segunda-feira, 27 de maio de 2019

Um filme inspirado...

O cristianismo raiz é o da era apostólica e não o da Idade Média. Não que este seja o "nutella" ou haja alguma perversão da Fé. Somos católicos, cremos que a Fé se perpetua pela história e se conservara inalterada até o fim dos tempos. A vida dos santos o atestam. Todavia, o lugar de destaque da Era Apostólica não deve jamais ficar obscurecido. Aliás, rememorar os tempos de perseguição romana é um santo remédio contra ilusões milenaristas. Dito isto, assistam o filme Paulo, Apóstolo de Cristo. Um filme verdadeiramente inspirado, quase como uma mensagem da Providência para estes tempos confusos, para esta névoa ideológica, para esse boboca que sou eu.

O aspecto mais notável da obra é o lado humano de cada um dos personagens. Tantas vezes temos a impressão de que os santos são uma espécie de super-homem, no filme vemos o apóstolo sofrer com a velhice, preocupar-se por seus amigos, divertir-se ao recordar pequenos episódios cotidianos… O diretor opta por não investir em efeitos especiais avassaladores, de modo que embora se mencione os milagres, estes quase não aparecem, ou quando mostrados, o são de forma discreta. Isso, porém, não significa que a figura do apóstolo, ou de São Lucas Evangelista, fique diminuída, pelo contrário, o foco dado a fragilidade humana torna sua figura ainda mais admirável. De algum modo, isso nos aproxima, nos faz ver que os santos são feitos do mesmo barro com o qual fomos feitos, e traz ânimo a nossa vida espiritual e a confiança na graça.

O retrato da comunidade cristã primitiva também fora fascinante. Vemos o amor que os une, como de fato se tratam como irmãos, o modo como estavam verdadeiramente unidos em Cristo. Em tempos individualistas, tantas vezes perdemos essa dimensão comunitária de nossa Fé, não são poucos aqueles que erroneamente desprezam as riquezas da vida paroquial… Todavia, o que mais me marcou foi o modo como buscavam, acima de tudo, a vontade de Deus. Em meio a perseguição romana, estes hesitam em fugir, antes procurando rezar e discernir se não é da vontade de Deus que eles fiquem e deem seu testemunho ali na capital do Império. O contraste é grande com certa juventude desviada, que desiste de rezar e vai em busca da própria vontade, planejando uma revolta armada contra Nero, revolta esta desautorizada por São Paulo Apóstolo. Confesso que tantas vezes estou mais a escutar minha própria lógica, tal qual a juventude desviada, do que a orar com confiança, como Priscila e Aquila…

O filme procura evitar o impacto visual, o ''gore'', de modo que as cenas de tortura e perseguição a comunidade cristã são tímidas... Ainda assim são suficientes para rememorar o quanto sofreram e sofrem tantos de nossos irmãos e instigar nossa consciência a questionar: “como nós, que vivemos em uma situação relativamente privilegiada, como podemos ser tão ingratos e dramáticos em nossas miudezas?”.

Raras foram as vezes em que a apreciação de um filme me foi tão frutuosa. Paulo, Apóstolo de Cristo é verdadeiramente um filme inspirado e inspirador. Louvado seja Deus por falar as nossas almas de forma tão diversa e criativa!

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