quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

Cultivar e Guardar a Criação


5ª Semana do Tempo Comum - Quarta-feira
Primeira Leitura (Gn 2,4b-9.15-17)
Responsório (Sl 103)
Evangelho (Mc 7,14-23)

Ontem vimos como a certo ecologismo radical, que subverte a hierarquia da criação, igualando os homens as demais criaturas, contradiz diametralmente a Revelação; ainda hoje continuamos a refletir sobre as relações entre o homem e a natureza criada. Diz o livro do Gênesis: <Tomou, pois, o Senhor Deus o homem, e colocou-o no paraíso de delícias, para que o cultivasse e guardasse (Gn 2, 15)>; “cultivar”; embora se referisse na ocasião ao Éden, o mandato se estende a todo o mundo (e quem sabe ao universo?); deve o homem cultivar, desenvolver o potencial da criação. E assim o fizemos. Que portentosa civilização, que grandiosa indústria construímos a partir da matéria-prima que Deus nos confiara? Mas, como nos recorda o Papa Francisco na encíclica Laudato Si’, acabamos por esquecer e negligenciar parte do versículo, o “guardar”. Devemos ter certo zelo, certo cuidado para com a "casa comum", devemos “guardá-la”, “protegê-la”, para que também as próximas gerações possam fazer uso desta. Não seria isso ambientalismo? De certo que sim, mas note a diferença essencial entre este “ambientalismo cristão” para com as formas de “ambientalismo pagão”; enquanto nós católicos sabemo-nos superiores as plantas e animais, valorizamos o desenvolvimento civilizacional, tecnológico e industrial, de igual modo zelamos pela natureza, pois este fora um presente confiado por Deus a toda humanidade; os pagãos, por sua vez, negam a hierarquia da criação, igualando Adão aos macacos, bem como demoniza o desenvolvimento tecnológico, e gestam uma atitude idólatra para com as forças da terra, a natureza criada.

Que à luz da escritura, ordenemos nosso pensar, e nossas relações com a Criação, este imenso jardim, presente de Deus aos filhos de Adão.

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