quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

Rios Voadores, Terpenos e o Controle do Clima

 

O clima é um fator determinante para o progresso das civilizações. De um regime de chuvas adequado e temperaturas amigáveis dependem as colheitas agrícolas bem como a dispersão de um povo pelo território nacional. Em tempos recentes, a situação climática do agreste nordestino volta ao centro das discussões quando o atual presidente propõe o uso de tecnologia israelense para dessanilziação da água do mar, afim de contornar o problema da seca (ao menos assim o é no discurso, embora na prática seja apenas uma desculpa para fortalecer as relações Brasil-Israel e submeter-nos aos interesses sionistas) coloco-me a especular, não seria possível levar chuva ao sertão?

Em tese sim. Estudos recentes tem mostrado o papel determinante das florestas sobre o clima; sabe-se por exemplo que os chamados rios voadores da Amazônia são de fundamental importância para o regime de precipitação no país.



Além disso, conta-nos Peter Wohlleben em A Vida Secreta das Árvores que:

As florestas de coníferas do hemisfério Norte têm outra forma de influenciar o clima e o equilíbrio hídrico: exalando terpenos, substâncias que funcionam originalmente como proteção contra doenças e parasitas. Quando essas moléculas entram na atmosfera, concentram a umidade. Com isso, formam-se nuvens duas vezes mais densas do que em superfícies sem florestas. A probabilidade de chuva aumenta, e com isso 5% a mais de luz é refletida, em vez de ser absorvida. O clima local esfria – e o clima frio e úmido é ideal para as coníferas. Devido a esse efeito, os ecossistemas desempenham um papel possivelmente importante na redução das mudanças climáticas.

Em resumo: através do manejo florestal é de algum modo possível alterar o microclima de uma região.

Todavia, quem vai perder tempo cultivando coníferas por anos, pra ter mais chuva, o qual no muito deve veneficiar as colheitas de seus netos? Mesmo a preservação do Bioma Amazônico já grande oposição.  Não é do interesse da iniciativa privada, ou mesmo de um governo democrático arriscar-se em projetos de longo prazo. A atual estrutura social e governamental está configurada ao imediatismo, se deve pensar nos lucros do amanhã, na eleição seguinte; o futuro? No futuro estaremos todos mortos. Apenas uma dinastia monárquica estaria disposta a tal empreitada cujos frutos viriam a manifestar-se apenas daqui duas ou três gerações.

Ainda que o manejo florestal como forma de controle climático seja uma realidade um tanto distante devido a atual organização governamental e civilizacional, há que se notar que nos dias do amanhã, quem sabe não se desenvolvem meios de coletar ou sintetizar os terpenos, sendo estes dispersados sobre a atmosfera de regiões desérticas para fabricar chuvas? Isso se a guera nuclear não eclodir antes, fazendo com que retornemos a níveis técnico-científicos pré-revolução industrial.

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