sexta-feira, 2 de agosto de 2019

Olavismo Cultural: Filosofia, Experiência e Unidade

Que para alguns a opinião de um blogueiro falido a respeito da vida e obra de um escritor de renome tenha alguma relevância é um dos mistérios da internet, mas afinal, cá estou eu protagonizando essa irônica situação. Como o leitor já deve adivinhar, hoje sou o blogueiro falido; algum dia serei o escritor de renome? Pouco provável, mas adiante! Venho a tratar a respeito do filósofo Olavo de Carvalho, mais propriamente comentar algumas questões levantadas pelo escritor em recente entrevista, mas antes de falar do Olavo, vamos dar margem para algumas digressões, falemos sobre este blogueiro falido…. 

Não sou eu aluno do COF COF COF!!, leitor assíduo da obra olavista  tampouco, entusiasta de suas teses políticas. Além de que, tenho certo asco para com a sua fandom. Todavia, não raro aprendo muito com o infeliz, seja por meio da leitura de uma ou outra obra aleatória, seja em alguns de seus vídeos, que proliferam pela internet, como se pode atestar desde os primórdios do blog. Dito isto, sigamos! 

Tanto na entrevista em questão como no livro A Filosofia e seu Inverso, ensina Olavo de Carvalho que a filosofia é: 
a elaboração intelectual da experiência com vistas a alcançar, na máxima medida possível num dado momento histórico, a unidade do conhecimento, na unidade da consciência e vice-versa.

Note o leitor dois aspectos fundamentais nesta definição: experiência e unidade. A questão da experiência tem me inquietado fortemente, sobretudo após a leitura de Sol e Aço de Yukio Mishima. Quantos e quantos ditos intelectuais vivem no mundo da fantasia, a repetir conceitos e abstrações que ouviram ou leram sem jamais traspor tais conceitos ao mudo real, sem testá-los em sua própria vida? Quantos vezes nós não repetimos tal ou qual ensinamento apenas porque “soa bem”, para impressionar os demais? Deixemos o exame de consciência para o anoitecer e exemplifiquemos com a internet, as redes sociais, este bizarro zoológico da natureza humana. É comum vermos jovens entusiastas do liberalismo e escrever textos eloquentes em defesa do livre mercado, a exaltar o empreendedorismo a vociferar contra o Estado… Mas, que vale este hino de louvor a iniciativa privada quando os mesmos autores dela fogem procurando carreira na política? Falam tanto contra o Estado mas vão viver as custas dele, exaltam o empreendedorismo sem nunca praticá-lo. É ridículo, não? Nem sei de fato se sou ou quero ser um filósofo, mas não posso me resignar a uma vida de aparências, a uma jornada intelectual dissociada da experiência, do real. 

Falemos agora da unidade, a “unidade do conhecimento, na unidade da consciência e vice-versa.” Tal unidade é o que mais impressiona na personalidade do Olavo. É interessante o modo como ele transita em uma grande gama de assuntos, ora está a falar sobre a política cotidiana, ora sobre psicologia, ora sobre a Igreja, ora sobre a história, ora sobre medicina, ora sobre artes marciais, ora sobre sua vida pessoal, temas tão diversos, mas perfeitamente unidos em seu discurso filosófico de modo que cada assunto é examinado de forma ampla, sob vários aspectos e perspectivas. Isto é tão mais interessante do que tantos “doutores de minúcias” que não sabem falar mais do que um único tema, quando não reduzindo toda a complexidade do real a uma causa única, coincidentemente tal causa o seu objeto de estudos. 

Da definição retornemos a entrevista onde em determinado momento diz o Olavo que em tal unidade procura de algum modo: “juntar o injuntável”, usando uma linguagem que mistura o popular com o erudito, onde se torna possível falar de altas questões “do jeito que se fala em casa”, com sinceridade, “com o coração na mão”. Tal é o método que busco de algum modo imitar neste bunKer, onde junto as Sagradas Escrituras comento desde a literatura universal os grandes filósofos e pensadores como a discorro sobre a animes, games, esportes, artes marciais o que mais me der na telha, buscando em tal diversidade estabelecer uma unidade, que é como um eco da minha própria existência. 

Como disse outrora, não sei de fato se tenho lá alguma pretensão filosófica, mas tal método, se não me torna um escritor renomado, ao menos me ajuda a viver de um modo mais divertido e verdadeiro.

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