quinta-feira, 31 de outubro de 2019

A cultura pop não nos compreende...

Acabo de assistir Caça as Bruxas (Season of the Witch); o filme foi lançado em 2011 (baixei via Torrent) e na época nem dei muita atenção. Quase todos os filmes que tratam deste período histórico se encarregam de difamar a Igreja,  pensei se tratar mais do mesmo. Estava enganado, o filme é bom, e é até simpático a Igreja (motivo pelo qual foi massacrado pela mídia progressista). Mas é só isso. Um filme pop, legal e levemente simpático a Igreja. Não é nenhuma obra prima, tanto menos um filme católico.

E como digo que não é um filme católico? Simples: o elemento mais importante da narrativa, o que da sentido a história (lá vem spolier...) é um fictício livro de preces e rituais escritos por Salomão, a única arma capaz de derrotar bruxas e demônios. Se valoriza em demasia um "texto secreto em latim" enquanto  os sacramentos, as relíquias dos santos, nada disso tem lugar no épico combate contra bruxas e demônios, salvo a água benta, que (em fidelidade ao clichê hollywoodiano) queima o capeta.

Queria escrever mais coisa, mas não tem, é isso. Só isso. A cultura pop não entende o catolicismo. Nem o de hoje, quiçá o medieval. Não é triste? Não é triste que não consigamos sequer transmitir uma visão correta de nossa identidade ao mundo de hoje?

De todo o modo, o filme é legal e serve para entreter.

quarta-feira, 30 de outubro de 2019

Paradoxos da Vida Espiritual


30ª Semana do Tempo Comum - Quarta-feira
Primeira Leitura (Rm 8,26-30)
Responsório (Sl 12)
Evangelho (Lc 13,22-30)

As leituras de hoje parecem um tanto quanto paradoxais. São Paulo nós ensina que o Espírito vem em socorro de nossa fraqueza; afirma ainda o apóstolo que a Providência conduz a história, de modo que tudo conspira para o bem dos que temem a Deus. Mas, no Evangelho, Nosso Senhor Jesus Cristo fala da necessidade de esforço para entrarmos pela porta estreita. Afinal, como é a vida do cristão? Uma postura passiva onde se deixa conduzir pelo sopro do Espírito, como o velejar de uma caravela, ou antes uma postura ativa que exige esforço e vontade, como uma dura escalada? A resposta é simples: ambos.

Já andaram se bicicleta, não? Pois o terreno nem sempre é plano, na subida é preciso fazer um esforço hercúleo a ponto de doer as pernas, é necessário força, ritmo constante, resistência para suportar o calor do sol, o suor e o mau cheiro; mas na decida, tudo é mais fácil: não é preciso pedalar antes somos que conduzidos pela inércia, não raro em a alta velocidade, sentimos o vento refrescando o corpo, tudo isso torna o passeio agradável. A vida espiritual funciona mais ou menos assim, há momentos de esforço e momentos onde o Espírito nos conduz. Precisamos viver bem ambas as ocasiões afim de completar a corrida e passar pela porta estreita, pois a derrota significa o inferno.

domingo, 27 de outubro de 2019

Reflexões Eucarísticas (I)

Recentemente, fiz o propósito de reservar algum tempo aos domingos para meditar a respeito dos documentos eucarísticos, em preparação para a Santa Missa. Por agora, tem me acompanhado a encíclica Ecclesia de Eucharistia de João Paulo II; gostaria de compartilhar com o leitor algumas de minhas reflexões a respeito deste belíssimo documento. 

I. Aventuras Pontifícias
(...) Pude celebrar a Santa Missa em capelas situadas em caminhos de montanha, nas margens dos lagos, à beira do mar; celebrei-a em altares construídos nos estádios, nas praças das cidades... Este cenário tão variado das minhas celebrações eucarísticas faz-me experimentar intensamente o seu carácter universal e, por assim dizer, cósmico. Sim, cósmico! Porque mesmo quando tem lugar no pequeno altar duma igreja da aldeia, a Eucaristia é sempre celebrada, de certo modo, sobre o altar do mundo. Une o céu e a terra. Abraça e impregna toda a criação. O Filho de Deus fez-Se homem para, num supremo acto de louvor, devolver toda a criação Àquele que a fez surgir do nada. Assim, Ele, o sumo e eterno Sacerdote, entrando com o sangue da sua cruz no santuário eterno, devolve ao Criador e Pai toda a criação redimida. Fá-lo através do ministério sacerdotal da Igreja, para glória da Santíssima Trindade. Verdadeiramente este é o mysterium fidei que se realiza na Eucaristia: o mundo saído das mãos de Deus criador volta a Ele redimido por Cristo.
O Papa inicia o documento contando sua experiência de celebrar a Eucarística no Cenáculo de Jerusalém, e segue (no trecho acima destacado) contando suas aventuras onde celebrou a Santa Missa nos mais diversos cenários. Anos antes de eu propor a perspectiva das ''aventuras selvagens'', o Papa polaco já as vivia! Visitar diferentes igrejas, contemplar os múltiplos estilos artísticos, escutar melodias variadas, sob diversos cenários e climas, e ainda assim saber que estamos em casa, na casa de Deus. Um protestante nunca vai saber o que é isso, sua seita não tem filiais em todo o mundo; um (t)ortodoxo (cismático oriental) jamais entenderá, está preso demais a bairrismos étnico-regionais; mas nós católicos podemos! Seu estilo de vida talvez não lhe proporcione tantas viagens quanto gostaria, todavia ainda assim pode percorrer as paróquias de sua diocese, e vivenciando a seu modo essa aventura da universalidade da Igreja.

II. A minha parte no acordo... 
Ao entregar à Igreja o seu sacrifício, Cristo quis também assumir o sacrifício espiritual da Igreja, chamada por sua vez a oferecer-se a si própria juntamente com o sacrifício de Cristo. Assim no-lo ensina o Concílio Vaticano II: « Pela participação no sacrifício eucarístico de Cristo, fonte e centro de toda a vida cristã, [os fiéis] oferecem a Deus a vítima divina e a si mesmos juntamente com ela ».
Creio que o leitor já deve ter consciência de que a santa missa é o sacrifício por excelência, todavia, nem sempre nos lembramos de nossa parte nessa história.  Cristo se entregou por nós, e assim devemos oferecer-nos por Ele. De algum modo, nossa vida deve ser uma entrega, um sacrífico a Deus. E um sacrífico é algo que custa, é algo doloroso, é fazer algo que nem sempre queremos fazer... Tendo em vista esta realidade, nossa existência assuma uma perspectiva completamente diferente, que nos instiga a deixarmos a poltronice do comodismo.

III. O Céu na Terra
A tensão escatológica suscitada pela Eucaristia exprime e consolida a comunhão com a Igreja celeste. Não é por acaso que, nas Anáforas orientais e nas Orações Eucarísticas latinas, se lembra com veneração Maria sempre Virgem, Mãe do nosso Deus e Senhor Jesus Cristo, os anjos, os santos apóstolos, os gloriosos mártires e todos os santos. Trata-se dum aspecto da Eucaristia que merece ser assinalado: ao celebrarmos o sacrifício do Cordeiro unimo-nos à liturgia celeste, associando-nos àquela multidão imensa que grita: « A salvação pertence ao nosso Deus, que está sentado no trono, e ao Cordeiro » (Ap 7, 10). A Eucaristia é verdadeiramente um pedaço de céu que se abre sobre a terra; é um raio de glória da Jerusalém celeste, que atravessa as nuvens da nossa história e vem iluminar o nosso caminho.
Durante a Santa Missa, é como se um portal se abrisse, conectando o céu e a terra, o tempo a eternidade. Durante o rito, estamos em comunhão com toda a Igreja, milagres esplendorosos acontecem, os anjos voam no interior das catedrais, muitas das almas do purgatório encontram o alívio e a libertação de suas penas. os santos de todos os tempos e lugares estão conosco, o próprio Deus se faz presente na Eucarística. A liturgia terrena nos conecta a liturgia celeste, e experimentamos de alguma maneira o céu na terra. É uma realidade tremenda! Invisível a nossos olhos, mas nem por isso menos real, e que pela fé temos a graça de conhecer. Tomar consciência dessa realidade tornará nossa participação na missa ainda mais frutuosa e seremos mais dóceis as inspirações divinas em tão sublime momento.

sábado, 26 de outubro de 2019

Cultura Cristã

29ª Semana do Tempo Comum - Sábado
Primeira Leitura (Rm 8,1-11)
Responsório (Sl 23)
Evangelho (Lc 13,1-9)

<Os que vivem segundo a carne gostam do que é carnal, os que vivem segundo o espírito apreciam as coisas que são do espírito (Rm 8, 5)>; é o que nos ensina São Paulo, mas que tantos hoje insistem em ignorar. Há um abismo que separa cristãos e infiéis, como se tratassem de homens de espécies diferentes. Enquanto os primeiros são movidos pelo espírito, os demais seguem aos impulsos da carne. Tal diferença de perspectiva existencial não se reflete apenas na vida prática, mas também na cultura. A cultura cristã é voltada para as realidades do espírito, para aquilo que eleva o homem a Deus, enquanto a cultura mundana têm em vista a tríplice concupiscência. Por mais que possa haver ''sementes do verbo'' ou ecos de uma tradição cristã nas atuais manifestações culturais, o cristão deve ter em vista este profundo abismo, quando está a consumir os produtos culturais do mundo, afim de que não acabe por mundanizar-se.

Dias atrás vi por aí um vídeo onde, em uma suposta romaria, jovens estão a pular ao som de música ruim, como se estivessem em uma festa rave. Apesar de ser um ''evento da Igreja'', aquilo não é cultura cristã, mas cultura mundana. O que move aqueles jovens é uma agitação carnal, uma música que tão somente age sobre os instintos, agita o corpo em movimentos desordenados e inúteis.

 


 Compare isto ao réquiem de Mozart, algo que age sobre o intelecto, que convida o espírito a elevar-se.



''Qualé você quer que os juventude, incluso jovens de classe baixa, escutem Mozart?'' - Sim ,quero. A Igreja deve fomentar uma cultura cristã, e dar aos fiéis o alimento do espírito, ao invés de trazer a lavagem profana para dentro do templo. E os católicos, como não andam segundo a carne, mas segundo o espírito, serão dóceis a tal intento.

sexta-feira, 25 de outubro de 2019

Interpretar o tempo presente


29ª Semana do Tempo Comum - Sexta-feira
Primeira Leitura (Rm 7,18-25a)
Responsório (Sl 118)
Evangelho (Lc 12,54-59)

No Evangelho de hoje, Cristo condena as multidões: hipócritas que sabem reconhecer os sinais meteorológicos, mas não sabem discernir os sinais "do tempo" presente, isto é a manifestação de Deus, o verbo encarnado Jesus Cristo. Prossegue o mestre ordenando-os a discernir o que é justo. Seria a justiça, então, tão clara quanto os sinais climáticos e, as manifestações de Deus na história tão evidentes quanto a chuva que se aproxima? Assim o é. Então como não entendemos, qual o motivo pelo qual não enxergamos? A resposta é simples, porque somos hipócritas e não queremos ver.

Certa vez li algo bom em um livro ruim: um sensei de kenjutsu (esgrima japonesa) lamentava-se que seus alunos tão facilmente se apaixonam por determinada técnica ou estratégia, usando-a indistintamente, ao invés de avaliar a situação e deixar que esta indique o modo correto de proceder. A Sagrada Escritura nos ensina que há um tempo para tudo debaixo do Sol, mas hoje, vemos tantos que preferem não enxergar a crise na Igreja e o aspecto calamitoso do mundo, gente de tal modo apaixonada por certa conduta burguesa, pela moderação e bom mocismo, que repreendem toda e qualquer atitude mais combativa. Se apaixonaram pela técnica, fecharam os olhos aos sinais dos tempos, procedendo de uma maneira totalmente inadequada a situação. Cegos levando a outros cegos para o abismo. A tempestade se aproxima, mas estes dizem ser alarmismo levar o guarda chuva, disfarçando sua hipocrisia de piedade, dizendo ser falta de confiança na Providencia anunciar a chuva vindoura. Hipócritas!

terça-feira, 22 de outubro de 2019

A Aristocracia da História


29ª Semana do Tempo Comum - Terça-feira
Primeira Leitura (Rm 5,12.15b.17-19.20b-21)
Responsório (Sl 39)
Evangelho (Lc 12,35-38)

Pela desobediência de um homem todos se perderam. Pela obediência de um homem, a Salvação foi a todos oferecida. A história da Salvação tem uma nota aristocrática; determinados personagens estão responsáveis por todos os demais, são como que heróis de uma narrativa, dos quais de sua conduta depende o destino de muitos. De modo análogo, assim também o é a história humana. Para o escândalo de certos ouvidinhos democráticos, homens extraordinários moldam o destino dos povos, para o bem e para o mal. Rezemos por esses homens, esses heróis, para que sua jornada termine bem, e com isso todos nós ganharemos. É provável que não sejamos tais pessoas, ao menos do ponto de vista da história universal, mas de alguma forma temos também essa responsabilidade em escala micro. Pensemos em pai de família, de sua conduta, não raro, depende o destino de sua esposa e filhos. Se o homem for fraco, toda sua casa desaba... Todos sofrem com o fracasso do herói.

Pensemos nisso.

domingo, 20 de outubro de 2019

Oração Eucaristica VI - D

Dai-nos olhos para ver as necessidades e os sofrimentos dos nossos irmãos e irmãs; inspirai-nos palavras e ações para confortar os desanimados e oprimidos; fazei que, a exemplo de Cristo, e seguindo o seu mandamento, nos empenhemos lealmente no serviço a eles. Vossa Igreja seja testemunha viva da verdade e da liberdade, da justiça e da paz, para que toda a humanidade se abra à esperança de um mundo novo.
T: Ajudai-nos a criar um mundo novo!
***



"Ajudai-nos a criar um mundo novo"; a resposta da assembléia na Oração Eucarística VI-D tem sabor quase que de gnose pelagiana. O mundo em sentido estrito é Deus quem faz, nós não criamos nada. Em sentido análogo, podemos falar do mundo enquanto sociedade humana, mas mesmo assim a visão que tal deva ser por nós criada ou construída é de uma soberba tamanha! A sociedade não deve ser uma obra de engenharia social, uma construção, mas um eco orgânico da alma de um povo. De tal forma, para aludir a credo, podemos falar de uma sociedade gerada, não criada. 

Que Deus nos livre dessa mentalidade gnóstica de achar que precisamos "criar um mundo novo" a partir de  nossas próprias forças, necessitando tão somente de uma "ajudinha" divina. Que ele nos dê a graça da docilidade, docilidade ao real, docilidade a graça. 

Nota: Tal oração só existe no "rito brasilis"; foi uma oração escrita pela CNBB e aprovada (infelizmente) por Roma.

domingo, 13 de outubro de 2019

Algumas considerações sobre o palhaço...


O filme do Coringa têm gerado um fuzuê. Muita gente falando a respeito, e falando muita besteira, aliás. Não pretendo aqui fazer qualquer análise profunda, mas tão somente tecer algumas breves considerações afim de dissipar o ruido dos ideólogos imbecis.

A história é a seguinte: Arthur é um cara biruta vivendo numa sociedade de merda e que só se ferra como todo mundo, exceto Thomas Wayne. A diferença é que por sua loucura ele faz o que muitos desejariam fazer mas não tem coragem: revidar.

Coringa quer ver o caos pelo caos quer ver o circo pegar fogo. E ele é reverenciado pela multidão como um herói antissistema, os populares politizam a violência do Coringa transformando-a em uma revolução. Mas o palhaço é doído e não está nem aí pra isso, a violência pra ele é uma válvula de escape, uma piada, um meio de suportar a vida.

O personagem não é uma vítima da sociedade, não é um revolucionário, é só o mesmo coringa de sempre. A diferença é que o diretor o colocou em uma sociedade insana, de modo que por efeito contraste somos tentados a fazer o mesmo que fez a multidão: politizar sua revolta.

Dito isto, vamos agora entender a fúria dos ideólogos para com o filme:

Por que a esquerda está odiou o filme?

1. Porque Arthur é um homem branco, heterossexual, "machista" e tem uma vida ferrada. A ""vítima"" contrasta com o estereótipo das minorias da mitologia esquerdista.

2. Porque para o palhaço a revolução é uma piada. Ele só quer destruir tudo, descontar sua raiva e ver o circo pegar fogo.  Não tem uma causa, não está preocupado com os "oprimidos" está preocupado tão somente consigo mesmo.

3. É  o personagem a encarnação do honk pill.


E a direita, tá full pistola porquê?


Porque são uns imbecis que veem comunismo embaixo da cama. O coringa é um vilão, paçocas! O que o pessoal esperava? Que virasse coach e se juntasse com uma mãe solteira evangélica? Um cara malvadão tem mesmo que destruir tudo pro filme ter graça.

Alguns, mais avarentos, poderão erroneamente afirmar que o filme alimenta o ódio aos ricos. Tolice! Thomas Wayne não é retratado como um monstro. Na verdade o personagem e suas ações pouco aparecem... Antes a revolta do povo com os ricos no cenário de crise econômica. O filme não vai além disso: o povo está bravo e culpa os ricos. E os ricos são culpados? O diretor não responde. O filme não se preocupa em mostrar a verdade ao expectador, mas tão somente expressar a percepção das massas. O que é, aliás, conveniente a narrativa e ao desenrolar do enredo.

Em resumo, o pessoal que politizou o filme do Coringa precisa fazer uma consulta no Arkham, serião.

PS: O torrent do filme já está na net, só procurar que acha...

quarta-feira, 2 de outubro de 2019

Terrores Noturnos


26ª Semana do Tempo Comum - Quarta-feira
Primeira Leitura (Êx 23,20-23)
Responsório (Sl 90)
Evangelho (Mt 18,1-5.10)

1. No dia de hoje a Igreja celebra a memória dos Santos Anjos da Guarda, enquanto a ONU comemora Dia Internacional da Não-Violência. Essa maldita onda de pacifismo é um verdadeiro câncer para a alma e, não raro, isto vem a contaminar até mesmo os católicos. Para exorcizar este tipo de ideia estúpida e ressaltar o caráter bélico da celebração angélica, convido o leitor a contemplar comigo esta bela imagem de um anjo armado. É tiro, porrada e bomba contra os malditos demônios!

2. Conheci muito gente que estudando esse negócio de crise conciliar ficou lelé da cuca. Também pudera, é um assunto muito grave a complexo para nossa inteligência limitada. Peçamos a ajuda de nosso anjo da guarda. A inteligência angélica é infinitamente superior a humana; além disso sendo soldados do Senhor dos exércitos possuem tamanha valentia que não se atemorizam mesmo ante os demônios do inferno. Que nosso anjo nos ajude a não temer a verdade, mesmo quando está se mostra amarga e dolorida.

3. <Tu não temerás os terrores noturnos (Sl 90, 5a)>; diz o salmista. Pergunto a leitor, já experimentou tais temores? Tem ao menos uma referência imaginativa do que seria isso? A maioria de nós não tem sequer a experiência de uma profunda escuridão, protegidos, como estamos, pelas luzes elétricas. As inúmeras bestas que vagueiam durante a noite passam longe de nossas fronteiras citadinas... O máximo que pode nos perturbar é algum marginal. Sem entender a extensão do terror noturno, como poderemos compreender a grandeza da confiança expressa na escritura?

Leia a Bíblia, dizem os protestantes. Mas com uma vida medíocre e uma imaginação limitada, como se há de compreendê-la?