sábado, 12 de janeiro de 2019

Um futuro medieval


Quão belo me parece o mundo de outrora, o medievo europeu, com seus castelos e catedrais, um mundo de clérigos, cavaleiros e princesas; saudades desse tempo que nunca vivi…A Igreja estendia seus domínios pelo mundo, os Estados se curvavam submissos ante a lei do Evangelho, os nobres partiam ao Oriente em guerra santa, os frades mendicantes vagavam por metrópoles, aldeias e povoados, os hereges ardiam na fogueira, multidões peregrinavam para ouvir os santos e doutos pregadores; belos dias deste tempo esplendoroso, desta era de ouro onde o sobrenatural, o sagrado, estava explicitamente manifesto em todo o arranjo social.

Romantismo? Idealização? Devaneio? Sem dúvida, e ao extremo rsrs. Porém, a utopia é um estímulo, é o combustível dos grandes feitos; o ideal pavimenta o real; ou nas palavras de Von Hofmannsthal: “Nada está na realidade política de um país que não esteja antes na sua literatura”. E mesmo que a tal literatura jamais venha a se concretizar no real, ainda que as especulações sobre um neomedievo não passem de fantasias, será uma bela ficção, capaz, quem sabe, de encantar as filhas e filhos de Eva, proporcionando-lhes um ideal ainda que intangível, um abrigo, ainda que imaginário, uma fantasia ainda que efêmera, um combate, ainda que destinado a fracasso.

É nesse sentido meus amigos que retorno a elfolândia para voz convidar a uma grande aventura. Aos idealistas, aos artistas, deixemos as árvores retorcidas de uma política pragmática e acinzentada em favor de um ideal multicor, convido aos poetas, aos ficcionistas, aos filósofos, pintores, músicos e desenhistas, aos católicos que sabem que para Deus nada é impossível,a vós meus irmãos os convido a tomar parte ativa na guerra cultural. Tornemos concreto e manifesto por meio da arte um novo futuro, um neomedievo, uma nova cristandade, coloque sua imaginação meu amigo a serviço desta causa, deste ideal, desta utopia! Estudemos o latim, escutemos o ressoar do alaúde, proclamemos os dogmas, desenterremos as ruínas, retiremos aos poeiras do velhos romances de cavalaria e, como numa alquimia proibida, mesclemos com os sonhos futuristas, com as possibilidades de agora, os avanços da técnica e as esperanças do amanhã, com o que há de mais moderno e espetacular na ficção científica;  então, nesta Terra de Santa Cruz, como uma nova semana de 22, gestemos um novo movimento cultural! Senhores, trabalhemos afim de construir este sonho arqueofuturista, essa nova Idade Média, esse futuro medieval!

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ATENÇÃO: Valorizo em demasia o aspecto artístico do texto, recorrendo com frequência a hipérboles e metáforas. Cuidado com interpretações literalistas, não me vá fazer nenhuma besteira!