domingo, 10 de fevereiro de 2019

As cadeiras do senhor Trump

Não gosto do termo “vida intelectual”, a expressão sugere uma espécie de vida a parte, separada da existência ordinária e cotidiana. Não são poucos que assim o fazem, vivendo uma intelectualidade estereotipada, como fosse uma fuga da realidade, um rpg adulto… A inteligência deve servir de instrumento para resolução de nossos problemas reais e concretos, deve proporcionar-nos uma vida mais plena, em harmonia com a verdade. Dito isto, falemos de Donald Trump.

Como muitos jovens de minha geração, estou a ingressar no mercado de trabalho, e a área de finanças têm sido parte de minhas preocupações, de modo que minha atenção tem sido direcionada aos estudos daquela subliteratura corporativa; neste contexto tenho lido "Nós Queremos Que Você Fique Rico" de Donald Trump e Robert Kiyosaki. Apesar das limitações do estilo, o livro tem, de fato, alguns conselhos interessantes, tendo-me, sobretudo, chamado atenção a seguinte história:
Meu clube tem um belo salão de baile que dá vista para o Oceano Pacífico e para o campo de golfe número um da Califórnia, mas acomodava menos de 300 pessoas. Não tínhamos condições de organizar muitos eventos (como festas de casamento) porque nossa capacidade era reduzida, por isso, a sugestão de minha equipe administrativa foi que deveríamos ampliar o prédio. Mostraram-me planos para reformar e ampliar o salão de baile que custariam milhões de dólares e exigiriam muito tempo. Teríamos de lidar com o processo de permissão e fechar as portas por vários meses durante a reforma, e perderíamos milhões de dólares em receita — além de despender milhões de dólares com a reforma.

Enquanto estávamos reunidos olhando o salão de baile, observei que uma mulher estava tendo problemas para sair de sua cadeira. A cadeira era muito grande, e a mulher não conseguia afastá-la da mesa para ficar de pé. Na verdade, o salão estava repleto dessas enormes cadeiras. De repente, tive uma visão: precisávamos de cadeiras novas — de cadeiras menores!

Essa ideia não só me fez economizar milhões de dólares, como também me fez ganhar dinheiro. Arrecadamos mais dinheiro vendendo as antigas cadeiras do que gastamos na compra de novas cadeiras douradas Chivari. Agora temos condições de acomodar mais de 440 pessoas confortavelmente, e aumentamos o número dos grandes eventos que organizamos, bem como a receita que arrecadamos. Não foi necessária nenhuma ampliação do prédio, e nossas atividades não precisaram ser interrompidas. Assim, transformei em lucro algo que poderia ter me custado milhões!

Esse é o primeiro passo para se alcançar o status de visionário — enxergar alguma coisa e saber que ela pode ser diferente ou melhor.

Curioso, não? Um olhar treinado pode nos ajudar a economizar uns bons trocados. Quantas situações não teriam soluções simples as quais não enxergamos devido a rotinas de pensamento viciadas? Desenvolver tal amplitude no olhar, tal sabedoria prática aplicável as situações do dia a dia, deveria ser dos objetivos do estudo, do contrário, de que vale pilhas de leitura se não nos fazem de alguma forma superiores aos incautos?

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