segunda-feira, 4 de março de 2019

Ginga Eiyuu Densetsu: Arqueofuturismo e Ciência Política (II)

Anteriormente destaquei, sobretudo, o aspecto tecnológico de Ginga Eiyuu Densetsu. Hoje gostaria de comentar algumas cenas que trazem ensinamentos preciosos. Diferente do antigo anterior, este costa alguns spoliers, de modo que não é recomendado aos mais sensíveis.

I) Democracia: A discussão sobre regimes políticos permeia toda a obra; se contrasta a todo o momento regime democrático com a monarquia (está vista apenas como uma forma mais refinada de ditadura) e, mesmo o autor tendendo a democracia, os limites e contradições internas de ambos os regimes são magistralmente expostos. A democracia se mostra ineficiente, um abrigo de demagogos, corruptos e interesseiros; tais parasitas são a causa da queda da aliança, uma vez que durante a guerra atrapalham de formidavelmente as operações militares. Da traição do nacionalista Job Truniht a invasão fracassada ao império, inspirada por motivos eleitoreiros, passando pela ordem que custou a vitória de Yang Wenli sobre Reinhart von Lohengramm; ante tudo isso, não tive como não simpatizar com o fracassado golpe militar liderado pelo Almirante Greenhill.

II) Monarquia-Ditadura:
Enquanto a ditadura se mostra um regime mais eficiente, sobretudo no âmbito da guerra, por sua vez, o anime retrata a tirania dos poderosos sobre os oprimidos, o modo como o poder absoluto corrompe absolutamente, sobretudo expresso no orgulho delirante no qual estão embriagados os nobres da dinastia Goldenbaum. Entretanto, o argumento mais forte contra o regime é manifesto por Yang Wenli: a ditadura torna o povo fraco, fornecendo-lhe um bode expiatório, alguém a quem cabe toda a responsabilidade do fracasso ou sucesso do regime.


III) Suicídio e Sacrifício: A agonia da Aliança dos Plantes Livres é um dos pontos altos do anime. Frente a derrota certa, muitos personagens entram em desespero, recorrendo ao suicídio direto com um tiro na cabeça, ou ao suicídio indireto em manobras militares corajosas mas, insanas e inúteis. Somente os personagens mais virtuosos conseguem manter a razão até o final, lutando até o último suspiro, mesmo conscientes da derrota, para causar o maior dano possível ao inimigo e garantir a fuga de seus companheiros, sendo Alexandre Bewcock o maior exemplo deste tipo de heroísmo.

IV) Comando e comandados: As relações entre líderes e subordinados, e como dessa harmonia depende de o sucesso das operações militares é outro tema explorado de forma abundante, sobretudo na revolta do almirante Oskar von Reuenthal, onde um estrategista genial é levado a derrota humilhante dado a traição de seus comandados.

V) Lealdade: Por fim, gostaria de destacar que, apesar da guerra galáctica girar em torno de ideias, não é apenas por ideias, ou mesmo uma lealdade institucional, mas sim por uma lealdade pessoal aqueles que encarnam tais ideias que os soldados arriscam suas vidas em um a guerra genocida.

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