segunda-feira, 17 de junho de 2019

O Ministério da Princesa


Se uma restauração nobiliárquica se faz necessário, afim de estabelecer outros parâmetros de valoração social, a existência de tal instituição em um contexto de hiperexposição midiática levanta algumas questões. Imaginemos uma princesa, a filha de um monarca, neste degenerado cenário pós-moderno. Se a imaginação do leitor não chega a tanto, basta recuar algumas décadas e observar a vida da finada princesa Diana. Que era desta mulher senão um show de vulgaridade? Que diferia está de qualquer celebridade infeliz? Diz o escritor inglês Theodore Dalrymple:

Diana é uma de nós: alcoólatra, dependente química, depravada, cleptomaníaca, agorafóbica, anoréxica, ou qualquer uma das milhares de diagnoses encontradas no Manual Diagnóstico e Estatístico da Associação de Psiquiatria Americana.

(...)

A outra qualidade que fez de Diana a princesa do povo foi, sem dúvida, a extrema banalidade de seus gostos e prazeres. Como ela mesma era a primeira a admitir, nunca fora particularmente inteligente, pelo menos no sentido intelectual do termo, embora fosse bastante intuitiva. Descontando o seu refinamento em moda, suas preferências eram comuns; em outras palavras, ela não era uma ameaça para os homens e as mulheres nas ruas, os quais sabiam que os gostos dela eram iguais aos seus, e que vivera da mesma forma que eles viveriam caso ganhassem na loteria. Mesmo sua afeição para com os pobres e desafortunados do mundo correspondia ao sentimento que as pessoas comuns sentem, de tempos em tempos. Nesse sentido, sua semelhança com Eva Perón, que abraçava os mais desfavorecidos em frente às câmeras e aos fotógrafos, é bastante notável, como também a similaridade da aura de santidade conferida pelo público - de forma um tanto inadequada —, depois de sua morte igualmente prematura.

Que os gostos dela fossem, apesar de ter recebido uma educação privilegiada, absolutamente banais e plebeus ficaram evidentemente atestados durante o funeral, quando Elton John entoou sua canção sentimentaloide, logo após o primeiro-ministro ter lido as magníficas palavras de São Paulo, em Coríntios. Foi altamente apropriado (e simbólico) que esse tolo lúgubre, com seu implante capilar, cantasse uma versão reciclada de uma música inicialmente dedicada à memória de Marilyn Monroe - uma celebridade que ao menos batalhou o próprio espaço no mundo, e que também fez alguns filmes dignos de nota. “Goodbye, Englands rose”, ele entoou com um sotaque norte-americano, e que diz muito sobre a perda de confiança na cultura britânica, “from a country lost without your soul”. [1]

Em um contexto católico arqueofuturista este tipo de conduta seria inadmissível. As filhas da realeza devem prestar um serviço espiritual a pátria. A princesa deveria receber uma educação contemplativa desde a tenra idade, ter uma intensa vida de oração e destacar-se por sua pureza, piedade, modéstia e devoção. Deveria abster-se da exposição midiática, cultivando o silêncio e descrição, renunciando também o contato com o profano, o vulgar e obanl; isto é o nojo de uma cultua mundana. Ao chegar a idade adulta, poderia escolher entre o sagrado matrimônio e a vida na clausura, conservando sempre as virtudes apreendidas na juventude. Condutas inadequadas e imorais deveriam ser punidas com o desterro, e perda do título de nobreza, o rebaixamento ao estado plebeu.

A monarquia católica não precisa de uma nobreza pop, de princesas vulgares, patricinhas, celebridades que nada diferem em virtude de uma qualquer. Antes, precisamos de santas! Aliás, uma santa princesa a orar pelo governo de seu pai e a prosperidade em seu reino exerce um verdadeiro ministério, um sublime serviço a nação.

[1] Theodore Dalrymple. Nossa cultura... ou o que restou dela; Cap. 17. A Deusa das Tribulações Domésticas.

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