sexta-feira, 12 de abril de 2019

O Castigo de La Sallete

Durante o período quaresmal dediquei-me a leitura do livro Conheçam la Salette do Pe. Dr. Simão Baccelli; obra extensa, volumosa, densa, embora um tanto decepcionante, uma vez que Pe. Simão recusa-se a comentar sobre o conteúdo do “segredo” revelado aos pastorinhos. De todo o modo, é um início ao estudo de tão interessante, misteriosa e chocante a aparição. Como não se comover diante da imagem da Virgem em prantos, da “Bela Senhora” que desce em lágrimas do paraíso para avisar seus filhos sobre a consequência do pecado e o castigo que lhes está reservado se persistirem em sua conduta iníqua. A ideia de um castigo, de que as ofensas perpetradas exigem uma reparação, uma paga, doutrina constante na tradição da Igreja, explícita em toda a escritura, doutrina essa obscurecida nestes tempos iníquos por teólogos desonestos e medíocres. E mais, não é sobre os “pecados sociais” (os únicos os quais a mentalidade materialista permite-nos lamentar) que a Imaculada vem nos alertar, mas sobre ofensas espirituais, sobre a violação da primeira das tábuas da lei, a Virgem chora pelas blasfêmias, pela profanação dos dias santos de guarda, pela violação do jejum quaresmal; isso em 1846! Tanto mais há para chorar neste 2019….

Pouco tempo depois da manifestação sagrada da Virgem Santíssima, suas profecias começaram a se cumprir, como castigo pela iniquidade dos homens, uma grande fome se abateu sobre a França, as colheitas foram destruídas, crianças foram vitimadas; há como que um eco das pragas do Egito realizadas no tempo de Moisés:

Ela anunciou: “Sobrevirá uma grande fome”.

Ora, o jornal "Constitutionnel", início de Março de 1856, escrevia: "Embora não seja concluída a estatística do movimento do estado civil para o ano de 1855, temos fundados motivos, pelos resultados já conhecidos, que nesse ano terá havido excepcional mortandade, de mais de oitenta mil falecimentos por causa da escassez de víveres". Pelo mesmo jornal, em 1854, deram-se sessenta mil falecimentos e pior· foi ainda no ano de 1856. Em dois anos morreram, na França, duzentos e cinquenta mil pessoas de fome. Avaliam-se que em toda a Europa houve um milhão de vitimas.

Ela anunciou: "As nozes vão se estragar".

Ora, um relatório enviado ao ministério do interior, assinalava: "As nogueiras no centro da França se acham acometidas por doença desconhecida e que na região do Isére (isto é de La Salette), a colheita das nozes está totalmente perdida". No ano seguinte as próprias nogueiras tinham desaparecido.

Ela anunciou: "As uvas apodrecerão".

Ora, em 1847 apareceu o terrível flagelo "oidium", que destruiu quase todos os vinhedos da França. Chegaram ao extremo, para destruir o inseto[1], de inundar as videiras, o que produziu outro flagelo que só pode ser debelado pelo sulfato.

Ela anunciou: “As crianças morrerão”.

Ora, na França. terrível doença - uma espécie de peste - vitimou milhares de crianças que, acometidas por intensíssimo frio, morriam, tremendo, nas condições profetizadas.”

Mais de um milhão de vítimas pela fome...Quantos perecerão em castigo dos pecados desta era que são infinitamente mais graves e numerosos que em 1846?

"Penitência!" - clamava o anjo em Fátima, escutemos antes que seja tarde demais.

[1] Apesar de um exímio teólogo, o Padre Simão não é um bom agrônomo. O desculpemoss por essa errata. O oidium é um fungo, e não um inseto.

Nenhum comentário:

Postar um comentário