quinta-feira, 12 de setembro de 2019

Sofrendo-vos uns aos outros


23ª Semana do Tempo Comum - Quinta-feira
Primeira Leitura (Cl 3,12-17)
Responsório (Sl 150)
Evangelho (Lc 6,27-38)

No Evangelho de hoje, Nosso Senhor Jesus Cristo ordena que amemos nossos inimigos. Missão difícil, sem dúvida! Comecemos, porém, pelo mais fácil, aquilo que alguns momentos antes escutamos na liturgia, na leitura da Carta de São Paulo aos Colossenses; o apóstolo nos exorta a perseverar:
sofrendo-vos uns aos outros e perdoado-vos mutuamente, se algum tem razão de queixa contra o outro: assim como o Senhor vos perdoou a vós, assim também vós (deveis perdoar uns aos outros). Sobretudo, porém, tende caridade, que é o vínculo da perfeição; triunfe em vossos corações a paz de Cristo, à qual também fostes chamados, para (formar) um só corpo, e sede agradecidos. (Cl 3 13-15)

Atente o leitor que São Paulo fala do amor devido aos irmãos de fé. Pensemos este como um “primeiro degrau” na escada da caridade, um primeiro passo até que consigamos de fato cumprir o que nos ordena o Evangelho a respeito de nossos inimigos. Parece fácil, mas não o é! Note a expressão do apóstolo: <<sofrendo-vos uns aos outros>>! A convivência é algo um tanto quanto incômodo, já é complicado lidarmos com nossos amigos, com nossos familiares, tanto mais com aqueles que, embora unidos pela fé, possuem tantas diferenças de temperamento, pensamento, costumes, classe social, nível intelectual, opção política e, não raro, perspectivas teológicas. Tanto mais nestes tempos de tormenta onde a Igreja vive uma das maiores crises de sua história. <Ihh, lá vai você de novo com seus tradicionalismos delirantes e apocalípticos> - diriam, talvez, alguns leitores; pois se lhes é sofrível suportar meus <<tradicionalismos apocalípticos>>, de igual modo me é sofrível suportar este pacifismo infeliz, este otimismo imbecil, esta cegueira voluntária afetada por um sentimentalismo efeminado ante os tempos que vivemos. Apesar disto, há que se obedecer o apóstolo: <<sofrendo-vos uns aos outros>>

O modo mais fácil de viver tal ensinamento é “cada um procurar sua turma”; a Igreja é sábia, sabe que por vezes isso se faz necessário, tanto que vemos certa variedade de ritos e estética litúrgica e arquitetônica; pensemos nos ritos orientais, pensemos no rito bizantino, no rito ucraniano, etc.. Mesmo vivendo em território latino, foi permitido a nossos irmãos se organizarem e agruparem segundo suas origens étnicas e seus ritos tradicionais. Isto, contudo, não deve impedir a colaboração com os demais membros da Igreja; cito agora São Josemaria Escrivá
Foge dos sectarismos que se opõe a uma colaboração leal. (Sulco 363) 

Se é certo que nos é lícito procurar, mesmo dentro da Igreja, aqueles que nos são semelhantes, conservando nossa identidade e evitando ser absorvidos por certa “cultura eclesial” que nos parece inadequada; por outro lado não devemos nos furtar de colaborar com nossos irmãos naquilo que é justo. Teoricamente é algo simples, mas na prática se mostra algo extremamente complicado, não raro tantos se anulam em uma mediocridade geral, em um provincianismo temporal, renunciando a uma visão mais ampla para se adequar a certo modismo eclesial;. ou, o que é mais comum, acontece que a as diferenças são hipertrofiadas de modo quase sectário, sendo o trato com o irmão reduzido a mínimo necessário. Vigiemos, <<sofrendo-vos uns aos outros>>, com inteligência e caridade sem renunciar, porém, a nossa identidade, tampouco a uma colaboração leal em justas batalhas.

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