terça-feira, 9 de julho de 2019

O Batman de Burton

Os filmes de Tim Burton são de fato uma experiência estética curiosa, mas alguns vão muito além disso. Resolvi (com a ajuda do bom e velho Torrent) rever alguns velhos filmes do diretor, mais especificamente  "Batman" e "Batman Returns".

Neste segundo filme, o drama do vilão é o que mais chama atenção. O Pinguim é uma espécie de vítima; alguém que nasceu deformado e foi rejeitado pelos pais (jogado ao rio em pleno Natal). Rejeitado pela sociedade, inicialmente busca suprir tal carência com uma superaprovação (ser querido, eleito prefeito, etc), rejeitado uma segunda vez, este continua a nutrir sentimentos de vingança para com sociedade que o rejeitou. Se como primogênito foi rejeitado pelos pais, o vilão quer agora punir sobretudo aqueles que tiveram a vida que ele não teve, sequestrando e matando todos os primogênitos de Gotham. Aliás, esse é um tema bem recorrente nos filmes de Burton: a sociedade é quem cria os próprios monstros que irão um dia voltar para assombrá-la.

O Batman, como retratado no filme anterior, não é um herói, mas um louco que procura suprir o trauma de infância de ter perdido os pais saindo pela rua vestido de morcego e descontando sua raiva nos criminosos. Não é um homem justo e escrupuloso, no primeiro filme o vemos deixar Jack cair nos químicos que o transformariam no Coringa. Posteriormente, Batman acaba sendo corresponsável pela morte do Coringa e não mostra um pingo de remorso. No segundo filme, em uma das cenas finais, diz o Pinguim ao Batman: "-Está com inveja? Inveja porque eu posso ser um monstro as claras e você precisa se esconder atrás de uma máscara para tal?*". Outro aspecto curioso é que em ambos os filmes, apesar de Bruce ser um ricaço, ele é totalmente desajeitado com as mulheres, e seus romances dependem em grande parte da boa vontade das mocinhas.

Retornando ao segundo filme, o poder hipinótico da beleza feminina é retratado de uma forma magistral. A Mulher-Gato desconcerta a todos, do Pinguim ao Batman. São muitas as cenas em que o "herói" tem de decidir entre seguir sua razão ou seu instinto e não poucas as vezes fica completamente abobado ao lidar com a vilã. Uma realidade, creio eu, que todo o varão têm de aprender a lidar: resistir aos encantos das desviadas, por mais belas que o sejam.

Por fim, há que se destacar que a Mansão Weyne é uma verdadeira expressão da perspectiva arqueofuturista. Um castelo medieval na América equipado com a mais avançada tecnológica, isso sem falar o belíssimo batmóvel em art deco. Concluo polemizando: por estes e outros aspectos, o Batman de Burton é melhor que o de Nolan :P.

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*Cito o diálogo de memória, pode ser que as palavras usadas não sejam exatamente as mesmas, mas tem o mesmo sentido.

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