quarta-feira, 17 de abril de 2019

Love is War

Slice of life (em português: fatia de vida) descreve o uso de experiências quotidianas em arte e entretenimento. Em anime e manga, "slice of life" é um gênero que muitas vezes se assemelha à um melodrama adolescente; ou seja uma novelinha chata e tediosa. Do complexo universo do entretenimento japonês são histórias as quais sempre evitei. Mas, a vida é uma caixinha de surpresas e, e depois de consultar a crítica, resolvi dar uma chance a Kaguya-sama: Love is War.

A premissa é extremamente interessante: o amor é uma guerra, uma relação de poder, há o senhor e o escravo, nessa guerra perde aquele que se apaixona. Para aqueles envoltos no que “A Real” (uma espécie de masculinismo tupiniquim) chama "Matrix", isso pode soar escandaloso: “como o terreno puro do amor pode ser ocasião de relações tão baixas e sombrias”, mas para quem há muito abandou as ilusões românticas, não há nada de novo no front. Da premissa se deriva o conflito que estrutura a narrativa, cientes desta dinâmica de dominação presente nos relacionamentos afetivos, dois gênios apaixonados, Miyuki Shirogane e Kaguya Shinomiya confeccionam joguinhos e estratégias afim de forçar o outro a confessar-lhe seu amor. Se o relacionamento é desejado, a submissão é intolerável, importa amar sim, mas entregar-se, jamais!


Esta dinâmica de jogos afetivos e psicológicos, afim de estabelecer o domínio sobre a relação, fora sistematizada de modo mais ou menos ordenado pelo webescritor Nessahan Alita. Nessahan sistematizou os principais “joguinhos” usados pelas moças afim de manipular os varões, bem como expõe técnicas para “contra-atacar” e vencer a silenciosa batalha do amor.

O anime é muito bom, expõe com precisão técnicas complexas, bem como capricha na comédia, além de possuir personagens extremamente carismáticos e um trabalho de animação fantástico. Voltando a Alita, suas técnicas funcionam, e confesso que é um tanto divertido jogar o jogo do amor munido de tais armas, todavia…. Não é um jogo honesto nem ético!

O amor não deve ser uma relação de dominação, uma guerra onde um lado procura subjugar o outro, onde cada elemento se eleva ao status de divindade, esperando o culto e a devoção do amado; onde, no fim, tudo se resume a usar-se mutuamente. A finalidade do namoro é o casamento, e a finalidade deste é a família e a finalidade desta é o Céu. Desta forma, uma relação saudável tem Deus como o centro e fim último, de modo que ao invés de se servir-se do parceiro ou parceira para saciar os próprios egoísmos, ambos se unem para melhor servir seu Criador. E, aspirando a glória de Deus, ambos são capazes de se entregar totalmente, cumprindo seus deveres munidos de um divino zelo e temor, também pela dignidade do outro (o qual pelo sagrado matrimônio se torna carne de sua carne, sangue de seu sangue). Utópico? Talvez, mas sem esse ideal em vista, que é o amor senão uma cruel ilusão? Se o outro sempre estará a jogar, a conspirar, a aspirar a dominação, não seria melhor se manter longe da guerra dos sexos, preservando a sanidade com o celibato?

Meu conselho, ame a Deus mais que a sua esposa e mais do que a si mesmo, encontre uma moça que faça o mesmo, rezem, e quem sabe não saia algo bonito daí. Fora disso só vai arranjar encrenca.

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