sábado, 18 de maio de 2019

Basta de puritanismo!

 
Puritanismo se refere historicamente a certa corrente protestante desenvolvida no interior do já degenerado calvinismo. Embora hoje não mais existam puritanos propriamente ditos, posteriormente, o termo ganhou significados mais amplos, de modo a se referir a uma suposta rigidez moral. Ainda assim, a expressão conserva um caráter polissêmico, sendo utilizado ora como insulto pelos pagãos a todo aquele que por meio de palavras descreve a nojeira a qual eles manifestam em ações, ora para designar certa perversão da teologia moral, uma rigidez injustificada que trata ocasiões neutras como fossem pecados hediondos. Não raro esta espécie de puritanismo promove uma síntese blasfema entre o ensinamento cristão e a moral politicamente correta, de modo que não são poucos aqueles que se escandalizam inflamados contra o cigarro, o álcool, as armas, a violência, a carne vermelha, o sal, e tantos outros alvos da engenharia social pós-moderna.

Além de tornar o cristão chato, essa síntese puritana politicamente correta cria homens fracos e efeminados; ante tal doença espiritual, gostaria de lhes recomendar um inusitado remédio: o cinema dos anos 80 e 90, especialmente a filmografia de Stallone e Schwarzenegger. É sobre isso que pretendo discorrer a seguir, mais especificamente sobre um profético clássico retrowave; falo de O Demolidor (no original Demolition Man).

A premissa é simples: o futuro é uma merda, o politicamente correto impregnou de tal maneira a sociedade que toda forma de violência e agressividade (mesmo verbal) é proibida, além do álcool, cigarro, carne, sal; nesta distopia sci-fi o crime é peça de museu, ou era, até que um antigo criminoso congelado no passado retorna a atividade e a polícia da época, fraca e efeminada, incapaz de lidar com este, é obrigada a trazer também do passado um velho policial casca-grossa. De resto temos aquela boa dose de violência, tiros, explosões, e o herói que fica com a linda mocinha ao final. Apesar da estética futurista, o filme tem muito a dizer aos nossos dias, dias estes em que os chamados justiceiros sociais colocam de fora suas garrinhas totalitárias, usurpando as estruturas da Igreja e do Estado para impor sua moral perversa e absolutamente arbitrária. Assim como o resgate a certo barbarismo viril, a redescoberta da alta macheza, fora no filme essencial para se demolir uma sociedade iníqua, assim nós homens católicos devemos cultivar este espírito viril, não devemos nos submeter a essa falsa moral, mas tão somente aos mandamentos divinamente revelados.

Um dos momentos mais cômicos do filme é a censura da linguagem. Os chamados palavrões; sobre isso gostaria de dissipar algumas confusões. Se, por um lado, os católicos devem evitar a vulgaridade e ofensas de cunho sexual, por outro nada impede o uso de palavras agressivas contra os inimigos da Igreja. Antes, é por vezes, uma obrigação denunciar o lobo, atacar os perversos, resistir aos maus. A este respeito, gostaria de citar São Boaventura, um mestre na arte do insulto, eis como o santo doutor se dirigia a um pérfido heresiarca de seu tempo: “desordenado, vagabundo, impostor, vaso de ignomínia, escorpião vomitado de Bréscia, visto com horror em Roma e com abominação na Alemanha, desdenhado do Sumo Pontífice, celebrado pelo diabo, artífice de iniquidade, devorador do povo, boca cheia de maldição, semeador de discórdias, fabricador de cismas, feroz lobo”.

Em suma, para uma nova cristandade florescer, esta iníqua civilização pós-moderna e sua pseudomoral politicamente correta devem findar. Sejamos, pois, cada um de nós um pequeno demolidor, artífices da destruição do erro, da mentira e da heresia.

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