terça-feira, 26 de fevereiro de 2019

''(...) porque no fogo se prova o ouro e a prata''


7ª Semana do Tempo Comum - Terça-feira
Primeira Leitura (Eclo 2,1-13)
Responsório (Sl 36)
Evangelho (Mc 9,30-37)

Hoje, tanto a primeira leitura quanto o santo Evangelho ecoam um ensinamento de difícil aceitação: a realidade do sofrimento e da humilhação. Nós que estamos no caminho certo, no caminho da verdade, não deveríamos ser recompensados, receber elogios e honrarias? De fato receberemos, mas no céu; por agora é o tempo da provação. Assim como soldado só recebe suas medalhas ao fim da batalha, assim o será conosco; todavia, enquanto estivermos entrincheirados no campo de batalha, não devemos esperar outra coisa que não o sofrimento do combate.

Meu filho, quando entrares no serviço de Deus, persevera firme na justiça e no temor, e prepara a tua alma para tentação.

Humilha o teu coração, e tem paciência: inclina o te ouvido, e recebe as palavras da sabedoria e não te apresses no tempo da prova.

Sofre as demoras de Deus; conserva-te unido a Deus, e espera pacientemente, para teres vantagem na tua sorte final.

Aceita tudo o que te acontecer, e permanece em paz na tua dor, e no tempo da humilhação, tem paciência; porque no fogo se prova o ouro e a prata, e os homens amados, no cadinho da humilhação. (Eclo 2, 1-5)

domingo, 24 de fevereiro de 2019

#Notas: Objeção de Consciencia

No folheto da Paulus da missa de hoje, durante as preces da assembleia havia uma pedindo que Deus iluminasse as autoridades para implementar políticas públicas com vistas a uma sociedade mais tolerante e democrática.

Silencie-me. Não fiz coro com a comunidade para tal prece. Nem a democracia nem a tolerância são bens em si mesmos. Na verdade, creio que para o Brasil a democracia é antes um veneno. Igualmente penso que somos uma sociedade demasiado tolerante, toleramos o intolerável e isso só nos faz mau.

Quem dera os redatores tivessem mais respeito a liturgia, e não buscassem usar desta para fazer proselitismo de seus próprios devaneios políticos e filosofias tortas.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

Ginga Eiyuu Densetsu: Arqueofuturismo e Ciência Política (I)


 A ficção, sobretudo a boa ficção, oferece uma miríade de oportunidades, como em um verdadeiro laboratório estético imaginativo para a confecção de um projeto de futuro. Depois de discorrer sobre alguns elementos e conceitos arqueofuturistas em Code Geass, é hora de deixar a ficção ruim de lado, e explorar este que não é apenas o melhor dos animes, mas uma das mais interessantes narrativas da história da ficção; estarei a tratar de Ginga Eiyuu Densetsu.

Se faz constitui o seleto grupo que conhece e aprecia a obra, meus parabéns! Mas, se faz parte da plebe otaku a qual está obra prima passa por desconhecida, é tempo de deixar a gadisse. Ginga Eiyuu Densetsu ou Legend of the Galactic Heroes não foi feito para as massas, certo nível cultural e intelectual faz-se necessário, temos um roteiro complexo onde maquinações políticas maquiavélicas se misturam a complexas táticas de guerra, protagonizadas por personagens profundo e bem construídos, tudo isso ao som de música erudita. Sim! Nada daquele rockezinho japonês de adolescente, a história se desenrola ao som de Wolfgang Amadeus Mozart!

Yang full pistola ao ler esse meu artigo.

Como premissa de roteiro temos uma guerra espacial entre um império estruturado sob uma monarquia absolutista e uma aliança democrática. O expectador é introduzido neste universo com foco em dois jovens prodígios militares: Reinhard von Lohengramm um nobre de baixa estripe de ambições universais e uma sede insaciável por vingança; e Yang Wen-li, um democrata pacifista de invejável talento tático.

Entre a constelação de ideias sugeridas pelo autor, comecemos pelo aspecto tecnológico. Algo que realmente me encantou foi que a presença de uma verdadeira megalópole no interior da fortaleza militar de Iserlohn. Uma cidade dentro de uma base militar no espaço!! Não têm solo, terra, não têm rios, não há uma natureza original, e lá está uma belíssima cidade!!! A habilidade humana de confeccionar ambientes artificiais é antiga, pensemos nas grandes caravelas, meses de viagem até a chegada dos primeiros exploradores à América; pensemos nos shoppings centers, centros comerciais imensos e absolutamente artificiais;  pensemos nas tecnologias de hidroponia e no conceito de agricultura urbana, onde os viveres alimentícios são produzidos longe da roça. Há um salto gigantesco, sem dúvida, disto para uma megalópole flutuando no espaço, mas ainda assim...Se chegarmos a tal tecnologia, cidades instaladas no meio do nada, portos seguros, oásis no meio da galáxia, que instrumento, que tecnologia, que técnica ao auxílio do homem para a exploração do universo!

Passemos do tecnológico ao social, no que diz respeito a nobreza, em outras oportunidades já tratei dos vícios e potencialidades desta preciosa instituição. Igualmente já discorri sobre os aspectos econômicos e populacionais envolvidos na exploração do universo, mas algo me escapou: a questão militar. Ginga Eiyuu Densetsu mostra-nos o gigantesco contingente militar necessário a conquista do espaço. Resguardar a soberania e patrulhar fronteiras em tempos galácticos exigiria um exército forte e numeroso, veríamos um renascer do protagonismo da casta guerreira e, as dificuldades desta em coexistir pacificamente em um regime democrático, que tende facilmente a a degeneração e corrupção. Aliás, a discussão sobre formas de organização política, democracia, ditadura, monarquia, isto permeia toda a obra e, embora o autor se demonstre um democrata, demonstra grande sinceridade e maturidade na exposição dos argumentos de ambos os regimes.

As nuances envolvidas na relação entre o poder bélico e financeiro também são abordadas de forma magistral, a narrativa mostra como Phezzam maquina a perpetuidade da guerra entre o império e a aliança, escravizando-as por meio de empréstimos usurários. Aliás, a questão financeira, a economia arqueofuturista há de ser pensada cuidadosamente, do contrário poderemos ver nosso sonho neomedieval sufocado pelo grande capital.

Muito ainda há que se dizer sobre as questões levantadas por essa obra-prima, porém, encerro por aqui afim de retornar em outra ocasião.

Eu depois de assistir a primeira temporada do anime.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

Guerra Cultural: Considerações Táticas (I)

Vivemos em um século de apostasia, cercados por inimigos diversos. Tanto dentro quanto fora da Igreja as hostes demônicas incidem seus ataques, de modo que mais do que nunca, a todo varão católico faz-se necessário um ímpeto guerreiro, uma espiritualidade combativa de modo a preservar a Fé e pelejar pelo bem das almas e o Reinado Social de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Felizmente, cada vez mais pessoas têm tomado consciência desta peleja de matizes políticas, culturais e espirituais; todavia, sobretudo no campo cultural, quanta confusão! Não poucos irmãos, com a visão obscurecida, seja pelo pecado seja pela ignorância, acabam por colaborar com o inimigo, enquanto tantos outros põe-se a desperdiçar energia, atacando os próprios irmãos. Quanta tristeza ao contemplar as divisões e frestas internas, sobretudo no meio tradicionalista, uma situação de guerra civil entre os próximos mais próximos e, enquanto por picuinhas se faz um escarcéu, os hereges, pagãos e demais filhos do diabo avançam sobre a Igreja, a cultura e o Estado!

Recordemos algumas velhas lições de guerra, sejamos um tanto mais rigorosos com a aplicação dos conceitos: amigos e inimigos, aliados e adversários. Tanto a amizade quanto a inimizade são laços mais ou menos duradouros. Enquanto aliança e adversidade são circunstanciais, temporários. O aliado de hoje pode ser o adversário de amanhã e vice-versa. Nunca se dá ao aliado a mesma confiança devida ao amigo, nem ao adversário o mesmo ódio devido ao inimigo. O adversário há que derrotá-lo, o inimigo exterminá-lo. Entre os amigos, existem ainda companheiros e rivais. O companheiro irá lhe ajudar em muitas batalhas, o rival, embora esteja do mesmo lado, lutará separado de ti, quase como numa competição interna dentro do batalhão. A rivalidade é saudável desde que não se transforme em adversidade. Exemplifiquemos: Hereges e pagãos podem vir a ser circusntancias aliados, mas tão logo podem converter-se em adversários e inimigos. Assim, se na guerra contra a Revolução Sexual os protestantes se nos apresentam como aliados, em questões como as relações geopolítcas com o Israel Sionista, estamos nós em lados diametralmente opostos. Também se deve ressaltar que um inimigo em comum não é o suficiente para forjar sólidas alianças, assim, se liberais e católicos pelejam contra o comunismo, o fazem por motivos diametralmente opostos (enquanto nós o fazemos motivados pela moral, aqueles o fazem por avareza e dinheirismo) , de modo que o liberal jamais se constituirá sequer em aliado, como consequência, não porque ter reservas "táticas" ante o ataque a tal degeneração.

Convido o irmão a um breve exercício: em um pedaço papel, desenhe você ao centro (pode ser em palitinhos, como em pinturas rupestres). Depois anote o nome dos grupos que considera aliados e amigos. Quanto maior a concordância de ideias, coloque o nome do grupo mais próximo de você, quanto maior o antagonismo, mais distante. Posteriormente faça o mesmo com os inimigos.  Isso lhe ajudará a discernir amigos, aliados e inimigos, bem como a prioridade das batalhas: "quem há que se eliminar por primeiro?".


Tendo isso em mente, avante!

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

Declaração de fé - Gerhard Cardinal Müller


 "Não se perturbe o vosso coração!" (João 14,1)

Ante a crescente confusão no ensinamento da doutrina da fé, muitos Bispos, sacerdotes, religiosos e leigos da Igreja Católica, me pediram dar testemunho público da verdade da Revelação. É tarefa dos pastores guiar pelo caminho da salvação aos que se lhes foram confiados. Isto só pode ter êxito se se conhece este caminho e eles mesmos seguem adiante. A respeito disto a palavra do apóstolo nos indica: "Porque sobretudo vos entreguei o que eu também recebi" (1 Cor 15,3). Hoje em dia muitos cristãos já não são conscientes nem sequer dos ensinamentos básicos da fé, pelo qual existe um perigo crescente de apartar-se do caminho que leva à vida eterna. Mas segue sendo tarefa própria da Igreja conduziràs pessoas a Jesus Cristo, luz das nações (cf. LG 1). Nesta situação se expõe a questão da orientação. Segundo João Paulo II, o Catecismo da Igreja Católica é uma "norma segura para a doutrina da fé" (Fidei Depositum IV). Foi escrito com o objetivo de fortalecer aos irmãos e irmãs na fé, cuja fé é amplamente questionada pela "ditadura do relativismo"[1]

1. O Deus Uno e Trino, revelado em Jesus Cristo

A personificação da fé de todos os cristãos se encontra na confissão da Santíssima Trindade. Convertemo-nos em discípulos de Jesus, filhos e amigos de Deus pelo batismo no nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. A diferença das três pessoas na unidade divina (254) marca uma diferença fundamental em relação às outras religiões na crença em Deus e na imagemdo homem. Na confissão de Jesus Cristo os espíritos se dividem. Ele é verdadeiro Deus e verdadeiro homem, gerado segundo sua natureza humana pelo Espírito Santo e nascido da Virgem Maria. O Verbo feito carne, o Filho de Deus, é o único redentor do mundo (679) e o único mediador entre Deus e os homens (846). Em consequência, a Primeira Carta de São João descreve como Anticristo àquele que nega sua divindade (1 João 2,22), já que Jesus Cristo, o Filho de Deus, é desde a eternidade um ser com Deus, seu Pai (663). A recaída em antigas heresias, que viam em Jesus Cristo só um bom homem, um irmão e amigo, um profeta e um moralista, deve ser combatida com clara determinação. Ele é, acima de tudo, o Verbo que estava com Deus e é Deus, o Filho do Pai, que assumiu nossa natureza humana para nos redimir e que deverá julgar os vivos e os mortos. Só ao Ele adoramos como o único e verdadeiro Deus na unidade com o Pai e o Espírito Santo (691).

2. A Igreja

Jesus Cristo fundou a Igreja como sinal visível e instrumento de salvação, que subsiste na Igreja Católica (816). Deu uma constituição sacramental à sua Igreja, que surgiu "do lado de Cristo dormido na Cruz" (766), e que permanece até sua consumação (765). Cristo Cabeça e os fiéis como membros do Corpo são uma pessoa mística (795), por isso a Igreja é Santa, porque o único mediador a estabeleceu e mantém sua estrutura visível (771). Através deles, a obra da redenção de Cristo se faz presente no tempo e no espaço na celebração dos santos sacramentos, especialmente no sacrifício eucarístico, a Santa Missa (1330). A Igreja transmite em Cristo a revelação divina que se estende a todos os elementos da doutrina, "incluindo a doutrina moral, sem a qual as verdades da salvação da fé não podem ser salvaguardadas, expostas ou observadas" (2035).

3. A ordem sacramental

A Igreja,em Jesus Cristo,é o sacramento universal de salvação (776). Ela não se reflete a si mesmo, senão aluz de Cristo que brilha em seu rosto. Isto acontece só quando,não a maioria nem o espírito dos tempos,senão a verdade revelada em Jesus Cristo se converte no ponto de referência, porque Cristo confiou à Igreja católica a plenitude da graça e da verdade (819): Ele mesmo está presente nos sacramentos da Igreja.

A Igreja não é uma associação fundada pelo homem cuja estrutura é votada por seus membros à vontade. É de origem divina. "O mesmo Cristo é a fonte do ministério na Igreja. Ele o instituiu, deu-lhe autoridade e missão, orientação e finalidade" (874). A admoestação do apóstolo segue sendo válida hoje em dia para que quem quer que pregue outro evangelho seja amaldiçoado, "embora sejamos nós mesmos ou um anjo do céu" (Gl 1,8). A mediação da fé está indissoluvelmente ligada à credibilidade humana de seus mensageiros, que em alguns casos abandonaram aos que lhes foram confiados, perturbaram-nos e danificaram gravemente sua fé. Aqui a palavra da Escritura vai dirigida àqueles que não escutam a verdade e seguem seus próprios desejos, que adulam os ouvidos porque não podem suportar o são ensinamento (cf. 2 Tm 4,3-4). 

A tarefa do Magistério da Igreja é "proteger o povo dos desvios e das falhas e lhe garantir a possibilidade objetiva de professar sem erro a fé autêntica" (890). Isto é especialmente certo com relação aos sete sacramentos. A Eucaristia é "fonte e ápice de toda a vida cristã" (1324). O sacrifício eucarístico, no qual Cristo nos implica em seu sacrifício da cruz, aponta à união mais íntima com Cristo (1382). Por isso, as Sagradas Escrituras, em relação à recepção da Sagrada Comunhão, advertem: "'quem come do pão e bebe da taça do Senhor indignamente, é réu do Corpo e do Sangue do Senhor' (1 Cor 11,27). Quem tem consciência de estar em pecado grave deve receber o sacramento da Reconciliação antes de aproximar-se a comungar" (1385). Da lógica interna do sacramento se desprende que os fiéis divorciados pelo civil, cujo matrimônio sacramental existe diante de Deus, os outros Cristãos, que não estão em plena comunhão com a fé católica, assim como todos aqueles que não estão propriamente dispostos, não recebem a Sagrada Eucaristia de maneira frutífera (1457) porque não lhes traz a salvação. Assinalar isto corresponde às obras espirituais de misericórdia.

A confissão dos pecados na confissão pelo menos uma vez ao ano pertence aos mandamentos da igreja (2042). Quando os fiéis já não confessam seus pecados nem recebem a absolvição, a redenção cai no vazio, já que,acima de tudo, Jesus Cristo se fez homem para nos redimir de nossos pecados. O poder do perdão que o Senhor Ressuscitado conferiu aos apóstolos e aos seus sucessores no ministério dos bispos e sacerdotes se aplica também aos pecados graves e veniais que cometemos depois do batismo. A prática atual da confissão deixa claro que a consciência dos fiéis não está suficientemente formada. A misericórdia de Deus nos é dada para cumprir seus mandamentos a fim de nos converter em um com sua santa vontade, não para evitar o chamado ao arrependimento (1458). 

"O sacerdote continua a obra de redenção na terra" (1589). A ordenação sacerdotal "dá-lhe um poder sagrado" (1592), que é insubstituível porque, através dele, Jesus Cristo se faz sacramentalmente presente em sua ação salvífica. Portanto, os sacerdotes escolhem voluntariamente o celibato como "sinal de vida nova" (1579). Trata-se da entrega no serviço de Cristo e de seu reino vindouro. Enquanto à recepção da consagração nas três etapas deste ministério, a Igreja se reconhece a si mesma "vinculada por esta decisão do Senhor. Esta é a razão pela qual as mulheres não recebem a ordenação" (1577). Assumir isto como uma discriminação contra a mulher só mostra a falta de compreensão deste sacramento, que não se trata de um poder terreno, senão da representação de Cristo, o Esposo da Igreja.

4. A lei moral

A fé e a vida estão inseparavelmente unidas, porque a fé sem obras está morta (1815). A lei moral é obra da sabedoria divina e conduz o homem à bem-aventurança prometida (1950). Em consequência, "o conhecimento da lei moral divina e natural é necessário para fazer o bem e alcançar seu fim" (1955). Sua observância é necessária para a salvação de todos os homens de boa vontade. Porque os que morrem em pecado mortal sem se haver arrependido serão separados de Deus para sempre (1033). Isto leva a conseqüências práticas na vida dos cristãos, entre as quais se deve mencionar as que hoje se obscurecem com freqüência (cf. 2270-2283; 2350-2381). A lei moral não é uma carga, senão parte dessa verdade liberadora (cf. Jo 8,32) pela qual o cristão percorre o caminho da salvação, que não deve ser relativizada.

5. A vida eterna

Muitos se perguntam hoje por que a Igreja,todavia está ali, embora os bispos prefiram desempenhar o papel de políticos em lugar de proclamar o Evangelho como mestres da fé. A visão não deve ser diluída por trivialidades, mas o proprium da Igreja deve ser tematizado. Cada pessoa tem uma alma imortal, que é separada do corpo na morte, esperando a ressurreição dos mortos (366). A morte faz definitiva a decisão do homem a favor ou contra Deus. Todo o mundo deve comparecer ante o tribunal imediatamente depois de sua morte (1021). Ou é necessária uma purificação ou o homem chega diretamente à bem-aventurança celestial e pode ver deus cara a cara. Existe também a terrível possibilidade de que um ser humano permaneça em contradição com Deus até o fim e, ao rejeitar definitivamente o seu amor, "condenar-se imediatamente para sempre" (1022). "Deus que te criou sem ti, não te salvará sem ti" (1847). O castigo da eternidade do inferno é uma realidade terrível, que - segundo o testemunho da Sagrada Escritura - atrai para si todos aqueles que "morrem em estado de pecado mortal" (1035). O cristão passa pela porta estreita, porque "larga é a porta e espaçoso o caminho que leva à perdição, e são muitos os que entram por ela" (Mt 7,13). 

Ocultar estas e outras verdades de fé e ensinar ao povoem consequência, é o pior engano do qual o Catecismo adverte enfaticamente. Representa a prova final da Igreja e leva o povo a um engano religioso de mentiras, ao "preço de sua apostasia da verdade" (675); é o engano do Anticristo. "Ele enganará os que se perdem por toda classe de injustiça, porque se fecharam ao amor da verdade,pela qual deviam ser salvos" (2 Tessalonicenses 2,10). 

Invocação

Como operários da vinha do Senhor, temos todos a responsabilidade de recordar estas verdades fundamentais aderindo-nos ao que nós mesmos recebemos. Queremos animar o povoa caminhar pelo caminho de Jesus Cristo com decisão,para alcançar a vida eterna obedecendo seus mandamentos (2075).
Peçamos ao Senhor que nos faça saber quão grande é o dom da fé católica, que abre a porta para avida eterna. "Porque quem se envergonhar de mim e de minhas palavras nesta geração adúltera e pecadora, também o Filho do homem se envergonhará dele quando vier na glória de seu Pai com os santos anjos" (Mc 8, 38). Portanto, estamos comprometidos a fortalecer a fé, na qual confessamos a verdade, que é o mesmo Jesus Cristo.

Estas palavras também se dirigem em particular a nós, Bispos e sacerdotes quando Paulo, o apóstolo de Jesus Cristo, dá esta admoestação ao seu companheiro de armas e sucessor Timóteo: "Conjuro-te em presença de Deus e de Cristo Jesus que há de vir julgar os vivos e mortos, por sua Manifestação e por seu Reino: "Proclama a Palavra, insiste a tempo e a destempo, repreende, ameaça, exorta com toda paciência e doutrina. Porque virá um tempo em que os homens não suportarão, a sã doutrina, mas sim, arrastados por suas próprias paixões, far-se-ão com um acervo de mestres pelo afã de ouvir novidades; apartarão seus ouvidos da verdade e se voltarão para as fábulas. Tu, pelo contrário, portas-te em tudo com prudência, suporta os sofrimentos, realiza a função de evangelizador, desempenha comperfeição teu ministério." (2 Tm 4,1-5).

Que Maria, a Mãe de Deus, nos implore a graça de nos aferrar à verdade de Jesus Cristo sim vacilar.

Unido na fé e na oração

Gerhard Cardinal Müller
Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fe, desde 2012/2017

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

Cultivar e Guardar a Criação


5ª Semana do Tempo Comum - Quarta-feira
Primeira Leitura (Gn 2,4b-9.15-17)
Responsório (Sl 103)
Evangelho (Mc 7,14-23)

Ontem vimos como a certo ecologismo radical, que subverte a hierarquia da criação, igualando os homens as demais criaturas, contradiz diametralmente a Revelação; ainda hoje continuamos a refletir sobre as relações entre o homem e a natureza criada. Diz o livro do Gênesis: <Tomou, pois, o Senhor Deus o homem, e colocou-o no paraíso de delícias, para que o cultivasse e guardasse (Gn 2, 15)>; “cultivar”; embora se referisse na ocasião ao Éden, o mandato se estende a todo o mundo (e quem sabe ao universo?); deve o homem cultivar, desenvolver o potencial da criação. E assim o fizemos. Que portentosa civilização, que grandiosa indústria construímos a partir da matéria-prima que Deus nos confiara? Mas, como nos recorda o Papa Francisco na encíclica Laudato Si’, acabamos por esquecer e negligenciar parte do versículo, o “guardar”. Devemos ter certo zelo, certo cuidado para com a "casa comum", devemos “guardá-la”, “protegê-la”, para que também as próximas gerações possam fazer uso desta. Não seria isso ambientalismo? De certo que sim, mas note a diferença essencial entre este “ambientalismo cristão” para com as formas de “ambientalismo pagão”; enquanto nós católicos sabemo-nos superiores as plantas e animais, valorizamos o desenvolvimento civilizacional, tecnológico e industrial, de igual modo zelamos pela natureza, pois este fora um presente confiado por Deus a toda humanidade; os pagãos, por sua vez, negam a hierarquia da criação, igualando Adão aos macacos, bem como demoniza o desenvolvimento tecnológico, e gestam uma atitude idólatra para com as forças da terra, a natureza criada.

Que à luz da escritura, ordenemos nosso pensar, e nossas relações com a Criação, este imenso jardim, presente de Deus aos filhos de Adão.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

''Crescei e multiplicai-vos, e enchei a terra, e sujeitai-a''


5ª Semana do Tempo Comum - Terça-feira
Primeira Leitura (Gn 1,20–2,4a)
Responsório (Sl 8)
Evangelho (Mc 7,1-13)

No dia de hoje a liturgia direciona nossa atenção para a realidade da Criação, e uma vez mais a verdade revelada ajuda-nos a dissipar as trevas ideológicas confeccionas pelo diabo para levar homem a perdição. Diz a Escritura: <E criou Deus o homem à sua imagem; criou-os varão e fêmea (Gn 1,27)>; dado biológico essencial, sacralizado pela revelação, mas tão atacado nestes tempos repugnantes, onde muito dinheiro é empregado em lavagem, como na degeneração da chamada ideologia de gênero. Continua a escritura: <E Deus os abençoou, e disse: Crescei e multiplicai-vos, e enchei a terra, e sujeitai-a, e dominai sobre os peixes do mar e sobre as aves do céu, e sobre todos os animais que se movem sobre a terra (Gn 1,28)>; que escândalo aos ouvidinhos pós-modernos, não? "Multiplicai-vos", "enchei a terra", isso contrasta diametralmente com a ideologia anti-natalista, ideologia está que não que recorre até mesmo ao infanticídio intra-uterino afim de impedir a expansão da raça humana. E mais senhores pós-modernos, Deus ainda dá aos homens o domínio sobre a criação: "sujeitai a terra", "dominai sobre as criaturas"; um verdadeiro balde de água fria para com certo ecologismo delirante que pretende igualar o homem e animal, num cultuo idólatra para com a natureza, invertendo totalmente a estrutura do real.

Note o leitor como em apenas dois versículos a escritura dissipa as trevas demoníacas de variadas ideologias (gayzismo, ecologismo, anti-natalismo), ideologias estas que com sua retórica diabólica tem destruído tantos homens e civilizações.


Louvemos ao Senhor Nosso Deus, e rezemos pela cura da inteligência de tantos irmãos presos nas arapucas ideológicas da pós-modernidade infernal.

domingo, 10 de fevereiro de 2019

As cadeiras do senhor Trump

Não gosto do termo “vida intelectual”, a expressão sugere uma espécie de vida a parte, separada da existência ordinária e cotidiana. Não são poucos que assim o fazem, vivendo uma intelectualidade estereotipada, como fosse uma fuga da realidade, um rpg adulto… A inteligência deve servir de instrumento para resolução de nossos problemas reais e concretos, deve proporcionar-nos uma vida mais plena, em harmonia com a verdade. Dito isto, falemos de Donald Trump.

Como muitos jovens de minha geração, estou a ingressar no mercado de trabalho, e a área de finanças têm sido parte de minhas preocupações, de modo que minha atenção tem sido direcionada aos estudos daquela subliteratura corporativa; neste contexto tenho lido "Nós Queremos Que Você Fique Rico" de Donald Trump e Robert Kiyosaki. Apesar das limitações do estilo, o livro tem, de fato, alguns conselhos interessantes, tendo-me, sobretudo, chamado atenção a seguinte história:
Meu clube tem um belo salão de baile que dá vista para o Oceano Pacífico e para o campo de golfe número um da Califórnia, mas acomodava menos de 300 pessoas. Não tínhamos condições de organizar muitos eventos (como festas de casamento) porque nossa capacidade era reduzida, por isso, a sugestão de minha equipe administrativa foi que deveríamos ampliar o prédio. Mostraram-me planos para reformar e ampliar o salão de baile que custariam milhões de dólares e exigiriam muito tempo. Teríamos de lidar com o processo de permissão e fechar as portas por vários meses durante a reforma, e perderíamos milhões de dólares em receita — além de despender milhões de dólares com a reforma.

Enquanto estávamos reunidos olhando o salão de baile, observei que uma mulher estava tendo problemas para sair de sua cadeira. A cadeira era muito grande, e a mulher não conseguia afastá-la da mesa para ficar de pé. Na verdade, o salão estava repleto dessas enormes cadeiras. De repente, tive uma visão: precisávamos de cadeiras novas — de cadeiras menores!

Essa ideia não só me fez economizar milhões de dólares, como também me fez ganhar dinheiro. Arrecadamos mais dinheiro vendendo as antigas cadeiras do que gastamos na compra de novas cadeiras douradas Chivari. Agora temos condições de acomodar mais de 440 pessoas confortavelmente, e aumentamos o número dos grandes eventos que organizamos, bem como a receita que arrecadamos. Não foi necessária nenhuma ampliação do prédio, e nossas atividades não precisaram ser interrompidas. Assim, transformei em lucro algo que poderia ter me custado milhões!

Esse é o primeiro passo para se alcançar o status de visionário — enxergar alguma coisa e saber que ela pode ser diferente ou melhor.

Curioso, não? Um olhar treinado pode nos ajudar a economizar uns bons trocados. Quantas situações não teriam soluções simples as quais não enxergamos devido a rotinas de pensamento viciadas? Desenvolver tal amplitude no olhar, tal sabedoria prática aplicável as situações do dia a dia, deveria ser dos objetivos do estudo, do contrário, de que vale pilhas de leitura se não nos fazem de alguma forma superiores aos incautos?

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

Deus julgará os fornicadores e os adúlteros


4ª Semana do Tempo Comum - Sexta-feira
Primeira Leitura (Hb 13,1-8)
Responsório (Sl 26)
Evangelho (Mc 6,14-29)

1. É a luxúria o grande ídolo desta era apóstata, foi também este o pecado capital que cegou Herodes e Herodíades. Dando de ombros para todo e qualquer padrão moral, Herodes toma a mulher de seu irmão e, quando repreendido pelo profeta, por João Batista, a concubina Herodíades se ira, e passa a tramar a morte do santo, até que enfim o consegue, graças a sedução de sua filha. Quanta degeneração, que bacanal infernal esta maldita família que um dia reinou sobre Israel.

2. Na carta aos Hebreus, São Paulo adverte: <Seja por todos honrados o matrimônio, e o leito conjugal sem mácula, porque Deus julgará os fornicadores e os adúlteros (Hb 13,4)>, meditemos a respeito: Deus julgará os fornicadores e os adúlteros. Imploremos o dom da pureza, sobretudo nestes tempos nefandos em que se aproxima o maldito carnaval. Lembremo-nos de Herodes, lembremo-nos de Henrique VIII, e de tantos outros porcos devassos que cegos pela luxúria, assassinaram santos e profetas.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

Herética Irresponsabilidade


Além de colocar em risco o destino último d’alma, o que já é por si mesmo suficientemente problemático, a heresia também obscurece o raciocínio, destruindo-nos a vida. Pensemos um pouco sobre os erros intraeclesiais mais comuns em nossa pátria, a saber: a Teologia da Libertação e o Neopentecostalismo “Católico” (ou carismatismo). Apesar de diferenças substanciais que as colocam quase que em polos opostos (de um lado o materialismo marxista da TL, no outro extremo as superstições do pseudomisticismo gospel carismático) ambas as degenerações tem algo em comum: a diluição da responsabilidade individual.

Sua vida vai mal? Não se preocupe, a culpa não é sua, é do sistema, desse capitalismo malvadão, desses malditos opressores, do machismo, do conservadorismo, ou qualquer outro destes demônios laicos que povoam o imaginário esquerdista; eis a narrativa TL! A responsabilidade individual se dilui numa suposta culpa coletiva, o indivíduo é vitimizado, o pobre torna-se um novo Cristo, imaculado, injustamente crucificado pelas maquinações dos poderosos. Mas não é assim, a começar todos, ricos e pobres, somos responsáveis por pecados abomináveis. Não existem inocentes. Cristo era inocente, os homens de maneira alguma. Todos nós fazemos o mal, o mal a nós mesmo, o mal ao nosso próximo, ao nosso próximo mais próximo. O marxismo eclesial erra gravemente no que diz respeito a seu juízo sobre a natureza humana. Não apenas isso; é verdade que existem limitações ao desenvolvimento humano dadas ao coletivo, ao sistema (apesar de que este sistema é construído pelos mesmos homens….), todavia mesmo dentro destas limitações sistêmicas há uma grande margem para o crescimento individual, uma gama de oportunidades abertas, que são simplesmente ignoradas, muitas vezes culposamente ignoradas. O pobrezinho, o oprimido, tem sua parcela de culpa, culpa por acomodar-se e vitimizar-se com a fraqueza, o fraco deve tornar-se forte, o ignorante deve estudar para alcançar a sabedoria e não simplesmente ficar a lamentar e esperar que tudo cai do céu, que o sistema, o coletivo, venha a saciar todas as suas necessidades.

Se para a heresia da libertação a culpa é do sistema, para o carismatismo é coisa do demônio. Há uma hipertrofia delirante da ação demoníaca sobre o mundo. Se estou doente, é culpa do demônio; se meu casamento vai mal, é alguma maldição; se tenho dificuldades financeiras, fui vitima de macumbarias. O ser humano torna-se assim um joguete nas mãos de forças cósmicas incontroláveis. Ensina Santo Agostinho: “O demônio é como um cão preso na coleira, Cristo o prendeu; só morde quem dele se aproxima”; sim o demônio existe, e age sobre o mundo, mas o faz sobretudo por meio da tentação, sua ação no mundo material é limitada pelos desígnios divinos. No mais das vezes, nossos problemas são a consequência imediata de  nossos pecados, de nossa ignorância, de nossa tolice.

A fé católica, a reta ortodoxia, nos livra desse tipo de tolice disfarçada sob a verborreia clerical. Somos criaturas corrompidas e não pobres vitimas, é preciso que empreendamos um combate, sobretudo interno, afim de ordenar nossas paixões, nossos pensamentos; dirigir nossas ações; afastar-nos da dupla obscuridade em meio a qual nascemos: o pecado e a ignorância; somos responsáveis por nossas ações e no mais das vezes culpados de nossa sorte, cabe-nos a maturidade para lidar com isso, ao invés de recorrer a escapismos consoladores, atribuindo ora ao demônio ora ao sistema a responsabilidade de nossos próprios pecados.