segunda-feira, 1 de julho de 2019

Morte Negra

Assisti ontem ao filme Morte Negra, uma obra interessante que embora não seja de todo simpática aos cristãos, não nos é absolutamente hostil. Ambientada na época da peste negra, a história nos coloca junto há um grupo de cavaleiros a serviço do bispo em uma misteriosa missão (spoliers daqui para frente). Seja pelo acaso, seja pela Providência, o jovem Osmund junta-se ao grupo. Osmund é um monge franciscano que secretamente traiu seus votos para juntar-se a uma moça, a qual manda a sua frente para o bosque, enquanto este está a rezar e meditar se deve ou não acompanhá-la. 

Enquanto os padres pregam que a peste é um castigo de Deus para uma época iníqua, alguns, no entanto, creem que a peste não tem uma origem divina, mas demoníaca, fruto de feitiçaria. Fiel a historiografia atual, o filme mostra o ceticismo do clero com relação a eficácia da bruxaria. Logo no início da jornada, Osmund tenta salvar uma jovem injustamente acusada de bruxarias pelos populares, seu intento, no entanto, acaba fracassando. 

Os cavaleiros são liderados por Ulrich , homem valente e piedoso,  devem investigar um vilarejo livre da peste, vilarejo este que recusa a Deus. Também há rumores de bruxaria e necromancia em tal vilarejo, o demônio realizara prodígios ressuscitando os mortos para enganar os homens. Nas proximidades do vilarejo, Osmund encontra as roupas manchadas de sangue de sua amada, julgando que ela tenha encontrado a morte. 

Já no vilarejo, após uma aparente acolhida, os cavaleiros são enganados e capturados pela bruxa e seus seguidores, que procuram matá-los, não antes de perder suas almas, instando-os a apostasia. Embora muitos cavaleiros resistam heroicamente, há um que cede ao medo, e renuncia a fé católica. Iludido por promessas de segurança, o cavaleiro porém, encontra a morte logo em seguida; o inferno o aguarda. Na tentativa de perder Osmond, a bruxa o leva até a sua amada que teria sido ressurrecta por magia. Osmond é tentado duramente, por fim, mata sua amada, devolvendo sua alma ao purgatório, segundo crê, e volta para confrontar a bruxa e seus servos pagãos. Enquanto isso, Ulrich é violentamente torturado a fim de que renuncie a fé. O cavaleiro resiste bravamente, como um verdadeiro mártir, ao fim guarda uma surpresa aos malditos pagãos: a peste. Ulrich estava contaminado, com sua morte traria a morte ao vilarejo. Neste meio tempo, dois dos cavaleiros restantes conseguem libertar-se, vingar alguns de seus companheiros, capturar um dos blasfemos lideres do vilarejo, “o necromante” e resgatar Osmund, embora a bruxa termine por escapar. Antes, porém, esta revela a Osmund que sua amada não havia revivido, na verdade até então ela sequer havia morrido, a necromancia era apenas um truque, a moça estava ferida, foi curada e posteriormente drogada para ludibriar o padre. Ao fim do filme, aqueles na aldeia que não morreram pela espada são vitimados pela peste, o “necromante” é levado a julgamento e o padre retorna ao mosteiro, embora não por muito tempo. Consumido pelo ódio, Osmund abandona a vida sacerdotal tornando-se um caçador de bruxas, buscando a mulher que o manipulou para matar sua amada. Todavia, o ódio não é um bom conselheiro, e não raro o cavaleiro acaba por torturar e condenar moças inocentes. 

Embora haja certa histeria por parte do laicato, o filme demonstra bem a perversidade daqueles envolvidos com a bruxaria, verdadeiros servos do demônio, que apesar de servirem-se de truques para realizar seus prodígios, manipulam os homens, blasfemam contra Deus e esforçam-se por fazer perder as almas. Também assim o é hoje, quantos não se entregam as imundas doutrinas e a perversas feitiçarias? Tais homens e mulheres não são outra coisa senão escravos do demônio, que tão mal fazem aos inocentes e tanto ódio nutrem a Igreja de Cristo. Tal prática nefanda deve ser combatida, mas infelizmente não é o que ocorre dado a crise conciliar onde muitos bispos e papas andam por aí amigados de feiticeiros, promovendo blasfemas cerimônias sincréticas... Quem dera houvesse hoje cavaleiros como o do filme bem como inquisidores como outrora (seja conforme a história real ou mesmo versão edgy propagada por pseudo-historiadores); sem dúvida, o povo cristão se alegraria ao ver algumas fogueiras acesas...

No que diz respeito a peste negra, podemos dizer que fora uma verdadeira prefiguração do Apocalipse. A doença ceifou mais de 75 milhões de vidas e devastou a Europa. Refletir a respeito nos fará bem, sobretudo nestes tempos iníquos onde abunda o pecado. Se o passado mereceu tão rigoroso castigo, o que aguarda nossa geração? Rezemos.

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