sábado, 13 de julho de 2019

O Caminho do Guerreiro

"Em algum lugar dentro de mim eu estava começando a buscar a união entre a arte vida, estilo e espírito de ação." - Yukio Mishima

Causa-me tristeza ver tantos intelectuais restritos a sua “torre de marfim”. Com suas mentes alcançam os céus, com sua imaginação exploram o universo, falam de heroísmo, amor, coragem, virtude, mas raramente vivenciam o que pregam. Seu corpo, ora pálido e esguio, ora obeso e relaxado, denunciam uma vida burguesa cujo o único contato com o perigo e a morte se dá pelo hábito de fumar. Tal fato também viera a perturbar Yukio Mishima. Mishima viveu quase toda sua existência como ficcionista, porém, próximo a morte manifestou uma espécie de revolta contra a imaginação. Um imaginário rico formado tão somente em leituras, seria uma fuga, uma profanação, uma covardia. O homem que se abstém de se expor ao perigo, de viver as mais intensas experiências, se contentando apenas em imaginar não seria nada além de um covarde, alguém que empreende uma fuga do real e uma compensação com as sombras… Atormentado pela questão, já próximo a meia idade, o escritor japonês redescobriu a carne por meio do "sol e do aço", dedicando-se ao fisiculturismo e as artes marcais. Após lapidar seu corpo para guerra, Yukio Mishima fundou seu próprio exército particular:  A Sociedade do Escudo; com a qual perpetrou um atentado terrorista contra o alto comando do exército japonês, mas isso é história para outra hora… 

Não que esteja fazendo apologia ao terrorismo, o que quero dizer é que é preciso existir uma unidade de vida entre a pena e a espada, a palavra e a ação, o viver e o pensar Ora, como pode alguém escrever sobre aventuras sem nunca vivê-las? Que tipo de vida essa onde nosso corpo apodrece na mediocridade? Qual foi a última vez, caro leitor, em que teve de usar toda sua força? Em que expôs seus músculos ao extremo? Quando correu, dando o máximo de si, a toda velocidade? Quando foi a última vez que saltou? Que brigou? Que suportou a dor, o sofrimento físico? 
Assumir o sofrimento é o principal papel da coragem física; e a coragem física é como a fonte daquele desejo de entender e apreciar a morte, que mais do que qualquer outra coisa, é a condição para que o homem saiba que um dia vai morrer. Não importa o quanto o filósofo de gabinete rumine sobre o significado da morte, mas sem coragem físcia, requisito para a compreensão dela, ele não vai nem começar a entender de que é que se trata. [1]

A dor, o sofrimento, a fadiga e o cansaço, o Sol e o Aço, deixam suas marcas sobre o corpo, mas também sobre o espírito: 
O aço, fielmente, me ensinou a correspondência entre o espirito e o corpo: assim, emoções fracas ma pareceu, correspondiam a músculos flácidos, sentimentalismo a um estômago saliente e excessiva sensibilidade a uma pela branca e super-sensível. Músculos silentes, estômago retesado e uma pele dura devem corresponder respectivamente a um intrépido espirito de luta, ao frio poder do julgamento intelectual e uma disposição vigorosa. [1] 

O desporto é uma um ambiente favorável a tal experiência corpórea, mas minha mensagem não é tão restrita. Sim, se deve cultivar a prática desportiva, não uma, mas várias, mas não apenas isso. A aventura deve ser um estilo de vida! E ainda mais para nós católicos, nós que temos uma causa santa a defender! Quantas vezes nos expomos ao risco pelo Evangelho? Temos tido coragem de dizer a verdade, mesmo ante um público hostil? Há algum grau de heroísmo e generosidade ao rigor de nosso jejum? Há desafio em nossas peregrinações? Temos coragem de adentrar as selvas urbanas, de em meio aos favelas e cohabs proclamar o Reinado Social de Nosso Senhor Jesus Cristo? Com que frequência desafiamos os hereges e destroçamos suas mentiras? Se necessário, estamos prontos para defender com os punhos a nossa santa religião

Que diremos a nossos filhos e netos? Narraremos a juventude do amanhã nossas vitórias? Temos estampado em nosso corpo as cicatrizes da batalha, em nossa alma o ardor do combate?  A pergunta que vos faço, faço também a mim: somos guerreiros, soldados de Cristo ou covardes e falastrões?

O Céu, senhores, não é para covardes.

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[1] Sol e Aço - Yukio Mishima

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