, começou a chover docemente
Na tarde monótona que se ia embora.
Pela vidraça da minha saleta morta
Ficamos a olhar a praça debaixo da chuva lenta.
Ficamos em silêncio um tempo indefinido...
E lá embaixo passou uma mulher sob a chuva.


Publicado no livro Um Homem na Multidão (1926).
In: COUTO, Ribeiro. Poesias reunidas. Rio de Janeiro: J. Olympio, 1960. p.110

segunda-feira, 18 de março de 2019

#Notas: Identidade Nacional

1. Que é o brasileiro? Que é esse povo a qual pertenço? Somos como selvagens adotados por Portugal , educados pela Igreja. Portugal é nosso pai adotivo, a Igreja nossa Mãe e Mestra. Mas, tão logo nosso pai nos deixou...Separamo-nos de Portugal que voltou ao além mar, e, ainda crianças, ainda não purificados de nosso passado selvagem, dos maus costumes de outrora, ficamos sozinhos. Sem pai, este povo agora na adolescência é como um delinquentezinho. Aqueles que ainda escutam a Mãe não degeneraram de todo, mas muitos se fazem surdos aos conselhos da Igreja, acabam entrando a gangues e aderindo a modismos da vizinhança problemática, se tornando ainda piores.

Mesmo que nosso pai volte um dia do além-mar, não somos mais crianças...Entramos na puberdade, perdemos a inocência dos primeiros tempos. Não é possível trazer de volta o passado, não mais seremos aquilo que Portugal sonhou para nós, mas nessa busca da própria identidade, nesse escrever os próprios caminhos, não devemos esquecer o rosto de nosso pai.

2. Não somos guerreiros como nosso tios da Espanha, nem desbravadores como nosso pai Portugal; mas essa delinquência selvagem, este primitivismo, o tal do jeitinho brasileiro, essa ginga , essa malandragem; isso faz parte de nossa identidade. Não devemos rejeitá-la, mas trabalhá-la; ordená-la, transformar a molecagem em astúcia, sem esquecer da simplicidade das pombas. Coloquemos nossos talentos e serviço de nossa mãe a Igreja, sem esquecer os modos civilizados e a disciplina que nos ensinou nosso pai Portugal.

3. O modo como Vargas enganou todo mundo enganou todo mundo, Eixo e Aliados; ali está uma expressão dessa nossa alma astuta, da esperteza tipicamente brasileira.

4. Portugal é nosso pai e a Igreja é nossa mãe. Mas tem uns bobocas desnaturados que querem substituir o pai pelo Tio Sam e a Santa Madre Igreja pela Mãe Rússia. 

5. Os países latino americanos são nossos parentes. Temos ambos a Igreja como mãe, mas eles são gêmeos entre si e não conosco. Nossa integração com eles é relativa e não tem a mesma organicidade que a integração entre eles.

6. O viralatismo nasce de uma crise de identidade. Quem não sabe o que é, quer ser o que não é. Mas só se consegue ser a si mesmo; a cópia inorgânica da imagem alheia não passa de uma bizarrice carnavalesca.

sábado, 9 de março de 2019

Mindfulness (Atenção Consciente)


Sherlock Holmes é um personagem encantador. Há gerações tem despertado a curiosidade e admiração de muitos leitores, além de inspirar adaptações em diversas outras mídias. Seria, porém, sua habilidade dedutiva, sua agudez mental, mera ficção? Segundo Maria Konnikova é possível de alguma maneira intuir o método de Holmes e, por meio de sua imitação, aprimorar nossa capacidade de raciocínio. Interessante, não? Quão longe pode o homem levar suas habilidades por meio de um rigoroso treinamento e uma severa disciplina? Compartilho com o leitor alguns aspectos deste método descrito em "¿Cómo pensar como Sherlock Holmes?" :

Los escalones del 221B de Baker Street. ¿Cuántos había? Esa es la pregunta que hace Holmes a Watson en «Escándalo en Bohemia», la pregunta que nunca he olvidado. En el fragmento que sigue el detective explica al doctor la diferencia entre ver y observar. Al principio Watson está confundido. Pero luego, de repente, todo le queda claro.

—Cuando le escucho explicar sus razonamientos —comenté —, todo me parece tan ridículamente simple que yo mismo podría haberlo hecho con facilidad. Y, sin embargo, siempre que le veo razonar me quedo perplejo hasta que me explica usted el proceso. A pesar de que considero que mis ojos ven tanto como los suyos.
—Desde luego —respondió, encendiendo un cigarrillo y dejándose caer en una butaca—. Usted ve, pero no observa. La diferencia es evidente. Por ejemplo, usted habrá visto muchas veces los escalones que llevan desde la entrada hasta esta habitación.
—Muchas veces.—¿Cuántas veces?
—Bueno, cientos de veces.
—¿Y cuántos escalones hay?
—¿Cuántos? No lo sé.
—¿Lo ve? No se ha fijado. Y eso que lo ha visto. A eso me refería. Ahora bien, yo sé que hay diecisiete escalones, porque no solo he visto, sino que he observado.

Cuando oí esta conversación por primera vez, en una de esas veladas al calor de la lumbre y envueltas en humo de pipa, me quedé impresionada. Intenté recordar con afán los escalones que había en nuestra casa (no tenía ni la menor idea), cuántos llevaban hasta la puerta principal (no lo podía recordar), cuántos hasta el sótano (¿diez?, ¿veinte? No sabría decirlo). Después, durante mucho tiempo, fui contando escalones y peldaños siempre que podía, guardando el número en mi memoria por si alguien me lo preguntara alguna vez. Holmes se habría sentido orgulloso de mí.

Naturalmente, enseguida me olvidaba de esos números que con tanta diligencia intentaba recordar y no me di cuenta hasta más adelante de que el hecho de haberme centrado tanto en memorizar quería decir que no había entendido nada. Mi empeño estaba condenado al fracaso desde el principio.

Lo que entonces no podía entender era que Holmes tenía una ventaja muy grande sobre mí. Durante la mayor parte de su vida había estado perfeccionando un método de interacción consciente con el mundo. ¿Los escalones de Baker Street? Una simple manera de hacer alarde de una habilidad que entonces le era tan natural que no le exigía ni pensar. Una manifestación trivial de un proceso que su mente siempre activa desplegaba de una manera habitual, casi inconsciente. Un truco que, si se quiere, carecía de verdadera importancia, pero con unas implicaciones muy profundas si nos paramos a considerar qué es lo que lo hacía posible. Un truco que me ha inspirado para escribir un libro en su honor.

La noción de mindfulness (término que en este libro se irá alternando con «atención consciente» o «conciencia plena») no tiene nada de nueva. Ya a finales del siglo XIX, William James, el padre de la psicología moderna, escribió que «la facultad de volver a encauzar la atención que divaga de una manera voluntaria y repetida es la raíz misma del juicio, el carácter y la voluntad... La educación que mejore esta facultad será la educación por excelencia». En el núcleo de esa facultad se halla la esencia misma de lo que se entiende por mindfulness. Y la educación que propone James es una educación que contempla la vida y el pensamiento con plena conciencia, con mindfulness.

En los años setenta, Ellen Langer demostró que esta atención consciente hace mucho más que mejorar «el juicio, el carácter y la voluntad». También puede hacer que personas de edad avanzada se sientan más jóvenes y actúen como tales, y hasta puede mejorar las funciones cognitivas y constantes vitales, como la tensión arterial. Estudios realizados en los últimos años han revelado que pensar en un estado meditativo (que, en el fondo, es ejercitarse en el control de la atención que constituye el núcleo del estado de mindfulness) aunque solo sea quince minutos al día puede hacer que la actividad de las regiones frontales del cerebro siga una pauta que se ha asociado a un estado emocional más positivo y centrado, y que contemplar escenas de la naturaleza, aunque sea por poco tiempo, mejora la agudeza mental, la creatividad y la productividad. También sabemos, sin ningún género de duda, que el cerebro humano no está hecho para la «multitarea», un modo de actuación que imposibilita la atención consciente. Cuando nos vemos obligados a atender varias cosas al mismo tiempo rendimos peor en todas, la memoria se reduce y el bienestar general se resiente de una manera palpable.

Pero, para Sherlock Holmes, la atención consciente solo es un primer paso. Es un medio para un fin de más alcance y mucho más práctico y gratificante. Holmes ejemplifica lo que James había prescrito: una educación centrada en mejorar la facultad de pensar de una manera consciente y de usarla para lograr más cosas, pensar mejor y decidir de una manera óptima. En su aplicación más amplia es una manera de mejorar la capacidad general de tomar decisiones y de formar juicios a partir del componente más básico de nuestra mente.

Lo que Holmes dice realmente a Watson cuando compara ver con observar es que no debe confundir la pasividad de la falta de atención con la participación activa de la atención consciente.
Vemos las cosas de manera automática: recibimos esos datos sensoriales sin ningún esfuerzo por nuestra parte, salvo el de abrir los ojos. Y vemos sin pensar, absorbiendo incontables elementos del mundo sin procesar necesariamente lo que puedan ser. Hasta puede que no seamos conscientes de haber visto algo que estaba justo frente a nosotros. Por contra, al observar nos vemos obligados a prestar atención. Debemos pasar de la absorción pasiva a la conciencia activa. Debemos participar. Y esto no solo se aplica a la vista: se aplica a todos los sentidos, a todos los datos sensoriales, a todos los pensamientos.

Es sorprendente lo poco conscientes que somos de nuestra mente. Pasamos por la vida sin ser conscientes de lo que nos perdemos, de lo poco que sabemos de nuestros procesos de pensamiento y de lo mejores quepodríamos ser si dedicáramos tiempo a entender y a reflexionar. Como Watson, subimos y bajamos los mismos escalones centenares y hasta miles de veces, muchas veces al día, y ni siquiera podemos recordar el más trivial de sus detalles (no me habría extrañado que Holmes hubiera preguntado por su color y que Watson tampoco hubiera sabido qué decir).

Y si no lo hacemos no es porque no podamos, sino porque no elegimos hacerlo. (...)

terça-feira, 5 de março de 2019

Desenvolvimento Pessoal: Ambiente Adequado

Na linha do que postulei anteriormente no texto Vida Comum, pretendo trazer ao blog mais textos sobre finanças e desenvolvimento pessoal, reduzindo ao mínimo as especulações políticas inúteis. Neste sentido, trago algumas importantes lições de Robert Kiyosaki a respeito da importância de um ambiente adequado para o desenvolvimento e florescimento dos próprios talentos.

Em Teach to Be Rich, discuto a possibilidade de que todos nascemos com talentos. Nesse pacote, constituído de dois livros de exercícios e três DVDs, afirmo que o indivíduo deve procurar um ambiente propício ao desenvolvimento de seus talentos. O exemplo que uso é Tiger Woods, cuja genialidade se manifesta nos campos de golfe. Se ele fosse um jóquei, não seria bem-sucedido. Mick Jagger, que frequentou a escola com a intenção de se tornar contador, descobriu seu talento no palco, como membro da banda Rolling Stones.

Meu pai pobre foi um aluno brilhante. Meu pai rico, não. O talento de meu pai rico surgiu no ambiente das ruas. Em meu caso particular, não fui um aluno brilhante. Eu achava que a escola não era o ambiente certo. No caso de meu pai rico, as ruas representam o ambiente no qual sua genialidade se manifesta. Se eu tivesse continuado no mundo acadêmico, meus talentos não teriam florescido.

O ambiente correto é essencial para o desenvolvimento dos talentos pessoais. Quando eu estava na escola de voo da Marinha, alguns de meus companheiros descobriram seu talento pilotando aeronaves. Um prosseguiu na carreira, tornando-se general, e outros se tornaram pilotos seniores de linhas aéreas. Eu era um piloto mediano. Alguns de meus amigos descobriram seu talento nos campos de futebol. Eu era um jogador mediano. Quando trabalhei na Xerox Corporation, um de meus amigos descobriu seu talento e rapidamente galgou a escada do mundo corporativo.

Todos os jardineiros sabem que as plantas precisam de solo fértil, água e temperaturas adequadas. Se todos os elementos estiverem presentes, as plantas florescerão. O mesmo é válido quando se trata de seres humanos. Toda pessoa precisa de certos elementos para florescer. Se os elementos essenciais não estiverem presentes, talvez ela não cresça nem desabroche.

A pessoa rica em um ambiente pobre
Meu pai rico costumava dizer: “É possível encontrar muitas pessoas ricas em ambientes pobres.” À medida que ficava mais velho, comecei a entender melhor o que ele queria dizer.

O ambiente de minha casa
Uma das primeiras coisas das quais me dei conta é que havia nascido em uma família com poucos recursos financeiros. Mas isso não significa que não existisse amor. O problema era que o ambiente não era propício para que alguém se tornasse rico. Em minha família, desejar ficar rico era tabu. Como família, dávamos valor à educação, aos serviços públicos e a um baixo salário. Embora não fosse claramente exteriorizada, havia a crença de que os ricos eram mal-intencionados e exploravam os outros.

Nunca havia discussão sobre investimentos. Para a minha família, investir era o mesmo que jogar. Viver abaixo de nossas posses e economizar dinheiro era o estilo de vida que minha família adotara.

Em minha casa, hoje, dinheiro não é uma palavra suja. Enriquecer é divertido, e investir é um jogo. Em vez de vivermos abaixo de nossas posses, estamos constantemente trabalhando para expandir nossos recursos, aumentar nossa receita, fazer com que nossos bens aumentem e ajudar tantas pessoas quantas for possível. Além disso, mantemos pessoas negativas em termos financeiros fora de nossa vida e nos cercamos de pessoas com um modo de pensar semelhante ao nosso, que nos incentivam e nos apoiam. Nossos amigos também fazem parte de nosso ambiente.

Meu ambiente de trabalho
Quando consegui meu primeiro emprego, na Xerox Corporation, logo descobri que aquele não era o ambiente ideal para enriquecer. Mas embora meus chefes me pressionassem para que eu trabalhasse muito e ganhasse muito dinheiro, seu foco principal era fazer os acionistas felizes... não os funcionários. Sempre que eu falava na possibilidade de abrir meu próprio negócio, meu supervisor observava que era contra a política da empresa trabalhar por conta própria.

Isso não significa que eu não gostasse de trabalhar na Xerox, pois eu gostava. Apenas não era um ambiente propício ao enriquecimento. Além disso, embora eu realmente tenha ganhado muito dinheiro naquela época, os programas de tributação para funcionários que ganhavam altos salários não deixavam muito espaço para enriquecer.

Na Rich Dad, toda reunião semanal se concentra no fato de nosso staff estar ficando mais rico. Estimulamos nossos colaboradores a participar de seminários financeiros, a ter seu próprio negócio e a investir – não por meio dos planos de aposentadoria da empresa, mas por seus próprios planos de investimento. Alguns funcionários deixaram a empresa porque não gostavam da pressão que eu fazia para que adquirissem educação financeira e, por fim, fossem livres em termos financeiros. Fico contente que tenham saído, pois serão mais felizes trabalhando em outro ambiente.

Ambientes para pessoas que têm medo de perder
Muitos indivíduos que querem enriquecer deixam de fazê-lo simplesmente porque são pessoas ricas em um ambiente pobre. Por exemplo, se você é empregado, provavelmente está trabalhando em um ambiente projetado para pessoas que se sentem felizes trabalhando para não perder e entregando seus rendimentos a especialistas financeiros, em vez de aprenderem a administrar seu próprio dinheiro. Obviamente, uma repartição pública se enquadra nesse tipo de ambiente.

Ambientes para vencedores
Existem organizações que proporcionam ambientes para vencedores – indivíduos que querem enriquecer. Podemos citar como exemplos o esporte profissional, a indústria do cinema e da música. O desafio desses ambientes é que você precisa ser excepcionalmente talentoso, motivado e tenaz. Nesses setores, a regra dos 90/10 do dinheiro é válida. Com certeza, neles você encontra mais perdedores do que vencedores. Outros ambientes propícios ao êxito são os agentes financeiros, corretoras de imóveis, marketing de rede e outras empresas de alto desempenho.

Uma árvore que estava morrendo
Recentemente, uma árvore que plantei começou a morrer. Isso me aborreceu muito, pois gosto muito de plantas. Contratei especialistas e entendidos em plantas, que trataram a árvore com fertilizantes, mas ela não reagiu. Por fim, munido de um esguicho, passei a molhar suas raízes duas vezes por semana durante um mês. De repente, novas folhas e brotos começaram a crescer nos galhos que pareciam mortos. Tudo de que a árvore precisava era um pouco mais de água. (Após nova inspeção, descobri que o encanamento que levava água até a árvore estava entupido.) Hoje essa árvore está saudável e vibrante. Tudo de que ela precisava era um ambiente propício a seu crescimento. O mesmo acontece com as pessoas. Muitas não ficam ricas porque estão em ambientes pobres.

Ambientes vigorosos
Levando esse conceito de ambiente um pouco mais além, consideremos o seguinte:
1. Se você deseja desenvolver sua inteligência, frequente uma biblioteca, uma livraria ou uma escola.
2. Se você deseja melhorar sua saúde, frequente uma academia de ginástica, ande de bicicleta ou pratique mais esportes.
3. Se você deseja enriquecer seu espírito, frequente uma igreja, um lugar tranquilo e faça meditação ou reze mais.
4. Se você deseja aumentar sua riqueza, procure lugares nos quais as pessoas estão enriquecendo (como um escritório imobiliário ou o escritório de um corretor da bolsa), filie-se a um clube de investimentos ou funde um grupo de estudos e passe a conviver com novos amigos que também querem ficar mais ricos.
5. . Se você deseja expandir seu mundo, vá a lugares nos quais nunca esteve antes... faça coisas que tinha receio de fazer.

Em suma, às vezes, a forma mais rápida de mudar e melhorar consiste simplesmente em mudar de ambiente.

Perguntas finais
Acredito que todos nascemos com um talento especial, um dom exclusivo. O problema é que nem todos descobrem seu dom porque não encontram o ambiente no qual esse dom pode florescer. E não se esqueça do seguinte: provavelmente nunca teríamos ouvido falar de Tiger Woods se não existissem campos de golfe.

Portanto, minhas últimas perguntas são:
1. Sua casa e sua família proporcionam um ambiente que o ajuda a desenvolver seus talentos financeiros? Sim ou não?
2. Seu local de trabalho é um ambiente que estimula o desenvolvimento de seus talentos financeiros? Sim ou não?
3. Você tem ideia de qual poderia ser seu talento? Sim ou não?
4. Você trabalha com pessoas que querem que você desenvolva seus talentos? Sim ou não?
5. Se você encontrar seu ambiente, estará desejoso de trabalhar arduamente para desenvolver seus talentos? Sim ou não?

Faço essa última pergunta porque o fato de ter talento não significa que a vida seja fácil. Todos conhecemos pessoas talentosas, mas o problema é que algumas não se dedicam com afinco ao desenvolvimento de seus talentos. E, mais uma vez, não se esqueça: Tiger Woods (e outras personalidades importantes) trabalhou muito para desenvolver seu talento.

Como diria meu pai rico: “A preguiça é o carrasco do talento.”

segunda-feira, 4 de março de 2019

Ginga Eiyuu Densetsu: Arqueofuturismo e Ciência Política (II)

Anteriormente destaquei, sobretudo, o aspecto tecnológico de Ginga Eiyuu Densetsu. Hoje gostaria de comentar algumas cenas que trazem ensinamentos preciosos. Diferente do antigo anterior, este consta alguns spoliers, de modo que não é recomendado aos mais sensíveis.

I) Democracia: A discussão sobre regimes políticos permeia toda a obra; se contrasta a todo o momento o regime democrático com a monarquia (esta vista apenas como uma forma mais refinada de ditadura) e, mesmo o autor tendendo a democracia, os limites e contradições internas de ambos os regimes são magistralmente expostos. A democracia se mostra ineficiente, um abrigo de demagogos, corruptos e interesseiros; tais parasitas são a causa da queda da aliança, uma vez que durante a guerra atrapalham formidavelmente as operações militares. Da traição do nacionalista Job Truniht a invasão fracassada ao império, inspirada por motivos eleitoreiros, passando pela ordem que custou a vitória de Yang Wenli sobre Reinhart von Lohengramm; ante tudo isso, não tive como não simpatizar com o fracassado golpe militar liderado pelo Almirante Greenhill.

II) Monarquia-Ditadura:
Enquanto a ditadura se mostra um regime mais eficiente, sobretudo no âmbito da guerra, por sua vez, o anime retrata a tirania dos poderosos sobre os oprimidos, o modo como o poder absoluto corrompe absolutamente, sobretudo expresso no orgulho delirante no qual estão embriagados os nobres da dinastia Goldenbaum. Entretanto, o argumento mais forte contra o regime é manifesto por Yang Wenli: a ditadura torna o povo fraco, fornecendo-lhe um bode expiatório, alguém a quem cabe toda a responsabilidade do fracasso ou sucesso do regime.


III) Suicídio e Sacrifício: A agonia da Aliança dos Plantes Livres é um dos pontos altos do anime. Frente a derrota certa, muitos personagens entram em desespero, recorrendo ao suicídio direto com um tiro na cabeça, ou ao suicídio indireto em manobras militares corajosas mas, insanas e inúteis. Somente os personagens mais virtuosos conseguem manter a razão até o final, lutando até o último suspiro, mesmo conscientes da derrota, para causar o maior dano possível ao inimigo e garantir a fuga de seus companheiros, sendo Alexandre Bewcock o maior exemplo deste tipo de heroísmo.

IV) Comando e comandados: As relações entre líderes e subordinados, e como dessa harmonia depende de o sucesso das operações militares é outro tema explorado de forma abundante, sobretudo na revolta do almirante Oskar von Reuenthal, onde um estrategista genial é levado a derrota humilhante dado a traição de seus comandados.

V) Lealdade: Por fim, gostaria de destacar que, apesar da guerra galáctica girar em torno de ideias, não é apenas por ideias, ou mesmo uma lealdade institucional, mas sim por uma lealdade pessoal aqueles que encarnam tais ideias que os soldados arriscam suas vidas em um a guerra genocida.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2019

''(...) porque no fogo se prova o ouro e a prata''


7ª Semana do Tempo Comum - Terça-feira
Primeira Leitura (Eclo 2,1-13)
Responsório (Sl 36)
Evangelho (Mc 9,30-37)

Hoje, tanto a primeira leitura quanto o santo Evangelho ecoam um ensinamento de difícil aceitação: a realidade do sofrimento e da humilhação. Nós que estamos no caminho certo, no caminho da verdade, não deveríamos ser recompensados, receber elogios e honrarias? De fato receberemos, mas no céu; por agora é o tempo da provação. Assim como soldado só recebe suas medalhas ao fim da batalha, assim o será conosco; todavia, enquanto estivermos entrincheirados no campo de batalha, não devemos esperar outra coisa que não o sofrimento do combate.

Meu filho, quando entrares no serviço de Deus, persevera firme na justiça e no temor, e prepara a tua alma para tentação.

Humilha o teu coração, e tem paciência: inclina o te ouvido, e recebe as palavras da sabedoria e não te apresses no tempo da prova.

Sofre as demoras de Deus; conserva-te unido a Deus, e espera pacientemente, para teres vantagem na tua sorte final.

Aceita tudo o que te acontecer, e permanece em paz na tua dor, e no tempo da humilhação, tem paciência; porque no fogo se prova o ouro e a prata, e os homens amados, no cadinho da humilhação. (Eclo 2, 1-5)

domingo, 24 de fevereiro de 2019

#Notas: Objeção de Consciencia

No folheto da Paulus da missa de hoje, durante as preces da assembleia havia uma pedindo que Deus iluminasse as autoridades para implementar políticas públicas com vistas a uma sociedade mais tolerante e democrática.

Silencie-me. Não fiz coro com a comunidade para tal prece. Nem a democracia nem a tolerância são bens em si mesmos. Na verdade, creio que para o Brasil a democracia é antes um veneno. Igualmente penso que somos uma sociedade demasiado tolerante, toleramos o intolerável e isso só nos faz mau.

Quem dera os redatores tivessem mais respeito a liturgia, e não buscassem usar desta para fazer proselitismo de seus próprios devaneios políticos e filosofias tortas.