quinta-feira, 9 de maio de 2019

Paradoxos da Vida Intelectual: Gratidão e Evolução

A vida intelectual (termo que julgo absolutamente inadequado, mas uso na falta de outro melhor) é feita de infinitos ciclos de morte e ressurreição. Renunciar a essa lógica, é perecer na estagnação.

Iniciamos lendo determinado autor, os temo-lo por um sábio, aderimos a tal doutrina, tão logo descobrimos seus erros e somos obrigados a renunciar-lha e afastar-nos daquele que nos instruiu outrora. Muito temos de limpar a mente daquilo que anteriormente aprendemos com pretéritos autores, ao mesmo tempo temos de nos esforçar por guardar algumas poucas pérolas preciosas.

É difícil conciliar este ciclo de destruição e autodestruição com a virtude da gratidão. Se por um lado amamos determinado pensador pelos caminhos que nos abriu, pelos processos que inciou; por outro o odiamos pelos erros que nos legou, pelo fardo que depositou sob nossos ombros, fardo o qual com tanta dificuldades nos livramos.

É preciso frieza e maturidade para lidar com isso, e mesmo assim é complicado, paradoxal. Tanto mais é quando determinado autor foi responsável por iniciar processos que mudaram nossa vida: s nossa conversão ao catolicismo, a nossa introdução a vida intelectual, nosso interesse a determinada área. Quão gratos devemos ser e, ao mesmo tempo, sob pena de não completar os processos inciados, não podemos calar-nos ou fechar os olhos pra seus erros, apegarmo-nos a eles como fossem mestres infalíveis. Só um é o mestre, o Cristo Jesus.

Ao vulgo, tudo isso parece bobagem, mas não é. É uma questão crucial, que determina os rumos que a vida toma e do qual nos será pedido contas no dia do juízo.

Gratidão e evolução (ou desenvolvimento, se preferir, mas optei por conservar a rima), tal paradoxo quem o poderá resolver?

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