sábado, 7 de dezembro de 2019

Distributismo para brasileiros e alguns erros bolsonaristas...

A economia é um tema marginal em meus estudos. O leitor já deve ter notado que raramente toco no tema, salvo para explicitar alguns pontos da dsi (Doutrina Social da Igreja), doutrina, infelizmente, tão pouco conhecida e praticada nessa era insana. Todavia, fico incomodado com fraqueza de muitos dos autoproclamados especialistas, que não raro fazem o papel de teólogos da corte, a distorcer a doutrina afim de justificar as práticas de suas gangues ideológicas a direita e a esquerda. Gangues estas que estão longe do bom senso em matéria de economia. Aliás, há uma denominador comum que une direitas e esquerdas (ao menos as correntes que hoje se apresentam no Brasil): o desprezo pelos corpos sociais intermediários; enquanto os vermelhinhos querem tornar tudo parte do Estado, uma peça da burocracia, os azulzinhos (ou laranjas, pessoal ainda não decidiu a cor de seu Power Ranger) querem deixar tudo nas mãos do mercado, aliás, de preferência se esse mercado for constituído de grandes corporações, os campeões nacionais, pois o liberal brasileiro ter certo nojo elitista ante pequenas as empresas.

Como é hoje a direita que está no poder, ataquemo-la. Comento dois episódios recentes, comecemos pelo mais popular, o aumento do preço da carne bovina. Quem ler esse artigo fora de época pode ficar meio perdido, mas enfim; a carne bovina está mais cara e a culpa é da China 😛; Os xing ling aumentaram as importações por ocasião do fim de ano e de uma peste que atacou a suinocultura asiática, os produtores (mais especificamente o oligopsônio dos frigoríficos) br hu3 voltaram-se para a exportação, resultando em uma menor oferta no mercado interno, o que aumentou elevou preço. Vai ficar complicado para o pobre comer carne esse fim de ano... Pois bem, se o número de espécies alimentares (animais e vegetais) consumidas no mercado interno fosse mais variado, as oscilações de preço seriam menores e consequentemente o pobre gastaria menos com alimentação. O consumo de peixes e ovinos no país é baixíssimo, e de outras espécies animais como caprinos, coelhos, cobras e rãs praticamente nulo.  É difícil, todavia, promover essa ''expansão do paladar'', esse enriquecimento da culinária nacional na cultura dos supermercados, instituições que não lidam bem com a questão de sazonalidade e pequena escala. O incentivo a feiras e mercadinhos locais seria uma opção. Opção essa aliás profundamente harmônica com os a doutrina católica e os princípios distributivistas. Todavia, raramente vejo tal concretude nos meios católicos tupiniquins.  Se pensarmos especificamente nas teorias de Chesterton, temos inúmeras aplicações em pequena escala. Os americanos nesse sentido são bem mais criativos.

Em resumo, boicote os supermercados, visite as feiras locais, e experimente alimentos não convencionais.

Por fim, gostaria de comentar a nova besteira (pra variar), do Ministro do Meio Ambiente. Existe (ou existia) no Brasil, um conjunto de orientações conhecido como Política Nacional de Resíduos. Tal política era realmente muito boa, tanto do ponto de vista ecológico, quanto econômico e social. Não sei se os idealizadores leram as enciclias, mas ali estava a encanação legal de muitos princípios econômicos católicos. A ideia era incentivar a coleta seletiva através do fomento a formação de cooperativas de catadores de lixo, integrando indivíduos marginalizados, não raro moradores de rua, dando-lhes renda; além disso, o alto volume de material reciclado gerava uma oferta a ser aproveitada pela indústria, de tal forma que se criava um mercado de recicláveis, além de fomentar desenvolvimento de tecnologias para o reaproveitamento desse "lixo", isso sem falar do benefícios ecológicos. O plano do senhor ministro destrói tudo isso: simplifica as coisas optando pela incineração... Lá se vão os grupos intermediários, a integração dos moradores de rua como catadores, o mercado da venda de recicláveis; tudo vira fumaça! E fumaça tóxica! Cof-cof-cof!

Me pergunto, porque sobrou para mim, um simples blogueiro cujo interesse em economia é marginal comentar a este respeito, enquanto tantos economistas católicos se calam? Vai saber...

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