segunda-feira, 30 de dezembro de 2019

O mundo, os povos e o jejum


6º Dia da Oitava do Natal - Segunda-feira
Primeira Leitura (1Jo 2,12-17)
Responsório (Sl 95) 
Evangelho (Lc 2,36-40)

1. <Não ameis o mundo nem as coisas do mundo. Se alguém ama o mundo, não está nele o amor do Pai (1Jo 2, 15)>; que é o mundo ao qual se refere o apóstolo? É a cidade dos homens, é a sociedade sem Deus. É um sistema edificado sobre o pecado. Na época apostólica, quando imperavam os césares pagãos sob Roma pagã, as coisas estão bem claras. Hoje não é muito diferente, embora os erros vaticanosegundistas tenham contribuído para criar grande confusão.

Que significa rejeitar o mundo? Significa rejeitar seus valores, a ambição de ser bem quisto a todo o custo, de crescer e adquirir poder pisando nos demais, de saciar de modo impuro os instintos da carne, de se deixar instruir pelo magistério da mídia. O cristão deve ser uma espécie de outsider. Se o sujeito está bem integrado a esse sistema iníquo, se se sente confortável em desprezar a moral e ''subir na vida'' com base na mentira, na fraude, em maquinações maquiavélicas, não está nele o amor do Pai, por mais que o homem insista em simular uma imagem cristã.

2. <[...] julgará o mundo com justiça. e os povos segundo a sua verdade. (Sl 95, 13a)>;  assim canta o salmista. Note a expressão ''os povos". Que quer dizer isso? Que em sua jornada sobre a terra, os homens se agrupam em povos, e cada povo busca seus objetivos. Não raro esses objetivos o levam a guerras e antagonismos. Quem está certo, se sob diferentes perspectivas ambos podem estar buscando seus legítimos interesses? É o Senhor que vai julgar. É Deus, não a ONU, não o tribunal de Nuremberg. E ele julga com justiça. Mas, os homens são muito apressados, não são poucos os que se arrogam o papel de juízes da história querendo determinar lado da justiça e tomando partido em guerras que não lhe dizem respeito. Já nos basta as nossas próprias guerras, aquelas que estamos envolvido de forma pessoal, existencial. Pra quê arrumar mais treta pra cabeça?

3. Ana servia ao Senhor no templo com jejuns e orações. Foi o que lemos no Evangelho de hoje e, é o terceiro mistério gozoso que também hoje se medita na récita do Santo Terço. 

O anjo de Fátima bradava por penitência. O Jejum é uma das formas mais antigas de penitência, em certo trecho do Evangelho, diz Nosso Senhor Jesus Cristo que determinados demônios só podem ser expulsos por jejum e oração. Há um médico americano, Arnold Ehret, um tanto extravagante, que por seu exagero fora excomungado. Ehret atribuía os milagres dos santos a prática do jejum, dizia que se os homens jejuassem adequadamente, poderiam também eles realizar milagres. O exagero deste velho doutor, e sua consequente excomunhão, se deu por atribuir poderes divinatórios ao jejum, colocando o poder no meio, e não no autor da graça. Seja como for, tal exagero ilustra a importância desta prática hoje muito negligenciada. Não devemos os agitar em um ativismo desenfreado, e esquecer de mobilizar os recursos espirituais. É a oração e a penitência que fecunda nosso apostolado e conquista as bençãos divinas para as nossas obras. Se somos nós homens de fé, homens que vivem não segundo a carne, não segundo o mundo, mas segundo o Espírito, não podemos descuidar das obras do espírito e dos meios que ele nos oferece. Rezemos e jejuemos, Mas, não precisa ser hoje, afinal ainda estamos no período festivo do Natal 😛.

4. Há uma perfeita harmonia entre a epístola e o Evangelho na liturgia de hoje. Harmonia essa que traz um ensinamento necessário a estes tempos de messianismo político. São João nos diz para rejeitarmos o mundo, sua lógica, suas práticas desonestas. No Evangelho de São Lucas, o exemplo de Ana nos convida a prática do Jejum e da Oração.

Como uma fórmula matemática temos que: nossa situação não melhorará se os católicos aderirem a metodologia dos mundanos (mentira, manipulação, fraude, traição) em busca de poder, estes apenas vão piorar as coisas e perder suas almas. A mudança virá por graça divina, adotando os meios espirituais a nossa disposição: jejum e oração.

É melhor jejuar que passar pano pra político safado, e fazer aliança com servos do demônio.

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